Painel do Leitor
08/08/2009 - 01h53

Senado, fumo, crucifixo, imprensa

da Folha Online

Senado

"Que as recentes discussões de baixo nível no Senado Federal possam comprovar a tese segundo a qual 'o mal se autodestrói'."

JARBAS LUIZ DOS SANTOS (São Paulo, SP)

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"'No pântano das figuras patéticas que povoam Brasília, eis que a discussão no Senado entre Renan e Tasso apenas corrobora a fragilidade de nossa democracia.
Afinal, quem é que pode levantar um dedo? A podridão perpassa partidos e nomes. De um lado há o tucano que voa em jatinho particular com dinheiro público, maculando a oposição; de outro, o senador que só não foi cassado devido ao compadrio daquela Casa.
A diferença de nosso regime político ainda é o fato de que há um cangaço no centro, do qual veem-se abraços nunca imaginados, alianças espúrias e cinismo deslavado.
É inevitável parodiar Gregório de Mattos: 'que falta neste país: verdade, honra, vergonha'."

RENATO ALESSANDRO DA SILVA (São Paulo, SP)

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"Na qualidade de nordestino, fico entristecido pelo querido Estado de Alagoas gerar dois senadores do quilate de Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello. Estes dois senhores têm dado ao país péssimos exemplos de falta de postura parlamentar. Nunca é demasiado lembrar que Renan renunciou ao cargo de presidente do Senado devido a inúmeras irregularidades que praticou, inclusive relacionadas com uma amante. Já Fernando Collor foi defenestrado do poder pelo grito do povo nas ruas, cansado de tantas denúncias.
Agora, é outro Estado nordestino, o Maranhão, que nos traz esta figura emblemática da reação, do passado negro da política brasileira, envolvido em falcatruas. A exemplo de uma ostra que se agarra ao rochedo contra as ondas do mar, este político retrógrado não quer deixar de mamar. Digam a ele que o mundo mudou e o Brasil mudou, apesar do lulismo.
Não sou ligado a nenhum partido político. Sou apenas um cidadão que está chocado com tanta falta de vergonha."

REYNIVALDO BRITO (Salvador, BA)

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"Não sei se foi trágica ou cômica a defesa que o senador Arthur Virgilio fez de si próprio na sessão do dia 6/8, diante da acusação de manter um funcionário estudando no exterior como se estivesse trabalhando normalmente em seu gabinete.
Trágica por ser mais um a nos decepcionar dentro daquela corte, e cômica face às dezenas de vezes que disse reconhecer o erro cometido. Fez chantagem emocional através de uma confissão que não foi espontânea, e sim forçada diante da realidade constatada e da qual sua excelência não tinha saída. Réu confesso que, premido pelas circunstâncias, não tinha outra alternativa a não ser confessar a irregularidade cometida.
Entristece-me ver o senador fazer cara de vítima diante das câmeras do Senado, tentando, através de subterfúgios literários, passar a impressão de nobreza pela autoconfissão. A quem o senador quer enganar?"

PAULO AMBRÓSIO DOS SANTOS (Bauru, SP)

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"Que nós brasileiros manifestemos nossa indignação perante os acontecimentos no Senado. As pessoas eleitas pelo povo brasileiro, que deveriam lutar por um país melhor, redução da desigualdade, diminuição da pobreza, melhor educação e melhor saúde, perdem seu tempo em discursos vazios e o que é pior: um bate-boca de baixo calão. Será que não se sentem envergonhados? Não, penso que não, pois se tivessem vergonha não seriam tão corruptos.
É uma vergonha que um país como o nosso se deixe levar por caminhos tão perversos! Nós os elegemos e nós temos a obrigação de tirá-los de lá, mas não! Já sabemos como toda essa história terminará: como sempre, em 'nada', pois um acoberta o outro. Sempre foi assim e continuará sendo por muito tempo, até que o nosso povo acorde --e já está começando a acordar--, e não vote nesses senadores e deputados que lá estão, como Renan Calheiros, Sarney, Collor de Melo e seus defensores. Que o povo guarde sempre na memória esses nomes para que nunca mais sejam eleitos. É só querermos, pois está em nossas mãos."

MARIA DE FÁTIMA CARVALHO (Campinas, SP)

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Fumo

"O editorial 'Sem fumaça' ( Opinião, 7/8) desqualifica a letalidade do fumo passivo ao falar de 'indícios convincentes', quando é correto reconhecer a existência de substantivas evidências científicas do impacto na saúde pública e ocupacional. Ao questionar por que não existir bar ou restaurante para fumantes, em que somente funcionários fumantes ali trabalhassem por vontade própria, a Folha desconsidera que os empregadores são responsáveis pela saúde dos empregados durante o trabalho, e que isso decorre de lei. Todos trabalhadores têm direito a saúde e foge ao arbítrio do empresário escolher pelo cumprimento ou não da lei antifumo. A multa imposta ao estabelecimento demonstra ser medida em favor da saúde pública, longe de ser contra o fumante."

GUILHERME EIDT GONCALVES DE ALMEIDA (Brasília, DF)

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"Parabéns ao governo paulista pela saudável lei que proíbe o fumo em lugares fechados como bares e restaurantes. Já estava na hora de se adotarem medidas civilizadas contra o envenenamento coletivo provocado pela fumaça cancerígena de cigarros.
Quem quiser se envenenar sozinho tem todo o direito, mas deve respeitar a vontade de quem prioriza a saúde."

MARCO MILANI (São Paulo, SP)

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"Na edição de 7/8, Luiz Felipe Pondé declara que as pessoas que dedicam energia para reprimir o consumo de tabaco são movidas por 'impulso fascista'. São pessoas como eu, que, quando frequentam um restaurante, preferem sentir o aroma dos temperos do que o fedor de folhas de fumo sendo queimadas. Só por isso somos fascistas?"

JOAQUIM ANTUNES FERREIRA NETO (São Paulo, SP)

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"Luiz Felipe Pondé, o único dos atuais colunistas fixos da Ilustrada que sempre diz algo intelectualmente relevante, acertou em cheio ao discorrer sobre o caráter fascista evidente da lei antifumo e seus seguidores. Parabéns!"

ROBERTO ALVES (São Paulo, SP)

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Crucifixo

"Gostaria de manifestar meus sentimentos em relação à opinião do sr. Antonio Jorge Pereira Júnior ('Painel do Leitor' , 6/7). A ideia de que a presença de um crucifixo ajude os católicos a se sentirem mais 'pacientes' e 'corteses', devo admitir, foi inusitada para mim. Poderia concordar com este senhor se não fosse o parágrafo, onde ele considera fictícia a existência de quem se aborreça com a mesma situação. Não sou 'anticatólico', mas pensar no cristianismo, queira ou não, remete a regras morais preconceituosas e intolerantes, que segundo seus seguidores possuem caráter 'sagrado', podendo situar-se acima das leis 'terrenas'. Quando uma autoridade pública pendura um crucifixo num prédio onde tal ato é flagrante desrespeito à Constituição, me desculpe se não sinto 'paz' ou 'força', mas sim um real receio de ser discriminado por tal pessoa por não compartilhar de seu credo. Se eu me sinto assim, não acredito que seja o único. Daí o princípio de laicidade, nada mais do que o Estado assumindo posição imparcial, já que pertence a todos da mesma maneira, não somente à 'maioria dos cidadãos'."

HIDEO CHINEN JUNIOR (Jarinu, SP)

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"Gostaria de me congratular com o dr. Roberto Livianu ('Tendências/Debates', 7/8) pela excelente defesa dos direitos dos cidadãos que não 'comungam' com a permanência de ícones religiosos em edificações públicas.
Seus argumentos são impecáveis na defesa de nosso direito pela liberdade religiosa naqueles espaços públicos que, em última análise, são de propriedade de todos nós, cidadãos contribuintes, sem discriminação de nossas convicções religiosas.
A neutralidade religiosa fará bem a todos, especialmente aos cristãos que sempre pregaram a tolerância, o amor e o respeito ao próximo. Que viva o Estado laico."

VAGNER DANTE VELLONI (Ribeirão Preto, SP)

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Imprensa

"Li a carta de Oded Grawej ('Painel do Leitor' , 7/8) e estou plenamente de acordo com a consideração feita a respeito da inutilidade das reportagens de jornais e revistas, muitas com fartíssima documentação, sendo estas descartadas de qualquer valor ou crédito como prova de algum ilícito ou mesmo justificativa para abertura de uma investigação.
E a imprensa, como fica agora? Também se calará?"

REGINA ULHÔA CINTRA (São Paulo, SP)

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