Jornalismo, Sarney, Congresso, Maconha, Universidade, Aposentados
da Folha Online
Jornalismo
"Chega a ser absurdo ver com tanto desdém a notícia do fim da exigência de diploma para jornalistas, principalmente ao abrir os jornais e perceber que nem mesmo os colegas de profissão estão interessados em divulgar, protestar ou sequer questionar essa medida que põe abaixo quatro anos de estudos.
Ao ler os jornais constatei o pior: a notícia da votação no STF (que decidiu pelo fim da obrigatoriedade do diploma para jornalista) estava, na maior parte dos jornais, como uma simples nota, esquecida num canto de página.
Nessas horas me pergunto: como vamos alcançar melhorias para a classe jornalística se não conseguimos nem utilizar a nossa profissão para reivindicar o registro tão necessário para que se formem profissionais críticos e qualificados? Como cobrar ética dos jornalistas que saem das universidades se não será preciso nem mais entrar em uma?
Ao ouvir no tribunal um ministro, juiz, advogado ou presidente da corte dizer que 'quem quiser se profissionalizar como jornalista é livre para fazê-lo, porém esses profissionais não exaurem a atividade jornalística. Ela se disponibiliza para os vocacionados, para os que têm intimidade com a palavra', somente respalda a afirmativa de que esses profissionais conhecem muito pouco ou desconhecem a nossa profissão. Vou além: é sinal de que estão mais interessados em ter amigos que escrevam a seu favor do que profissionais realmente interessados em divulgar a realidade tão triste que vivemos a cada dia nesse país.
Daqui a pouco vai tudo acontecer assim: pedreiro pode ser engenheiro; quem decorar a Constituição pode advogar; quem sabe dirigir não precisa de habilitação; enfermeiro pode ser médico. Afinal, como disse o nosso querido Gilmar Mendes, tudo é questão de vocação e intimidade com a área."
JULIANA ROCHA, jornalista (Nova Lima, MG)
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Sarney
"'Aqui não tenho o Senado para atrapalhar-me' --José Sarney em sua coluna de 19/6. Ficou claro, né?"
ALLAN GREGOLIM (São Paulo, SP)
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Lula e Sarney
"Uma vez mais defendendo o indefensável, nosso presidente afirma que 'Sir Ney' 'tem história suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum'. Deixando de lado o elitismo da declaração, que separa as pessoas em classes, é desalentador saber que na ótica torta do presidente 'pessoas comuns' são culpadas até prova em contrário e os amigos incomuns do presidente são inocentes a despeito de qualquer prova a favor."
CARLOS ALBERTO BÁRBARO (Teresina, PI)
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Congresso
"Existem três tipos de políticos no Brasil: os que corrompem; os que se corrompem; e os pertencentes ao terceiro grupo, que blindam os dois primeiros, escamoteando suas contravenções, rechaçando com veemência as mazelas praticadas, obstando a apuração de denúncias, atribuindo à mídia a responsabilidade das falcatruas ocorridas, enfim, varrendo para baixo do tapete toda sujeira que permeia os meios políticos do país. Que Deus nos ajude nas próximas eleições."
MAURILIO POLIZELLO JUNIOR (Ribeirão Preto, SP)
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"É triste dizer isto: por abominável que fosse, até mesmo o AI5 foi publicado. O mínimo que se requer de um Senado é que assuma seus atos. Todos culpados, até prova em contrário: os autores, os que se aproveitaram e seus parentes, os que os defendem e os senadores que não falam nada a respeito.
Com um Senado desses nossa democracia não precisa de inimigos."
ALBERTO DWEK (São Paulo, SP)
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Maconha
"Estou absolutamente indignada com as declarações prestadas pelo senhor ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, defendendo a legalização da maconha. Não é necessário ser um 'estudioso do tema' para saber que estatística e cientificamente está comprovado que o uso desta droga é apenas um passo, um degrau a ser subido, para drogas mais pesadas.
Usar a comparação com a Holanda é um fraco argumento. Afinal de contas, o Brasil deve sempre seguir o caminho de outros países? Devemos cultivar, por exemplo, os hábitos dos norte-americanos? O país mais rico do mundo tem a vasta maioria da população com sobrepeso decorrente da má alimentação, altíssimos níveis de colesterol e talvez o maior índice de óbitos cardíacos do planeta. Por que seguir a Holanda?
Lamento que, na cúpula do governo federal, uma autoridade que deveria dar dignos exemplos às nossas crianças e adolescentes declare publicamente ser a favor da facilitação, motivação, estímulo do uso de uma droga como a maconha.
Devemos pensar com responsabilidade no futuro dos nossos filhos, e não com inconsequência."
FERNANDA HESKETH (São Paulo, SP)
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Doutores
"Ao ler a matéria 'Nota de bolsista é igual à de aluno pagante' ( Cotidiano, 15/6), confesso que o bom desempenho dos alunos do ProUni me deixou feliz e envaidecido. Entretanto, causou-me estranheza o comentário do leitor José Oscar Beozzo ('Painel do Leitor', 17/6). Eu, que fui contemplado com bolsa integral do ProUni por quatro anos, me formei e hoje sou aluno de uma instituição pública estadual (Unesp), vejo nitidamente a diferença na qualidade do ensino entre os estabelecimentos. Como a própria Folha publicou no penúltimo domingo (7/6), o índice de doutores nas instituições de ensino público no Estado de São Paulo beira os 93%. Isso se reflete claramente no ensino. São raras as universidades particulares que se baseiam no tripé ensino, pesquisa e extensão. Sendo assim, o custo de um aluno na rede pública pode ser maior e às vezes até mesmo exagerado. Porém, não custa ressaltar que a maioria da produção cientifica brasileira está alicerçada na universidade pública. Faz-se importante salientar também que são apenas três ou quatro universidades particulares de ponta no país inteiro (FGV, Mackenzie, Puc's) e que o grosso dos melhores profissionais do mercado são oriundos dos bancos das universidades públicas. E olha que essas instituições ainda são pungidas com corte de verbas, professores que se aposentam e não são substituídos e constantes paralisações. No caso das federais, há ainda o Reuni, sem falar na perpetuação dos cursos à distância. Apesar de o ensino superior brasileiro como está ser altamente excludente (daí um dos grandes méritos do ProUni), o comparativo não é eficaz pelo gasto entre dois alunos de mesmo curso e, sim, pela grade curricular ao qual esses alunos têm acesso, pelo corpo docente e todos os outros aspectos que influenciam na vivência universitária."
GUILHERME MORAES (São Paulo, SP)
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USP
"Não, Marcelo Coelho. USP dos alunos e funcionários x a tropa de resquício de choque da ditadura, não dá! Mas tropa de elite e outras tropas podemos comparar, pois enquanto conclui que os culpados pelo choque na USP foram os alunos, professores e funcionários que, por omissão, não resolveram os seus problemas internos, apelando à força pública repressora à sua disposição, no filme se os culpados pelo tráfico de drogas são a classe média que financiam o ilícito. Sua 'moderna' doutrina é da mesma estirpe da tese de outra tropa de elite, a do senador José Sarney, que não se considera errado ao ter contratado parentes por intermédio de táticas escusas, já que o problema é de reforma do Senado e não de sua 'ilibada' conduta. Tanto no seu comentário como no filme, e no Senado, concluem que a solução dos problemas consequentes dependem de causas antecedentes. Estas difíceis ou impossíveis de se resolverem. Conversa de quem, pelo impasse, se beneficia. Culpar vítimas e aguardar que forças ocultas virem luz é participar da bandalheira e aconselhar a mansidão bovina frente ao inevitável."
PAULO RESENDE (São Paulo, SP)
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Aposentados
"É lamentável, deplorável, assustador, desolador. É com muita tristeza que nós aposentados vimos o deputado José Eduardo Cardoso ser entrevistado na TV Rede Vida no dia 16/6 no Programa Independente quando lhe perguntaram sobre o resgate da dívida do Estado para com os aposentados da Previdência Nacional. Aquele deputado simplesmente respondeu: 'Nós conhecemos o problema do aposentado no Brasil mas nada podemos fazer sendo deficitária. Não há dinheiro na Previdência'.
Esse deputado é portador de uma postura até elegante, um homem de cultura elevada, professor, de uma oratória invejável com vocabulário eloquente nos levando a perguntar: o que será que está por detrás de um homem desse timbre que o faz defender o governo do presidente Lula, afirmando que a Previdência não tem dinheiro? Deputado José Eduardo Cardoso, vossa excelência pode enganar todos os brasileiros com sua panca, mas a mim não engana. Vossa Excelência é uma mentira, porque sabe muito bem que não é isso que está acontecendo com o nosso dinheiro. Dinheiro de contribuição de meses e meses, anos e anos e que sempre nos roubaram e que vocês da posição não se acham com a obrigação de pagar a conta. O senador Romero Jucá, com todo o seu cinismo, nojento no falar, antipático, os aposentados o odeiam, mas foi o único que falou a verdade até agora dizendo: 'Não vamos pagar a conta deixada pelos nossos antecessores'. É verdade, mas, ao mesmo tempo, palavras de um ignorante que nem sabe o que venha a ser governo democrático, que nada mais é que a continuidade da administração pública. Para mim, sendo um trabalhador aposentado com 68 anos, vocês do PT não passam de um bando de moleques levianos, inconsequentes e irresponsáveis. Vocês que estão nos negando um direito, o dinheiro da Previdência está sendo usado para outros programas sociais. Falem e assumam a verdade. Vocês nos invejam porque conseguimos nos aposentar pelo trabalho e suor e vocês o que estão fazendo?"
MARIO SANCHES (São Paulo, SP)
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"Dias atrás a Folha de S.Paulo, em uma de suas edições, publicou a rejeição de recursos contra processos ingressados na Justiça por milhares de aposentados de todo o país e acreditamos que tenha sido apreciado pelo presidente da República. É evidente, já que ele, presidente, deve ter tido participação com o seu aval nessa questão.
Parece-me que dessa vez os sofridos aposentados que dependem exclusivamente dos benefícios da Previdência Social poderão passar um Natal mais feliz. Porém, não se sabe qual o ano em que este Natal acontecerá. Dependerá do bom senso de quem está em favor desses 2 milhões de aposentados que lutam por seus direitos de reajuste, mormente agora em que se avizinham as eleições de 2010. Afinal, esperança é a última que morre. Vamos aguardar."
ALESSIO CANONICE (Rio Claro, SP)