Painel do Leitor
18/08/2009 - 02h30

Fumo, glúten, publicidade, São Paulo, Senado, 2010

da Folha Online

Fumo

"Em princípio, fumar faz mal à saúde. Nada a discutir. Consciente do fato, apesar disso, aos 64 anos, no exercício dos meus direitos individuais de cidadão e contando com o livre-arbítrio do qual fui dotado por Deus, não pretendo parar de fumar.
Está havendo um perigoso desvio nos debates sobre essa lei anti-fumo, não detectado pela maioria dos participantes, descontadas certas racionais exceções.
Ruy Castro ( Opinião, 6/9/08), por exemplo, notou que 'os fumantes recolheram-se à sua condição de cidadãos de terceira classe', uma vez que 'não basta banir o fumo, é preciso banir o fumante', sendo ainda 'proibido também ser contra a medida' e é negada à 'minoria de fumantes um mínimo de direitos, inclusive o de se defender'.
Aponto uma questão básica, reveladora de uma hipocrisia flagrante: continuarei fumando enquanto o Estado não proibir o plantio e a comercialização do tabaco. Neste ponto, nenhum Trasíbulo provinciano ousa tocar.
Criou-se uma cizânia em nosso Estado --e este não é um mal menor-- e um negativo espírito de delação. Já houve quem comparasse cigarro a excremento. A caça ao fumante já se estabeleceu, e isso não é bom para a vida social. Por outro lado, e felizmente, há notícias de que a Assembleia de Minas Gerais prepara lei idêntica, mas, segundo Alencar da Silveira, sem o 'autoritarismo da lei de Serra'. Aleluia!
Se a maioria dos paulistas concorda sobre os malefícios do tabaco, isso não significa que a lei antifumo seja justa, por ser discricionária e discriminatória, como bem notou Janio de Freitas ( Brasil, 13/8) ao sublinhar que 'fumar não é, em si mesmo, atitude antidemocrática', tampouco 'ato de má-fé ou hostilidade ao vizinho', razão pela qual 'não há motivo nenhum para substituir a restrição ao fumo por formas de repressão', razões pelas quais o jornalista entende que a lei tem 'mais volúpia autoritária do que critérios apropriados' --com o que concordo inteiramente.
O bom senso sempre me impediu de fumar em lugares inapropriados. Tenho convivido com fumantes e não fumantes em paz. Hoje uma lei nos separa. E me apresso em sublinhar que jamais fui contra as leis que proíbem o fumo em hospitais ou elevadores, por exemplo, pois nem todos, talvez, teriam o meu bom senso.
Comparando com outra chamada 'droga lícita', há estabelecimentos que oferecem ou não bebidas alcoólicas, e todos os paulistas têm o direito de frequentar um ou outro. Se no caso do cigarro essa convivência for impossível (posso até admitir), que se distinguissem locais com o devido anúncio sobre essa condição. Todos os paulistas exerceriam seu direito de escolha e certos conflitos seriam evitados --mas tais soluções democráticas parecem não agradar autoridades atrabiliárias.
Concluindo, o que está ocorrendo passa longe da graça de eu ser fumante e corintiano. Estamos diante de um ataque aos direitos individuais. E, por enquanto, a maioria dos paulistas não está se dando conta. Hoje o alvo (fácil, pelas condições) são os fumantes. Amanhã quem será?
Encerro lembrando um poeta: 'não pergunte por quem os sinos dobram; os sinos dobram por ti'."

AMILTON MONTEIRO DE OLIVEIRA (Ribeirão Preto, SP)

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Glúten

"Em 1963, na Unifesp (Hospital São Paulo), fui diagnosticada sendo portadora de moléstia celíaca e fiz acompanhamento médico durante anos, pois até então não se conheciam as consequências de tal moléstia.
Alguns anos depois foi criada a Associação dos Celíacos, que até hoje dá apoio, fornece receitas e informa sobre a origem da doença e de todos os sintomas, inclusive sobre a sua hereditariedade.
Não consigo entender como uma paciente, trabalhadora de uma multinacional, não teve médicos competentes que não verificaram o quadro simples ('Vida sem glúten' , Saúde, 16/8). Ou será que estavam procurando por algo fabulosamente fora do controle e anormal?
Isso chama muito a atenção, pois hoje temos todo o aparato possível, como informações sobre os produtos que contêm glúten, inclusive com todo suporte das empresas que fornecem os produtos com ou sem glúten."

VALDERESA FABIO (São Paulo, SP)

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Publicidade

"Muito boa a coluna 'Tentacular e impiedosa' ( Opinião, 17/8). Não estranhe se o Ruy Castro encarar, em breve, a propaganda nas folhas de papel higiênico. Imaginação não faltará."

MARIO SILVEIRA VIANA (São Paulo, SP)

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São Paulo

"Fala do governador José Serra reproduzida no caderno Brasil de 8/8 na Folha : 'O Estado brasileiro está sendo privatizado. É uma privatização espúria, nefasta. Não tem muita diferença do patrimonialismo antigo, de se apropriar do Estado para corrupção de meia dúzia ou de se apropriar do Estado para se fortalecer e construir um partido. Precisamos estatizar o Estado brasileiro que hoje está privatizado por um partido'.
Reportagem na mesma página, ao lado da fala do governador: 'Justiça bloqueia conta atribuída a irmão do presidente do Metrô'
Em 2007, o governador José Serra nomeia José Jorge Fagali, irmão de Jorge Fagali Neto, presidente da empresa. Seria a fala do governador José Serra uma autocrítica?"

CÉSAR DE PINHO (São Paulo, SP)

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Senado

"Li o artigo do dr. Drauzio Varella (15/8) e também sou aquele brasileiro chocado com os níveis de desfaçatez e de imoralidade do Senado. Como desfazer desses políticos quando 35% dos eleitores não sabem interpretar o que ouvem ou leem? A UNE, que seria nossa esperança em iniciar algum movimento, parece estar comprometida com o governo em razão dos inúmeros recursos recebidos, numa espécie de 'fica quietinho aí!'
Esse é o beco sem saída em que nos encontramos."

MOACIR BONADIO (Olimpia, SP)

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2010

"Não sei como Ciro Gomes e Dilma Roussef se sentem sendo peões no jogo político do presidente Lula. No entanto, como paulista, espero que os 18% que pretendem votar em Ciro Gomes mudem de opinião, já que, a ele, falta um atributo básico para governar São Paulo: o conhecimento sobre o Estado. Não basta meia dúzia de viagens durante o período eleitoral; São Paulo é grande e complexo, além de ser o mais rico Estado do Brasil. Merecemos mais do que sermos 'tabuleiro' do xadrez político daqueles que, jogando o jogo do poder, se esquecem de que nos Estados e municípios habitam cidadãos, e não apenas eleitores."

LUCIANA FARIA (São Paulo, SP)

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