Painel do Leitor
13/05/2009 - 02h30

Produto nacional, general, Petrobras, OAB, Itatiaia, saúde, lista fechada

da Folha Online

Produto nacional

"Aproveitando o mote dado por Hugo Chávez, o ditador da Venezuela, ao lançar no mercado o seu telefone celular 'bolivariano', sugiro o lançamento, aqui no Brasil, dos seguintes produtos personalizados: cueca com bolsos do PT; muro pré-fabricado do PSDB; prancha para surfar marolinha do presidente Lula; óleo de peroba e saco para vômito do Congresso Nacional; cigarrinhos de chocolate do governador José Serra; maquiagem da ministra Dilma Rousseff; luvas para boxe do STF; ração para tartaruga do Poder Judiciário; cofre forte da governadora Yeda Crusius; lixeira do deputado Sérgio Moraes; óculos para praia do governador Aécio Neves; caixão do SUS e nariz de palhaço do eleitor brasileiro."

TÚLLIO MARCO SOARES CARVALHO (Belo Horizonte, MG)

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General

"Após ter lido a espirituosa sugestão de Janio de Freitas ( Brasil, 12/5) de que o Exército contratasse uma empresa de vigilância para proteger suas dependências, pude tomar conhecimento, algumas páginas adiante, do discurso do general de exército Paulo César de Castro quando de sua despedida da chefia do Departamento de Educação e Cultura do Exército ('General responsável pelo ensino no Exército exalta golpe de 64 e ironiza cotas'). O efeito da sobreposição de ambas as leituras foi inevitável: trata-se de um daqueles casos em que se deseja compensar a incompetência em vários níveis através da arrogância indiferente. Esse pastelão seria motivo de riso não fosse a grande quantidade de brasileiros que perderam a vida em decorrência de tamanha estreiteza intelectual."

MARCO ANTONIO SILVEIRA, professor-adjunto do Departamento de História da Universidade Federal de Ouro Preto (Belo Horizonte, MG)

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"Pois é, acabou a ameaça do comunismo, assim como a mobilização da Força a qual pertence o general está também acabando. Suas opiniões estão indo pelo ralo, o ensino se moderniza, e daqui a pouco as cotas serão também implementadas no Exército, assim como já estão atingindo a sociedade.
Que o general não se preocupe com a 'lepra ideológica', mas sim com o ridículo de ver as ideias preconceituosas e atrasadas do 'chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército' serem expostas de um jeito tão constrangedor para um homem de sua idade. Fico com um trecho da frase do seu comandante: 'Ele encerrou o tempo dele...'. Pijama nele!"

PAULO EDUARDO ALVES CAMARGO-CRUZ (São Paulo, SP)

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"O referido general foi tarde. Já deveria estar de pijamão há muito tempo, mas preferiu continuar nas mordomias do Estado. Talvez buscará abrigo sob as vestes do presidente Hugo Chávez, tal qual centralizadores antidemocráticos se entenderão muito bem. Referir-se a 64 como revolução é uma ofensa à inteligência nacional, pois sabemos que foi um golpe dos conglomerados das elites nacionais e internacionais, estes sim continuam a sobrepor-se ao poder dos governos e governantes."

EVANDRO PINHEIRO (São Paulo, SP)

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Petrobras

"Foi divulgado que neste último trimestre a Petrobras teve prejuízo em todas as suas contas e atividades, sendo que alguns em decorrência da queda do preço internacional do petróleo e outros em decorrência da crise mundial. Isso era realmente esperado. O que não se esperava é que o sr. Sergio Gabrielli comparasse essa situação com a 'Geni' do Chico Buarque. Com a crise mundial, a exploração de petróleo no chamado pré-sal também fica inviável, mas o governo quer dar um destaque a isso, que poderá causar mais buracos nas contas da Petrobras. Não seria melhor substituir a 'cumpanheirada' que enfiaram na empresa por técnicos competentes? Diminuiria em muito os custos com pessoal e melhoraria a qualidade dos serviços prestados.
Chega de apadrinhamentos! Não há mais espaço para isso em qualquer órgão público ou empresas estatais."

CARLOS ED. BARROS RODRIGUES (São Paulo, SP)

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OAB

"Congratulo-me com a Folha pelo espaço que vem destinando ao mar de lama do Congresso. Li, com o prazer de sempre, a coluna de Elio Gaspari ( Brasil, 10/5) e não resisto a um brevíssimo comentário.
Gaspari aponta, entre os sistemas eleitorais conhecidos, com suas virtudes e defeitos, o que dá nome ao texto como o mais indecente. É engano. O mais indecente é o sistema eleitoral que rege as eleições da OAB, implantado pela lei 8.906, de 4/7/94 (Estatuto da OAB). É o sistema do votocaixão. A chapa mais votada elege a diretoria e preenche todas as vagas do Conselho, excluindo as 'minorias'. Não há, como antes, pela lei 4.215 (antigo Estatuto), bancada de oposição, por exemplo, em uma disputa entre três chapas, uma com 15 mil, outra com 13 mil e outra com 12 mil votos, sendo que a primeira elege a diretoria e preenche as 50 vagas do Conselho! É a democracia da OAB, a do votocaixão!
Segundo o conhecido conceito, 'Democracia é o sistema constitucional de governo da maioria, em que se asseguram as minorias, no Parlamento, o direito de representação, fiscalização e crítica'. Portanto, a democracia da OAB exclui as minorias e se livra da oposição."

PAULO LEONARDO MEDEIROS VIEIRA (Florianópolis, SC)

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Itatiaia

"Li a reportagem sobre o Parque nacional de Itatiaia e acredito que a prioridade seja a conservação do parque. O único jeito de os moradores permanecerem lá é criando mais que uma consciência ambiental, é fazendo um processo fechado com emissão zero de carbono e zero de pegada ambiental. Do contrário, penso que o melhor caminho é indenizá-los justamente."

JOSÉ VENANCIO MONTEIRO (São Paulo, SP)

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Saúde

"Na seção 'Tendências/Debates' de 9/5 há importantes considerações dos representantes tanto do órgão de defesa do consumidor como da Associação Médica Brasileira em artigos referentes à judicialização do acesso à saúde e os princípios do SUS. A polêmica sobre os recursos progressivos de saúde nos remete à necessidade de profissionais de saúde altamente valorizados e treinados com as melhores evidências cientificas. Seguramente, existem em muitas instituições do país médicos e demais profissionais da área da saúde em excelentes condições e em quantidade suficiente. Mas, de outro lado, convivemos com a preocupante e crescente mediocridade, colocando pacientes em risco devido à falta de financiamento coerente na saúde pública, particularmente na esfera federal. O problema é agravado pela abertura indiscriminada, e sem a devida qualificação, de faculdades de medicina e também pela falta de fiscalização dos cursos já existentes. Também carecemos de educação continuada; valorização dos profissionais com planos de cargos, carreira e salário; e de fiscalização adequada dos planos de saúde, além de um rol abrangente de procedimentos tanto na área pública como na privada. Embora algumas destas carências mostrem pequenas alterações positivas, sem a sensibilização do Congresso e do Executivo, infelizmente restará ao Judiciário prover saúde no Brasil. Quem sabe seja este apenas o início de um novo momento?"

JORGE CARLOS MACHADO CURI, presidente da Associação Paulista de Medicina (São Paulo, SP)

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Lista fechada

"Estamos num impasse muito grande. Se for aprovada a tese da lista fechada, teremos perpetuado os nomes dos políticos que em sua maioria respondem a inúmeros processos e praticantes de todo o tipo de falcatruas, que são as grandes lideranças dos partidos. Se continuarmos a votar em nomes e não for mudada a ideologia dos políticos, poderemos estar criando apenas mais políticos que nunca se incomodam com a população e que estão pouco se lixando à opinião pública. A propósito, será mesmo importante fortalecer os partidos? Se olharmos o que está acontecendo no Estado do Rio Grande do Sul, toda a sujeira da atual governadora pode parar embaixo do tapete, e hoje quem deveria fiscalizar seria o grande beneficiado para não cumprir suas obrigações."

CÍCERO GOMES DA SILVA (Pouso Alegre, MG)

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Juízes

"Não bastasse o mar de imoralidades em que o Legislativo se encontra, agora vem o Judiciário fazendo suas saliências ('Sacrifício dos juízes', 11/5), ao aceitar feriadão em hotel de luxo patrocinado pela Febraban. Não há nenhuma ilegalidade, claro. Mas, convenhamos, qual credibilidade de imparcialidade esses senhores servidores públicos mantidos pelo contribuinte querem me transmitir ao aceitar agrados de entidades privadas? Como diz o ditado, o qual os magistrados têm a obrigação de conhecer muito bem: 'À mulher de César não basta ser honesta. Tem que parecer honesta'."

PAULO RIBEIRO DE CARVALHO JR. (São Paulo, SP)

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