Anistia, Araguaia, Pássaros, Coutinho, Cartaz, Futebol, Drauzio
da Folha Online
Anistia
"A matéria da série '30 Anos da Anistia', assinada por Rubens Valente (Brasil, 29/9), omite um importante dado histórico quando diz que 'os primeiros comitês pela anistia foram criados em fevereiro de 1978', esquecendo do importante papel desempenhado pelas mulheres na luta contra a ditadura. Em março de 1975 foi instalado o Movimento Feminino pela Anistia (MFPA), presidido nacionalmente pela advogada Therezinha Zerbini, com núcleos organizados nos principais Estados brasileiros. As mulheres foram as primeiras a levantar a bandeira da anistia, colocando-se na vanguarda dessa luta."
LÍCIA PERES, socióloga, ex-presidente do MFPA-RS (Porto Alegre, RS)
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Araguaia
"Em matéria publicada na Folha de 28/8, o sr. Paulo Vannuchi, secretário especial de Direitos Humanos da Presidência, afirmou que os restos mortais de Bergson Gurjão Farias, morto em 1972 durante a guerrilha do Araguaia, seriam transportados em um avião da FAB para seu enterro definitivo em Fortaleza. Afirmou ainda que Bergson 'volta para o Ceará para descansar em paz e vitorioso, porque o Brasil pelo qual você morreu começa a nascer'.
A despeito do gesto humanitário que o enterro do ex-guerrilheiro representa, não podemos ocultar a verdade sobre o que foi a guerrilha do Araguaia. Conforme já relataram diversos de seus idealizadores em suas autocríticas, aquele movimento tinha o objetivo de derrubar o regime militar e implantar no país a ditadura do proletariado, um regime totalitário de extrema esquerda --ou seja, comunista. Até onde sei, esse regime, pelo qual Bergson morreu, ainda não foi implantado em nosso país, embora o sr. Vannuchi afirme que esse Brasil começa a nascer.
Apesar disso, não ficarei nem um pouco espantado caso o sr. Vannuchi comece a afirmar que os guerrilheiros lutavam pela democracia e pela liberdade, afinal de contas a ideologia da qual o sr. secretário é partidário já deu grandes mostras, no passado, de como é fácil deturpar e alterar a história de acordo com as conveniências do momento. Que o digam as vítimas do stalinismo, que desapareciam não só de circulação, mas até mesmo das fotografias.
Por fim, não creio que o jovem Bergson tenha sido vitorioso, já que a ideologia que o mesmo pretendia ver implantada no Brasil ainda não o foi. E é graças a esse fato ainda temos liberdade de expressão, direito de escolher nossos governantes e até mesmo de contestar as versões da história que os ingênuos ou os cínicos querem que acreditemos. Obrigado."
GIOVANI MORETTO (Rio de Janeiro, RJ)
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Pássaros
"Apesar das frequentes denúncias, continua livre a prisão de pássaros no Rio de Janeiro. Situação contraditória, pois o criminoso fica livre, e a vítima, engaiolada."
PATRÍCIA PORTO DA SILVA (Rio de Janeiro, RJ)
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Coutinho
"Não entendo como a Folha aceitou publicar um texto tão absurdo quanto 'Até tu, São Paulo', de João Pereira Coutinho (Ilustrada, 18/8). Que inconsequência tratar o fumo passivo como 'mito', enquanto tantos médicos respeitados já escreveram, aqui mesmo na Folha, o quanto o fumo passivo é destruidor e causa o sofrimento e a morte injusta de pessoas que não escolheram fumar. Ainda bem que o médico sanitarista Luiz Roberto Barradas Barata veio debater a questão em seu brilhante texto ('Tendências/Debates', 26/8), em que ele mostra mais uma vez os dados comprovados dos estragos causados pelo fumo passivo. Sete pessoas morrem por dia no Brasil por causa do fumo passivo, e isso é mais do que suficiente para alarmar a todos. No Canadá fui testemunha da proibição do fumo em lugares fechados há alguns anos. Apesar do inverno rigoroso, cuja temperatura pode chegar a 35 graus negativos, a população canadense aceitou tranquilamente a lei antitabaco. Não houve multas porque não houve desrespeito à lei. Por que é que foi tão fácil no Canadá e está sendo tão difícil no Brasil? Será que é tão estafante assim levantar de uma cadeira por alguns minutos para fumar lá fora? E em relação à série 'Mad Man', que também foi citada por João Pereira Coutinho em seu artigo, não dá para levar a sério um colunista que é incapaz de verificar suas fontes ao dizer que a série ainda não passou no Brasil. Se ele se engana com uma coisa tão simples quanto uma série de TV, tanto pior e sem credibilidade são suas afirmações sobre o fumo passivo ser apenas um 'mito'."
SAMANTHA FRANCO MAIMONE (Assis, SP)
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Cartaz
"Li a reportagem 'Cartaz da Beija-flor com índia nua irrita padre do DF' (Cotidiano, 29/8) e não me contive. Quase não acreditei no que li. O que tem de falta de respeito no cartaz? Contar a história de Brasília é contar a história do Brasil. Não dá para contar a história do Brasil sem falar dos índios, especificamente das índias que geraram tantos brasileiros, colaborando para a pluralidade étnica que temos. Falta de pudor, falta de respeito é o que está acontecendo no Senado. O padre Marcony Ferreira deveria olhar um pouco para o próprio umbigo. O cartaz é lindo e retrata traços do nosso país, que, se não fosse pela falta de vergonha desses que ocupam o poder, seria maravilhoso. Sr. Fernando do Carmo, não tem de modificar nada do cartaz. Se o senhor pudesse modificar estes que aí nos representam, aí sim."
IDALENA OLIVEIRA CHAVES (Belo Horizonte, MG)
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Futebol
"A atitude de Leonardo Moura levantando a camisa após marcar o gol de pênalti contra o Santo André e, por isso, sendo punido com cartão amarelo, é um caso generalizado. Assim, parece equivocado o caráter acumulativo do cartão amarelo para os jogos seguintes, seja porque ao encontro do interesse do infrator ou, em algumas situações, até por orientação de sua agremiação. A aplicação de cartão amarelo a um jogador deveria servir apenas e rigorosamente para inibir atitudes prejudiciais à disputa que se desenrola. Havendo reincidência, que o infrator seja passível de expulsão, esta gerando, no mínimo, a exclusão do jogo seguinte, o que é razoável. Houvesse atitude dos árbitros coibindo deslealdades em partidas que comandam, seria melhor que mais frequentemente as equipes repetissem escalações a cada jogo, pelo melhor desenvolvimento de uma competição em suas várias rodadas, o que não vem sendo possível pela punição paliativa de cartões acumulados, inclusive gerando falta de conjunto das equipes e, consequentemente, apelação maior para o antijogo."
ANTONIO FRANCISCO DA SILVA (Rio de Janeiro, RJ)
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Drauzio
"Brilhante o artigo do dr. Drauzio Varella (Ilustrada, 29/8) sobre como se pratica, em pleno século 21, biópsia de próstata sem anestesia, por força de convênios e por conivência de cirurgiões e médicos inexperientes ou desinformados. Isso às vezes também ocorre nas crianças, que são apenas contidas, e sem anestesia, nas reduções de fraturas, drenagens de abcessos, cirurgias de fimose etc. Nelas há relatos pós-operatórios de sequelas psicológicas, como pesadelos, descontrole da diurese e até temperamentos autodestrutivos resultantes destas práticas medievais, como bem relatou o dr. Varella. Aos CRMs, através de denúncias, cabe responsabilizar, por processos éticos profissionais, tais ações, tanto nas crianças como nos adultos."
CARLOS ALBERTO DA SILVA JUNIOR, médico (Florianópolis, SC)
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"Muito oportuna a colocação sobre anestesia na coluna do dr. Drauzio Varella em 29/8. Os procedimentos médicos fugazes são muitas vezes tratados, infelizmente, com desprezo por muitos colegas médicos. Além da biópsia de próstata feita sem anestesia, citada no artigo, temos muitas outras situações onde a anestesia deveria ser feita. Muitas pessoas teriam seu sofrimento mitigado se houvesse sempre anestesia, mesmo para procedimentos relativamente indolores como endoscopia, tomografia e ressonância magnética. E mesmo quando há indicação de uma anestesia local, por que não beneficiar o paciente de fazê-lo com sedação? Não há razão para ouvirmos a frase proferida muitas vezes por colegas médicos: 'O procedimento dói, mas é rápido'. Os colegas médicos deveriam somente permitir a realização de exames em seus pacientes se estes forem feitos de uma forma humana e sem dor. Devemos nos lembrar dos pilares da ética médica, que são a beneficência e não-maleficência. Para isso acontecer, é preciso uma conscientização da necessidade da presença do anestesiologista nessas situações, bem como a existência de equipamentos mínimos para a realização de uma anestesia segura."
RODRIGO TAVARES CORRÊA, anestesiologista (Catanduva, SP)
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