Minissaia na universidade, educação, presos, Saramago, aposentados
da Folha Online
Minissaia na universidade
"Nojo e preocupação. Foram os dois sentimentos que tive quando li a reportagem 'Taleban na faculdade' ( Cotidiano, 30/10), sobre os fatos ocorridos na Uniban --agora conhecida como Taleban.
Nojo desses homens mimados, machistas e dessas mulheres mal amadas, que agrediram, de forma covarde, uma pessoa por conta da roupa que vestia.
Preocupação com os tipos de profissionais que sairão diplomados desse lugar, pois fica claro que o nível intelectual desses 'estudantes' é mil vezes mais curto do que o tal vestido que a garota usou."
ALEX FABIANO NOGUEIRA, professor (São Paulo, SP)
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"Li a reportagem sobre a aluna que foi agredida por alguns alunos e alunas devido estar vestida com uma saia provocativa. Estou formado há quase quatro décadas em direito e, sempre que alguma aluna mais privilegiada pela natureza entrava na sala de aula de minissaia (se usava muito na época) ou calça justa, despertava os olhares da maioria dos meus colegas e era um colírio para os olhos.
No mundo de hoje, altamente globalizado, é normal a mulher valorizar o seu corpo, principalmente as mais dotadas. Portanto, esta agressão me cheira a hipocrisia. Qual será o real motivo que levou a isto?"
PAULO ARMANDO DA SILVA VILLELA (São Paulo, SP)
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"Lamentável o episódio de intolerância explícita contra uma aluna de minissaia, ocorrido justamente numa universidade do Estado mais desenvolvido do Brasil.
Com efeito, além da atitude bárbara e retrógrada de muitos dos alunos da Uniban, causa espécie a reação, igualmente preconceituosa e covarde, do coordenador do curso e dos seguranças da universidade, que, em vez de determinarem que os alunos voltassem às suas salas, mandaram a referida aluna sair do prédio, como se ela tivesse cometido uma infração, e sem lhe garantir segurança.
Será que esses alunos e a direção dessa instituição de ensino já ouviram falar em direitos humanos, respeito à diversidade, civilidade?"
ELISEU ROSENDO NUNEZ (São Paulo, SP)
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Educação
"A avaliação que os professores do Estado de São Paulo terão de passar ('Prova para professores será em fevereiro', Cotidiano, 28/10) traz à tona todo o descaso que esse governo tem com os professores, culpando-os exclusivamente pela péssima qualidade educacional no Estado. Porém, a Folha insiste que seria um bom método de progressão de carreira.
A lógica meritocrática que o jornal apoia não deveria ser aplicada na educação, a qual é regida por valores e interesses distintos da livre competição que assola o mercado. Mas, mesmo assim, se fosse para ser assumida essa lógica meritocrática, por que não há o questionamento de somente, no máximo, 20% terem o direito ao aumento? Por que não se faz uma nota de corte e todos que a ultrapassarem recebem o aumento? Como ficarão os aposentados, que não receberão nenhum aumento pelos próximos 25 anos? Como esperar 25 anos para ter a possibilidade de ser bem recompensado pelo seu trabalho?
São questionamentos que a Folha parece ignorar quando faz apoio ao projeto."
THIAGO ARAGÃO ESCHER, professor (Campinas, SP)
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Presos
"Algo que já seria muito difícil de encontrar, que é uma empresa privada que se disponha a contratar presos ou ex-presos, vai ficar praticamente impossível caso a proposta do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que trata do assunto seja incorporada à nossa lei penal.
Na inacreditável ideia do conselho, os contratados teriam estabilidade de três anos, só podendo ser demitidos antes disso por justa causa.
O CNJ imagina que um incentivo fiscal na contribuição social iria motivar alguém a encarar uma empreitada dessas. É a colocação em prática da conhecida 'se podemos dificultar, para que vamos facilitar?'."
RONALDO GOMES FERRAZ (Rio de Janeiro, RJ)
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Saramago
"Parabenizo João Pereira Coutinho pela brilhante análise no artigo 'Ensaio sobre o fanatismo' ( Ilustrada, 27/10), a respeito da obra 'Caim'.
É reconfortante saber que há pessoas com bom senso, visão ampla, conhecimento profundo e perspicácia no jornalismo brasileiro. A essas qualidades adiciono a coragem, pois não é fácil mostrar que pessoas consagradas no meio literário e bem vistas por boa parte da opinião pública mundial acabam trilhando também o caminho da intolerância e da doutrinação."
ANSELMO BRANCO (São Paulo, SP)
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Aposentados
"Os aposentados e pensionistas do INSS gostariam de saber por que os projetos de lei 3.299/08 e 4.434/08, que propõem a extinção do fator previdenciário e a recuperação do valor dos benefícios --a partir da data que foram concedidas as aposentadorias e pensões--, estavam na Câmara dos Deputados sem os pareceres dos relatores, os deputados Pepe Vargas (PT-RS) e Antonio Palocci (PT-SP)?
A impressão que ficou foi de mais um golpe que os líderes governistas armaram para continuar impondo aos aposentados a tortura mental que começou no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1999.
Recebemos com estranheza essa noticia, visto que o presidente daquela casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), antes de ser eleito presidente da Câmara, disse com aparente firmeza que colocaria em votação os tais projetos. Afirmou, ainda, que esses projetos estavam na fila dos emergenciais.
O senhor Temer tomou posse em fevereiro de 2009 e, dez meses depois, nada fez por nós. Ficou o dito pelo não dito. Parece-nos que existe um acordo entre o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sua turma de choque, para infernizar a vida dos aposentados e suas famílias.
Até quando vamos ficar subjugados a mendicância?"
LEÔNIDAS MARQUES (Rio de Janeiro, RJ)
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Gol
"Peço vênia ao excelente Tostão ('Craques e artilheiros', Esporte, 28/10) para discordar de sua afirmação que 'o grande atacante não é o que somente faz gol'.
A função essencial do grande atacante é o de fazer gols e, para isso, ele precisa saber se colocar em campo e chutar na hora correta. Parece um óbvio ululante, e é.
Na verdade, o talento também redunda-se na simplicidade de um óbvio ululante: torna simples o que é complexo.
Estamos cansados de ver jogadores chutando quando não deviam; e não chutando, quando deviam. E isso faz a diferença entre uma vitória e uma derrota."
CARLOS EDUARDO POMPEU (Limeira, SP)
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Palestina
"Além de cometer crimes bárbaros, como roubar terras, humilhar, torturar, prender, destruir e assassinar aleatoriamente os palestinos, agora os judeus, ocupantes da Palestina, praticam mais uma crueldade: roubam a água do povo palestino a fim de que a sede também os mate.
Não bastasse tantas maldades para que o genocídio prossiga, a subtração de água na Cisjordânia torna-se mais uma atrocidade sionista contra os reais donos daquela terra.
Enquanto isso, o mundo apenas lamenta, em vez de tomar providências drásticas contra quem invadiu a Palestina na década de 40.
Infelizmente, isso acontece em pleno século 21, onde a hipocrisia e o dinheiro é que dominam os sentimentos daqueles que poderiam e deveriam resolver o triste problema."
FERNANDO CEZAR (Rio de Janeiro, RJ)
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Telefonia
"Absolutamente perfeito o texto de Maria Ines Dolci ('Final infeliz na TV a cabo', Vitrine, 24/10) sobre o péssimo serviço das operadoras de TV a cabo, bem como da Anatel.
Acabo de passar duas semanas sem telefone fixo ou internet devido à mais absoluta incompetência da NET, Oi e, principalmente, da Anatel. Creio que a Anatel não tem a menor noção do dano profissional (e emocional) de um cidadão que fica sem uma conexão à internet por mais de 15 dias, devido a regulamentação mal estruturada.
Suponho que a única razão para tal regulamentação 'medieval' deve ser facilitar a vida das empresas e, quiçá, futuros empregos dos diretores da Anatel junto a estas empresas após o seu período como servidores públicos.
Percebi claramente, após duas semanas de martírio, que o duopólio que domina o Rio é totalmente caótico. Uma frase da autora resume tudo: 'É lamentável, mas o consumidor não conta nada para a Anatel, nem para o Ministério das Comunicações'.
Acorda Anatel!"
MAURICIO FUKS (Rio de Janeiro, RJ)