Painel do Leitor
20/08/2009 - 02h30

Dilma x Lina, Senado, Woodstock, câmbio

da Folha Online

Dilma x Lina

"Se Lina Vieira alegou em seu depoimento no Senado não ter notado que a ministra Dilma a estava pressionando a fim de amenizar ou finalizar o processo de investigação do filho de Sarney, então qual é o motivo que levou a ex-secretária da Receita a fazer, de maneira irresponsável, ilações e revelações sobre conversas com a ministra?"

JOSÉ GUILHERME SOARES SILVA (Uberaba, MG)

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"No 'Livro das Citações', seleção de Sergio Faraco (L&PM Pocket), há uma frase em 'Cimbelino' (1609-1610), Ato 1 -- Cena 4: Imogênia, de William Shakespeare, que diz: 'A suspeita muitas vezes dana mais do que a convicção'.
Por isso, a afirmação de Fernando Rodrigues no artigo 'A mentira como imagem' ( Opinião, 19/8), sobre a preferência de convivência com o espectro da mentira rondando a imagem da ministra Dilma e do próprio Palácio do Planalto, é algo inconcebível nesse estágio da democratização (apesar das censuras impostas ao 'Estadão', por exemplo). Mas haverá sempre um mordomo, um caseiro, um motorista (um desses já causou um dano 'danado'). Vamos aguardar essas figuras simples, mas sempre honestas. Tenho certeza de que irão aparecer, se não para condenar, para absolver, porque, como dito, a suspeita, nesse caso, dana mais do que a convicção, até por precedentes recentes que envolvem a ministra, o que é lamentável."

JOSÉ LUIZ MARTINELI ARANAS (Ibitinga, SP)

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"A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, afastada do cargo por 'pecar' pela eficiência, tem tal fato como tábua de apoio. Apresentou muita tranquilidade e elegância em seu depoimento diante das hienas enfurecidas da tropa de choque do governo, sem precisar esbravejar ou colocar seu dedo em riste para ninguém. Já a ministra Dilma e seus defensores poderiam evocar Mahatma Ghandi, quando enfatizou: 'Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda uma vida'. É o passado de cada um o único juiz das mentiras proferidas."

JOÃO ROBERTO GULLINO (Rio de Janeiro, RJ)

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"Foi espetacular a oportunidade que teve o país de assistir a uma impecável demonstração de firmeza, classe e dignidade por parte da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, em contraste com a brutal e desesperada conduta de alguns de seus opositores."

MARIA BEATRIZ R. AMARANTE (Rio de Janeiro, RJ)

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"No gabinete da Casa Civil, surgem as histórias mais incríveis da República. Num belo dia, alguém soprou para outro alguém que deveria ser fuçado o que alguém do governo FHC andou gastando com os cartões corporativos da Presidência. Escolheram um especialista em bisbilhotagem para pinçar com bastante agudeza os detalhes mais chamativos de toda a gastança que começou em 1998.
Na primeira versão pública desta história, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que tudo era pura invenção da oposição. Entretanto, a secretária-executiva da ministra, Erenice Guerra, confessou que armou o negócio por conta própria.
Os escândalos no Brasil são diversificados, podendo acontecer na terra, na água ou no ar. A ex-diretora da Anac, Denise Abreu, também aterrissou na pista escorregadia da Casa Civil do governo Lula, onde a candidata Dilma Rousseff mantém seu escritório eleitoral, sempre assessorada pela fiel escudeira, Erenice Guerra. Denise Abreu trouxe na bagagem a história de uma negociata que aconteceu por ocasião da venda da Variglog. Dilma também disse que era tudo mentira. E agora, a ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, reafirmou em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado que se reuniu com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no final de 2008, quando lhe foi pedido para 'agilizar' a fiscalização sobre o filho de Sarney, É 'incabível', declarou. Dilma nega que tenha se encontrado com Lina Maria."

WILSON GORDON PARKER (Rio de Janeiro, RJ)

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Senado

"O espetáculo deprimente a que estamos assistindo no Senado Federal é apenas uma face da decomposição moral a que o Brasil vem se submetendo ultimamente. Estamos afundados no desrespeito aos valores morais e éticos que, por princípio, deveriam nortear a conduta daqueles que detêm o controle de nossas instituições. Os exemplos que vêm de cima são os piores possíveis. Nesse processo, a sociedade se decompõe, a família se desintegra, os cidadãos tornam-se apáticos, individualistas e passam a viver no salve-se quem puder.
O pacifista Martin Luther King dizia: 'O que preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que preocupa é o silêncio dos bons'.
Fica a pergunta: por onde andam os bons?"

JAYME DE ALMEIDA ROCHA NETTO (Campinas, SP)

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Woodstock

"Li no caderno Folhateen a reportagem sobre Woodstock , onde Álvaro Pereira Júnior chama o festival de caro.
Realizei a correção monetária sobre a inflação americana nesses 40 anos e os ingressos mais caros (US$ 18) hoje custariam US$ 50, ou seja, menos de R$ 100.
Mesmo assim, creio que compensa gastar US$ 18 para ver mais de uma banda tocar do que pagar o mesmo preço para assistir somente um show. Um outro aspecto positivo é o fato de que não ouve confronto violento, pois o show pregava a paz e amor.
O jornalista diz que festivais de rock não tem importância, mas como pode afirmar isso sem pensar no impacto que Woodstock fez nas vidas que influenciou?
Não posso dizer por outras pessoas, mas quando descobri Woodstock, mudou bastante a minha maneira de pensar -- vi que ainda existe algo de bom nas pessoas.
Desde que eu vi pela primeira vez o documentário de Woodstock, aos 12 anos, fiquei alucinado com as maravilhas, a música que estava ouvindo e, principalmente, a sensação que senti ao estar vendo um momento histórico para mim e para a humanidade, que nunca esquecerá as mensagens dos artistas e da população que presenciou o evento --eu teria gostado de ser uma delas."

KIM COBELO (São Paulo, SP)

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Câmbio

"Faço da opinião de Alexandre Schwartsman, sobre seu texto 'Uma tese com substância' ( Dinheiro, 19/8) as minhas.
É um erro dizer que a nossa taxa de câmbio é insustentável. Se, por um lado, existe, obviamente, uma retração nas exportações devido a valorização do real, por outro tem-se facilidade no investimento e na aquisição de bens de capital e serviços por parte das empresas, além de excelente oportunidade no pagamento de suas dívidas."

JOSÉ GUILHERME SOARES SILVA (Uberaba, MG)

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Teatro da dança

"Concordo com a opinião da leitora e arquiteta Ana Barbosa ('Painel do Leitor' , 17/8). Aproveito a oportunidade para informar que o Sinaenco, sindicato representativo das empresas de arquitetura, está questionando judicialmente essa contratatação vergonhosa e ilegal.
Dentre outras ações, estamos nos preparando para uma ação popular contra a Secretaria da Cultura.
Convido a Ana e todos os arquitetos a subscrevê-la."

CESAR BERGSTROM, diretor de Urbanismo do Sinaenco --Sindicato da Arquitetura e Engenharia (São Paulo, SP)

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Transgênicos

"Como engenheiro agrônomo e Ph.D. em fitopatologia e biologia molecular, causou-me estranheza que a reportagem 'PR conclui que controle de transgênicos não funciona' ( Dinheiro, 15/8) não tenha citado os responsáveis pelo estudo em questão, o que é fundamental para a credibilidade científica e a transparência das informações a ele atribuídas.
De qualquer forma, há diversos estudos internacionais que atestam a distância de 20 metros entre lavouras convencionais e transgênicas como suficientes, a exemplo de trabalhos no Canadá, na Espanha e na Alemanha, entre outros.
Além disso: 1) Os transgênicos são responsáveis pela diminuição dos custos e por benefícios ambientais, em razão da redução de herbicidas. Existem comprovações sobre a diminuição das perdas em tais cultivos, decorrente da redução do ataque de pragas; 2) Todo cultivo transgênico só é comercializado após avaliações de biossegurança; 3) O milho vem sendo domesticado pelo homem há centenas de anos, ou seja, o que comemos hoje é fruto de modificações muito anteriores aos transgênicos."

MARCELO GRAVINA DE MORAES, professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul --UFRGS (Porto Alegre, RS)

Resposta do jornalista Agnaldo Brito - A Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná, maior produtor de milho do país, afirma que os 20 metros de espaçamento entre os cultivos de milho transgênico e convencional não são suficientes para evitar a contaminação. O levantamento portanto tem uma fonte apresentada de forma clara na reportagem.

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