Gripe, Pedágios, Juca Kfouri, Odebrecht, Psicóloga
da Folha Online
Gripe
"Por que, só para variar, os meios de comunicação não experimentam fazer o inverso do que vêm fazendo até agora? Comecem a divulgar quantas pessoas têm sobrevivido à gripe suína. Posso garantir que tem sido um número infinitamente maior do daqueles que têm vindo a morrer. Talvez assim a população ficasse mais tranquila em relação a essa doença. É muito fácil dizer que as pessoas estão morrendo por causa da gripe. E as outras doenças, como a tuberculose e a meningite, que são extremamente transmissíveis pelo ar? Por que não divulgam as dezenas de mortes diárias que acontecem no Brasil e no mundo por causa delas? Torna-se muito cômodo para a indústria farmacêutica e para as refinarias que produzem álcool atormentar a mente deste povo, que já sofre com todas as mazelas sociais proporcionadas pela corrupção e pela má administração dos serviços públicos federal, estadual e municipal."
FELIPE CORRÊA PONTES NOGUEIRA (Curitiba, PR)
*
"A respeito da não liberação do antiviral Tamiflu para todos os pacientes infectados com o novo vírus, Caio Rosenthal falou no sábado à Folha que, se o vírus criasse resistência, 'os que realmente precisam do remédio vão sofrer as consequências'. Isso significa que aquele paciente que demorou três dias para revelar os sintomas da forma mais grave dessa gripe ou aquele que não se enquadra em grupos de risco não vai 'sofrer suas consequências'? E esses mesmos pacientes não deverão receber o único medicamento no país indicado para sua doença? O mais aconselhado, sem dúvida, seria isolá-los e medicá-los. Dessa forma o vírus, por mais que se apresente resistente ao remédio, não trará implicações aos outros, pois ele não chegará até eles. No final de casos como esses, poderá, no mínimo, dizer-se que alguma coisa se tentou fazer."
MARCELO LUCCHESI MONTENEGRO (Curitiba, PR)
-
Pedágios
"Triste coincidência: o trecho recém-licitado da rodovia Marechal Rondon entre Bauru e Pirajuí está tomado por buracos, que até hoje não foram corrigidos pela nova concessionária, mesmo há três meses cobrando pedágios maiores. Existe hoje jurisprudência consolidada nos tribunais de que a concessionária e seus usuários têm uma relação de consumo, regida pelos termos do Código de Defesa do Consumidor: quem recebe o bônus (tarifa do pedágio) deve também arcar com o ônus (manter as rodovias seguras e em bom estado). Se um prestador de serviço não faz seu serviço a contento, ele é penalizado com o não pagamento ou com a redução do que recebe. Mas, como a concessionária recebe adiantado, se tentarmos não pagá-la, somos multados.
Consultando os editais de concorrência mais recentes na pagina www.artesp.com.br se pode visualizar que quase nada é pedido pelo Estado em relação aos direitos do consumidor, e menos ainda é feito para esclarecê-lo sobre seus direitos ou punir os excessos. O governo de São Paulo tem primado por obter das concessões os maiores valores possíveis e praticamente em nada se preocupa com os direitos de nós, cidadãos, que pagamos a conta. Já o federal, que se diz contra a privatização na teoria, tem reguladoras que são verdadeiras piadas _vide a Anatel e mais ainda a Aneel. As agências reguladoras que, segundo o modelo que funciona em outros países, deveriam regulamentar os serviços, acabam nas mãos de políticos profissionais, que cedem à pressão dos grandes grupos econômicos, sem falar de outros interesses, nem sempre confessáveis."
MÁRCIO MILTON CARVALHO (Bauru, SP)
-
Juca Kfouri
"Convicções religiosas católicas, protestantes, muçulmanas, budistas --ou outra qualquer, obviamente-- estão intimamente ligadas a tudo o que fazem as pessoas que as possuem. O exercício da profissão não constitui exceção. Por acaso o sr. Juca Kfouri nunca viu um motorista católico fazendo o sinal da cruz ao assumir o volante do seu veículo? Nunca testemunhou um jogador de futebol católico repetindo o mesmo gesto ao entrar em campo para uma partida? Por que o artilheiro evangélico não poderia apontar para o céu na conclusão do gol? Por que o goleiro evangélico não poderia fazer o mesmo no momento da defesa magistral? E o torcedor católico, na arquibancada, fazer o sinal da cruz pelo mesmo motivo. Gestos obscenos fazem aqueles que, por não terem recebido boa educação, não sabem respeitar o próximo. Quer dizer então que agora pessoas religiosas não podem mais expressar suas convicções só porque isso incomoda quem não as possui? Pena que o articulista não tenha aprendido as boas lições de tolerância ensinadas por Gramsci. Certo mesmo estava o pai do jornalista. Falta-lhe cultura, não só para se declarar ateu, mas também para respeitar opiniões e convicções diferentes, como fazem os bons jornalistas."
TÉRCIO ROCHA (Goiânia, GO)
*
"O que Juca Kfouri disse deveria servir de exemplo para todos nós! O que sempre aconteceu, mas parece que ninguém quer enxergar, e que continuará acontecendo se não fizermos algo a respeito, é que 'líderes espirituais' sempre usam o fator intolerância religiosa para se protegerem de todos os tipos de críticas, e assim se manterem intocáveis, enquanto vociferam todos os tipos de discriminações (sexuais, religiosas etc.), organizam multidões para elegerem seus candidatos, misteriosamente enriquecem de um dia para o outro, e por aí vai. Vamos parar para pensar um pouco. Seria mesmo o Kaká o melhor exemplo para nossas crianças? Um rapaz que já declarou publicamente que 'não liga' se os pastores de sua igreja são ladrões, pois, para o jogador, eles são abençoados? Eu, assim como qualquer pai decente, não gostaria que meu filho patrocinasse bandidos de qualquer espécie!"
CARLOS DANIEL NEGRINI VITALINA (Taubaté, SP)
-
Odebrecht
"Sinceramente nunca me senti atraído em ler os textos do empresário e recentemente articulista Emílio Odebrecht. Mas, em minha opinião, seu texto publicado ontem ('Empresários e empresários', 2/8) construiu uma das mais completas sínteses sobre o conceito de 'Gestão Empresarial Corporativa'. Agradeço ter podido continuar a aprender com seus argumentos."
EDUARDO TOLEDO (Campinas, SP)
*
"Na coluna 'Empresários e empresários', o grande empresário deveria incluir também 'os empresários que colaboram com todos e qualquer partidos políticos 'sem segundas intenções' e aqueles que acreditam que isto não é ético."
HELIO BIRAL (São Bernardo do Campo, SP)
-
Psicóloga
"É lamentável a decisão tomada pelo Conselho Federal de Psicologia contra a psicóloga Rozângela Alves Justino por oferecer seus serviços profissionais a quem deseja se tornar heterossexual. Impedida de continuar oferecendo terapia para quem decide afastar-se da opção homossexual, não pude deixar de remeter tal fato a uma passagem das Escrituras (João 18, 20-24), segundo a qual Jesus, depois de ser preso pelos guardas judeus, é levado ao sumo sacerdote para ser interrogado acerca de sua doutrina. 'Jesus lhe respondeu: 'Falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na Sinagoga e no Templo, onde se reúnem todos os judeus; nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que eu falei; eles sabem o que eu disse'. A essas palavras, um dos guardas que ali se achavam deu uma bofetada em Jesus dizendo: 'Assim respondes ao Sumo Sacerdote?' Respondeu Jesus: 'Se falei mal, testemunha sobre o mal; mas, se falei bem, por que me bates?' Anás então o enviou manietado a Caifás, o Sumo Sacerdote'. Se alguém fala abertamente e é aplaudido unanimemente, sábio é desconfiar de tal fala. Ai daquele que ao falar abertamente não encontre oposição: por certo não falou bem."
ROSIRIS MOLINARO Y CARNERO (São Paulo, SP)
-