Painel do Leitor
06/02/2008 - 02h30

Desmatamento

"A veiculação de informação de que o governo federal estendeu o prazo para regularizar a situação relativa à área de desmatamento das propriedades (basicamente áreas de assentamentos) na Amazônia me parece ter uma perspectiva equivocada do ponto de vista de denúncia ('Governo Lula isenta assentado de sanção contra o desmate', Ciência, 1/2). A reportagem explica que os pequenos proprietários e assentados pela reforma agrária não terão, neste momento, sanções sobre este tipo de ação -- 'apesar dos estudos' atribuírem aos proprietários de até 100 hectares a responsabilidade por '15% a 18%' do desmatamento.
Ora, os argumentos do governo parecem extremamente claros e justos neste caso. Em primeiro lugar, o governo federal vai cobrar dos maiores proprietários --que são, via de regra, grileiros e/ou testas-de-ferro de grupos econômicos poderosos do centro-sul-- uma atitude imediata sobre esta questão. Afinal, invertendo os números, esse setor é responsável por 82% a 85% do desmatamento na Amazônia. Para quem conhece a realidade da região, sabe que bloquear crédito ou canais de comercialização de alguma produção qualquer, no que tange aos assentados, só os levará a optarem cada vez mais por uma parceria ilegal --que já existe, ninguém diz o contrário-- com as madeireiras, que não se importam com essas sanções. Afinal, essa população simplesmente precisa comer. Embora as cifras sejam altas (sempre são no caso da Amazônia), os grandes são mesmo os principais responsáveis pela ilegalidade na ocupação e desmatamento da floresta. Por que a notícia de que os menores não serão punidos primeiro acabou tendo, na minha leitura, uma perspectiva de denúncia? Se não é uma manobra diversionista para esconder os grandes, me parece uma não-notícia. Por que não investigar quem são esses grandes?"

LUÍS ANTONIO BARONE (Presidente Prudente, SP)

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Carnaval

Apesar de ser Vai-Vai desde criança, sou morador recente da Bela Vista, e aqui vi em torno da escola uma coisa que eu não imaginava ainda existir em São Paulo: o envolvimento de todo um bairro, um sentimento de comunidade. Alguns vizinhos se incomodam, mas o conforto individual não pode superar a exaltação coletiva à arte, à alegria e aos trabalhos comunitários que a Vai-Vai faz. Parabéns, campeã! Que a Bela Vista ouça seus tambores para sempre!"

WAGNER TRONOLONE (São Paulo, SP)

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"José Sarney, em seu artigo 'Carnaval e Vieira' de 1/2, conta o fato de estrangeiros ficarem abismados com as escolas de samba, que, por encanto, vão do caos à perfeição. Sarney admitiu que não entende da matéria, nunca entrou na fuzarca, com o que até concordo. Para começar, um ponto fundamental, escola de samba tem dono que não discursa, mas sabe mandar, é obedecido.
A missão da escola é vencer o desfile. Há um complexo cronograma, envolvendo etapas bem definidas, metas rigorosamente cumpridas. Existe uma equipe que seleciona cada figurante, em base sua competência em sambar, tocar um instrumento, movimentar um carro alegórico, sendo comum a evolução de figurante a destaque. Há uma hierarquia que ninguém ousa desafiar. Caso contrário a escola corre o risco de cair para outro grupo. A afinadíssima bateria estabelece a cadência da escola. Cada figurante sabe exatamente o seu papel, através de cansativos ensaios, encontra enorme prazer no que faz, tem um incomensurável amor pela sua escola.
Comparando com nosso governo, há sentidas diferenças. Em primeiro lugar, ele não tem dono, tem um representante político cujo ego extrapola os limites do sambódromo. Tem gente de fora que apita mais do que qualquer membro da escola. As escolhas não são baseadas em mérito, não há desenvolvimento de carreira, os destaques são assessores apadrinhados, sambando pelo Brasil, em busca de um mandato. Têm ojeriza ao que fazem. O ritmo quase sempre muito lento, provocado por constantes mudanças de objetivos, os figurantes não sabem quem obedecer, a organização é sempre caótica. Ministro desmente o presidente. A culpa é das escolas que desfilaram anteriormente. Os estrangeiros ficam cada vez mais entusiasmados com nossas escolas, menos crentes em nosso governo."

JOÃO HENRIQUE RIEDER (São Paulo, SP)

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Folha x Universal

"Relativamente ao processo movido contra esta Folha de S.Paulo pelos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, é com alegria que me congratulo com a Folha*, a ANJ e com o juiz Alessandro Leite Pereira por terem neste episódio, com competência, lisura e independência, garantido o meu direito maior e mais nobre da cidadania. Só espero adquirir ainda em vida a convicção de que as instituições deste país ditas filantrópicas (que eu ajudo a pagar com meus impostos) e principalmente aquelas que o são em nome de Deus, sejam idôneas e verdadeiramente filantrópicas. Parece que isto não vem acontecendo, visto o caso da Igreja Renascer em Cristo, cujas autoridades maiores estão presas ou foram presas nos EUA por delitos como tráfico de dinheiro e outras mazelas. Tem algo muito nebuloso em nome de Deus neste país que precisa ser esclarecido."

FLORIVAN PUGLIESI DA SILVA (São José dos Campos, SP)

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"Profissional seria, isenta e imparcial, nada detém Elvira Lobato diante de uma informação de alto interesse público; são inócuos, desse modo, os processos movidos contra ela e contra a Folha pela Igreja Universal. Que Elvira receba a solidariedade e o carinho de todos os profissionais que a conhecem e admiram."

MARISTELA MAFEI (São Paulo, SP)

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Camisinha

"O professor Eduardo Oyakawa ('Painel do Leitor', 31/1) contesta os argumentos da leitora Ananda Apple sobre o direito à camisinha. Ora, numa época em que a Aids atinge dimensões de pandemia, a igreja proibir seus fiéis de usar preservativos, mesmo estando ciente da enorme força pulsional da sexualidade aliada à liberalidade dos costumes nestes tempos modernos, é uma atitude irresponsável, sim. Trata-se de uma questão de saúde pública física (no caso das DST's) e psicológica (no caso de uma gravidez indesejada) e não de teologia e/ou de fé. Além do mais, não é a igreja que vai arcar com os custos dessa irresponsabilidade, mas o Estado --vale dizer, todos nós, católicos ou não."

NELSON CASTELO BRANCO EULALIO FILHO, mestre em filosofia da UFC --Universidade Federal do Ceará (Fortaleza, CE)

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Big Brother

"Muita gente reclama que os big brothers são egocêntricos, mimados, fúteis, sem inteligência, sem ética, sem respeito a nada; que o programa só veicula valores errados e que o próprio apresentador é um sujeito inteligente que vendeu a consciência.
Concordo com tudo isso e também não gosto do programa; não assisto e mal sei o que se passa por lá. Porém acredito que os jovens que estão lá não sejam muito diferentes dos que vemos pelas ruas do Brasil afora.
Se queremos mesmo uma sociedade mais justa, mais honesta e mais respeitosa, se queremos programas de melhor qualidade na TV, devemos criar melhor nossos filhos."

SERGIO P. RIBEIRO (São Paulo, SP)

Livraria da Folha
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