Painel do Leitor
24/10/2009 - 02h30

Bolsas, saci, Lula, violência

da Folha Online

Bolsas

"O ministro Mantega certamente equivocou-se ao afirmar que a Bolsa de Valores desenvolveu-se graças ao presidente Lula ('Bolsa deve avanço a Lula, diz Mantega', Dinheiro, 23/10).
Naturalmente, ele queria referir-se ao programa Bolsa Família. Caso contrário, estaria menosprezando e desqualificando a competência da direção da Bolsa de Valores nos últimos anos, o que não é verdade e que seria uma grande injustiça."

ALBERTO ALVES SOBRINHO (São Paulo, SP)

-

Saci

"A Folha publicou a nota 'Saci e isenção de imposto ditam ações' ( Esporte, 23/10) ao lado de uma matéria maior sobre a Copa de 2014 e o Congresso Nacional ('Copa-2014 gera boom de ações no Congresso').
A nota remete o assunto para as Assembleias Legislativas e, com a prepotência que lhe é peculiar, se arvora a definir o que é sério e o que não é sério; o que é bizarro e o que não é bizarro. Entre o não sério e o bizarro, enquadra o Saci, motivo de projeto do então deputado estadual Cido Sério, no sentido de que o insigne perneta seja apresentado como mascote da Copa de 2014 no Brasil.
Saibam que tramita no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pedido de registro do Saci e seus amigos Boitatá, Mula-sem-cabeça, Curupira, Boto e Iara, entre outros, como patrimônios culturais brasileiros. Tal pedido foi encaminhado pela Sosaci (Associação Sociedade dos Observadores de Saci), criada em julho de 2003 na cidade de São Luiz do Paraitinga (SP), mesma entidade que, mais recentemente, lançou a campanha do Saci como mascote da Copa.
A seriedade disso está no fato de que o Saci é a síntese da formação do povo brasileiro, sendo o mito brasileiro mais popular e o único conhecido em todas as regiões do Brasil. A sua origem é indígena, quando surgiu na figura de um indiozinho (de duas pernas) protetor da floresta, sendo posteriormente adotado pelos negros, que lhe deram a cor negra. Preso com grilhões como escravo, ele cortou a perna presa e fugiu para a floresta, preferindo ser um perneta livre do que um escravo com duas pernas. O Saci, portanto, é símbolo de liberdade. Mais tarde, ganhou dos brancos o gorrinho vermelho, chamado de piléo na Roma antiga, onde era dado as escravos que se libertavam.
Como o fizera Monteiro Lobato na década de 50, quando promoveu um inquérito sobre o Saci, em contraposição aos gnomos, a Sosaci elegeu o 31 de outubro como o Dia do Saci e seus Amigos, em resistência cultural à invasão da indústria cultural estrangeira, notadamente o Haloween.
Reconhecido por lei (aprovado pelo Legislativo e sancionado pelo Executivo), 31 de outubro já é o Dia do Saci e seus Amigos no Estado de São Paulo, em São Paulo (capital), São Luiz do Paraitinga (SP), São José do Rio Preto (SP), Guaratinguetá (SP), Vitória (ES), Fortaleza (CE) e Uberaba (MG)."

ROBSON MOREIRA, presidente da Sosaci --Sociedade dos Observadores de Saci (São Paulo, SP)

-

Lula

"Quando questionado sobre o fato de um governo popular não estar liderando as pesquisas de sucessão, o presidente Lula afirmou: 'Ainda não temos candidatos' ( Brasil, 22/10).
Se por uma questão de legislação eleitoral não é possível admitir aquilo que parece ser o óbvio, ou seja, que a candidata oficial do governo é mesmo a ministra Dilma Roussef, pelo menos até que os fatos desmintam essa hipótese concreta fica uma pergunta aos conceituados cientistas políticos e articulistas: qual é o jogo proposto pelo presidente ao desfilar com figuras que estão em evidência para o pleito? Ciro Gomes, agora com domicílio eleitoral em São Paulo e que fez toda sua carreira política no nordeste; Aécio Neves, que deve ter herdado e aprendido muito com seu avô a nobre arte da política mineira, ao ponto de encurralar cada vez mais o sr. Serra, que, pelo mesmo motivo de legislação, não assume publicamente aquilo que as peças publicitárias deixam estampas em rede nacional; além, é claro, dos 'elogios' à ex-ministra Marina Silva.
Para quem gosta de um jogo de xadrez, é bom acompanhar as peças no tabuleiro da política nacional."

ROBERTO GONÇALVES SIQUEIRA (São Paulo, SP)

*

"O presidente Lula é um homem de inteligência assaz aguda. Quando aludiu à hipótese de Jesus fazer aliança com Judas (Primeira Página, 22/10), caso o primeiro fosse candidato à Presidência, revelou o cerne da política brasileira: a necessidade de celebrar coalisões.
Historicamente, Jesus fez sim aliança com Judas, pois incluiu este no rol dos apóstolos e não o expulsou, malgrado saber da traição. Na verdade, com excelente didatismo --para compreensão do povo--, Lula quis frisar a ocorrência de opostos conciliáveis na nossa política. Observe-se que Lula não disse que Jesus faria aliança com o Diabo, o que, é lógico, seria impossível, assim como é profundamente lamentável qualquer aliança política que viole princípios éticos."

EDSON LUIZ SAMPEL (São Paulo, SP)

*

"O presidente Lula é chegado a uma frase de efeito. Usar metáforas serve para esconder o conteúdo do que se quer dizer. E foi o que aconteceu ao dizer que se Jesus Cristo fosse governar o Brasil teria de fazer coalizão com Judas. Apesar de ser uma comparação desrespeitosa, Lula conhece seus pares e sabe muito bem o que está dizendo; basta ver quem compõe a sua mesa.
Renan Calheiros, em 1998, foi ministro da Justiça no governo FHC, e hoje domina o governo do PT em nome do seu partido, o PMDB. Depois de todas as falcatruas envolvendo esse senhor, o que explica tanto poder? O voto, que legitima os mandatos.
O eleitor precisa prestar atenção nos 'Judas' que foram se aperfeiçoando ao longo da trajetória política por culpa do voto sem consciência. Quando Lula confessa que não consegue governar sem fazer alianças, mostra que aprendeu, em 20 anos de pré-candidatura, a conhecer os 'Judas'. A grande diferença está na mesa. Na Santa Ceia havia Jesus, o incorruptível, cercado de bons apóstolos e um Judas; na mesa do Planalto está sentado o Diabo e seus diabinhos.
Quem não tiver erros que atire a primeira pedra! Metáfora com metáfora se paga."

IZABEL AVALLONE (São Paulo, SP)

-

Imprensa

"A propósito da entrevista 'Papel da imprensa não é fiscalizar o poder, é informar' ( Brasil, 22/10), feita por Kennedy Alencar com o presidente Lula, vale ressaltar que, de fato, não deveria ser papel da imprensa fiscalização semelhante àquela operada pelas instituições pertinentes. Mas, e quando as instituições falham em seu papel fiscalizador ou são lenientes por força da conveniência política e corporativa? Nesses casos, é crucial que a imprensa se aprofunde no diagnóstico dos desvios institucionais e torne-se um diligente auditor, a fim de que a opinião pública seja instada à reflexão.
E, diga-se, ainda é comum nos veículos da imprensa escrita, nos quais deveria sobejar espaço para a correta informação do leitor, a veiculação de matérias que primam pela leviandade, superficialidade e falta de elementos que promovam a necessária reflexão da sociedade sobre os desvios das instituições."

AIRTON REIS JÚNIOR (Guarulhos, SP)

*

"Gostaria de algumas explicações do presidente Lula que, segundo suas palavras, não cabe à imprensa fiscalizar, apenas informar.
No meu entendimento, publicar uma visita a uma obra inacabada, na companhia de uma candidata extraoficialmente declarada, será visto como informar. Porém, informar que essa visita foi acompanhada de um esboço de comício com direito a discursos do presidente e da ministra-candidata Dilma, sendo que esse comício teve um custo de algumas centenas de milhares de reais --custeados pelo Erário público--, essa informação passa a ter um status de fiscalização?
E o órgão de imprensa que teve a petulância de fiscalizar uma situação dessas, qual a sanção que ficará sujeito? Sim, pois uma atitude dessas, de assumir uma função da Corregedoria Geral, deve ser passível de qual punição? Alguma semelhante à do jornal 'O Estado de S. Paulo', que teve a audácia de 'fiscalizar' os desmandos do coronel Sarney e sua quadrilha travestida de família?"

HENRIQUE SCHWINDEN (Leme, SP)

-

Imagens da violência

"Sempre quando se publica uma foto de um cadáver na capa do jornal (Primeira Página, 21/10) há reclamações de leitores descontentes.
Mas não sei por que tanto drama. A foto em questão retrata apenas a sociedade violenta em que vivemos. Os que reclamam da imagem não querem enxergar a verdade."

GUILHERME FREITAS, jornalista (São Paulo, SP)

-

Butantan

"O professor Isaías Raw foi envolvido, indevidamente e sem nenhuma participação ou culpa, em um desvio de verba da Fundação Butantan, da qual é presidente.
O professor e médico é um dos maiores cientistas do Brasil e, em toda a sua vida, dedicou-se à ciência e estudos, criando uma biografia que poucos homens têm no país.
É de uma infinita modéstia, jamais participando de eventos sociais e políticos. Raramente aparece na mídia. Seu 'habitat', de corpo e alma, era a Fundação Butantan. Inteligentíssimo, formulou e criou várias vacinas, inclusive a vacina contra a gripe H1N1 (chamada de gripe do porco).
É de justiça e mérito que o professor Isaías Raw seja reconduzido à presidência da Fundação Butantan."

JARBAS ALVES BRANDÃO (São Paulo, SP)

Livraria da Folha
Neste livro escrito de próprio punho, Barack Obama busca as raízes de sua família --mãe branca norte-americana, pai negro africano e padrasto asiático-- e revela sua história e visão.
R$59,50
Neste livro, o primeiro presidente negro dos EUA Barack Obama analisa o governo Bush, a intervenção norte-americana no Iraque, as tensões religiosas e raciais e o terrorismo no mundo.
R$55,90
Livro ilustrado que traz informações sobre a história, as tradições e os fundamentos das religiões cristã, judaica, islâmica, budista, hindú e das tradições chinesas e japonesas.
R$59,90
Arrebatador relato sobre a brutal e inclemente máfia napolitana da Camorra, este livro inspirou o filme de mesmo nome, vencedor do Grande Prêmio do Festival de Cannes em 2008.
R$39,00
Neste livro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discute temas como a ditadura militar, a reforma agrária, o Plano Real e outras questões sobre o Brasil.
R$57,50
O ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, revela os bastidores de sua ascensão ao cargo, a luta para reconquistar a confiança dos agentes econômicos e as desavenças na cúpula do poder.
R$29,90