Dilma, Aviões, Terceiro mandato, Educação, Defensoria, Greve na USP
da Folha Online
Dilma
"Acreditem se quiser, mas dificilmente até as eleições de 2010, de acordo com as últimas pesquisas de popularidade do governo petista, os números atuais irão declinar. É um cenário atípico para um segundo mandato, por algumas razões. Primeiro porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exibe uma popularidade recorde para um governante com um longo período no poder e com o comando de um país marcado pelo impacto de uma crise financeira internacional. Em segundo lugar, será a primeira vez na história que um presidente da nova democracia brasileira demonstra ter capacidade de transferência de votos para um candidato à sua sucessão. Na pesquisa Datafolha, publicada no domingo passado, e na pesquisa CNT/Sensus divulgada logo depois, a ministra Dilma Rousseff, que em março do ano passado aparecia apenas com 3% das intenções de voto, apresenta-se agora com a candidatura consolidada. Pelo Datafolha, Dilma aparece em segundo lugar, com 16%, contra o candidato tucano, José Serra, com 38%. A ministra subiu cinco pontos em um mês e Serra perdeu três. Já no levantamento da CNT/Sensus, a ministra subiu de 16,3% das preferências em março para nada menos que 23,5% neste mês, enquanto Serra caiu de 45,7% para 40,4% no período. Serra até aqui continua o favorito, mas sem dúvida a alta e resistente popularidade do governo Lula construiu uma candidatura que o PT não dispunha. Ou seja, daqui para frente os tucanos precisam botar as barbas de molho, pois tudo indica que a ministra apadrinhada do presidente Lula vai emplacar, enquanto o PSDB se digladia para escolher seu candidato..."
TURÍBIO LIBERATTO (São Caetano do Sul, SP)
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Aviões
"Gostaria de opinar sobre os artigos publicados na edição de sábado (6/6) em resposta à pergunta 'Você tem medo de viajar de avião?'. Sou militar da FAB e atuo na área de manutenção aeronáutica, como inspetor de manutenção, desde 2001. Trabalho na aviação desde 1988, sou mecânico de voo e possuo cerca de 2.500 horas de voo --mais de 2.000 delas em helicópteros. Participei de vários resgates aéreos e também já me envolvi num acidente no helicóptero em que voava. Felizmente ninguém morreu, mas a aeronave teve perda total. Excelente o texto do apresentador Ronnie Von, e da mesma forma excelente o texto do escritor Nelson Ascher. O medo existe e deve ser controlado.
Em minha profissão há momentos que tenho medo, é claro! Quando efetuamos em voo situações emergenciais, tipo corte de um dos motores, posso dizer que fico apreensivo, pois, caso algo dê errado, uma situação de emergência real acontecerá. Somente conheceremos um piloto ou tripulante realmente bom naquilo que faz nestas situações, pois o fundamental é conseguir vencer todas as tensões e conseguir gerenciar da melhor maneira possível todo o caos que provavelmente se formará na cabine de comando. Voar é seguro! Quando associado à dedicação, lealdade, experiência e assertividade de todos aqueles envolvidos nesta singular atividade, e nunca esquecendo dos procedimentos dos manuais e do respeito aos limites da máquina. Isso é voar seguro!"
LUIS ANTONIO MARTINS, inspetor de manutenção da FAB (São José dos Campos, SP)
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"Sou português. Com certa frequência, acompanhado de minha esposa, viajamos em aeronaves no percurso Brasil-Portugal. Lemos num jornal que na década de 40 os aviões --turboélices, mais lentos e com menor autonomia autonomia aérea-- faziam uma rota diferente, com escala em Dacar. Decolavam pouco tempo depois, e tomavam o rumo da costa norte-africana até a Europa. Somos absolutamente leigos nesta matéria, mesmo assim atrevo-me a fazer algumas perguntas. Por que se deixou de fazer esta escala? Por que ela implica um gasto maior de combustível? Ou por trazer eventualmente mais perigos nos pousos e nas decolagens? Enquanto não soubermos as razões, optaremos por novas rotas e novos transportes, quiçá o marítimo, ainda que saibamos que levaremos mais tempo para chegarmos aos nossos destinos."
ADALBERTO FERREIRA BARRETO (São Paulo, SP)
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Terceiro mandato
"Essa ideia de terceiro mandato só poderia nascer das cabeças poluídas de certos deputados, certamente do baixíssimo clero, que não têm propostas concretas e ficam vagando pelos corredores e gabinetes de seus asseclas maquinando essas ideias mirabolantes e antidemocráticas. Por que não usam suas prerrogativas para apresentar projetos em favor do povo, sobretudo dos pobres de seus Estados? Alguns desses energúmenos nem sequer sabem o valor do salário mínimo, como mostrou a TV um dia desses. Também, frente a uma oposição inerte e falaz, esperar o quê? Isso é o mínimo do que está por vir daqui para a frente com vista a 2010. A verdade é que essa corja política atual é farinha do mesmo saco. Pergunto: onde estão a UNE, MST, os 'cara-pintadas' e seus adeptos? Estarão sob as benesses do governo, por isso se calam? Reaja Brasil!'
JOÃO CARLOS GONÇALVES PEREIRA (Lins, SP)
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Educação
"'É no mínimo deselegante a crítica do 'consultor em educação' Rudá Ricci à professora Áurea R. Damasceno, em artigo de 4 de junho na seção 'Tendências/Debates'. Gostaria de lembrar que o referido consultor prestou serviços às escolas municipais de Belo Horizonte quando da implantação da tristemente famosa escola plural. De que adiantou?"
MARIA APARECIDA DINIZ BARBOSA (Belo Horizonte, MG)
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Defensoria
"A Defensoria Pública não passa de mais uma mentira contada à Sociedade Brasileira. Ela existe de direito, só não existe de fato, nem em quantidade e nem em qualidade. Os seus membros, quando não são medíocres ou mal-educados, são desinteressados ou irresponsáveis. Aqueles formados em direito por faculdades de quinta categoria e que não tiveram a capacidade de serem aprovados nos concursos para juiz, Ministério Público, Procuradoria do Estado, delegado de Polícia, ou que não conseguem clientes particulares, vão tentar ganhar uns trocados como defensor público, favorecendo a outra parte. Se o governador José Serra ou a OAB não tomarem uma atitude, só continuarão ganhando na Justiça os indivíduos que tiverem dinheiro para pagar um bom advogado, com tráfico de influência ou competência, para pagar propinas para o delegado de Polícia, o Ministério Público e o Judiciário falido. Faz mais de um ano que reclamei de uma defensora pública para a Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado e até hoje não obtive nenhuma resposta."
FRANCISCO ANÉAS (São Paulo, SP)
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Greve na USP
"Em resposta ao editorial 'Moinhos de Vento na USP' (6/6), eu concordo que chamar a PM tem seus motivos legítimos, uma vez que quebrar patrimônio público é um desses excessos cometidos pelos movimentos políticos da universidade que fazem a imensa maioria se afastar deles. Porém é inegável que a reitoria uspiana tem uma chorável inabilidade em lidar com os desacordos políticos e as reivindicações. Afinal, por que ao invés de chamar a PM para proteger patrimônio público ela não evitou que essa possibilidade de quebra-quebra existisse, abrindo espaço amplo para o diálogo?
É dever da reitoria manter a estabilidade disciplinar, sim, mas também é seu dever ouvir adequadamente todos os lados de uma questão e tomar decisões em conjunto. Além disso, gostaria de dizer que é absolutamente duvidosa a 'tradução' feita no editorial sobre a oposição dos manifestantes em relação à Univesp. Bem se sabe que a oposição a ela está relacionada a uma ideia de que ensinos a distância são menos eficientes do que os presenciais; e de maneira alguma esse tal impedimento para que mais estudantes, de menor renda do que a média na USP, desfrutem da universidade pode ser uma interpretação a se dar à reivindicação. Uma interpretação assim é quase uma afronta a quem costuma militar nas manifestações. Aliás, o foco é que esses estudantes de baixa renda possam desfrutar da universidade dentro dela.
Particularmente, eu não sou contra a Univesp, mas acho que ela não pode ser tratada como solução para a falta de vagas, como ela está sendo, e sim como uma alternativa para quem precisa de um curso desse tipo, mas não pode e/ou não quer pagar por ele. Contudo, de fato a USP está dividida em gente que aprova a greve; gente que não aprova a greve, mas apoia a maioria das reivindicações (como eu); gente contra tudo; e gente que se mantém alheia às questões e ignora completamente o que acontece nas políticas da universidade (a maioria). Ao contrário do que se pensa, a USP também serve de reflexo da sociedade brasileira."
JULIA ANTOUN DA FONSECA E SILVA, estudante de história na USP (Santos, SP)
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"Os estudantes e funcionários da USP não passam de uns privilegiados que na outra greve demonstraram o que são --vândalos-- ao depredarem a reitoria. Se passam por esquerdistas, mas na verdades não passam de crianças mimadas que vão estudar com carros pagos pelos pais, ou seja, não sabem nem o que é esquerda ou direita. Façam propostas adultas para melhorar o país ou saiam às ruas contra os escândalos do Congresso e seus políticos. Seria muito mais útil."
FRANCISCO DA COSTA OLIVEIRA (São Paulo, SP)
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