Painel do Leitor
21/08/2009 - 02h30

PT, Plano Diretor, educação, imprensa, fumo, metrô

da Folha Online

PT

"Cenas que gostaríamos de ver. O senador Arthur Virgílio renuncia a seu mandato e vai passar uma temporada na Europa com seu amigo pós-graduado. A dita oposição retoma os ataques a José Sarney, até que ele finalmente renuncie e o Brasil possa mudar de assunto.
Seria bom ver as pessoas honestas e trabalhadoras que são filiadas ao PT deixarem o partido como fez a ex-ministra Marina Silva. Uma desfiliação em massa seria uma bela forma de protestar contra tudo isso que esta aí."

MÁRIO BARILÁ FILHO (São Paulo, SP)

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"Hoje estou triste, muito triste. Tenho 58 anos e em todas as eleições votei no Lula e em candidatos do PT, pois sempre acreditei. Mesmo não concordando com muitas coisas dentro do partido, continuei votando, pois sempre sonhei que poderíamos construir um Brasil melhor.
Nesta semana, infelizmente, sepultei minhas esperanças em relação ao partido e em relação ao presidente Lula. Lamentável e inacreditável pensar em quantas vezes fomos para as ruas gritar em defesa da ética. Penso que fiz papel de palhaço. Estou me sentindo um derrotado, como alguém que foi enganado e que foi traído cruelmente.
O presidente Lula e o PT perderam a identidade e alguns senadores não perderam apenas a identidade, perderam também o CPF e a vergonha, ou não? Já que ninguém perde o que não tem."

HENRIQUE BENEVENUTO (Apucarana, PR)

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Plano Diretor

"A cidade de São Paulo inspira negócios, projetos e sonhos. Quem mora nesta metrópole tem motivos para criticá-la, mas nunca para deixar de amá-la. A Folha é um jornal tipicamente paulistano e sempre promoveu debates amplos, transparentes e necessários sobre temas de interesse de todos os cidadãos. Agora, destaca a revisão do Plano Diretor da cidade. Cumprimento este conceituado veículo de comunicação pela imparcialidade no trato da questão por publicar tanto a opinião da ex-prefeita Marta Suplicy ('Tendências/Debates', 12/8) como a do secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem ('Tendências/Debates', 18/8). Este estímulo ao debate público em prol da boa ocupação urbana só fortalece as instituições."

JOÃO CRESTANA, presidente do Secovi-SP --Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (São Paulo, SP)

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"Sobre o artigo do secretário Miguel Bucalem ('Plano Diretor: o debate continua aberto', 'Tendências/Debates', 18/8), é necessário esclarecer:
1) Nenhuma das ações estratégicas no Plano Diretor em vigor foi implementada.
2) O Plano de Transportes e Circulação Viária até hoje não foi enviado à Câmara Municipal.
3) Estamos aguardando o Plano Municipal de Habitação, que também não foi encaminhado. Aliás, outras medidas, como a regularização e urbanização das ZEIs com a criação dos Conselhos Gestores, não foram implementadas.
4) Gostaria que o secretário apontasse onde estão os corredores de ônibus previstos no Plano Diretor.
5) O secretário nada fala sobre a retirada de todas as menções que tratam da participação popular, da supressão dos coeficientes das ZEIs, da retirada da base territorial (macroáreas) que definem onde devem ser aplicados os instrumentos de cumprimento da função social da propriedade.
A revisão do PDE em andamento é na verdade tentativa desta gestão de implantar novo plano, para favorecer a verticalização da cidade em detrimento da qualidade de vida da população."

CHICO MACENA, vereador pelo PT-SP e membro da Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal de São Paulo (São Paulo, SP)

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Educação

"A educação brasileira precisa sim de um contexto que gere cidadãos ('A pedagogia é uma jabuticaba?' , 'Tendências/Debates', 18/8). No que se refere ao âmbito geral, há contradições na relação com o contexto. Ao mesmo tempo, divulgar 'in extreme' o deslindamento da ideologia contida nas filigranas do educador presentes na educação brasileira faz com que se repudiem simplesmente pressupostos e se elimine da formação de muitos educadores de língua portuguesa a prática da aquisição da gramática como referencial para se compreender textos e se auxiliar educandos nesta prática. A política que busca elevar a cultura de um estágio corporativo para o estágio catártico limita a aquisição de conhecimentos. Sejamos sensatos. Não se abandona a gramática, pois ela norteia nosso idioma. Educadores precisam aprofundar-se mais em conhecimentos dela, mesmo não a divulgando com os nomes que tanto repudiam; precisam, sim, da instrumentação. O país urge de aprenderes."

VITÓRIA DENCK (Curitiba, PR)

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"O articulista doutor João Batista Araújo e Oliveira ('A pedagogia é uma jabuticaba? , 'Tendências/Debates', 18/8) indaga se a 'pedagogia é uma jabuticaba' e afirma que a escola pode mudar a vida das populações mais pobres, o que, contudo, é uma realidade de poucos países. E arremata perguntando qual é o segredo. Ao contrário do que ele afirma, entretanto, a necessidade de buscar em outros países subsídios para esse sem dúvida relevante tema, entendo modestamente que o Brasil deveria resgatar a pedagogia e a qualidade esquecida da excelente escola pública de até 50 anos atrás. Claro, adaptando-se os conteúdos curriculares às necessidades e realidade atuais do país e estendendo-os às escolas privadas. Tive a ventura de cursar a escola pública --de excelente qualidade-- desde o então 'curso primário' até o ensino superior."

JOSÉ GERALDO BRITO FILOMENO (São Paulo, SP)

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Imprensa

"Enquanto a Associação Nacional de Jornais comemora nesta semana 30 anos de existência em defesa da liberdade de imprensa, mais uma decisão judicial do juiz Nemias Nunes Carvalho da 2ª Vara Civil de São Luís impede o 'Jornal Pequeno', do Maranhão ( Brasil, 18/8), de publicar esquema de suposta lavagem de dinheiro envolvendo as netas do senador José Sarney.
Belo presente de aniversário que este magistrado deu para a democracia e para a liberdade de expressão. Tal decisão se assemelha a Lei de Imprensa do regime militar. A censura judicial é mais inóspita do que a censura política."

PEDRO VALENTIM (Bauru, SP)

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Fumo

"Gostaria de lembrar ao sr. João Pereira Coutinho ( Ilustrada, 18/8) que, embora não tenha sido ouvido na pesquisa, me incluo entre os 88% de paulistas que aprovam a lei antifumo (democracia, caso ele não saiba, é isso!). E, também, que os judeus não tinham escolha, ao contrário dos fumantes paulistas. Eles que vão fumar em suas respectivas casas e deixem os nossos pulmões 'abstêmios' em paz!"

MANOEL D. RODRIGUES (São Paulo, SP)

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Nazismo

"Sarney, ao se defender no Senado, alega ser vítima de uma campanha 'nazista'. João Pereira Coutinho , em artigo sobre a lei antifumo, enxerga inspirações nazistas em tal legislação. Não é preciso ser judeu (sou descendente de árabes cristãos) para se sentir incomodado com comparações tão esdrúxulas. Além de criarem polêmicas irrelevantes, banalizam um momento trágico da história recente."

PAULO DE LYRA ELIAN (Rio de Janeiro, RJ)

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Metrô

"Com relação à matéria 'Linha 5 do Metrô atrasa e fica para o próximo governo' ( Cotidiano, 18/8), é bom esclarecer que o governo do Estado de São Paulo faz uma grande propaganda da expansão do metrô, só que não conseguimos visualizar esta melhora na malha metroviária. Acho que isso não passa de propaganda política e eleitoral, pois eles têm anunciado as obras e afirmado que elas estão planejadas para 2012 em diante, sendo que o seu mandato irá somente até 2010.
Gostaria de saber sobre aquela promessa feita em 2008 (período eleitoral) de que a linha 6 Laranja iria até o São Lucas e, inclusive, vi o prefeito entregando um cheque simbólico para o governador. Cadê aquele metrô? Mudou para VLT? Por que os moradores das regiões de São Lucas, Sapopemba, São Mateus e Cidade Tiradentes são tratados como de segunda classe por este governo, não merecendo o metrô subterrâneo, já que a linha 2 foi desviada para os bairros do Anália Franco, Vila Formosa e Penha? Se isso se concretizar, imagine todos os dias olharmos para aquela linguiça de concreto passando nas avenidas Luiz Inácio de Anhaia Melo, Sapopemba, Ragueb Choffi e Metalúrgicos. Será que há alguma contradição com a Lei Cidade Limpa? A população dessas regiões precisa ficar em alerta, pois estão querendo vender o peixe (estragado) para os outros entregarem. Mas será que entregarão?"

LUIZ MARIO MACHADO RIBEIRO (São Paulo, SP)

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Constituição

"São inaceitáveis os argumentos dos deputados Régis de Oliveira e Sérgio Carneiro ('Tendências/Debates', 17/8) para justificar a proposta de Constituição enxuta.
O grau de maturidade da sociedade brasileira é o que sustenta a força da Constituição, e não pode ser pretexto para tirar dela os direitos duramente conquistados pelo povo. É piada dizer que os direitos do povo serão mais bem tratados nas mãos dos parlamentares. A pretensão de liberdade de agir de maiorias circunstanciais e desqualificadas num parlamento desgastado e desacreditado, à margem das regras claras que querem tirar da Constituição, é um golpe branco contra o patrimônio político do povo brasileiro.
Faltou aos parlamentares coragem para dizer claramente o que qualificam de 'excrescente' na Constituição. Eles propõem a supressão dos direitos trabalhistas, dos idosos, das crianças, dos índios, ao meio ambiente, à educação, à seguridade social e outros. Cada um que se vire com suas férias, 13º salário, aposentadoria, escola, habitação e saúde. Para os nobres deputados, é isso é excrescência!
Suas excelências merecem a perda dos seus mandados por quebra do decoro parlamentar, pois não lhes foi dado pelas urnas o direito de atentar contra a Constituição e propor um golpe branco contra o povo. Isto é grave e inaceitável."

LUÍS FERNANDO CAMARGO DE BARROS VIDAL, presidente do Conselho Executivo da Associação Juízes para a Democracia (São Paulo, SP)

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