29/08/2006
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02h30
"Como assinante da Folha, tive o prazer de ler, por inúmeras vezes, as colunas de dom Luciano. É, sem dúvida, uma grande perda para os cristãos, para a Igreja, considerando a sabedoria de que era portador bem como a harmonia que sua ações e escritos traziam para todos nós."
FRANCISCO DE ASSIS TELLES DO CARMO (Fortaleza, CE)
"Mais ou menos no verão de 1980, durante uma viagem de volta a Brasília, fui parar em Navegantes, Santa Catarina, e o meu lugar estava marcado ao lado de um padre e, como não sou católico, tratei de fechar os olhos para evitar qualquer conversa, mas alguma coisa me fez prestar atenção naquele senhor que, sorridente, me recebeu e depois de alguns minutos perguntou de onde eu vinha e para onde ia. Coincidentemente, íamos para a mesma cidade. Conversamos um pouco sobre a vida e a vida indígena, onde os valores espirituais são sagrados e permanentes no relacionamento com o grande criador. Então contei àquele padre que nunca tinha visto um índio comunista ou ateu, e quando olhei para o lado, ele estava de olhos fechados e então parei de falar, mas ele imediatamente começou a falar sobre os valores indígenas e os possíveis erros do passado. Para mim, ali estava um padre diferente, que sabia falar das coisas sem dar sermão ou puxar a orelha. Chegamos à Brasília e ele me disse: meu nome é Dom Luciano, apareça na CNBB!
A partir daquele momento, estimulado pela luta indígena sempre que era necessário, lá ia eu à CNBB para conversar com ele para que interviesse, pelo menos no Ministério do Interior, sobre nossos direitos como povos e, principalmente, como estudantes prestes a serem expulsos por orientação de Golberi e do então presidente da Funai, coronel João Carlos Nobre da Veiga.
Naquele tempo, Dom Luciano era o secretário-geral da CNBB e, com seu apoio, começamos a campanha pela demarcação das terras, seja com os xavantes, seja com os apinajés, e ao mesmo tempo, pelos direitos humanos como o direito de estudarmos em Brasília e o direito de nos organizarmos como a União das Nações Indígenas.
Dom Luciano nunca deixou de lutar por esses direitos e certamente nunca falhou nesse compromisso, seja perante nós, os povos indígenas, seja perante o grande criador que agora o chamou para o campo eterno.
A CNBB, aliada de sempre, conselheira suprema na defesa dos direitos humanos, dos trabalhadores, dos sem-terra, da mulher, da juventude e da criança, sabe que um guerreiro sai de cena, mas deixa sua semente marcante e exemplar para os novos guerreiros. Jamais esmoreceu. Jamais se afastou de sua paróquia e jamais se afastou de seus ideais.
Como filho dos povos indígenas, levanto minha prece ao grande Ituco-Oviti, para que seu espírito usufrua do galardão como merecimento por seu trabalho como missionário, mas principalmente como um guerreiro de batina."
MARCOS TERENA, índio da nação Xané, presidente do Comitê Intertribal, coordenador da Viatan (Central de Informações Indígenas) e membro da Comissão de Justiça e Paz da CNBB (Brasília, DF)
"Estão cobertos de razão os articulistas desta Folha Clóvis Rossi e Eliane Cantanhêde em suas colunas de domingo passado. Nos textos 'O ídolo de si mesmo' e 'Clima de 'já ganhou'', os jornalistas abordam a postura do presidente Lula, que se sente, desde já, vitorioso no próximo pleito eleitoral. Como historiador, gostaria de acrescentar que, neste assunto, vale a máxima popular futebolística, tão ao agrado do nosso 'guia', que diz: 'resultado prévio em política e eleições é sempre uma 'caixinha' de surpresas'."
JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA (Rio de Janeiro, RJ)
"O atual governo, pior da história, merece críticas. Mas a oposição, mais frouxa da história, peca por omissão. Errou ao avaliar que o presidente sangraria até a eleição. Arriscou e nós vamos pagar a conta. Agora, será que não leram os dados do Datafolha e o artigo cristalino do Marcos Paulino ('Já ganhou?', Brasil, 28/8).
Nenhum concorrente anterior conseguiu derrubar a margem histórica de Lula no Nordeste, mesmo ganhando a eleição (FHC). Agora, regada pelas esmolas e pelo discurso demagógico, a margem é maior e respaldada por 75% de eleitores decididos. Não seria mais lógico concentrar forças no Sul e Sudeste, onde Alckmin vai bem melhor e conquistar uma boa diferença que compensaria, em números absolutos, a derrota no Nordeste?"
DANIEL GOULART (São Paulo, SP)
"Uma eleição verdadeiramente limpa ainda está muito longe de ser alcançada num país como o Brasil, levando à conclusão de que todos os males têm como causa a corrupção. O flagrante mostrado pelo programa Fantástico, revelando a tentativa de vender o tempo da propaganda eleitoral gratuita, pode surpreender os que não estão familiarizados com a política e os políticos, pois essa prática vem de longe e acontece, de certo modo, com a conivência da Justiça Eleitoral.
Que vergonha! Essa gente é capaz de tudo para manter o poder em suas mãos."
ORLANDO MACHADO SOBRINHO (Rio de Janeiro, RJ)
"Por que a pressa do PT em divulgar propostas ainda não aprovadas por Lula relativas à 'democratização dos meios de comunicação', sabendo de antemão que serão execradas pela mídia brasileira? ('PT propõe recadastramento de concessões de rádio e TV', Brasil, 28/8). Sua divulgação prematura coloca os meios de comunicação numa sinuca: calar-se e esperar que as propostas sejam aprovadas, ou, parodiando Dom Quixote, brigar com moinhos movidos por socialistas ocultos na burocracia do PT e destruí-los."
EDUARDO JOSÉ DAROS (São Paulo, SP)
"Já temos o 'Partido Comando Vermelho', no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o 'Partido do Primeiro Comando da Capital'. E, em Brasília, o 'Partido dos Trambiqueiros ou dos Trapaceiros'. Todos eles muito bem estruturados e organizados. Nós, brasileiros, estamos bem servidos, há muito tempo, de ladroeira, insegurança e sobretudo de impunidade. Certo estava Lula quando disse que tínhamos uns 300 picaretas no Congresso. E agora, eleitor? Em quem votar?"
VALMY KFOURI (São Paulo, SP)
"O Datafolha informou que 17% dos eleitores brasileiros considera bom ou ótimo o Congresso ('Aprovação aos congressistas cresce, apesar de escândalos', Brasil, 27/8).
Acho que seria interessante uma reportagem da Folha mostrando o perfil de algumas destas 'Velhinhas de Taubaté' ainda vivas. Como elas pensam, onde vivem, como conseguem gostar do nosso Congresso?"
HÉLIO FREITAS (São Paulo, SP)
"Há muitos anos, Gustavo Capanema, um tradicional político mineiro, disse: 'O Congresso Nacional reflete a sociedade. Possui 10% de gênios, luminares e cidadãos de 1ª grandeza, assim como 10% de velhacos, malandros e negocistas. Os 80% restantes são parte de cada um de nós, com todos os nossos vícios, virtudes, falhas e qualidades'.
Diante da recente pesquisa veiculada pela imprensa, demonstrando que 57% dos eleitores sequer lembram em quais políticos votaram nas eleições de 2002, não posso deixar de pensar na sabedoria contida naquele comentário. Fica difícil exigir compostura dos nossos congressistas quando o eleitorado brasileiro, que em última análise é o responsável pela formação daquele colegiado, vota, na maioria das vezes, sem estabelecer qualquer compromisso com a ética e a decência. É desanimador!"
JÚLIO FERREIRA (Recife, PE)
"É absolutamente repugnante e inaceitável que artistas _formadores de opinião, que estão em contato diário com a massa_, aceitem, justifiquem e sejam coniventes com as teses da corrupção e da falta de ética, em última análise favoráveis à roubalheira. Será que Paulo Betti e Wagner Tiso educaram os seus filhos com base nas suas afirmações? Esses senhores deveriam ter um mínimo de vergonha e respeito pelo país no qual vivem."
DAVID NETO (São Paulo, SP)
"A esperança do ex-ministro da Educação, Paulo Renato Souza, de que o Enem deste ano cobrasse mais raciocínio e menos memorização foram frustradas ('As virtudes do Enem', 'Tendências/Debates', 27/8). Boa parte das questões fechadas mede simplesmente a memorização de conteúdos escolares. É o caso da questão 3, da prova amarela: 'O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza, de forma marcante: a) o regionalismo do Nordeste; b) o concretismo paulista; c) a poesia Pau-Brasil; d) o simbolismo pré-modernista; e) o tropicalismo baiano.
Para responder a essa questão, sequer seria necessário o poema reproduzido no enunciado, que funciona como mero acessório, já que o que se avalia é a capacidade do aluno em estocar na memória conceitos como concretismo, simbolismo e tropicalismo. Ou seja, ainda que não saiba do que se trata nada disso, apenas por ter decorado um capítulo do livro de literatura, o aluno conseguiria resolver a questão."
LUIZ CARLOS GONÇALVES, professor de português do Cefet - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Divinópolis, MG)
"Uma pequena nota na Ilustrada de domingo, 27/8, lembra que as doações para o Criança Esperança caíram de R$ 18 milhões, em 2005, para R$ 12 milhões em 2006. O que me falta para dar uma contribuição, tal como ocorre com muitas outras pessoas, é o governo abrir mão da fabulosa porcentagem de imposto que abocanha com este gesto de caridade que pode amenizar (e não resolver) a situação de crianças negligenciadas pelo próprio governo. Vocês já prestaram atenção neste detalhe? Nem as criancinhas pobres escapam das garras do leão..."
VIRGÍNIA MARIA GONÇALVES (Londrina, PR)
"O cinismo de ainda ser mantido o nome CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira), cujo pretexto inicial foi a obtenção de recursos para a área de saúde, serve como um bom exemplo e retrata o histórico pouco caso da administração pública brasileira, ao longo dos últimos 20 anos, para com os cidadãos, estes, sim, os maiores pagadores de impostos e taxas, que se acumularam e têm sugado os recursos da educação, saúde e da segurança pública, sendo transferidos em um processo permanente e inflexível de má gestão para o vampiresco sistema financeiro nacional.
Não me surpreenderei se as pessoas voltarem a guardar dinheiro embaixo de seus colchões. Quem viver, verá!"
AUGUSTO ACIOLI (Rio de Janeiro, RJ)
"Sobre a reportagem 'Empregos terceirizados crescem 127% em dez anos', Dinheiro, 28/8), este fenômeno originou-se em 1987, com as demissões em massa na época. De lá para cá, os setores de segurança, alimentação e limpeza foram terceirizados.
Na segunda onda, transportes e, pasmem, engenharia. Hoje, a volatilidade do emprego nesta atividade é muito grande, afinal, estas empresas adequam rapidamente o volume de mão-de-obra à demanda. Talvez isso explique o número de empregos criados, mas conflita com o aumento de renda, inimaginável nessa atividade. A quarteirização já é uma realidade."
UBIRATÃ CALDEIRA (São Bernardo do Campo, SP)
"Quando uma mãe decide jogar o seu filho em uma lagoa em Belo Horizonte, ela se torna, com razão, uma criminosa. Quando uma mãe decide ir a uma clínica e autoriza que um médico mate seu filho ainda em seu ventre, ela está (segundo certos grupos que defendem esta forma de assassinato que é o aborto) exercendo seus legítimos direitos.
Por que esta diferença? Será que o espaço de alguns meses torna um ato que seria investigado pela polícia como um homicídio em um simples ato de soberania sobre o próprio corpo? O corpo é da mulher e ela decide o que quiser sobre seu próprio corpo, mas e o corpo da criança inocente, que é despedaçado? Por que o bebê não tem direitos?"
OTONIEL MEYER GARCIA (São Paulo, SP)
"O caderno Folhateen parece estar encontrando o seu ponto de equilíbrio. Aproxima-se, pouco a pouco, da realidade, e o que é melhor, presta um serviço à formação juvenil. Neste país literalmente carente de bons exemplos explorados pela mídia, a pauta presente na edição de 28/8 ('De volta para o futuro') merece aprovação."
DORALICE ARAÚJO, professora (Curitiba, PR)
Dom Luciano
"Como assinante da Folha, tive o prazer de ler, por inúmeras vezes, as colunas de dom Luciano. É, sem dúvida, uma grande perda para os cristãos, para a Igreja, considerando a sabedoria de que era portador bem como a harmonia que sua ações e escritos traziam para todos nós."
FRANCISCO DE ASSIS TELLES DO CARMO (Fortaleza, CE)
"Mais ou menos no verão de 1980, durante uma viagem de volta a Brasília, fui parar em Navegantes, Santa Catarina, e o meu lugar estava marcado ao lado de um padre e, como não sou católico, tratei de fechar os olhos para evitar qualquer conversa, mas alguma coisa me fez prestar atenção naquele senhor que, sorridente, me recebeu e depois de alguns minutos perguntou de onde eu vinha e para onde ia. Coincidentemente, íamos para a mesma cidade. Conversamos um pouco sobre a vida e a vida indígena, onde os valores espirituais são sagrados e permanentes no relacionamento com o grande criador. Então contei àquele padre que nunca tinha visto um índio comunista ou ateu, e quando olhei para o lado, ele estava de olhos fechados e então parei de falar, mas ele imediatamente começou a falar sobre os valores indígenas e os possíveis erros do passado. Para mim, ali estava um padre diferente, que sabia falar das coisas sem dar sermão ou puxar a orelha. Chegamos à Brasília e ele me disse: meu nome é Dom Luciano, apareça na CNBB!
A partir daquele momento, estimulado pela luta indígena sempre que era necessário, lá ia eu à CNBB para conversar com ele para que interviesse, pelo menos no Ministério do Interior, sobre nossos direitos como povos e, principalmente, como estudantes prestes a serem expulsos por orientação de Golberi e do então presidente da Funai, coronel João Carlos Nobre da Veiga.
Naquele tempo, Dom Luciano era o secretário-geral da CNBB e, com seu apoio, começamos a campanha pela demarcação das terras, seja com os xavantes, seja com os apinajés, e ao mesmo tempo, pelos direitos humanos como o direito de estudarmos em Brasília e o direito de nos organizarmos como a União das Nações Indígenas.
Dom Luciano nunca deixou de lutar por esses direitos e certamente nunca falhou nesse compromisso, seja perante nós, os povos indígenas, seja perante o grande criador que agora o chamou para o campo eterno.
A CNBB, aliada de sempre, conselheira suprema na defesa dos direitos humanos, dos trabalhadores, dos sem-terra, da mulher, da juventude e da criança, sabe que um guerreiro sai de cena, mas deixa sua semente marcante e exemplar para os novos guerreiros. Jamais esmoreceu. Jamais se afastou de sua paróquia e jamais se afastou de seus ideais.
Como filho dos povos indígenas, levanto minha prece ao grande Ituco-Oviti, para que seu espírito usufrua do galardão como merecimento por seu trabalho como missionário, mas principalmente como um guerreiro de batina."
MARCOS TERENA, índio da nação Xané, presidente do Comitê Intertribal, coordenador da Viatan (Central de Informações Indígenas) e membro da Comissão de Justiça e Paz da CNBB (Brasília, DF)
Eleições
"Estão cobertos de razão os articulistas desta Folha Clóvis Rossi e Eliane Cantanhêde em suas colunas de domingo passado. Nos textos 'O ídolo de si mesmo' e 'Clima de 'já ganhou'', os jornalistas abordam a postura do presidente Lula, que se sente, desde já, vitorioso no próximo pleito eleitoral. Como historiador, gostaria de acrescentar que, neste assunto, vale a máxima popular futebolística, tão ao agrado do nosso 'guia', que diz: 'resultado prévio em política e eleições é sempre uma 'caixinha' de surpresas'."
JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA (Rio de Janeiro, RJ)
"O atual governo, pior da história, merece críticas. Mas a oposição, mais frouxa da história, peca por omissão. Errou ao avaliar que o presidente sangraria até a eleição. Arriscou e nós vamos pagar a conta. Agora, será que não leram os dados do Datafolha e o artigo cristalino do Marcos Paulino ('Já ganhou?', Brasil, 28/8).
Nenhum concorrente anterior conseguiu derrubar a margem histórica de Lula no Nordeste, mesmo ganhando a eleição (FHC). Agora, regada pelas esmolas e pelo discurso demagógico, a margem é maior e respaldada por 75% de eleitores decididos. Não seria mais lógico concentrar forças no Sul e Sudeste, onde Alckmin vai bem melhor e conquistar uma boa diferença que compensaria, em números absolutos, a derrota no Nordeste?"
DANIEL GOULART (São Paulo, SP)
"Uma eleição verdadeiramente limpa ainda está muito longe de ser alcançada num país como o Brasil, levando à conclusão de que todos os males têm como causa a corrupção. O flagrante mostrado pelo programa Fantástico, revelando a tentativa de vender o tempo da propaganda eleitoral gratuita, pode surpreender os que não estão familiarizados com a política e os políticos, pois essa prática vem de longe e acontece, de certo modo, com a conivência da Justiça Eleitoral.
Que vergonha! Essa gente é capaz de tudo para manter o poder em suas mãos."
ORLANDO MACHADO SOBRINHO (Rio de Janeiro, RJ)
Mídia
"Por que a pressa do PT em divulgar propostas ainda não aprovadas por Lula relativas à 'democratização dos meios de comunicação', sabendo de antemão que serão execradas pela mídia brasileira? ('PT propõe recadastramento de concessões de rádio e TV', Brasil, 28/8). Sua divulgação prematura coloca os meios de comunicação numa sinuca: calar-se e esperar que as propostas sejam aprovadas, ou, parodiando Dom Quixote, brigar com moinhos movidos por socialistas ocultos na burocracia do PT e destruí-los."
EDUARDO JOSÉ DAROS (São Paulo, SP)
Congresso
"Já temos o 'Partido Comando Vermelho', no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o 'Partido do Primeiro Comando da Capital'. E, em Brasília, o 'Partido dos Trambiqueiros ou dos Trapaceiros'. Todos eles muito bem estruturados e organizados. Nós, brasileiros, estamos bem servidos, há muito tempo, de ladroeira, insegurança e sobretudo de impunidade. Certo estava Lula quando disse que tínhamos uns 300 picaretas no Congresso. E agora, eleitor? Em quem votar?"
VALMY KFOURI (São Paulo, SP)
"O Datafolha informou que 17% dos eleitores brasileiros considera bom ou ótimo o Congresso ('Aprovação aos congressistas cresce, apesar de escândalos', Brasil, 27/8).
Acho que seria interessante uma reportagem da Folha mostrando o perfil de algumas destas 'Velhinhas de Taubaté' ainda vivas. Como elas pensam, onde vivem, como conseguem gostar do nosso Congresso?"
HÉLIO FREITAS (São Paulo, SP)
"Há muitos anos, Gustavo Capanema, um tradicional político mineiro, disse: 'O Congresso Nacional reflete a sociedade. Possui 10% de gênios, luminares e cidadãos de 1ª grandeza, assim como 10% de velhacos, malandros e negocistas. Os 80% restantes são parte de cada um de nós, com todos os nossos vícios, virtudes, falhas e qualidades'.
Diante da recente pesquisa veiculada pela imprensa, demonstrando que 57% dos eleitores sequer lembram em quais políticos votaram nas eleições de 2002, não posso deixar de pensar na sabedoria contida naquele comentário. Fica difícil exigir compostura dos nossos congressistas quando o eleitorado brasileiro, que em última análise é o responsável pela formação daquele colegiado, vota, na maioria das vezes, sem estabelecer qualquer compromisso com a ética e a decência. É desanimador!"
JÚLIO FERREIRA (Recife, PE)
Ética
"É absolutamente repugnante e inaceitável que artistas _formadores de opinião, que estão em contato diário com a massa_, aceitem, justifiquem e sejam coniventes com as teses da corrupção e da falta de ética, em última análise favoráveis à roubalheira. Será que Paulo Betti e Wagner Tiso educaram os seus filhos com base nas suas afirmações? Esses senhores deveriam ter um mínimo de vergonha e respeito pelo país no qual vivem."
DAVID NETO (São Paulo, SP)
Enem
"A esperança do ex-ministro da Educação, Paulo Renato Souza, de que o Enem deste ano cobrasse mais raciocínio e menos memorização foram frustradas ('As virtudes do Enem', 'Tendências/Debates', 27/8). Boa parte das questões fechadas mede simplesmente a memorização de conteúdos escolares. É o caso da questão 3, da prova amarela: 'O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza, de forma marcante: a) o regionalismo do Nordeste; b) o concretismo paulista; c) a poesia Pau-Brasil; d) o simbolismo pré-modernista; e) o tropicalismo baiano.
Para responder a essa questão, sequer seria necessário o poema reproduzido no enunciado, que funciona como mero acessório, já que o que se avalia é a capacidade do aluno em estocar na memória conceitos como concretismo, simbolismo e tropicalismo. Ou seja, ainda que não saiba do que se trata nada disso, apenas por ter decorado um capítulo do livro de literatura, o aluno conseguiria resolver a questão."
LUIZ CARLOS GONÇALVES, professor de português do Cefet - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Divinópolis, MG)
Impostos
"Uma pequena nota na Ilustrada de domingo, 27/8, lembra que as doações para o Criança Esperança caíram de R$ 18 milhões, em 2005, para R$ 12 milhões em 2006. O que me falta para dar uma contribuição, tal como ocorre com muitas outras pessoas, é o governo abrir mão da fabulosa porcentagem de imposto que abocanha com este gesto de caridade que pode amenizar (e não resolver) a situação de crianças negligenciadas pelo próprio governo. Vocês já prestaram atenção neste detalhe? Nem as criancinhas pobres escapam das garras do leão..."
VIRGÍNIA MARIA GONÇALVES (Londrina, PR)
"O cinismo de ainda ser mantido o nome CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira), cujo pretexto inicial foi a obtenção de recursos para a área de saúde, serve como um bom exemplo e retrata o histórico pouco caso da administração pública brasileira, ao longo dos últimos 20 anos, para com os cidadãos, estes, sim, os maiores pagadores de impostos e taxas, que se acumularam e têm sugado os recursos da educação, saúde e da segurança pública, sendo transferidos em um processo permanente e inflexível de má gestão para o vampiresco sistema financeiro nacional.
Não me surpreenderei se as pessoas voltarem a guardar dinheiro embaixo de seus colchões. Quem viver, verá!"
AUGUSTO ACIOLI (Rio de Janeiro, RJ)
Terceirização
"Sobre a reportagem 'Empregos terceirizados crescem 127% em dez anos', Dinheiro, 28/8), este fenômeno originou-se em 1987, com as demissões em massa na época. De lá para cá, os setores de segurança, alimentação e limpeza foram terceirizados.
Na segunda onda, transportes e, pasmem, engenharia. Hoje, a volatilidade do emprego nesta atividade é muito grande, afinal, estas empresas adequam rapidamente o volume de mão-de-obra à demanda. Talvez isso explique o número de empregos criados, mas conflita com o aumento de renda, inimaginável nessa atividade. A quarteirização já é uma realidade."
UBIRATÃ CALDEIRA (São Bernardo do Campo, SP)
Aborto
"Quando uma mãe decide jogar o seu filho em uma lagoa em Belo Horizonte, ela se torna, com razão, uma criminosa. Quando uma mãe decide ir a uma clínica e autoriza que um médico mate seu filho ainda em seu ventre, ela está (segundo certos grupos que defendem esta forma de assassinato que é o aborto) exercendo seus legítimos direitos.
Por que esta diferença? Será que o espaço de alguns meses torna um ato que seria investigado pela polícia como um homicídio em um simples ato de soberania sobre o próprio corpo? O corpo é da mulher e ela decide o que quiser sobre seu próprio corpo, mas e o corpo da criança inocente, que é despedaçado? Por que o bebê não tem direitos?"
OTONIEL MEYER GARCIA (São Paulo, SP)
Jovens
"O caderno Folhateen parece estar encontrando o seu ponto de equilíbrio. Aproxima-se, pouco a pouco, da realidade, e o que é melhor, presta um serviço à formação juvenil. Neste país literalmente carente de bons exemplos explorados pela mídia, a pauta presente na edição de 28/8 ('De volta para o futuro') merece aprovação."
DORALICE ARAÚJO, professora (Curitiba, PR)