Saúde, Lei antifumo, Congresso, Justificativas
da Folha Online
Saúde
"Causa espécie no artigo ('Tendências/Debates', 9/5) das doutoras Andrea Salazar e Karina Grou (que de resto é muito bom) a defesa de que o SUS cobre dos planos de saúde pelo atendimento prestado a seus associados. Os associados de planos de saúde, doutoras, são brasileiros, como todos os demais.Têm os mesmos direitos e podem optar por serem atendidos de forma particular, pelos planos de saúde ou pelo SUS. Eles pagam para ter um direito a mais, não a menos. O contrato do cliente com o plano de saúde é um contrato particular. Suponha que o cidadão bem de vida, sem plano de saúde, consulte um renomado cirurgião (R$ 1.000,00 a consulta), faça cateterismo cardíaco também em caráter particular (R$ 5.000,00) e se interne para fazer a ponte de safena pelo SUS. O governo vai cobrar dele só porque ele se trata sempre em caráter particular? A saúde é um direito de todos e um dever do Estado. E planos de saúde (assim como cursinhos e escolas privadas) só existem porque o governo é incompetente."
CARLOS GUIMARÃES, médico (Curitiba, PR)
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"Com relação ao tema 'A judicialização do acesso à saúde contraria os princípios do SUS?' ('Tendências/Debates', 9/5), concordo com a opinião das dras. Andrea Lazzarini Salazar e Karina Bozola Grou. Não se pode aceitar, em um Estado Social de Direito, pautado na dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CF), que o acesso à saúde, 'direito de todos e dever do Estado' (CF, art. 196), seja limitado pelo Orçamento feito pelo Poder Público. Entendo, com o respeito àqueles que divergem, que é o Orçamento que deve obediência às normas constitucionais, e não os direitos fundamentais garantidos na Constituição que devem ser reféns do Orçamento, lançando o cidadão que não dispõe de recursos à própria sorte."
RAFAEL HAMZE ISSA, advogado (São Paulo, SP)
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Lei antifumo
"Eu não entendo as pessoas que são contra a lei antifumo. Em qualquer lugar do mundo civilizado ela já existe. Como é possível um lugar em que você vai para dançar (chega a ser uma ginástica aeróbica) e fica inalando fumaça? Faz muito tempo que não comemoro um aniversário numa casa noturna porque ninguém quer ir, para ficar impregnado do cheiro de nicotina nas roupas e nos cabelos. Imagina como fica o pulmão. Meu pai morreu por excesso de nicotina no sangue, mas, como todo viciado, não conseguia parar. Um dia todos vão agradecer essa lei, que já veio tarde."
MARIA DE LOURDES DINIZ (São Paulo, SP)
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Congresso
"Os deputados estão planejando uma reforma política à toque de caixa para tentar salvar suas futuras eleições. Seriam os primeiros das listas elaboradas pelos seus partidos. Nós, eleitores, seremos obrigados a oficializar a permanência dos maus elementos que hoje fingem nos representar? A lista fechada vai contra a tradição do cidadão e tira o direito 'sagrado' do eleitor de votar no seu candidato. É um desrespeito à inteligência do cidadão, que pagará para votar, mas não poderá escolher o seu representante. Desse modo será extinto o único meio de o cidadão punir o candidato na eleição, e serão favorecidos os caciques dos partidos. Houve uma grande luta pelas diretas-já, que foi conquistada com grande sacrifício. Ganhamos o direito de votar em quem queremos. Agora, os próprios partidos que lutaram por isso querem jogar tudo na lata do lixo! O saudoso e querido dr. Ulysses Guimarães, se estivesse vivo, ficaria horrorizado com seus colegas. Isso é imoral!"
HELIO MACHADO (São Caetano do Sul, SP)
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"Em resposta ao leitor Jalson de Araújo Abreu ('Painel do Leitor', 9/5), que perguntou se 'seremos obrigados a oficializar a permanência ad perpetuo dos maus elementos que hoje fingem nos representar', referindo-se à reforma política que está sendo aprovada a toque de caixa pelos 'ilustres deputados', eu respondo: não somos obrigados a nada. Tentando fazer a minha parte para limpar essa pocilga, anulo o meu voto há três eleições para todas as instâncias, pois acredito que a única diferença do deputado Sérgio Moraes --que afirmou estar se lixando para a opinião pública-- em relação aos demais 'ilustres' é que o primeiro verbalizou e os demais não expressam o que pensam. São todos farinha do mesmo saco."
ALEXANDRE DANTAS (São Paulo, SP)
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Justificativas
"A Folha está maltratando seus leitores ao publicar notícias em que os protagonistas quase nos fazem chorar da tamanha dificuldade com que respondem aos questionamentos do jornal. Quase chorei ao ler a resposta do vice-presidente do TST, João Oreste Dalazen, dizendo do seu 'enorme sacrifício' em ir para a praia do Forte, no luxuoso Tívoli Ecoresort, levando sua esposa e com tudo pago pela Febraban --ou seja, de graça! Mais triste ainda foi a resposta do deputado Domingos Dutra ao dizer que se sentiu ofendido com um artigo de Clóvis Rossi por ser colocado no mesmo balaio de todos os parlamentares pelo uso indevido de passagens, ao que ele respondeu que só viajou nos piores horários e em voos noturnos --tudo, lógico, pago pela mãe União. Realmente estou às lágrimas ao escrever estas míseras linhas, mas de raiva ao ver tamanha cara-de-pau nestas respostas."
LUIS FERNANDO P. SANTOS (São Paulo, SP)
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