Liberalismo, saúde, terra, advocacia
da Folha Online
Liberalismo
"Em relação ao artigo sobre a construção do trem-bala, de Luiz Carlos Bresser Pereira (Dinheiro, 10/8), é preciso analisar uma realidade que muitos querem ignorar: o entreguismo nunca beneficiará o Brasil.
Os países desenvolvidos sempre protegeram não só os seus mercados, mas também qualquer um de seus bens econômicos, sejam naturais, culturais ou científicos. A baboseira do liberalismo só foi encampada pelos países desenvolvidos (muito mais no discurso do que na prática) quando se viram em condições de 'ganhar de lavada' o jogo da competição com os países em desenvolvimento.
O Brasil precisa desenvolver sua ciência e promover seu desenvolvimento tecnológico (a anos-luz de distância do americano e do europeu na maioria das áreas) para enfrentar seus problemas característicos do chamado subdesenvolvimento. E isso só acontecerá com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia a partir dos nossos próprios cientistas.
Não adianta importar as tecnologias mais modernas e gastar rios de dinheiro, fazendo com que os países desenvolvidos fiquem sempre mais ricos. Afinal, eles ficarão com os lucros e, de qualquer forma, sairão ganhando, sendo que o país não conseguiu desenvolver quase nada na ciência. E isso é um claro sinal de atraso.
A história jamais provou que só com desenvolvimento de conhecimento, seja científico ou de qualquer outra área, um país se mostra realmente digno da denominação 'desenvolvido'."
MILLER QUEIROZ PAIVA (São Paulo, SP)
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Saúde
"Em relação à matéria 'A guerra do botox' ( Ilustrada, 11/8), fica patente o grande desconhecimento que a médica Ligia Kogos tem em relação às normas sanitárias!
A exigência de que resíduos contaminados com secreções humanas sejam desprezados em sacos brancos é básica, assim como que os produtos de preenchimento armazenados e usados parcialmente sejam etiquetados e identificados com o nome do paciente (para evitar que o produto de um paciente seja utilizados em outro).
Outra regra básica: qualquer estabelecimento de saúde pode ser inspecionado a qualquer momento, principalmente se houver denúncia.
Pela forma pejorativa que a médica se refere a profissionais de vigilância sanitária, dizendo que só falta o fiscal obrigar o médico a fazer limpeza e que numa próxima visita eles poderão jogar maconha na clínica, fica-se com a impressão, neste episódio, que realmente vivemos um filme nazista, onde uns que se julgam superiores e intocáveis se colocam acima do cumprimento das leis que todos os outros mortais têm que respeitar. Lamentável."
RUI DAMMENHAIN, diretor presidente do Inbravisa --Instituto Brasileiro de Auditoria em Vigilância Sanitária (São Paulo, SP)
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Terra
"Orgulho-me de viver num país democrático e de ser assíduo leitor da Folha, onde se exerce o direito e dever do debate. É saudável ouvir os contrários, até para solidificar os conceitos adquiridos.
O sr. João Pedro Stedile ('Tendências/Debates', 10/8) expõe uma ideologia barata sobre a agricultura brasileira, que até poderia ser desconsiderada por não provir de agrônomo ou agricultor, mas de um aproveitador da ignorância alheia. Não resisto, todavia, à tentação de combater essa planta daninha.
Os R$ 97 bilhões, gerados por altos impostos, emprestados à agricultura voltam com lucro para os bancos, cada vez mais ricos. Os lucros do agronegócio são reinvestidos e sustentam quase a metade da economia brasileira.
O forte do agronegócio não são as fazendas improdutivas, como imagina o sr. Stedile, mas os agricultores, grandes ou pequenos que assumem riscos e produzem, no modelo agrícola de maior sucesso mundial: o brasileiro. Num passado recente, um agrônomo de Uberaba implantou uma parceria entre os fazendeiros locais e agricultores locatários (sem terras, mas trabalhadores) com enorme sucesso. É esse o modelo que sustenta o Brasil e deve permanecer, esmagando as formigas, as ONGs, MST, via campesina, pastorais da terra, Contag, Fórum pela Reforma Agrária e tantas outras pragas que assolam a agricultura e que aprendemos a combater com sucesso."
JOAQUIM ANTONIO ARAUJO (Patrocínio, MG)
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Advocacia
"Surpreendente para nós pobres mortais a preocupação do sr. Luiz Flavio Borges D'Urso ('Tendências/Debates', 11/8), presidente da OAB-SP, em relação à eventual crise --imaginamos financeira-- que poderia afetar a categoria.
Sabemos pouquíssimo provável qualquer efeito da crise internacional sobre os bolsos dos doutores advogados brasileiros.
Primeiro, como constatado pelo autor no artigo de 11 de agosto, pelo crescimento do trabalho em diversas áreas do direito brasileiro, resultante da própria crise.
Segundo, pela margem imensa embutida nas tabelas de honorários que a sociedade, como carneiros, tolera.
A menção ao Reino Unido, onde a crise afetou a categoria, também não deveria surpreender o presidente da OAB-SP. Existe abismo entre as tradições da 'common law' lá e o funcionamento e comportamentos inerentes à origem romana-ibérica-lusa aqui, onde a hipercodificação, o autoritarismo e o caos preponderam."
OLAVO CABRAL RAMOS FILHO (Rio de Janeiro, RJ)
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"Parabenizo Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da OAB/SP, pelo artigo 'Advocacia brasileira supera entraves da crise', por ter o grande mérito de, pela primeira vez, se deter a fazer um corte no universo da advocacia para analisar a realidade das sociedades e dos departamentos jurídicos frente à crise financeira. É uma análise de alto nível, acurada e realista desses importantes segmentos que também integram a advocacia paulista."
GEORGE NIARADI (São Paulo, SP)
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Leis
"O brutal assassinato da pediatra paulista Rita de Cássia Martinez na Bahia, por um criminoso que tinha sido libertado por um indulto do dia dos pais, mostra como a nossa Justiça é perversa e totalmente despreparada. O indulto nunca poderia ser dado para assassinos, sequestradores ou estupradores, caso desse criminoso. A legislação precisa ser urgentemente alterada para acabar com as reduções de penas e indultos para crimes hediondos. Enquanto nossos políticos ficam brigando no Congresso, as reformas necessárias para o país avançar, especialmente na área da segurança pública, que está crítica, ficam paradas. E milhares de inocentes continuam morrendo todos anos por conta da violência desenfreada que tomou conta do Brasil."
CRISTIANO REZENDE PENHA (Campinas, SP)
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Richarlyson
"Incrível a cara de pau e a covardia do presidente da facção organizada Independente sobre os cantos homofóbicos direcionados ao jogador Richarlyson. Dizer que é uma manifestação da torcida do São Paulo e não deles é um absurdo. Vou a todas as partidas no Morumbi e o constrangimento é geral quando eles começam a cantar. É fácil ser preconceituoso em bando e no anonimato; o difícil é assumir com o nome escrito no jornal."
ROBERTO GARCIA NETO (São Bernardo do Campo, SP)
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Igreja e MST
"Custaram, mas 'descobriram' a que veio o Edir Macedo com sua igreja, trazendo a tiracolo o sobrinho Crivella entronizado como senador. Com mais uma invasão do MST 'descobre-se' a que veio o Lula e seus petistas: tumultuar e desmoralizar as instituições para sua conveniência.
Assim, as duas agremiações se completam, associadas que são, usando os mesmos recursos e explorando a boa fé dos menos favorecidos. As autoridades nada fazem, mesmo diante das inúmeras denúncias, contra a igreja e o PT que, com 'bons advogados' e uma Justiça de leis capengas e mofadas, se protegem indefinidamente. E diante de tanto imbróglio para cima do povo, mostra-se a realidade de um país que já exala o fedor da podridão. O resto são histórias da carochinha para engabelar mais ainda o cidadão."
JOÃO ROBERTO GULLINO (Rio de Janeiro, RJ)
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Democracia
"Li o artigo 'A célula trotskista de Sorocaba' (Mais!, 9/8) que descreve a trajetória política de Boris Fausto.
Sou também defensora da democracia, mas pergunto: qual delas estamos construindo?
Através da imprensa e outras fontes certificamos que existem desvios graves em várias instituições. Muitos que lutaram e ajudaram na construção da atual democracia se tornaram céticos.
Quando falamos de mobilização, o que existe? Fóruns, frentes, conferências ou em muitas instâncias há cooptação. A crítica democrática não tem sido fácil; tornou-se mercadoria ou quase.
Vejam os atuais 'aliados' de Sarney, Collor e, quem diria, Lula. Estão rasgando nossa conquistas!"
MARIA DAS MERCÊS PINTO MESQUITA (Belo Horizonte, MG)