Lula e Collor, CPI da Petrobras, papa
da Folha Online
Lula e Collor
"Ao ver a foto do abraço de Lula e Collor, pensei imediatamente no clichê: 'uma foto vale por mil palavras'. A certeira legenda da Folha à foto ('Os bons companheiros') prova que as palavras podem ser ainda mais reveladoras. A partir de ontem, apenas os tolos continuarão a ver diferenças entre Lula, Collor, Sarney, Maluf etc."
CARLOS ALBERTO BÁRBARO (Teresina, PI)
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"Só mesmo uma imensa falta de caráter ou uma ambição desmesurada de Lula pelo poder poderia produzir a inacreditável foto dele com Collor em Alagoas, abraçando-o efusivamente e declarando-o seu grande aliado.
Collor, antes inimigo mortalmente odiado, desferiu um dos golpes mais baixos da nossa história política ao usar em seu programa eleitoral a mãe da primeira filha de Lula, Miriam Cordeiro, que o acusou de lhe ter oferecido dinheiro para que abortasse e declarou que ele detestava negros, acabando com as chances de Lula em 1989."
RONALDO GOMES FERRAZ (Rio de Janeiro, RJ)
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"A foto retrata e resgata a política conservadora e do vale-tudo. Traz à tona o compadrio dentro da visão equivocada da governabilidade. Pensávamos sim, nós brasileiros, que a política se modernizava, que as oligarquias eram um pensamento antigo, mas o discurso do avanço do atual governo federal, na sua posse, atualmente torna-se coisa do passado e esquecido. Estamos com a política 'é dando que se recebe' da carcomida e já envelhecida Arena. Portanto, de agora em diante, devemos lutar para a construção de um Estado Democrático de Direito, incluindo o fortalecimento do Estado, o resgate de sua autonomia política e financeira e a elevação de suas instâncias de poder à condição de palcos para o resgate da participação popular em todos os níveis de governo e uma urgente reforma eleitoral a ser discutida com a sociedade (movimentos sociais, sindicais, igrejas etc.)."
VLADIMIR DE FRANÇA (Curitiba, PR)
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"A foto da primeira página da Folha de 15/7 retrata bem os políticos de hoje. Em que mãos ficamos! Quanta cara-de-pau."
GERALDO DE SOUZA REZENDE (Caraguatatuba, SP)
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"Se nós brasileiros achávamos que já estávamos no limite da capacidade de constatar cenas e acontecimentos bizarros do atual governo, nos deparamos com o mais incrível: Lula e Collor no mesmo palanque e, ainda, Lula tecendo elogios ao ex-presidente, enfatizando a excelente sustentação que Collor está dando ao governo. Nada mais nos espanta! E de quebra sobraram elogios para Renan."
SERGIO EDUARDO STEMPNIEWSKI (São Paulo, SP)
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CPI da Petrobras
"Finalmente foi instalada a CPI da Petrobras, apesar dos ingentes esforços do governo Lula para impedi-la. A nação brasileira terá, agora, a oportunidade de conhecer as denúncias de corrupção, evasão de pagamentos de tributos federais, contratos e aditivos feitos sem licitação pública como determina a lei, amplamente divulgadas pela mídia nacional, mormente pela nossa Folha."
ROBERTO LADEIRA (Belo Horizonte, MG)
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Encíclica
"A encíclica do papa Bento 16 com recomendação para uma maior civilidade na globalização, na regulamentação da economia e na responsabilidade ambiental deve merecer de todos os católicos e não católicos apoio incondicional, já que os temas tratados envolvem a construção de uma ética humanística válida para toda a humanidade, e não guarda, em si mesma, qualquer coloração religiosa.
O que deveria ser objeto da preocupação papal não é o laicismo que recobre necessariamente o Estado democrático, mas o número expressivo de políticos envolvidos em falcatruas e desvios de dinheiro público que seguem a doutrina cristã, usam o santo nome de Deus em vão adornando seus gabinetes públicos com crucifixos, participando ativamente de missas e cultos, enfim, são fiéis à prática cristã e infiéis à ética cristã. É preciso criar mecanismos para regular também esse paradoxo. Atenção: livre-arbítrio não responde a essa questão."
ÂNGELA LUIZA S. BONACCI (São Paulo, SP)
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Orçamento paralelo
"Em relação ao editorial 'Orçamento paralelo' ( Opinião, 13/7), cabe esclarecer alguns pontos sobre a execução do orçamento do governo. A despesa orçamentária pública é executada em três estágios: empenho, liquidação e pagamento, de acordo com a lei nº 4.320 de 1964. O empenho é a reserva que se faz da dotação orçamentária da despesa para o seu posterior pagamento. Antes deste último, porém, há a fase da liquidação, na qual ocorre a verificação, pelo gestor público, da entrega do bem ou da prestação do serviço pelo fornecedor ao governo. Só depois da verificação do efetivo cumprimento da obrigação do fornecedor é que a administração faz o pagamento da despesa. O que ocorre é que nos últimos meses do ano o governo empenha a despesa, mas a efetiva entrega do bem ou a prestação do serviço pelo fornecedor só ocorre no exercício seguinte, fazendo com que a despesa executada no exercício corrente só seja paga no próximo exercício. Isto é que são os restos a pagar: são as despesas empenhadas num ano, mas só pagas no ano seguinte. Entretanto, isto não tem nada a ver com 'deficiências de gestão da máquina pública'. Tem a ver sim com a circunstância supracitada, de a despesa ser contraída no fim do exercício e a efetiva entrega do bem ou a prestação do serviço pelo fornecedor só ocorrer no exercício subsequente, o que faz com que o pagamento da despesa não ocorra no mesmo exercício da sua realização. Porém, a culpa não é do governo, tendo em vista que a administração pública só pode pagar o fornecedor depois que este cumpre o seu compromisso com o Estado."
CARLOS FREDERICO RUBINO POLARI DE ALVERGA (Brasília, DF)
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Valores
"O artigo 'Valores' ( Opinião, 15/7), de Clóvis Rossi, traz uma informação preciosa: a de que os brasileiros estão em busca de uma nação que cultive valores éticos importantes, como respeito, honestidade e outros, em resposta à pergunta 'O que deve mudar no Brasil para sua vida mudar de verdade'?
Tal constatação constará do próximo relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil, realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e surpreendeu positivamente até o colunista da Folha. Penso que a constatação acima nos remete a uma outra reflexão: quando será que o nosso país terá um estadista que, catalisando tal anseio popular, consiga chegar ao poder e executar as medidas para mudar a triste realidade que vivemos hoje? A vaga está aberta, sendo que Lula poderia ter desempenhado tal papel e não o fez. Se será ocupada é uma incógnita. No dia em que isso acontecer, pelo menos a minha vida mudará."
JOSÉ ELIAS AIEX NETO (Foz do Iguaçu, PR)
