Trânsito
"Muito interessante saber das sugestões que o governo vai propor para a melhoria do Código de Trânsito Brasileiro. O que pouco se fala, contudo, é que, além de fiscalização, sem a qual a lei não existe, falta a boa e velha Polícia Rodoviária detendo os infratores no ato. Detendo, educando, prevenindo. De que adianta pagar multas caríssimas depois de cometidos os acidentes por excesso de velocidade, embriaguez, ultrapassagem perigosa? De que adiantam radares se os motoristas que vêm a 170 km/h vão simplesmente enfiar o pé no freio, passar a 120 km/h e tornar a acelerar logo mais à frente? De que adiantam as caríssimas rodovias sem o bom e velho patrulheiro rodoviário?"
RENATA FERREIRA GOMES (São Paulo, SP)
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"Poderia listar aqui diversas sugestões para a redução do número de mortes no trânsito causadas pela embriaguez, mas, dado o grande número de acidentes dentro das grandes cidades, sugiro que também proíbam a venda de bebidas alcoólicas em postos de conveniência instalados nos próprios postos de gasolina dentro das cidades. É um claro incentivo 'bebida e direção'. Passem por qualquer posto por volta de 4 ou 5 horas da manhã e vejam o número de pessoas que saem das festas (provavelmente já embriagadas) e continuam bebendo até o dia ficar claro. Logo depois, deixam o posto colocando em risco milhares de vidas. Acho que já seria um bom começo."
DANIELA GOES (Belo Horizonte, MG)
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Holocausto e Carnaval
"O impedimento do desfile do carro alegórico em referência ao Holocausto não foi exemplo de censura, mas de bom senso. O tema é integrante de um período negro da História mundial e que não deve ser tratado em um período como o Carnaval.
É sabido que as escolas de samba fazem uma pesquisa elaborada para seus desfiles e isso deve ser valorizado. Mas nem todos os temas devem ser tratados durante o Carnaval. Seria uma falta de respeito observar um carro em referência a milhões de judeus mortos cruelmente desfilando por uma avenida acompanhado de mulheres seminuas e muita gente dançando ao som de música alegre. Com certeza, o objetivo da escola não é esse. Porém deve prevalecer o bom senso.
Podemos observar ao logo dos anos que o Carnaval não é um período de reflexão e respeito. Inclusive, verificando as origens do Carnaval, notamos que ele se refere a um período de festividades profanas. Indo mais além, tomando alguns significados figurados do Carnaval, além de festa, temos desordem, orgia e confusão.
De fato, Holocausto e Carnaval não combinam."
WAGNER FERNANDES GUARDIA (São Vicente, SP)
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Educação
"Belíssimo o artigo de Vernor Muñoz em 'Tendências/Debates' de 3/2, sobre o verdadeiro sentido da educação."
MARIA EFIGENIA BITENCOURT TEOBALDO (Belo Horizonte, MG)
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Cartão corporativo
"Como jovem, me questiono até quando vai ser considerado normal (e até elogiável) o mau uso do dinheiro público. Admitir que errou, devolver o dinheiro e outras atitudes após a 'maldita imprensa' descobrir os deslizes não 'purifica' as autoridades. Seriedade e isenção já nas apurações dessas falcatruas!"
ANTONIO DE OLIVEIRA (Uberaba, MG)
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"Será que apenas a ministra Matilde Ribeiro vai ser, merecidamente, punida pela farra dos cartões corporativos do governo Lula? Pelo menos se sabe onde e como ela gastou o dinheiro público --o seu, o meu, o nosso. E os milhões de reais sacados em espécie foram gastos em quê? E as despesas da primeira-dama com cabeleireiros vindos de São Paulo e outros luxos? Quando é que vão ser prestadas as contas ao povo brasileiro, que paga por tudo isso e muito mais?"
JORGE ALBERTO DE OLIVEIRA MARUM, promotor de Justiça (Sorocaba, SP)
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"No que toca à proposta da oposição de se criar a 'CPI da Tapioca', tendo em vista os abusos cometidos com o uso do cartão corporativo, conforme veiculado no editorial desta Folha (2/2) creio ser mais adequado ou 'CPI Gastronômica' ou ainda 'CPI do CC', a qual, diga-se de passagem, cheirará à podridão quando alguns 'pródigos ministros' forem escarafunchados no suor de seus rastros."
GUILHERME TENO CASTILHO MISSALI (São Paulo, SP)
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Dúvidas e verdades
"As confissões do ex-agente uruguaio Mario Neira Barreiro ( Brasil, 27/1) nos fazem relembrar os acidentes que ceifaram as vidas de políticos famosos como Roberto Silveira, na queda de um helicóptero no ano de 1961, quando era governador do Rio de Janeiro; marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, com a queda de um avião bimotor quando presidente da República, no ano de 1967; Juscelino Kubitschek de Oliveira, ex-presidente e com pretensões de um novo mandato, num acidente automobilístico; Ulysses Silveira Guimarães, ex-candidato à Presidência e com pretensões de uma nova candidatura, na queda de um helicóptero no ano 1992 e até hoje com o corpo não localizado.
As declarações do uruguaio Barreiro nos dão abertura para repensar o suicídio do presidente Getulio Vargas no ano de 1954 e a tão discutida carta deixada por ele. Na verdadeira causa da renúncia de Jânio Quadros no ano de 1961 e também na morte de Tancredo Neves no ano 1985. Em cada um desses acontecimentos a imprensa deixou um espaço vazio de informações. Se voltarmos a analisar cada fato noticiado depois daquelas tragédias, chegaremos à conclusão de que as investigações e informações que tivemos por meio da imprensa naquelas épocas deixaram muito a desejar. Com certeza, nos casos supracitados, o povo brasileiro vive a esperança de encontrar verdades outras, que até hoje não foram divulgadas."
LEÔNIDAS MARQUES (Volta Redonda, RJ)
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Fidel e Hitler
"O dr. Ives Gandra Martins, em seu artigo de 28/1, incorre num equívoco de arrepiar para quem conhece um mínimo de história. Ao criticar todos os regimes de esquerda, diz ele que Fidel Castro deve ser equiparado a Hitler, em razão de suas execuções. Ora, não só em números de mortos as diferenças são gritantes, mas também em razão dos motivos. O nazismo, com Hitler, exterminou milhões de pessoas, mulheres, velhos e crianças apenas por causa da raça, em câmaras de gás, em experiências médicas monstruosas (Dr. Morte). E para quê? Para defender o capitalismo mais selvagem possível nas mãos da suposta 'raça ariana'. O regime socialista de Cuba certamente fez muitas execuções, mas não se vê a ONU e nenhuma instituição séria no mundo comparando regimes tão distintos, de finalidades tão opostas. Ao contrário, Cuba freqüentemente recebe elogios da ONU (Unicef, entre outras) por seus notórios méritos em saúde e educação. É uma barbaridade, portanto, comparar o socialismo ao nazismo.
Já quanto ao sanguinário George Bush, o articulista foi bem mais comedido, qualificando-o como um 'governo desastrado'. Em seguida, apregoa uma fórmula para educar os políticos do mundo inteiro: a criação de uma escola mundial. Tenha santa paciência para ler uma bobagem desse tamanho! Como se as atrocidades que existem no mundo pudessem ser combatidas ensinando aos lobos não comerem os carneiros!
Ora, é justamente o capitalismo, liberal ou conservador --que o eminente jurista ardorosamente defende--, fundado na competição e no lucro, a causa que fomenta a corrupção, as guerras, a destruição do planeta e a transformação da humanidade em gado."
ADIR CLAUDIO CAMPOS (Uberlândia, MG)