USP, Petrobras, precatórios, Telefônica, Caetano
da Folha Online
Greve na USP
"Algumas pessoas devem ter saudades de uma ocupação da Cidade Universitária de São Paulo em outros tempos: polícia e Exército cercaram o Crusp na madrugada de 17/12/68 e levaram cerca de 1.200 estudantes para o presídio Tiradentes, com base no famigerado AI-5, produzido por um ex-reitor da USP, Gama e Silva. A USP teve bons reitores, mas teve também gente como Gama e Silva! A reitora atual tem em quem se inspirar num lado ou no outro. E parece não importar muito se quem manda na polícia é um ex-líder estudantil nestes dias em que ideias e comportamentos do passado, para os poderosos (quase todos), são vagas lembranças que se apagam."
MOUZAR BENEDITO (São Paulo, SP)
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"'A greve (...) não reflete o pensamento da maioria e dificulta quem quer estudar' (Victor Nogueira do Santos, aluno da USP, 11/06). A greve na Universidade de São Paulo não pode ser confundida com a abdicação do trabalho. Pelo contrário. A greve existe a favor do trabalho. E mais que isso: a favor de trabalho em condições dignas, a favor da liberdade do pensamento universitário, a favor da discussão. Ela é simplesmente um meio indispensável para combater um padrão de reformas que tenta descaracterizar o espaço acadêmico, como a criação da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, que é um ataque contra o debate.
Nós não podemos cair na proposta que nos está posta: 'Somente estudem e trabalhem pelo bem individual, não precisamos de tempo para repensar nada, apenas continuem a rotina'. Precisamos quebrar a rotina, sim! Vivemos num país extremamente desigual, onde pessoas morrem por fome, enquanto outras usufruem dos padrões de consumo das elites dos países desenvolvidos. E agora estamos sucateando a universidade pública, um dos únicos espaços que nos resta para pensar a mudança. Isso já não é um bom motivo para parar o que estamos fazendo e repensar em nosso futuro?
Portanto, dizer que a greve atrapalha aqueles que querem estudar é a escolha do caminho individualista. Estudo é importante, sim. Mas que seja conciliado com o caminho que pensa no coletivo. Desta forma, greve não é sinônimo de ócio.
Não é motivo de orgulho escolher pela rotina quando se sabe que ela é a perpetuação dos privilégios de uns em contraste com o sofrimento de outros."
MARCELO PEREIRA INTROÍNI, aluno de economia da Unicamp (Campinas, SP)
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"O sábio professor José Arthur Giannotti resumiu perfeitamente o que está acontecendo pela enésima vez na USP. Mesmo assim, gostaria de acrescentar minha opinião, uma vez que eu amo a USP!
Tudo o que consegui na vida devo à USP, e faço o possível para devolver à sociedade o que recebi através do ensino público de qualidade. Sou dentista, formada pela USP em 1982, tenho um filho formado pela Escola Politécnica da USP em 2006 e minha filha está cursando o terceiro ano da Faculdade de Economia e Administração da USP.
Infelizmente, desde meus tempos de estudante é a mesma história. É um grupinho interessado em se promover, para se manter no poder dos sindicatos de funcionários e professores para angariar prestígio, mordomias e até um 'futuro político' se valendo dos estatutos. A violência se manifesta na depredação do patrimônio da USP, nas agressões àqueles que querem trabalhar ou assistir às aulas. Chegam à agressão fisica literalmente ao colocarem carros de som debaixo da janela das salas de aula daqueles que não aderiram à greve e ao ofendê-los aos gritos de megafone, chamando os colegas 'pra briga'. Um horror! Existe até uma famigerada 'tia da greve', personagem conhecida até no YouTube.
Este grupinho de funcionários consegue facilmente envolver os alunos mais exaltados (geralmente alunos dos cursos de ciencias humanas), viúvas dos anos da ditadura, verdadeiros dom Quixotes combatendo 'moinhos de vento' de um tempo em que eles nem eram nascidos ainda. As assembleias que decidem estas greves e manifestações não chegam a contar com 1% dos alunos, e as votações são manipuladas até que se tenha o quorum desejado pelos grevistas. Isso é democracia? Mesmo o mais consciente estudante não consegue romper este esquema do grupo dominante que sabe todas as artimanhas para se perpetuar no poder.
A reitora pede proteção à polícia para zelar pelo patrimonio público. A PM cumpre o seu papel. São provocados ao máximo, alguns policiais foram parar no hospital devido a garrafadas e pedradas dos grevistas. Quantos estudantes e/ou funcionários estão machucados? O que o governador Serra tem a ver com isso? Que 'malandragem' querer espirrar esse evento até na sucessão presidencial.
Enquanto isso, como escreveu muito bem o professor José Arthur Giannotti, a situação das universidades está cada vez mais difícil! A luta a ser travada deveria ser para melhorar o ensino público desde as primeiras letras até a universidade, para o bem de todos."
ELIZABETH GARCIA VEIGA MANGUINO (São Paulo, SP)
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Petrobras
"A melhor e mais completa frase que vi neste jornal sobre o caso da Petrobras foi do dr. Marum, promotor de Sorocaba ('Painel do Leitor', 10/6). A Petrobras não é mais nossa. A Petrobras é dos petistas, sindicalistas e integrantes do governo, que não dão o direito de qualquer outro cidadão brasileiro saber o que se passa em sua administração."
EVA MARCÍLIO (São Carlos, SP)
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Precatórios
"Funcionária municipal desde 1969, aposentada em 1994, passei por várias administrações de partidos políticos diferentes. Desde 1983 sou eleitora fiel do PSDB. Porém, ao ligar a TV, vi uma reportagem sobre os precatórios que me chocou pela falta de respeito e ética. O senhor secretário das Finanças, irritado, se referiu aos credores do calote como sendo as 'viuvinhas dos precatórios'.
Senhor secretário, essas senhoras são eleitoras e provavelmente não vão mais incomodá-lo, pois deixarão de votar no seu partido, PSDB-DEM, assim como eu."
ROSE MARY VILELA CORONATO (São José dos Campos, SP)
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Telefônica
"A Telefônica desde o início de suas atividades no Brasil passou a terceirizar (subcontratar) todos os serviços sob sua responsabilidade, conseguindo com isso lucros fantásticos, como mostra o seu último balanço. Deu no que deu, e estamos cansados de ver, agora com essa pane monumental que paralisou até serviços de polícia, bombeiros, resgates médicos etc. Nem adianta mencionar a Anatel, porque esta, infelizmente, tem ainda menos responsabilidade para com a população. É um órgão que no governo Lula se tornou quase inútil, sem nenhuma força para exercer o que seria a sua atividade: fiscalizar e punir."
PAULO SERÓDIO (São Paulo, SP)
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Auschwitz
"João Pereira Coutinho ( Ilustrada, 9/6) escreveu um artigo que nos faz pensar. Claro que Auschwitz não é bonito, mas, infelizmente, para aqueles que acham que 'bandido bom é bandido morto', não só Auschwitz 'é bonito' como, também, Guantánamo, Carandiru, DOI-Codi, os gulags soviéticos, os paredões cubanos, o genocídio armênio, a repressão chinesa na Praça da Paz Celestial etc. são 'maravilhosas'."
MARCELO CIOTI (Atibaia, SP)
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Caetano
"'Minc veta verba a Caetano', manchete da Ilustrada de ontem, mostra o outro lado da moeda que pouca gente conhece: dinheiro público para artistas famosos e bem-sucedidos, como o próprio Caetano Veloso, que pede R$ 2 milhões ao Ministério da Cultura em nome da Lei Rouanet para realizar uma turnê no Brasil.
A justificativa para negar a liberação do dinheiro foi muita clara e verdadeira: o cantor não precisa deste tipo de incentivo para realizar seus shows. Caetano tem capacidade intelectual e financeira para executar eventos independentes."
SÉRGIO MORADEI DE GOUVEA (Ubatuba, SP)