Senado e PT, agricultura, Gil e Rouanet,
da Folha Online
Senado e PT
"Mais uma vez, 'parabéns' ao presidente Lula, o mais hábil político brasileiro. Graças à sua intervenção, o Senado absolveu Sarney, mas quem foi rifado foi o senhor Mercadante, que não teve grandeza para corrigir o rumo de seu partido ou sua biografia."
MARCOS DE ALCÂNTARA MACHADO, Movimento Endireita Brasil (São Paulo, SP)
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"Não há debandada do lulismo, nem vai haver. As defecções são equivalentes à de qualquer dos partidos políticos, como do PMDB, do PSDB ou de qualquer outro. Uns vão, outros vêm, dependendo das vantagens ou desvantagens no balcão.
O PT sempre foi um partido como outro qualquer, embora nascido de uma aglomeração das defecções da esquerda e do sindicalismo. Os jornalistas, especialmente os mais velhos, que costumam atribuir-se sabedorias oraculares, zelosos de seu papel de anciãos da tribo, só alcançam repetir chavões como 'o último prego no caixão do lulismo' ou 'o derradeiro suspiro do PT'.
Quando o PT venceu em 2002, não apareceu entre os jornalistas um só que entendesse o momento histórico da aliança política que absorvera a totalidade da retórica petista para renovar o discurso do poder no Brasil. Nenhum deles entendeu que se tratava da solução para o desgaste irreversível trazido pelas espúrias políticas de Estado do desgastado 'príncipe da sociologia brasileira'. Resultantes de uma das mais acintosas subserviências ao poder de um capitalismo aventureiro já registradas na história recente do país, tinham conduzido os negócios à borda dos abismos da concentração de renda e das apostas na ineficácia do Judiciário e na corrupção das polícias. Mas, acima de tudo, atingira-se naquele momento histórico o limite da capacidade de manipulação da opinião pública pela mídia, no que era e continua sendo um dos exercícios profissionais mais lucrativos: lidar com a decepção de milhões e transformá-la em veículo de suporte à continuidade do poder. Mesmo entre 'respeitados' filósofos e historiadores, entre os muitos que serviram ao 'príncipe', empenhados em desconstruir o petismo nascente não apareceu um só que tenha sido capaz de identificar a jogada política em curso, por ignorância ou má-fé."
AMADEU ANTONIO DE FREITAS (São Paulo, SP)
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"Sou militante do PT, praticamente desde sua fundação, por que acreditava que o Partido dos Trabalhadores era a única coisa realmente nova que surgiu na história do país, um jeito novo e civilizado de fazer política.
Estou longe de ser do tipo ingênuo ou radical, como diziam, xiita. Entendo perfeitamente a necessidade de ser pragmático quando se está no poder, a necessidade de negociação para viabilizar um governo. No entanto, os últimos episódios que envolvem a crise do Senado fizeram com que o Partido dos Trabalhadores caísse definitivamente na vala comum de todos os demais partidos e refém das piores práticas políticas.
A insistência do presidente Lula em defender o Sarney é lamentável.
Lula, na sua obstinada luta para viabilizar seu projeto político de fazer de Dilma Rousseff a sua sucessora, se rendeu ao coronelismo e ao atraso e humilhou o PT, levando-o a suprema derrota diante do atraso.
Outro absurdo da estratégia de Lula é querer fazer de Ciro Gomes candidato a governador de São Paulo. Um filhote do coronelismo nordestino, um 'outsider' da política de São Paulo, que, inclusive, não gosta de São Paulo, como já manifestou mais de uma vez.
Que não se engane o presidente Lula acreditando na sua notável popularidade. O tiro sairá pela culatra. As eleições estão aí, Dilma é ruim de palanque, candidata difícil de carregar e, com esse histórico recente, levará uma lavada.
E os senhores senadores do PT, que 'blindaram' Sarney, que ponham as barbas de molho, pois suas reeleições correm seríissimos riscos."
LUIZ HENRIQUE MINHOTO QUEVEDO (Brasília, DF)
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"É impressionante a capacidade que nossos políticos têm de voltar atrás de decisões que lhe dariam o mínimo de dignidade.
O senador Mercadante deu provas disso ao recuar da decisão de renunciar à liderança do PT no Senado, dizendo que não poderia negar um pedido do presidente Lula.
Mercadante, se tivesse um mínimo de vergonha na cara, renunciaria não só a liderança do PT mas ao seu mandato de senador por São Paulo. Ele não tem moral nem junto à sua bancada, como quer representar São Paulo? Sua resposta virá nas urnas em 2010."
HÉLIO ARAÚJO CARDOSO (São Carlos, SP)
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"'Esse não é mais o PT autêntico'. Claro que não é, cara pálida. Primeiro porque o Brasil e o mundo mudaram, em alguns aspectos para melhor e em outros para pior. O PT foi criado durante a ditadura militar, sob um contexto político-econômico-social, regional e internacional, completamente diferente. Segundo porque, historicamente, somente um terço do eleitorado se mostrava sensível com suas propostas. Era mudar, flexibilizando-se a partir de coligações que pudessem agregar mais eleitores e garantir maioria de bancada parlamentar que garantisse a governabilidade, ou continuar assistindo aos 'mesmos' se revezarem no poder. Mais importante que lastimar as mudanças do PT é constatar que o país melhorou com o governo do PT que mudou. E num contexto político há décadas sedimentado de vícios aéticos e cheio de 'raposas criadas', infelizmente, muitas vezes faz-se necessário dar um passo atrás para poder dar dois ou três à frente. O mais é desespero dos derrotados, que não dormem diante da possibilidade de ficar mais oito anos sem mamar nas tetas da nação."
RENATO FERNANDO (Salvador, BA)
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Agricultura
"Segundo a senadora Katia Abreu ('Tendêncas/Debates', 21/8), 'a moderna agropecuária brasileira é um caso de inegável sucesso', porém vamos a alguns 'dados da realidade':
Segundo a senadora, 'a produção rural do Brasil cresceu forte e regularmente', mas os únicos produtos agrícolas que vejo crescer, e com estupendo apoio do governo, é a soja, a qual eu e a maior parte do país não comemos, e a cana, que avança pela Amazônia (solo não agricultável) e destrói plantações de trigo, o qual eu e a maior parte do país comemos.
O nosso país possui dois dos mais férteis tipos de solo do mundo (terra roxa e massapê). Aqui, 'em se plantando tudo dá', mas para dar é necessário o apoio do governo, que concede os subsídios, via BB, só à soja e à cana. Fato: o Paraná possui a maior quantidade de terra roxa do país e clima subtropical, o que é favorável à plantação de gêneros subtropicais, mas, se algum fazendeiro chegar ao BB com um projeto para plantar trigo, o banco demora 'dois anos' para conceder um sonoro não ao subsídio, porém, se o projeto for destinado à plantação de soja (que é genero tropical e, portanto, não condiz com o bom aproveitamento do solo de terra roxa), em 'dois dias' o subsídio é concedido. O Paraná é o maior produtor de soja do país, e o plantio é feito com o aquecimento do solo (que exige tecnologia de milhões de reais). Enquanto isso, importamos trigo.
Segundo a senadora, 'o crescimento nos permitiu atender a praticamente toda a demanda interna de alimentos'. Mas o fato é que o Brasil produz nove vezes mais alimentos do que a sua população necessita, mas, se for possível, o governo destina tudo para exportação."
JOZIELLEN HENRIQUE ALVES (São Paulo, SP)
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"A senadora pelo DEM TO e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) Kátia Abreu soltou o verbo na Folha em resposta à frase do ministro do Desenvolvimento Agrário. Este disse anteriormente que '(...) esses senhores feudais não podem dispor da terra como quiserem, sem levar em conta a questão da produção de alimentos'. Ele estava se referindo aos grandes produtores rurais brasileiros.
A senadora Kátia Abreu, por sua vez, se revoltou e condenou-o. Concordo em tese com a senhora senadora, no entanto, acredito que radicalismo não se resolve com radicalismo. A senadora usou do mesmo método do ministro, dizendo que é ideologia achar que uma pequena propriedade familiar pode alimentar a população. Pode sim. Aliás, a agricultura familiar no Brasil, apesar das dificuldades enfrentadas, produz em grande escala. Muitos pequenos agricultores não usam quantidades absurdas de fertilizantes, adubo químico e, mesmo assim, registram altos índices de produção agrícola. Além disso, essa forma de produção colabora com a preservação do ambiente, que, apesar de discursos heróicos das potências mundial, não está sendo tratado com o devido respeito.
Realmente a agropecuária moderna é um sucesso, pois alavanca a economia de nosso país. Mas não podemos esquecer que o 'carro chefe' de nossas exportações são culturas como soja e milho, além, é claro, da carne bovina. Essas, sim, são produzidas demasiadamente pelos grandes latifundiários de terra. Agora, o feijão, as hortaliças de um modo geral, mandioca, leite, entre outros, são em grande parte ofertados pelos pequenos agricultores. Aqueles mesmos que a senadora disse que eram movidos por pensamento ideológico de algumas pessoas atrasadas no tempo, 'pequeno poema campestre'."
CÉSAR BULHÕES MARTINS (Naviraí, MS)
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Gil e a Lei Rouanet
"Gilberto Gil é mais um que mora num país tropical, abençoado por Deus, bonito por natureza, cuja vida boa é assegurada pela Lei Rouanet. Mas que beleza! Em fevereiro tem Carnaval. Oxalá, desejará ele e alguns velhos baianos, não sequem as tetas governamentais até lá."
ALEXANDRE MARTINS (São Paulo, SP)
