Painel do Leitor
10/09/2009 - 02h30

Cidade limpa, independência, natureza, armas, Reich

da Folha Online

Cidade limpa

"O prefeito Kassab se empenhou tanto para que São Paulo fosse uma cidade limpa e agora vai demitir 1.600 funcionários que fazem a varrição das ruas. Alega que o corte é necessário porque houve queda na previsão da receita para este ano. A reportagem da Folha flagrou vários pontos de acúmulo de sujeira, entulhos em esquinas de grande vias, pedestres já encontrando dificuldades para andar nas calçadas. E quando chover, para onde irá esse lixo? No entender do prefeito Kassab, o que é uma 'cidade limpa'?"

MARIA HELENA SOUZA (São Paulo, SP)

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Independência e 1964

"Continuamente se têm notícias de busca de ossadas, de arquivos e de punição para pessoas que participaram do movimento de 64. Esquecem-se das vítimas de ações armadas de grupos de esquerda. Esquecem-se das milhares e milhares de vítimas dos regimes socialistas e comunistas no mundo inteiro e da morte das liberdades individuais. Esquecem-se do desenvolvimento, da independência que a Revolução de 1964 trouxe ao nosso país. Era época de governantes em que prevalecia a correção moral, quando não havia corrupção nem escândalos. A Revolução de 1964 ficará para sempre em nossos corações por ter feito a industrialização do Brasil, base para um progresso legítimo, seguro e permanente. A industrialização e a proteção à indústria nacional são desejos e feitos de todo governante que quer de fato o progresso do seu país. Ela gerou empregos e renda, conferindo ao homem a dignidade de manter-se com seu trabalho e seu salário, sem o assistencialismo que o rebaixa e o humilha e o mantém prisioneiro de políticos que não pensam e não propiciam a sua educação, o seu crescimento intelectual e moral. Industrialização e conhecimento, sempre de mãos dadas, para a verdadeira independência."

MARLI MIRA HOELTGEBAUM (São Paulo, SP)

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Natureza

"Partindo do pensamento de que uma imagem vale mais que mil palavras, o que vimos hoje em todos os grandes jornais brasileiros foi o retrato da destruição em vários Estados brasileiros e na Argentina, de onde veio o tornado, e como efeito o troco da natureza, pela degradação e devastação da cobertura vegetal da mata atlântica -hoje temos apenas 5%. Sem árvores nas propriedades, os corredores de ventos agora ficam mais violentos e levam tudo o que encontram pela frente. Nossos governantes não estão nem aí para o aquecimento global e para as mudanças climáticas. Lorde Nicholas Ster disse em 2006 que pagaremos caro pela inação, e acertou em tudo o que disse. Lamentavelmente, em nosso país, os grandes agricultores ainda insistem em não manter as reservas legais, que seriam as áreas de proteção não só para suas propriedades mas para as cidades, que agora contam os milhares de desabrigados e milhões em prejuízos nas propriedades e no perímetro urbano. Mais uma vez nos unimos e solidarizamos pela dor. Com tristeza."

JOSE PEDRO NAISSER (Curitiba, PR)

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Armas

"Mais uma vez o Brasil vai gastar bilhões de dólares em submarinos para defender as plataformas de petróleo e caças para tropas de elite. Nada contra! Desde que a nossa tropa não estivesse com problemas de abastecimento de comida, combustível e armas para treinamento de campo, inclusive na região mais delicada e cobiçada do Brasil, que corre real perigo, que é a Amazônia."

BRAR BRAREN SOLER (São Paulo, SP)

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"O grande jornalista Janio de Freitas tem seguidamente alertado sobre a nebulosa compra de submarinos e caças franceses pela dupla Lula-Jobim. O que justifica tamanho aparato se não conseguimos vencer nem a guerra contra o tráfico, que já domina grande parte das nossas cidades? Aos brasileiros resta desconfiar de grossa corrupção, tal qual a privatização de feita por FHC, capaz de enriquecer muita gente. Daqui a alguns anos a sujeira aparecerá boiando no rio imundo que corre pela Esplanada dos Ministérios e deságua no Alvorada."

ALVARO ABRANTES CERQUEIRA (Muriaé, MG)

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"O jornalista Janio de Freitas esquece-se de mencionar em seus artigos contra o acordo com os franceses para a construção dos novos submarinos brasileiros que os alemães não transferiram toda a tecnologia do submarino IKL, tornando-nos dependentes deles até para a compra de sobressalentes, cujos fabricantes só vendem para o construtor do IKL, que nos repassa com custos majorados em cerca de 30%. O submarino possui mais de 200 mil itens, a maioria alemães, e a cada revisão dos sistemas de armas e sensores pagamos praticamente quase outro submarino em assistência técnica e compra de sobressalentes no grupo HDW/TKS, montador do IKL. É disso que a Marinha espera se livrar ao comprar a tecnologia francesa. Ademais, os alemães não constroem submarinos atômicos e, de quem possui tecnologia de construção aprovada, só os franceses se propuseram a transferi-la."

PAULO MARCOS G. LUSTOZA, capitão-de-mar-e-guerra reformado (Rio de Janeiro, RJ)

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"Hoje em dia, a diferença entre país desenvolvido e subdesenvolvido é que o desenvolvido produz tecnologias, e o subdesenvolvido compra. Já que o Brasil está fazendo essa opção militar, não seria muito mais útil tentar investir na formação de engenheiros capazes de projetar nossos próprios equipamentos? Os resultados econômicos dessa opção pela educação não seriam extraordinários a médio prazo? Essa mendicância pelo direito de ter acesso a tecnologia é deprimente. Do que adiantaria nos tornarmos exportadores de petróleo e importadores de chips de computador?"

CLÉCIO BACHINI (São Paulo, SP)

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Reich

"Moacyr Scliar, no texto 'Medicina Utópica' (Mais!, 6/9), ao deixar de lado inegáveis contribuições de Wilhelm Reich (1897-1957) ao conhecimento, acabou por gerar uma visão, no mínimo, pouco equilibrada. Dentre essas contribuições, podemos citar: para o acervo psicanalítico, as formulações voltadas para a técnica analítica ('Análise do Caráter', 1933); para o chamado freudo-marxismo, a pioneira busca de uma aproximação entre a psicanálise e o marxismo ('Materialismo Dialético e Psicanálise', 1929); para o domínio da psicologia política, a leitura do fenômeno da adesão ao nazifascismo ('Psicologia de massa do fascismo', 1933). Sobre essa última, Roudinesco e Plon afirmam que Reich foi responsável por 'uma análise do fascismo que marcou todo o século' ('Dicionário de Psicanálise', 1998, p. 651). Ele também deu os primeiros passos em direção à abordagem corporal em psicoterapia, algo claramente presente no campo das atuais práticas da psicologia clínica."

PAULO ALBERTINI, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (São Paulo, SP)

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Cantareira

"A decisão da SMA de suspender por sete meses o licenciamento de novas obras em sete municípios da região da Cantareira é um tiro no pé. De uma arbitrariedade ímpar. Ignora o que aconteceu às regiões da Billings e da Guarapiranga, vítimas deste mesmo tipo de canetada há 30 anos. São dezenas de milhares de pessoas afetadas sem que se leia nada sobre compensações e indenizações a estes municípios e às suas populações. Quem não aprende com a história está fadado a repeti-la. A Cantareira acaba de ser condenada por ato do secretário do Meio Ambiente e dos movimentos ambientalistas que o apoiam."

RODRIGO ARANTES DO AMARAL (Mairiporã, SP)

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Adubo de esgoto

"Li o artigo 'Pesquisa da USP aprova uso de esgoto tratado como adubo', publicado ontem no caderno Ciência, e gostaria parabenizar a professora Célia Montes pelo estudo com reuso de efluente sanitário na agricultura. Há poucos grupos trabalhando com o tema no Brasil, e a maioria deles enfatiza o aumento de produtividade agrícola, que consiste realmente, dos primeiros ensaios com resíduos, como aconteceu com a vinhaça e com o lodo de esgoto. Contudo, tais estudos devem ser conduzidos de forma multidisciplinar, envolvendo a parte agronômica, ambiental e de saúde pública, especialmente, porque os efluentes sanitários oriundos de estações de tratamento de esgoto no Brasil não são, na maioria dos casos, desinfetados e apresentam elevadas concentrações de coliformes, ovos e cistos de helmintos e protozoários e vírus, podendo causar problemas de contaminação do produto colhido e das águas subterrâneas. Sabe-se, claramente, que vírus, como os causadores da hepatite, permanecem por longos períodos no ambiente, podem atravessar o perfil do solo, e atingir o lençol freático. Inúmeros são os casos de pessoas contaminadas com o vírus da hepatite no ambiente rural, que convive com o sistema fossa-poço. Há controvérsias, também, quanto à contaminação das águas subterrâneas com nitrato e metais pesados. Ainda, não há no Brasil legislação que regulamente o reuso de efluentes sanitários na agricultura. Mas há a resolução Conama 375 (2006) e normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento restringindo o uso de produtos derivados de tratamento sanitário em pastagens, cultivo de olerícolas, tubérculos e raízes, e culturas inundadas, bem como as demais culturas cuja parte comestível entra em contato com o solo. Nesse caso, seria interessante o artigo suprimir 'uso seguro em vegetais' e reuso em capim tifton. A conquista do mercado internacional de carnes foi trabalhosa para o Brasil, e por essa razão, nas discussões da resolução Conama acima citada, concluiu-se pela restrição do uso de derivados de tratamento sanitário em pastagens. Não há estudos suficientes para concluir que o reuso de efluentes sanitários seja seguro para a agricultura. A Folha deveria ser mais cautelosa na abordagem de temas polêmicos como esse, e não se deixar influenciar pelo entusiasmo de resultados iniciais de estudos. O leitor leigo, ou analistas internacionais em agricultura e pecuária, podem dar uma nova dimensão ao assunto, com consequências desastrosas para o agronegócio nacional."

EDNA IVANI BERTONCINI, engenheira agrônoma, doutora pesquisadora científica APTA-Pólo Centro Sul (Piracicaba, SP)

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Condomínio

"Gostaria de parabenizar a Folha pela publicação da reportagem 'Moradores tentam barrar Alphaville na Granja Viana'. É um absurdo que este empreendimento tenha conseguido autorização da Secretaria do Estado do Meio Ambiente para desmatar mais de 200 mil m2 de mata atlântica nativa, moradia de espécies ameaçadas de macacos, pássaros e répteis. Lutar contra o desmatamento da Amazônia é uma causa nobre, mas desmatar esta área de forma irresponsável na Grande São Paulo, bem pertinho de nós, também não pode passar despercebido pela sociedade. Que os cidadãos de bem se unam para exigir providências de recuperação da mata, além de embargo imediato da obra."

PAULO AUGUSTO DE S. NOGUEIRA, Professor (Carapicuíba, SP)

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Ilusão

"Demétrio Magnoli responde muito mal ao argumento de Boaventura Santos sobre a fraternidade. O problema apontado pelo sociólogo português é o risco de se utilizar um ideário da Revolução Francesa, que serviu justamente como veículo eliminador de privilégios, como pretexto para o imobilismo das instituições no combate a privilégios que o passado colonial instaurou no Brasil e que, até agora, ao contrário da França, nenhuma revolução desfez. Talvez pior que distorcer os termos tenha sido apenas fazê-lo invocando o vestibular hipotético de um filho hipotético do primeiro ministro negro no STF."

FABIO DE SÁ E SILVA (Brasília, DF)

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