Painel do Leitor
20/10/2009 - 02h30

Violência no RJ, investimentos em SP, arte perdida, Bolsa Família, PSDB

da Folha Online

Violência no RJ

"O helicóptero derrubado ('Tráfico derruba helicóptero da PM; 2 morrem', Cotidiano, 18/10) pelos traficantes no Rio é um choque de realidade que talvez desperte a mídia e os moradores da pseudo-Cidade Maravilhosa, adormecidos após a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.
Assim como aconteceu com os Estados Unidos após o 11 de Setembro --onde a imprensa e os cidadãos compraram o discurso antiterrorista de George Bush e passaram a demonizar todos os que questionavam suas ações--, a imprensa brasileira também entrou no embalo do discurso ufanista de Lula.
De uma hora para outra, o Rio transformou-se na Suíça brasileira; as mazelas sociais foram sanadas e as feridas da violência curadas. Me senti em um universo paralelo ao ver todas as reportagens que ressaltavam apenas o lado maravilhoso do Rio de Janeiro. Mas o que aconteceu com o tráfico, com as drogas, com as balas perdidas e com a corrupção? E o Sarney e a crise ética do Senado? Também foram esquecidos...
A realidade não demorou muito para bater às nossas portas mais uma vez e com um saldo de vários mortos, entre eles os policiais que estavam no helicóptero. A Olimpíada de certo é uma excelente oportunidade para melhorarmos a trágica situação do Rio de Janeiro. Antes de tudo, entretanto, é preciso abrir os olhos para a realidade e encarar as feridas abertas de frente.
Espero que as pessoas acordem agora!"

FERNANDO FERRAGINO (São Paulo, SP)

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"Não existe mais nada de maravilhoso no Rio de Janeiro, pois até o visual onde existia vegetação só tem barracos; sem comentar que, atualmente, o Rio tem 800 favelas. A cidade não passa de um grande favelão e, inclusive, não existe segurança. Tornou-se um favelão de guerra pior que o Iraque. Isto eu já sabia desde 1975 e, inclusive, comentei ao assistir uma aula de sociologia, afirmando que o Rio de Janeiro teria um governo paralelo, rodeado de bandidos; graças à falta de planejamento em razão da explosão demográfica que vinha acontecendo.
Conheci o Rio em 1951. Fui um grande apaixonado pela extinta Cidade Maravilhosa, mas nada sobrou de bom. Mas o estúpido povão festejou o fato de a cidade ter sido escolhida para ser a sede da Olimpíada de 2016.
O mundo está ciente dos tiroteios, da falta de segurança e do bandidismo que tomou conta da ex-Cidade Maravilhosa; hoje uma grande favela habitada por bandidos.
Não existe causa sem efeito e nem efeito sem causa. Aí está a desgraça, que seria cômico se não fosse trágico com a perda de milhares de pessoas inocentes, vitimas do bandidismo."

MARIO ANTIQUEIRA ROCHA (São José dos Campos, SP)

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"Ou não entendi direito o artigo do sr. Ruy Castro ( Opinião, 19/10) ou ele acredita que deva ser deixado tudo como está, tocante a guerra nos morros do Rio de Janeiro.
A solução definitiva do conflito é, então, esperar que uma facção criminosa liquide todas as demais? E quando acontecerá isso? O sr. Ruy Castro tem uma previsão?
Não resido no Rio de Janeiro, mas em Balneário Camboriú (SC). Ainda assim, sinto-me no direito de dizer: 'menos, sr. Ruy Castro, menos'."

JOSÉ VICTOR DA SILVA (Balneário Camboriú, SC)

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Investimentos em SP

"Em resposta à carta do leitor Junios Paes Leme ('Painel do Leitor', 2/10), a Secretaria de Economia e Planejamento de São Paulo esclarece:
1) Como mostra a reportagem, os recursos destinados às áreas de educação, segurança pública e saúde não são 'pífios', uma vez que recebem as maiores dotações orçamentárias: R$ 23,6 bilhões, R$ 13,6 bilhões e R$ 13,4 bilhões, respectivamente, ou 23,4%, 13,5% e 13,3% da receita do Estado (R$ 100,7 bilhões).
2) Quanto aos investimentos em transportes e transportes metropolitanos, estes são realizados majoritariamente com recursos provenientes de outras fontes que não o Tesouro, como financiamentos e outorgas do trecho oeste do Rodoanel e de cinco lotes de rodovias. Os recursos obtidos com as outorgas na área de transportes devem ser aplicados em transportes.
3) Qualquer peça orçamentária, seja municipal, estadual ou federal, prevê, em relação à folha de pagamento, apenas o crescimento vegetativo e benefícios aos servidores já garantidos por lei. A proposta do Estado para 2010 contempla, assim, aumento de despesas com a reestruturação da área meio, reajustes aos policiais e progressão de carreira para professores da Secretaria de Educação, benefícios estes resultantes de leis aprovadas em 2008 e 2009. Os benefícios resultam, inclusive, de projetos de autoria do próprio Executivo. Os gastos com Pessoal em 2010 serão de R$ 45,4 bilhões ante R$ 42,5 bilhões neste ano, um aumento de 6,7%."

CAMILA MELO, assessora de imprensa da Secretaria de Estado de Economia e Planejamento de São Paulo (São Paulo, SP)

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Arte perdida

"Atrás do incêndio que destruiu o acervo mais importante de arte contemporânea brasileira devem existir muitas histórias. Sabemos muito bem da ineficiência do poder público, e não vamos cair na pegadinha da dona Jandira.
Em relação ao Ministério da Cultura, grande piada esta do ministro, dizendo que está em negociação com a família para cuidar do acervo do artista. A ficha não caiu ainda? Que acervo? Cinzas?
O acervo foi-se embora e o Ministério não fez nada para evitar ('Incêndio destrói centenas de obras de Oiticica', Cotidiano, 18/10). É evidente que a obra de arte, assim como os documentos, precisam ser guardados em lugares apropriados, bem acondicionados, em lotes separados etc. É evidente, também, que qualquer família que tem zelo pela arte do artista morto gostaria de ter o seu acervo seguro. Para isto, não seria importante uma proposta séria por parte do Ministério, sendo esta uma de suas funções? Que conversação é essa entre o ministro e a família que dura tanto?
Assim, rouba-se o Museu da Chácara do Céu, queima-se o acervo do MAM, queima-se a obra do Hélio e dá-lhe discursos oficiais sem resultados."

JOSÉ LORDELLO (Rio de Janeiro, RJ)

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Bolsa Família

"Mais uma vez o governo amplia a rede de beneficiários do Bolsa Família ('Bolsa Família pode subir para 5.600 usuários', FolhaRibeirão, 18/10). E não dá para reclamar ou acusar o governo de estar usando eleitoralmente o programa, porque é direito dele decidir pela ampliação do programa e, mesmo porque, qualquer outro governo que lá estivesse faria o mesmo.
O Bolsa Família, principal programa social do governo, é uma máquina de produzir votos, com mais de 12 milhões de lares assistidos, e dará uma vantagem considerável ao candidato governista na eleição de 2010, se o assunto não for tratado de forma adequada durante a campanha.
Cabe ao candidato de oposição mostrar claramente aos brasileiros que Lula nada mais fez do que ampliar programas na área social, já existentes antes do seu governo, e que mudanças que venham a ocorrer serão sempre mudanças para tornar os programas atuais mais eficientes e abrangentes.
Lula já pegou meio caminho andado e nada mais fez do que seguir o caminho na mesma direção."

RONALDO GOMES FERRAZ (Rio de Janeiro, RJ)

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PSDB

""O artigo do presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva ('Uma fumaça sobre o governo Serra', 15/10), contém erros crassos, que só podem ter a intenção de confundir o leitor, já que o partido não tem argumentos para explicar as inverdades que vem veiculando em suas campanhas publicitárias.
Vamos aos fatos:
1) Sobre a execução do Orçamento de 2009, a realidade é que, até o final de setembro de 2009, o valor empenhado foi superior a R$ 84 bilhões, ou 72% da dotação orçamentária do Estado, que é de R$ 118 bilhões.
2) Quanto à Universidade Virtual, ao contrário do que afirma o PT, já foram empenhados R$ 9 milhões em 2009, quase a metade da dotação disponível.
3) Em relação à Agência de Fomento, o decreto de sua criação autorizou o capital de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 400 milhões já estão disponíveis para a agência emprestar.
4) Já os R$ 158 milhões supostamente 'retirados' do Metrô foram redirecionados à CPTM para investimentos compartilhados na expansão do transporte sobre trilhos.
5) Quanto à Saúde, não foi reduzido sequer um centavo de seu orçamento de R$ 10,9 bilhões. Pelo contrário, teve um aumento de mais R$ 600 milhões.
6) Por fim, o PT continua insistindo que o governo federal investe no Metrô de São Paulo. Só não conseguiu, até hoje, provar."

SAMUEL MOREIRA, deputado estadual e líder do PSDB na Assembleia Legislativa (São Paulo, SP)

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