Câmara, Independência, Ministério Público, propaganda
da Folha Online
Câmara
"A Folha trouxe em sua Primeira Página de ontem a notícia de que a 'Câmara perdoa 85% das ausências'. Essa notícia não podia ser mais oportuna. Foi publicada ontem, 7 de setembro, Dia da Independência, portanto, dia em que o país deixou de ser colônia para se tornar uma nação livre, independente e 'mãe gentil' de todos os brasileiros que a honram. Infelizmente, a Câmara, perdoando 85% dos deputados que nesta legislatura não cumpriram suas obrigações, conspurcou a mãe gentil cantada em nosso hino nacional para transformá-la numa madrasta. O castigo ao deputado ausente é o desconto de R$ 850 do seu salário por cada falta. Uma das vergonhosas justificativas pela falta é a de o deputado estava fora em missão especial. Essa justificativa é uma mentira tão deslavada que a ausência se dava sempre perto de feriados, fins de semanas ou em vésperas de festas regionais. O povo pergunta: com o perdão dos 85% das ausências, os deputados faltosos terão direito ao reembolso do que lhes foi descontados dos seus salários? Se tiverem, pelo princípio da isonomia, precatórios neles, para sentirem quanto dói uma saudade!"
ANTONIO BRANDILEONE (Assis, SP)
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"Lendo a reportagem sobre os faltosos no Congresso no período de fevereiro de 2007 até agora, chamou minha atenção não os motivos dados pela maioria dos parlamentares (atesto médico, missão política), mas, sim, o do deputado Alberto Silva (PMDB-PI), que tem 90 anos e recomendação médica para ficar em casa. Como médico, estou estarrecido. Tenho certeza absoluta de que esta pessoa, com a idade 'ultra-avançada', não tem condições físicas (não quero nem dizer psíquicas) de estar se deslocando semanalmente de avião para cima e para baixo (Brasilia e sua terra natal, Piauí). Acredito que, fisicamente, não tenha mais os reflexos necessários para fazer essa maratona quase diária. Acredito que os nossos nobres deputados deveriam estipular na 'reforma eleitoral' uma idade limite para um cidadão se candidatar - como no emprego público, onde o máximo é de 70 anos. Bom senso e canja de galinha são sempre benvindos."
NILTON MARQUES ALMEIDA (Santos, SP)
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Independência
"Gostaria de dizer o quanto fiquei satisfeito com a leitura do artigo 'Independência ou Morte?', do doutor Cláudio Guimarães dos Santos ('Tendências/Debates', 6/9), no qual ele diz tudo o que eu próprio gostaria de dizer. De forma direta e clara, mostra um Brasil que não queremos ter pra nós. Não há, certamente, o que comemorar; não há por que ficar feliz neste cenário de aparência e vaidade."
EDUARDO ANTONIO MONDI (Ribeirão Preto, SP)
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MP
"O argumento do advogado-geral da União e dos que não querem que o Ministério Público investigue crimes baseia-se na falácia de que a instituição não tem competência legal para instaurar inquérito policial ('Aspirante ao STF ataca Ministério Público', Brasil, ontem). Ocorre que em nenhum momento o MP pretendeu usurpar essa função da polícia. O que o MP faz é coletar provas para instruir a ação penal, como qualquer advogado pode fazer quando prepara uma ação. Nem a Constituição nem Código de Processo Penal exigem que a ação penal seja baseada exclusivamente em inquérito policial, podendo ser baseada em documentos colhidos diretamente pelo MP. A quem interessa impedir que uma instituição independente do Poder Executivo e que é titular da ação penal possa coletar provas criminais?"
JORGE ALBERTO DE OLIVEIRA MARUM, promotor de Justiça (Sorocaba, SP)
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Propaganda de mau gosto
"Na contramão das entidades de projeção mundial que combatem as atrocidades a que os animais são submetidos em touradas, a Associação Brasileira de Propaganda, com o patrocinio do Grupo Bandeirantes de Comuniação, Unilever, Souza Cruz e Petrobras, promove um Festival Brasileiro de Publicidade com um anúncio chocante, de meia página, que exibe um touro ensanguentado, ferido por espetos, vítima das abomináveis touradas, com o título 'Ideias. As fortes não morrem'.
Ideias. As impróprias morrem!"
MARINA LEFÈVRE MASSARIOL, presidente do Movimento de Apoio aos Protetores de Animais e da Natureza (São Vicente, SP)
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Ditaduras cotidianas
"Simplesmente maravilhoso o artigo do Luiz Felipe Pondé de ontem na Ilustrada. Ele nos leva a refletir o quanto estamos submetidos a pequenas e cruéis ditaduras cotidianas. O melhor, o mais belo, o vencedor, o que produziu mais, o funcionário do mês... e por aí vai. Sem levar em conta as ditaduras ditadas pela publicidade. O carro espetacular que não teremos junto com maravilhosa mulher da cerveja que não namoraremos. Ora bolas, às favas com essas idiotices. O simples conceito de estarmos vivos e vivermos com o que ganhamos ao final do mês já nos fazem vencedores, e isso se refere a 98% da população brasileira. Deixem que criemos nossos filhos à nossa imagem e semelhança, que comam comida de boteco, que comam pastel de feira e tomem caldo de cana e que sejam felizes por isso."
ALBERTO CRUZ (São Paulo, SP)
