Carbono, Segurança, Palocci, Vereadores, Pré-sal
da Folha Online
Carbono
"A reportagem desta Folha ('Em carta, empresas prometem reduzir emissão de carbono', 26/ 8, pág. A16), que informa a proposta de algumas empresas, inclusive 'papeleiras', de 'reduzir emissão de carbono', só pode ser entendida como mais um escárnio destes empresários para com a opinião pública.
Este mesmo jornal já noticiou o descaso dessas para com as leis, como fez a Stora Enso (sueco-finlandesa) comprando ilicitamente terras em região fronteiriça no Rio Grande do Sul. Já a Votorantim tem seu EIA-RIMA, que trata do plantio de lavouras de eucalipto, contestado documentalmente no MPE do RS.
O 'compromisso' apresentado é puramente midiático, propondo 'para 2010' mais 'relatórios' fantasiosos. Apoiados por 'ambientalistas' de ocasião, sugerem para o RS um tal de 'diálogo florestal', ao mesmo tempo que cometem as atrocidades já perpetradas no Espírito Santo e no sul da Bahia. Apontam para o futuro despistando sobre o presente.
Qualquer jornalista sério pode verificar, localmente, a destruição que está ocorrendo no RS, submetido a interesses escusos, tendo seu solo degradado e envenenado, seus mananciais hídricos desrespeitados, população de pequenos agricultores enxotados. O pampa tem seu bioma agredido, e a destruição é de grandes proporções. Nem mesmo financeiramente o projeto é viável, pois gozam de isenções fiscais amplas e de tributos que todos nós brasileiros pagamos ao esgotamento. O lucro é só deles! Socialmente, o que se vê é desemprego, êxodo de famílias de agricultores para aumentar cinturões de miséria nas grandes cidades, cujos filhos abandonam a escola.
Caso exista um mínimo de seriedade nas atitudes do ministro do Meio Ambiente, após uma breve reflexão, ele saberá avaliar e entender o real significado desta proposta. Ou, quem sabe, já será mais um político que garantiu suporte financeiro para sua futura campanha eleitoral, indo compor outro aviltante legislativo. Seus atos demonstrarão qual foi a sua decisão."
ALTHEN TEIXEIRA FILHO, professor titular do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Pelotas (Pelotas, RS)
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Segurança
"Sobre a análise do insigne Cláudio Beato ('Os dilemas da atividade policial', Cotidiano, 27/8), concordo que a existência de 'meias polícias' em nada contribui para sua efetividade. Conferir, porém, o ciclo completo a duas meias polícias, ainda que com competências distintas, por espécies de crimes, fica pior que a indesejada unificação. Se não se quer desmilitarizar as PMs ou municipalizar as polícias, desconstitucionalizá-las só irá causar arrocho para as polícias já mal pagas. Da mesma forma, unificação com o fim do inquérito é passo franco para proletarização das polícias. Quanto à efetividade das apurações, é bom lembrar que a polícia candanga atinge 70% nos homicídios, conforme dados do próprio Misse. O ideal seria uma polícia estadual com três segmentos: 1) um segmento de repressão imediata, choque e custódia temporária de presos, além de ser polícia judiciária, assim entendida aquela que cumpre mandados judiciais (prisão, busca, restituição de posse), reativo, portanto, agregando parcelas das duas polícias atuais, como os Bope, DOE e unidades congêneres, com uniforme, equipamentos e viaturas apropriadas; 2) um segmento de repressão mediata, investigativo, de apuração de infrações penais, dissimulado, inclusive quanto a viaturas, correspondendo às delegacias de polícia e órgãos de inteligência; 3) um segmento preventivo, de acompanhamento de multidões, patrulhamento ostensivo, igualmente uniformizado e com viaturas caracterizadas, proativo, com alto conteúdo de polícia cidadã, nos moldes dos bobbies britânicos. Desmilitarizados, os três segmentos teriam cargos padronizados, com investidura pública idêntica, em dois níveis pelo menos, podendo haver transposição entre os segmentos e ascensão interna. Para fechar, transformar as guardas municipais em polícias municipais, de proximidade, dentro da filosofia de polícia comunitária, dissuasória enquanto protege o patrimônio e equipamentos públicos. Parece utópico, mas uma legislação de transição bem alinhavada e o despojo das máscaras, vaidades e interesses individuais ou corporativos imediatistas ajudariam bastante."
CLAUDIONOR ROCHA, consultor da Câmara dos Deputados na área de segurança pública e defesa nacional (Brasília, DF)
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Palocci
"O STF ignorou a lógica, o óbvio e, sobretudo, abandonou a busca da verdade, principal mandamento para produzir justiça. Considerou as artimanhas técnicas e o falso testemunho mais satisfatórios que a verdade. Ao deixar-se manipular flagrantemente, emite um aviso assustador à toda a sociedade. Perturbador e extremamente decepcionante."
JÚLIO CÉSAR CALDAS ALVIM DE OLIVEIRA (Rio de Janeiro, RJ)
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"Afirmação correta e lúcida, do excelente jornalista Fernando Rodrigues, sobre a 'A cidadania pós-caseiro' (Opinião, 29/8). Realmente, cada vez mais o cidadão comum está sendo afastado da vida pública a que tem direito. Uma das primeiras coisas (e talvez seja por isso) que se aprende em direito é sobre a democracia Ateniense, lá pelos idos do século 4 a.C., e com certeza os ministros do STF sabem disso. A inclusão do cidadão na vida pública era, na época, uma conquista da dignidade individual e coletiva. Parabéns a Fernando Rodrigues e a Folha por abrir espaços para tantas linhas de pensamentos. Nós, leitores, que somos os beneficiados."
BIBIANO RIBEIRO GONÇALVES JUNIOR (Votuporanga, SP)
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Vereadores
"A quem o deputado federal Arnaldo Faria de Sá quer enganar? Dizer que a inclusão de novos vereadores não trará aumento de despesas é duvidar mesmo da inteligência do povo brasileiro. Será que o deputado está pensando mesmo no bem-estar do povo ou no próprio, ao buscar com esse gesto tresloucado angariar a simpatia dos suplentes, no caso do Estado de São Paulo, visando às eleições de 2010? Quem vai pagar os salários desses novos vereadores e os de seus inúmeros assessores? Depois de se eleger várias vezes se valendo dos aposentados e temendo agora a não reeleição, busca outro meio para continuar na Câmara dos Deputados e nos brindar com leis que enojam a todos os brasileiros e que empobrecem ainda mais os cofres públicos, que nunca têm dinheiro para a saúde e educação. É fácil fazer cortesia com o dinheiro público."
CARLOS NÓBREGA DOS SANTOS (São José do Rio Preto, SP)
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Pré-sal
"Nada como a plenitude democrática para a correta discussão do grandes problemas nacionais, como neste momento histórico que vivemos. A liberdade de expressão que a imprensa e as mídias necessitam para ser o grande canal de esclarecimento da opinião pública é o vetor que hoje o país mais necessita para a solução de nossos angustiantes problemas. A atual demanda sobre os royalties do petróleo do pré-sal, que tem no governador Sérgio Cabral o exemplo vivo na defesa dos direitos da população fluminense, só está podendo acontecer pela plenitude do regime democrático de direito que agora felizmente impera entre nós."
JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA (Rio de Janeiro, RJ)
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