Agricultura, educação, razão, Chacrinha, pdeofilia
da Folha Online
Novo modelo rural
"Muito claro o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, em 'Tendências/Debates' de ontem, comentando as informações do Censo Agropecuário de 2006. Trata-se de fatos que há muito estamos percebendo e que agora ficaram claro neste censo.
Trabalho com extensão rural oficial há mais de 30 anos, transferindo informações técnicas à agricultura familiar, que tem dificuldade de acesso a novas tecnologias, que produz aquém do potencial dos novos cultivares e ainda tem o inconveniente de não lucrar com as vantagens competitivas da economia de escala devido, principalmente, ao sucateamento das Ematers estaduais e à falta de crédito.
Com o agricultor assentado a situação é ainda pior. Ele não pode dar suas terras em garantia para obter crédito, e quando ocorre uma inadimplência, que pode ter sido provocada por condições climáticas, aí é que a 'vaca vai mesmo para o brejo'.
Essa agricultura, que sempre foi muito bem evidenciada em discursos políticos, mas com poucas ações efetivas, precisa de políticas públicas de estímulo para que, de fato, tenhamos outro modelo de desenvolvimento rural, citado pelo ministro.
A criação das redes temáticas de Ater já foi um grande passo."
DILSON CACERES, engenheiro agrônomo (Ribeirão Preto, SP)
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"No artigo 'Um novo modelo de desenvolvimento rural', o ministro Cassel acrescenta mais uma pérola ao seu vasto colar de distorção de estatísticas em favor de uma ideologia retrógrada. É difícil encontrar uma frase do artigo que encontre sustentação na vida real. Entretanto, atribuir a produção de alimentos mais saudáveis à agricultura familar extrapola todos os limites, atribuir melhor proteção ambiental à agricultura dos assentados afronta dados do próprio governo, que mostraram o maior índice de desmatamento em projetos acompanhados pelo Incra. Por outro lado, não considera que a enorme maioria do valor gerado pela agricultura familiar vem do cultivo de frutas e verduras (fora dos assentamentos, em sua maior parte), e não das culturas de mandioca, milho etc., citadas no artigo. Dizer que a agricultura familiar é mais produtiva e mais importante na luta contra a fome e o estabelecimento da cidadania que as tecnologias que substituíram o trabalho humano é, no mínimo, uma falácia, uma vez que os agricultores assentados dependem de benesses governamentais como cesta básica e financiamentos a custo zero para que simplesmente sobrevivam. O artigo é uma afronta aos agricultores que sustentam este país."
CIRO A. ROSOLEM, professor titular de agricultura da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp (Botucatu, SP)
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Educação
"Em relação ao artigo 'Na contramão da educação a distância' ('Tendências/Debates', 8/10), do professor Jurandir Sell Macedo, gostaria de comentar que sou graduando da UAB/UFSCar e senti a minha alma lavada com o texto. Desejo acrescentar que a desistência nos cursos é enorme, os estudantes já são em grande parte graduados e o ensino público foi direcionado a uma elite, ou seja, aos que estão aptos a participar desse modelo de educação a distância. Muitos estudantes tiveram os seus sonhos destruídos porque não conseguiram assimilar o conteúdo das disciplinas. E outros ainda serão jubilados, pois o modelo foi pensado como uma estrada sem acostamento: não imaginaram que os estudantes poderiam ser reprovados nas disciplinas."
MARCELO LEMOS CORREIA, estudande do curso de sistemas de informação na Universidade Aberta do Brasil (polo de Osasco), da Universidade Federal de São Carlos (São Paulo, SP)
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Razão
"Quero agradecer vivamente Contardo Calligaris pela 'crítica da razão pura' (ou melhor, 'crítica da razão como fé') em seu artigo de 8 de outubro ('Razão, crença e dúvida', Ilustrada). Obrigado por suas poucas crenças absolutas, obrigado por admitir que há muito no mundo que nossa razão não alcança, obrigado por admitir buscar qualquer esperança de cura se a doente envolvida for uma filha sua, obrigado por questionar o fundamentalismo racionalista de Richard Dawkins (para mim, tão pernicioso quanto o fundamentalismo religioso)."
CAIO MONTEIRO (São Paulo, SP)
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Chacrinha
"Li na Ilustrada de ontem que o Chacrinha não passaria da porta da TV, por ser, entre outras coisas, não politicamente correto.
Sou professor e já assisti a programas do Chacrinha, do Silvio Santos, do Bolinha e do Flávio Cavalcante. E do Jacinto Figueira Júnior!
Vivemos em tempos dessa hipocrisia do politicamente correto, e a 'palavra' de ordem é 'mudança dos paradigmas', ou 'novos paradigmas', na educação brasileira. São discursos pseudoacadêmicos ou pseudointelectuais, que norteiam as novas visões da sociedade brasileira e acabam por pasteurizar o pensamento e o livre pensar.
Na época em que havia o troféu abacaxi, ensinava-se em casa o respeito aos mais velhos e outras coisas hoje tão esquecidas.
Não havia, ou melhor, havia, sim, desrespeito às instituições e/ou professores, mas não com essa intensidade de hoje, quando é muito comum um aluno xingar e ofender um professor. Isso é visto quase diariamente em quase todas as instituições de que se tem notícia. E o pior é que, segundo frase corrente da própria boca deles, 'não dá nada'.
O ECA é um documento feito para engessar a responsabilidade e é tratado de forma unilateral, pois, se tais comentários saem da boca de um professor, é processo na certa.
O certo é que as autoridades nada fazem para tentar reverter o quadro. Pelo menos não tenho visto nenhum avanço na direção de resgatar o respeito e a dignidade dos professores.
ADILSON PEDRO ROVERAN (Campinas, SP)
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Pedofilia
"Lastimável que o padre José Eduardo Balikian tenha sido inocentado pelo TJ-SP após condenação em primeira instância há 14 anos, em regime fechado, acusado de ter abusado sexualmente de duas irmãs, de 15 e 16 anos, em Marília. O levantamento do 'Diário de S.Paulo' revelou que, entre dez pastores e padres acusados de pedofilia nos últimos cinco anos, seis já foram condenados pelo crime. A igreja, na tentativa de manter a respeitabilidade dos fiéis, acaba abafando muitos casos desse tipo, que todos sabemos serem inúmeros. Em 2008, o papa Bento 16 prometeu 'excluir definitivamente os pedófilos do sagrado ministério', mas até agora isso ficou só na promessa."
CONRADO DE PAULO (Bragança Paulista, SP)