Lattes, Lula, Senado, Nina Horta
da Folha Online
Lattes
"Entre as sugestões para melhorar a confiabilidade da Plataforma Lattes, não concordo com a do professor Antonio MacDowell de Fiqueiredo ('Painel do Leitor', 10/7), de ligar o Lattes ao sistema das universidades. Isso complicaria muito o sistema, com mais relatórios, projetos e formulários infernais do que os que já temos que preencher para a universidade, para o CNPq, a Capes etc. É muito mais simples, para fiscalizar os currículos, que os interessados imprimam o que viram na tela e verificar a veracidade, comunicando ao CNPq (e ao mundo) a irregularidade encontrada."
CARLOS BRISOLA MARCONDES, professor doutor da Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis, SP)
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"A cada vez que atualizo o meu currículo no Lattes devo: a) entrar no sistema com o meu CPF e a minha senha e b) concordar com: 'Declaração: O solicitante declara formalmente que está de acordo com o Termo de Adesão e Compromisso da Plataforma Lattes. (Declaração feita em observância aos artigos 297-299 do Código Penal Brasileiro)'.
Assim, quem falsifica dados no Lattes deve ter CPF e senha própria e se expor a ser enquadrado pelos crimes seguintes: 1) Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro (art. 297); 2) Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro (art. 298) e 3) Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante (art. 299).
A Plataforma Lattes vem, entre outras muitas coisas, contribuindo para profissionalizar, finalmente, as relações entre pessoas e instituições que fazem ciência e tecnologia neste país. Os mitos sobre pessoas caem por terra.
Desvendar crimes merece todo o apoio da sociedade. A Folha, em mais essa campanha de desmascarar criminosos, deve contribuir para fortalecer a Plataforma Lattes, iniciativa essencial para a construção do sistema de ciência e tecnologia do Brasil."
HERNAN CHAIMOVICH, professor-titular da Universidade de São Paulo e vice-Presidente da Academia Brasileira de Ciências (São Paulo, SP)
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Lula
"A estratégia é primária, mas surpreende pela eficácia e abrangência para anestesiar e desviar a atenção de um povo já distraído das coisas sérias e graves que estão ocorrendo no nosso país. A sorridente distribuição de camisas da seleção brasileira a colegas do G5 tem lá fora efeito cosmético, tipo 'playground', útil para 'quebrar o gelo' nas sérias e profundas discussões de interesse global, transcende de longe o 'olho no lance' futebolístico, porém é util para vender a imagem de 'irmandade' global.
O presidente Lula e seus conselheiros sabem muito bem disso, mas o alvo do nosso 'showman' é respaldar sua figura como estadista já do Pirmeiro Mundo, 'posando' ao lado dos grandes mandatários com 'expertise' para dar conselhos a Barack Obama e Nicolas Sarkozy. Suas aparições espertas alcançam assim projeção internacional que, aqui no Brasil, tem alavancagem e alcance do feito ampliado, impressionando de forma a reforçar na galera o culto de personalidade do operário presidente com o maior número de horas de voo no planeta.
A faceta promocional predileta do nosso presidente é o futebol, mas não é a única, por isso paira acima de tudo e se autoproclama impoluto e arauto mundial de uma nova ordem: futebol, paz e amor.
Tem o poder mágico de transformar um pântano (Senado) numa lagoa azul. Transforma tempestade em marolinha e multiplica os pães milagrosamente. Realmente, Deus é brasileiro, e na sua infinita sabedoria, deve conhecer a razão pela qual o pântano (Senado) com 81 senadores tem um custo de R$ 2,7 bilhões, superior ao orçamento do município de Campinas, com mais de 1 milhão de habitantes, cujo montante é de R$ 2,5 bilhões. Oremos!"
PAULO VICENTE DE OLIVEIRA (Águas de São Pedro, SP)
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"A trajetória de Lula é a de um líder operário e negociador (patrão versus empregado). Assim também está sendo enquanto presidente da República (países poderosos-G7 e países pobres-G20). Não é um marxista que nega a perspectiva de conciliação de classe. Não é um conservador que reage a mudanças. É um homem de esquerda ou, no máximo, de centro. No mundo do pós-Guerra Fria, representa um avanço. Agora, só as contradições do capitalismo vão nortear o futuro."
ANTONIO NEGRÃO DE SÁ (Rio de Janeiro, RJ)
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Senado
"O Senado deveria ser o exemplo para toda a classe política. Infelizmente, isso não está acontecendo em Brasília. E não é uma situação nova. Não faz muito alguns presidentes dessa Casa de leis foram obrigados a renunciar para não serem cassados. E não se tem conhecimento da aplicação de punição a nenhum deles. Em seguida, precisa ser levado em consideração o fato de que uma Mesa Diretora tem vários integrantes. O presidente ou um outro integrante pode tomar atitudes sem que os outros saibam? Não se pode deixar de lado também que Sarney foi eleito numa composição que contou com o apoio ostensivo dos partidos de oposição. Que hoje estão pedindo sua renúncia. Esses senadores desconheciam as acusações? E, por fim, se houver um acordo para a instalação da CPI da Petrobras, o atual presidente do Senado fica no cargo. Como entender essa jogada? Como se conclui, estamos diante de um estilo de política que em nada colabora para o conceito que esse segmento deve ter. O que é lamentável e motiva críticas a todos."
URIEL VILLAS BOAS (Santos, SP)
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"Que dança é essa que dançam lá em Brasília: empregam todo mundo, menos minha família? Confesso que ainda não sei por que lá em Brasília só tem boca pro Sarney! O Sarney só diz: não sei, não fui eu, não é comigo. E o Lula, como um eco, ecoa: deixem o meu amigo. Pelo amor de Deus, parem com essa palhaçada!"
AGNELO CAMPOS (Pirangi, SP)
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Nina Horta
"Nina Horta, em 'O frango do leitor' (Ilustrada, 9/7) alude a cenas de infância do leitor, realmente como ela escreveu. Somando-se a isso, veio a mim o conto de Mário de Andrade ('O peru de Natal'). Este associa o peru ao pai do menino protagonista e ao grupo que assistia a cortar pedaços do peru. Tragicômico. O frango de Nina é nosso também; os retalhos dados aos filhos, pois antes os pais possuíam mais preferência, eram supremos e bem-vindos. Hoje a realidade mudou, pois os frangos fracos são ofertados a nós em pedaços ( muitos até temperados) e sob medida para cada família. E o respeito? E a obediência? Alguns pontos deveriam voltar para serem valorizados enquanto sociedade. Parabéns, Nina!"
VITÓRIA DENCK (Curitiba, PR)
