Painel do Leitor
13/06/2006 - 02h30

Copa



"Nenhum jogo disputado até agora chegou a me entusiasmar. Jogos sonolentos, jogadas manjadas, nenhuma sensação de brilhantismo pude ver. As seleções ditas favoritas, jogando contra seleções sem tradição, ganharam por um simples 1 x 0 e não revelaram potencial para ir até o final. Com tanta badalação com a seleção brasileira, que chega até a ser um exagero, dá para acreditar até que o favoritismo é natural. Parece que, com esse exagero, o assédio de torcedores e a cobertura da Globo, os jogadores já não agüentam mais e demonstram cansaço diante de tal assédio. Creio que é até prejudicial tanta análise e previsão de comentaristas contratados pela Globo."
Álvaro Muniz (São Paulo, SP)



"Decididamente, a paixão nacional foi monopolizada por uma emissora de televisão. Que chato. Que triste é a obrigatoriedade de assistir à Copa por um só canal da TV aberta. Por que milhões de brasileiros que não podem pagar pela TV por assinatura são submetidos à tortura de ver e ouvir o que não gostam porque não existe outra opção?
Será que o governo federal, que gasta tanto dinheiro, não poderia comprar os direitos de passar a imagem de uma Copa ou dos Jogos Olímpicos e repassar para as demais emissoras? Vamos tentar democratizar também nossos meios de comunicação para que todo brasileiro exerça seu direito de escolha."
Franz Josef Hildinger (Praia Grande, SP)



"Como é bom e salutar este clima de patriotismo que toma conta de todo o Brasil sempre à cada quatro anos na Copa do Mundo de futebol.
Se vê a maioria das pessoas vestindo a camisa verde-amarelo e a bandeira brasileira tremulando nas casas e nos carros. As cidades ficam todas enfeitadas com fitas, bandeirinhas e as ruas pintadas nas cores alusivas à nossa seleção de futebol. Todos se unem num só coro e numa só torcida por mais um título mundial. E este exemplo deveria e deve ser seguido também nas eleições que acontecem sempre à cada dois anos. Da mesma forma, que bom se este mesmo clima de euforia e entusiasmo em tom verde-amarelo também tomasse conta de todo o Brasil nas eleições, unindo a população brasileira num só coro e numa só torcida por um Brasil melhor, mais honesto, mais ético, com mais qualidade de vida para todos, escalando uma seleção de representantes que realmente cumpram com o seu papel para o qual são convocados. Para que sejamos campeões mundiais em cidadania e ética, colocando sempre o Brasil no alto do pódio."
Hamilton Ansanello (Rio Claro, SP)



"É deveras impressionante a mobilização de energias (e os interesses econômicos em jogo, diga-se de passagem) e a empolgação de milhões de brasileiros em relação ao futebol, particularmente em tempos de Copa do Mundo, provocando-nos o desejo de visualizar interesse similar na resolução dos graves problemas sociais do país, certamente, agora, esquecidos com um grande 'anestésico' que ocupa todo o tempo da mídia e as atenções apaixonadas da imensa maioria da população. Haja paciência, aliás, para os poucos que não apreciam, minimamente, futebol para suportar, por tantos dias, todo o 'circo' armado em torno do mesmo!"
José Augusto C. Barros (Recife, PE)




Eleições



"Como ex-simpatizante e votante do PT, acreditei por muito tempo neste partido e vejo que é igual _com grandes evidências e possibilidades de ser pior que os demais_, e isso, para mim, é muito triste.
Fico pensando indignado: o Lula tem a preferência dos votos, conforme pesquisas, e sua força reside nas classes mais baixas do país. Essas classes são as que recebem esmolas do governo federal, porém, não consigo encontrar resposta para a seguinte pergunta: - Qual será o futuro dessa sociedade que sobrevive de favores do governo federal? Meu Deus!, isso é avanço ou retrocesso? Que decepção. Cadê os 10.000.000 de empregos?
O que o PT está fazendo com nosso país?"
Sebastião Teles de Faria Neto (Patrocínio Paulista, SP)



"Seria interessante entendermos, neste momento de euforia futebolística, como nossa classe política e governo seriam mais responsáveis na gestão dos interesses e patrimônios públicos se todos nós déssemos tanta atenção para as questões políticas e cívicas como damos para o futebol. Ao invés de colecionar álbuns da seleções, deveríamos nos informar sobre quem nós vamos votar e quais são suas qualificações e vida pregressa na política. Seria mais útil, necessário e inteligente!"
Paulo Cesar Rebello Giacomelli (São Paulo, SP)



"Os principais fatos da política nacional, desde o ano passado, estão relacionados com a postura ética _ou a falta dela_ dos representantes dos poderes constituídos.
As investigações dos parlamentares na Câmara Federal, a atuação da imprensa livre e a participação dos cidadãos das mais diversas formas expuseram definitivamente um quadro assustador, além do que se imaginava, sobre as possibilidades de mau uso dos recursos dos contribuintes.
O embate público, ora entre os poderes, ora entre correntes políticas, aconteceu de forma pouco esclarecedora sobre as raízes do enorme derrame de dinheiro que abasteceu privilegiados e corruptos, desviando-se da verdadeira finalidade, a prestação de serviços públicos e o bem comum.
O momento eleitoral deve revigorar os ideais dos candidatos, os planos partidários e as aspirações dos eleitores. A ética na política, que já promete se tornar jargão das campanhas dos candidatos, não pode ser isolada do ambiente social.
Devemos, sim, exigir que nossos candidatos assumam compromissos públicos e tenham condições de os cumprir. Dispensamos a verbalização exagerada de promessas impossíveis."
Luís Augusto Fialho de Fialho (São Paulo, SP)



"Os governantes e legisladores que passaram pelo poder desde a volta dos governos civis, em 1985, dão sinais de que já esgotaram a sua capacidade de contribuir pelo avanço do país (inclusive os ligados ao governo Lula, que é realmente um fiasco). O Brasil precisa de novas lideranças políticas, que, além do espírito democrático, sejam dotados de ética, honestidade e, acima de tudo, atuem como gestores públicos empreendedores."
Antonio R. S. Chueiri (Campinas, SP)




Segurança pública



"Nessa recente crise de falta de autoridade do governo paulista com o PCC, ficou no ar uma perguntinha boba, mas pertinente: 'Se nas celas não há tomadas elétricas, quem é que carrega os celulares dos bandidos?'. Se o controle fosse feito sobre a disponibilidade de eletricidade, não haveria necessidade de gastar fortunas em bloqueadores que nunca funcionam direito. Faz sentido?"
Jayro Eduardo Xavier (São Paulo, SP)



"Informação publicada no caderno Cotidiano de 9 de junho informa que uma comitiva de autoridades do Estado ofertou dois celulares para o líder de uma facção criminosa ('Marcola confirma acordo com o governo, diz deputado').
Vale lembrar que o governo promoveu o maior circo, colocando bloqueadores de sinal de telefone celular em alguns presídio, para mostrar à população que estava tomando alguma providência com relação à entrada desses aparelhos nas cadeias. Depois de retirarem os tais bloqueadores, que funcionaram apenas alguns dias e não passaram de cena de teatro que vigorou no calor da crise, agora chega a informação de que o próprio governo entrou com os celulares e deu para o líder da facção criminosa. Como isso é grave, é de arrepiar.
De que adiantam os detectores de metal, que, a rigor, deveriam dificultar a entrada desses aparelhos nos presídios, quando o próprio governo entra com os telefones e os entrega a quem não deveria? E tem mais: o governo de São Paulo mentiu para a população. Esse episódio mostra que o governo negociou, sim, com a facção criminosa."
José Augusto Lisboa (São Paulo, SP)




Terra improdutiva



"Como democrata convicto, não posso concordar com a invasão do Congresso Nacional aos modos como foi feita pela ensandecida turba de 'militantes profissionais' a serviço do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra). Procuro uma justificativa para tamanha loucura, e só consigo pensar que os líderes do MLST, sabidamente obtusos, ao buscarem uma 'terra improdutiva' para invadir, voltaram suas atenções para o prédio do Congresso Nacional, que é, sem sombra de dúvidas, um dos espaços públicos mais improdutivos do Brasil. Entretanto, ainda que assim fosse, o MLST teria cometido um grave erro de avaliação, já que a Câmara e o Senado Federal só são improdutivos em relação ao povo, pois para os deputados e senadores existe uma diuturna produção de mordomias, mamatas, impunidades, empregos para parentes, ressarcimentos de despesas etc."
Júlio Ferreira (Recife, PE)




Imóveis



"Imóvel na planta, só 'se for uma megaconstrutora'. Esta opinião, além de incorreta e preconceituosa, pode confundir as pessoas.
Esta afirmação foi feita pela construtora Valentina Caran, dona de uma imobiliária que leva o seu nome na cidade de São Paulo, em reportagem do caderno Imóveis do último domingo, 11/6 ('Usado de 10 anos custa 30% menos').
O que importa não é o tamanho da construtora nem da empresa, é a sua idoneidade e sua capacidade técnica. Esta afirmação dá como correto que só empresas grandes são boas; um grande equívoco! É como imaginar que o que é grande não foi pequeno e médio.
Existem inúmeras construtoras médias e pequenas no Estado de São Paulo que são excelentes. Lembramos ainda o caso da 'megaconstrutora' Encol que, com suas mentiras, vendendo imóvel pronto, nem era na planta, destruiu muitos mercados imobiliários pelo país afora com suas mais de 20 filiais.
O comprador de imóvel deve, sim, como bem informou a reportagem, pesquisar sobre a construtora, a planta, o local do imóvel e acreditar em empresas sérias, independentemente do tamanho da construtora."
José Batista Ferreira, engenheiro civil, diretor da Costallat Engenharia (Ribeirão Preto, SP)




Educação



"Tenho a acrescentar no artigo de Gilberto Dimenstein ('O vestibular do futuro', 11/6): as escolas públicas passam, durante anos, principalmente no último, a idealização do aluno ser capaz de fazer uma universidade 'da vida', que, segundo eles, é a mais disputada, mais almejada e mais decente. Porém, dizer o objetivo do sucesso acaba por ser fácil, mas demonstrar os caminhos e opções para chegar lá não acabam por ser expostos.
A expectativa do vestibulando só é garantida com apoio do cursinho, porque, se depender da rede pública de ensino, serão raros aqueles que chegarão aonde eles querem com esse estado medíocre. Agradeço ao jornalista por mostrar a visão que eu e alguns sentimos."
Fabrício de Paula Antunes (São Bernardo do Campo, SP)




Hamas



"Mais uma vez, a Folha mostra seu total comprometimento com a mídia oficial universal ao noticiar no caderno Mundo de 10/6: 'Hamas rompe trégua após ataque de Israel contra civis'. Ao tornar o Hamas sujeito de uma pretensa atividade mal vista, distorce os fatos. Sabemos como a opinião pública é influenciável. Por que não anunciar 'Israel comete ataque criminoso matando uma família inocente em Gaza; resposta do Hamas é o fim da trégua'? Seria bastante diferente, não acham?"
Gilberto Rodrigues (São Paulo, SP)

Livraria da Folha
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