Painel do Leitor
07/02/2008 - 02h30

Cartões corporativos

"Minha mulher estava lendo uma reportagem sobre cartões corporativos e bateu o pé dizendo que também queria um igualzinho a esses, sem limitação de valores, com saques à vontade em dinheiro e sem nenhum controle de despesas.
Tentei explicar a ela que se tratava de cartões portados unicamente por figurões do governo federal, que os usavam só em condições especiais, com parcimônia e responsabilidade, mas ela insistiu, dizendo que deveria ser para todos, que era para eu me informar melhor pois provavelmente era um 'novo programa social do governo Lula'.
E não é que parece que ela tem razão? Só gostaria de saber como nós, humildes contribuintes, podemos nos inscrever nesse tal programa."

EDUARDO DE SOUZA AMARAL (São Paulo, SP)

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"Nunca antes neste país se viu tanta corrupção e desvio de dinheiro público. Estamos aguardando a 'justificativa' de que os cartões foram criados no governo FHC e, portanto, o roubo ao erário está dentro dos padrões éticos do PT. E nosso presidente levando tudo e todos no gogó, como sempre.
Esse Lula é ou não é 'o cara'?"

CARLOS ALBERTO BELLOZI (Belo Horizonte, MG)

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"É afrontosa a declaração do Gabinete de Segurança Institucional de que a divulgação de gastos põe em perigo a segurança do presidente e a de seus familiares quando vemos, entre outras aberrações, a filha comprar materiais de construção com o tal cartão. Que o presidente e sua família devem ser protegidos, ninguém contesta, mas daí a achar que a divulgação dos fatos apontados pode pôr em perigo a segurança dessas pessoas é demais."

WALTER IVO GÜTTLER (Rio de Janeiro, RJ)

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Greve da Defensoria Pública

"Os defensores públicos da União, irmanados no Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal com os procuradores da Fazenda Nacional, advogados da União, procuradores federais e procuradores do Banco Central, iniciaram no dia 17 de janeiro uma greve nacional, por prazo indeterminado, visando o integral cumprimento do acordo assinado com o governo federal em 1º/11/2007, o qual, após mais de oito meses de intensas negociações, em momento nenhum esteve condicionado à renovação da CPMF pelo Congresso.
A intensa participação dos defensores públicos da União nesta greve vai muito além da luta pela fixação de um subsídio digno, em paridade com as demais carreiras essenciais à Justiça, significando mesmo a sedimentação dessa carreira que, muito embora tenha sido criada pela Constituição de 1988, foi iniciada de forma emergencial e provisória em 1995 e apenas em 2001 foi realizado o primeiro concurso público para carreira. Atualmente, passados mais de 20 anos da sua idealização pelo constituinte originário (art. 134), conta com pouco mais de 200 membros em todo o país para atender à toda a população carente --estimada em mais de 120 milhões de pessoas -- que necessite de assistência jurídica integral e gratuita junto à Justiça Federal, Militar, Eleitoral e do Trabalho.
Vocacionados à causa que defendem, os defensores públicos federais lutam pelo fortalecimento da carreira e contam com a sensibilidade do governo federal para a valorização do trabalho que desenvolvem junto aos carentes de recursos."

HAMAN TABOSA DE MORAES E CÓRDOVA, presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos da União (Brasília, DF)

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PT e PSDB

"Elio Gaspari, em sua coluna de ontem, diz que PT e PSDB devem se entender por serem parecidos. Concordo plenamente. Os dois, quando governo, cortam impostos, combatem e punem corruptos, não esbanjam dinheiro público, são extremamente eficientes, investem e melhoram muito a saúde e a educação do povo. A única diferença é que a cúpula tucana é feita de 'professores doutores' e a petista é de 'trabalhadores'."

JAIME BERTOLACCINI COSTA (Vargem Grande do Sul, SP)

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Carnaval

"Definitivamente Carnaval e Holocausto não combinam.
Impossível retratar a morte de milhões de judeus, com o respeito que o tema exige, em meio a alegria, samba, ritmo, compasso, cadência, ginga e mulheres esculturais.
No entanto, caberia ao público e aos jurados repudiar a iniciativa do carnavalesco. Ocorre que, com a decisão judicial, apurados os votos, a Viradouro manteve-se no Grupo Especial.
A única rebaixada foi a juíza, que, de magistrada, prestou o papel de jurada de escola de samba."

MIGUEL ÂNGELO NAPOLITANO (Bauru, SP)

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Universidade

"Da caricatura em horário nobre da novela na TV ao disse-que-disse dos campi, do enorme exército nacional de reserva nas filas dos vestibulares à educação especulativa que invade a bolsa nacional, o Brasil discute a sua educação e a universidade. O lado institucional do país corre atrás do grito das ruas, da escola pública, dos negros, dos indígenas, dos pobres, dos morros, das vilas, favelas, quebradas e baixas periferias para perceber o óbvio: falta universidade, e o país está longe de ter 40% das matrículas na educação superior pública para 2010, como está escrito no Plano Nacional de Educação! Só 11% na universidade! Uma baita vergonha. Então não cabem firulas do jogo dos acadêmicos versus os estudantis. Noves fora com paroquialismos!
Como Machado, 'ao vencedor, as batatas'! Sem a sociedade civil organizada, sem os movimentos sociais interagindo, sem o debate nos parlamentos, na imprensa, a universidade torre de marfim continuará a andar de mãos dadas com a universidade business e os políticos que nascem deste casório. Cadê o espaço público plural para dar rumo à universidade nacional?"

SÉRGIO JOSÉ CUSTÓDIO, da Coordenação Nacional do Movimento dos Sem Universidade (São Paulo, SP)

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Pesquisa

"Uma pesquisa sobre as razões da violência não deve ser monopolizada por uma área específica do saber. O repúdio injustificado das psicólogas à pesquisa neurocientífica da violência ('Tendências/Debates', 6/2) reflete, na verdade, um medo de perder a autoridade sobre esse assunto. É certo que a violência se exerce em um nível simbólico, mas será mesmo que pouco importa a contrapartida neuronal dessa violência?
Os signatários do repúdio são incapazes de perceber que o caminho correto nessa área é uma divisão de trabalho entre as ciências. Sendo múltiplas as razões da violência, o ideal é termos um quadro amplo e unificado sobre o assunto. Somente por uma atitude bastante obscurantista poderíamos, de antemão, fechar os olhos para as razões que uma pesquisa empírica poderia fornecer nessa área."

DANIEL DE LUCA NORONHA (Belo Horizonte, MG)

Livraria da Folha
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