26/08/2006
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02h30
"Lula antecipa 13º de aposentados, distribui as 'bolsas-esmolas', aumenta o gasto público. Ainda que no estrito limite da lei, usa tudo o que pode para ser reeleito e torna evidente o desequilíbrio do jogo.
O presidente distribui 'brindes' com o dinheiro público, enquanto os bonés, chaveiros e outros badulaques que qualquer candidato poderia ter à disposição estão proibidos.
Enquanto isso, o PSDB vê naufragar sua candidatura, uma 'crônica da morte anunciada', e prova o amargo gosto do instrumento que usou para que FHC pudesse usufruir mais tempo das benesses do poder: a reeleição."
SIMÃO PEDRO MARINHO (Belo Horizonte, MG)
"Acho sinceramente que a estratégia da oposição está errada. Faltou mesmo comparar os governos FHC e Lula. Devia ser lembrado que na eleição passada Lula foi 'vendido' como o candidato da mudança.
O que de fato importa e deveria ser mostrado nesta campanha, 'sem medo de ser feliz', é que mudança de paradigma quem protagonizou foi FHC, e não Lula. Por que não comparar? Se o PSDB não quer enxergar isso, fica difícil mesmo alterar o quadro nesta eleição, ainda mais que a alternativa é insípida demais. Tem gosto de chuchu."
JOSÉ EDUARDO F. DA SILVA (Belo Horizonte, MG)
"O presidente Lula tem muito medo de um segundo turno, pois este terá caráter claramente plebiscitário. Ele não poderá fugir dos debates nem se omitir diante da corrupção de seu governo. Os petistas estão de salto 15, como diz o candidato Geraldo Alckmin. Enfrentar o candidato tucano não será tarefa fácil para Lula. Um interessantíssimo embate de personalidades está a caminho."
THIERRY MONTENEGRO BESSE (São Paulo, SP)
"Na guerra travada entre os candidatos para arrancar votos dos eleitores, vale (quase) tudo. Não fossem as mudanças na legislação eleitoral autorizadas pelo TSE para o pleito desse ano, o pobre eleitor teria de suportar aqueles mesmos abusos de eleições passadas. Principalmente dos candidatos mais abastados financeiramente.
E, mesmo com as alterações na lei eleitoral, ainda temos de aturar essas figuras invadirem a privacidade de nossos lares através da 'propaganda eleitoral gratuita' no rádio e televisão, para falar tolices e fazer promessas fantasiosas."
LUIZ AUGUSTO DE JESUS (Porto Velho, RO)
'É um avanço a sanção da lei 11.343/06, que permite aos usuários de drogas cumprirem penas alternativas, como a prestação de serviços à comunidade, não mais os sujeitando à prisão ('Lei extingue prisão para usuário de droga', Cotidiano, 25/8). Os dependentes químicos precisam de tratamento adequado, pois é uma questão de saúde pública e nunca de punição ou castigo.'
RENATO KHAIR, defensor público (São Paulo, SP)
"Um absurdo o governo brasileiro abrandar a pena aos usuários de drogas. O governo deveria ser mais rígido tanto com o usuário como com o traficante, e não colocar penas incentivadoras ao consumo.
O país está numa violência exacerbada por não vigiar os milhares de quilômetros de fronteiras por onde passam as drogas. O governo, mais uma vez, vai contra os anseios da sociedade ao abrandar a pena ao usuário."
NELI APARECIDA DE FARIA, advogada (São Paulo, SP)
"A banalização do comportamento antiético de grande parte de nossas lideranças políticas está deixando nossa população, principalmente os mais jovens, num perigoso processo de abulia para reagir contra tais desvios comportamentais. É o maior mal que esse 'tsunami' de imoralidade está causando ao país. Uma nação em que a juventude perde o senso de valores éticos está correndo sérios perigos de mergulhar num processo de desagregação institucional. Urge que lideranças da sociedade se insurjam, e já, contra este estado de coisas."
JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA (Rio de Janeiro, RJ)
"Em vez de os partidos políticos ficarem prometendo isso e aquilo, com candidatos de baixíssimo nível e propagandas horrorosas, seria melhor reunir as melhores cabeças pensantes do país para encontrar saídas para os principais problemas nacionais e estabelecer prazos para colocá-las em prática, não importando quem seja o próximo presidente. Depois de aprovadas num consenso (fora do Congresso Nacional), as soluções obedeceriam a um cronograma para serem implementadas e cobradas, sob o acompanhamento de toda a sociedade e da imprensa. E cada macaco em seu galho. Exemplos: problemas habitacionais deveriam envolver arquitetos, urbanistas, engenheiros e demais técnicos da área. Problemas de saúde, médicos, sanitaristas etc. Violência, juízes, advogados e demais especialistas da área. E tudo sem burocracia, sem ficar fabricando leis que se arrastam no Congresso, porque quem tem pressa não fica enrolando, e o Brasil está na UTI, correndo risco de falência múltipla dos órgãos. Como diz Geraldo Vandré, 'quem sabe faz a hora, não espera acontecer'."
JAIME PEREIRA DA SILVA (São Paulo, SP)
"Nos meus 43 anos, eu nunca vi uma invenção tão espetacular como o Orkut. Foi através dele que eu e milhares de brasileiros encontramos amigos e parentes que não víamos ou até não tínhamos como encontrar. Só que esta maravilha corre o risco de terminar porque, como sempre acontece aqui no Brasil, é mais fácil acabar com tudo do que combater aqueles que denigrem as coisas boas da vida ('Google ameaça pôr fim a site do Orkut no Brasil', Cotidiano, 25/8).
A internet é mundial, e as ações para combater o racismo, a pedofilia, a apologia à droga e a qualquer coisa nociva à sociedade já estão sendo feitas por organizações internacionais. Então que os senhores promotores cuidem desta questão de outra maneira ou se juntem a estas organizações, mas não nos privem de acessar este serviço ou qualquer outro no mundo maravilhoso da internet, pois, para a sra. Nicole Wong, diretora jurídica do Google, esta hipótese não está descartada para cerca de 90% dos usuários do Orkut, que são brasileiros."
RINALDO CEZAR DE GOIS (São Paulo, SP)
"Oportuno o debate aberto nesta Folha pelo professor Paulo Nogueira Batista Jr ('O poder dos bancos no Brasil', Dinheiro, 17/8, e 'Os reis da bufunfa', 24/8), e também o artigo de Luiz Cláudio Marcolino de 22/8 ('Bancos brasileiros no 'Guinness Book'', 'Tendências/Debates'). Os articulistas trataram dos lucros recordes do setor bancário e das causas do elevado spread propaladas pelos banqueiros. Entre elas também está o argumento de que a carga tributária é alta. Igualmente falso.
Mais da metade da arrecadação brasileira é resultado de tributos sobre o consumo e o trabalho. Os trabalhadores pagam duas vezes mais impostos sobre a renda que todo o setor financeiro da economia. O crescimento do Imposto de Renda e da Contribuição sobre o Lucro dos bancos é muito inferior ao crescimento dos lucros. O grande capital, no Brasil, tem isenção de Imposto de Renda na distribuição de lucros e de dividendos aos sócios e na remessa de lucros ao exterior, que foi recorde em 2005, com grande participação do setor bancário.
Empresas altamente capitalizadas, como os bancos, podem deduzir do lucro tributável a remuneração dos 'juros de capital próprio'. Esse mecanismo só existe no Brasil (desde 1995) e permite deduzir como despesa os juros de empréstimos virtuais feitos pelos sócios, como se a empresa tivesse usado dinheiro emprestado. Trata-se de uma despesa fictícia.
São alguns exemplos que mostram como os bancos têm tratamento tributário favorecido no Brasil."
CARLOS EDUARDO LIBERATI MANTOVANI, diretor de comunicação social do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Brasília, DF)
"É de arrepiar o que acontece no México, só comparado à lambança que foi a fatídica eleição de Bush, quando os americanos ficaram meses sem saber quem era seu presidente.
Os conservadores, liderados por Felipe Calderón, com apoio descarado e descabido do presidente Vicente Fox, dão um péssimo exemplo ao mundo. Está na cara que esses sujeitos mandam e desmandam em todos os Poderes do México. Se está tudo certo com a recontagem autorizada de 9% das urnas, por que então o tribunal eleitoral decidiu não divulgar os resultados depois de já ter marcado até data para fazê-lo?
López Obrador sempre soube que eleição no México se ganha no grito. O que ele talvez não soubesse é que, passados os anos, nada mudou e que, em pleno século 21, os coronéis mexicanos agem como se ainda estivessem no século 19."
JOSÉ AUGUSTO LISBOA (São Paulo, SP)
Eleições
"Lula antecipa 13º de aposentados, distribui as 'bolsas-esmolas', aumenta o gasto público. Ainda que no estrito limite da lei, usa tudo o que pode para ser reeleito e torna evidente o desequilíbrio do jogo.
O presidente distribui 'brindes' com o dinheiro público, enquanto os bonés, chaveiros e outros badulaques que qualquer candidato poderia ter à disposição estão proibidos.
Enquanto isso, o PSDB vê naufragar sua candidatura, uma 'crônica da morte anunciada', e prova o amargo gosto do instrumento que usou para que FHC pudesse usufruir mais tempo das benesses do poder: a reeleição."
SIMÃO PEDRO MARINHO (Belo Horizonte, MG)
"Acho sinceramente que a estratégia da oposição está errada. Faltou mesmo comparar os governos FHC e Lula. Devia ser lembrado que na eleição passada Lula foi 'vendido' como o candidato da mudança.
O que de fato importa e deveria ser mostrado nesta campanha, 'sem medo de ser feliz', é que mudança de paradigma quem protagonizou foi FHC, e não Lula. Por que não comparar? Se o PSDB não quer enxergar isso, fica difícil mesmo alterar o quadro nesta eleição, ainda mais que a alternativa é insípida demais. Tem gosto de chuchu."
JOSÉ EDUARDO F. DA SILVA (Belo Horizonte, MG)
"O presidente Lula tem muito medo de um segundo turno, pois este terá caráter claramente plebiscitário. Ele não poderá fugir dos debates nem se omitir diante da corrupção de seu governo. Os petistas estão de salto 15, como diz o candidato Geraldo Alckmin. Enfrentar o candidato tucano não será tarefa fácil para Lula. Um interessantíssimo embate de personalidades está a caminho."
THIERRY MONTENEGRO BESSE (São Paulo, SP)
"Na guerra travada entre os candidatos para arrancar votos dos eleitores, vale (quase) tudo. Não fossem as mudanças na legislação eleitoral autorizadas pelo TSE para o pleito desse ano, o pobre eleitor teria de suportar aqueles mesmos abusos de eleições passadas. Principalmente dos candidatos mais abastados financeiramente.
E, mesmo com as alterações na lei eleitoral, ainda temos de aturar essas figuras invadirem a privacidade de nossos lares através da 'propaganda eleitoral gratuita' no rádio e televisão, para falar tolices e fazer promessas fantasiosas."
LUIZ AUGUSTO DE JESUS (Porto Velho, RO)
Drogas
'É um avanço a sanção da lei 11.343/06, que permite aos usuários de drogas cumprirem penas alternativas, como a prestação de serviços à comunidade, não mais os sujeitando à prisão ('Lei extingue prisão para usuário de droga', Cotidiano, 25/8). Os dependentes químicos precisam de tratamento adequado, pois é uma questão de saúde pública e nunca de punição ou castigo.'
RENATO KHAIR, defensor público (São Paulo, SP)
"Um absurdo o governo brasileiro abrandar a pena aos usuários de drogas. O governo deveria ser mais rígido tanto com o usuário como com o traficante, e não colocar penas incentivadoras ao consumo.
O país está numa violência exacerbada por não vigiar os milhares de quilômetros de fronteiras por onde passam as drogas. O governo, mais uma vez, vai contra os anseios da sociedade ao abrandar a pena ao usuário."
NELI APARECIDA DE FARIA, advogada (São Paulo, SP)
Corrupção
"A banalização do comportamento antiético de grande parte de nossas lideranças políticas está deixando nossa população, principalmente os mais jovens, num perigoso processo de abulia para reagir contra tais desvios comportamentais. É o maior mal que esse 'tsunami' de imoralidade está causando ao país. Uma nação em que a juventude perde o senso de valores éticos está correndo sérios perigos de mergulhar num processo de desagregação institucional. Urge que lideranças da sociedade se insurjam, e já, contra este estado de coisas."
JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA (Rio de Janeiro, RJ)
Saídas
"Em vez de os partidos políticos ficarem prometendo isso e aquilo, com candidatos de baixíssimo nível e propagandas horrorosas, seria melhor reunir as melhores cabeças pensantes do país para encontrar saídas para os principais problemas nacionais e estabelecer prazos para colocá-las em prática, não importando quem seja o próximo presidente. Depois de aprovadas num consenso (fora do Congresso Nacional), as soluções obedeceriam a um cronograma para serem implementadas e cobradas, sob o acompanhamento de toda a sociedade e da imprensa. E cada macaco em seu galho. Exemplos: problemas habitacionais deveriam envolver arquitetos, urbanistas, engenheiros e demais técnicos da área. Problemas de saúde, médicos, sanitaristas etc. Violência, juízes, advogados e demais especialistas da área. E tudo sem burocracia, sem ficar fabricando leis que se arrastam no Congresso, porque quem tem pressa não fica enrolando, e o Brasil está na UTI, correndo risco de falência múltipla dos órgãos. Como diz Geraldo Vandré, 'quem sabe faz a hora, não espera acontecer'."
JAIME PEREIRA DA SILVA (São Paulo, SP)
Orkut
"Nos meus 43 anos, eu nunca vi uma invenção tão espetacular como o Orkut. Foi através dele que eu e milhares de brasileiros encontramos amigos e parentes que não víamos ou até não tínhamos como encontrar. Só que esta maravilha corre o risco de terminar porque, como sempre acontece aqui no Brasil, é mais fácil acabar com tudo do que combater aqueles que denigrem as coisas boas da vida ('Google ameaça pôr fim a site do Orkut no Brasil', Cotidiano, 25/8).
A internet é mundial, e as ações para combater o racismo, a pedofilia, a apologia à droga e a qualquer coisa nociva à sociedade já estão sendo feitas por organizações internacionais. Então que os senhores promotores cuidem desta questão de outra maneira ou se juntem a estas organizações, mas não nos privem de acessar este serviço ou qualquer outro no mundo maravilhoso da internet, pois, para a sra. Nicole Wong, diretora jurídica do Google, esta hipótese não está descartada para cerca de 90% dos usuários do Orkut, que são brasileiros."
RINALDO CEZAR DE GOIS (São Paulo, SP)
Bancos
"Oportuno o debate aberto nesta Folha pelo professor Paulo Nogueira Batista Jr ('O poder dos bancos no Brasil', Dinheiro, 17/8, e 'Os reis da bufunfa', 24/8), e também o artigo de Luiz Cláudio Marcolino de 22/8 ('Bancos brasileiros no 'Guinness Book'', 'Tendências/Debates'). Os articulistas trataram dos lucros recordes do setor bancário e das causas do elevado spread propaladas pelos banqueiros. Entre elas também está o argumento de que a carga tributária é alta. Igualmente falso.
Mais da metade da arrecadação brasileira é resultado de tributos sobre o consumo e o trabalho. Os trabalhadores pagam duas vezes mais impostos sobre a renda que todo o setor financeiro da economia. O crescimento do Imposto de Renda e da Contribuição sobre o Lucro dos bancos é muito inferior ao crescimento dos lucros. O grande capital, no Brasil, tem isenção de Imposto de Renda na distribuição de lucros e de dividendos aos sócios e na remessa de lucros ao exterior, que foi recorde em 2005, com grande participação do setor bancário.
Empresas altamente capitalizadas, como os bancos, podem deduzir do lucro tributável a remuneração dos 'juros de capital próprio'. Esse mecanismo só existe no Brasil (desde 1995) e permite deduzir como despesa os juros de empréstimos virtuais feitos pelos sócios, como se a empresa tivesse usado dinheiro emprestado. Trata-se de uma despesa fictícia.
São alguns exemplos que mostram como os bancos têm tratamento tributário favorecido no Brasil."
CARLOS EDUARDO LIBERATI MANTOVANI, diretor de comunicação social do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Brasília, DF)
México
"É de arrepiar o que acontece no México, só comparado à lambança que foi a fatídica eleição de Bush, quando os americanos ficaram meses sem saber quem era seu presidente.
Os conservadores, liderados por Felipe Calderón, com apoio descarado e descabido do presidente Vicente Fox, dão um péssimo exemplo ao mundo. Está na cara que esses sujeitos mandam e desmandam em todos os Poderes do México. Se está tudo certo com a recontagem autorizada de 9% das urnas, por que então o tribunal eleitoral decidiu não divulgar os resultados depois de já ter marcado até data para fazê-lo?
López Obrador sempre soube que eleição no México se ganha no grito. O que ele talvez não soubesse é que, passados os anos, nada mudou e que, em pleno século 21, os coronéis mexicanos agem como se ainda estivessem no século 19."
JOSÉ AUGUSTO LISBOA (São Paulo, SP)