Cartões corporativos
"Minha mulher estava lendo uma reportagem sobre cartões corporativos e bateu o pé dizendo que também queria um igualzinho a esses, sem limitação de valores, com saques à vontade em dinheiro e sem nenhum controle de despesas.
Tentei explicar a ela que se tratava de cartões portados unicamente por figurões do governo federal, que os usavam só em condições especiais, com parcimônia e responsabilidade, mas ela insistiu, dizendo que deveria ser para todos, que era para eu me informar melhor pois provavelmente era um 'novo programa social do governo Lula'.
E não é que parece que ela tem razão? Só gostaria de saber como nós, humildes contribuintes, podemos nos inscrever nesse tal programa."
EDUARDO DE SOUZA AMARAL (São Paulo, SP)
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"Nunca antes neste país se viu tanta corrupção e desvio de dinheiro público. Estamos aguardando a 'justificativa' de que os cartões foram criados no governo FHC e, portanto, o roubo ao erário está dentro dos padrões éticos do PT. E nosso presidente levando tudo e todos no gogó, como sempre.
Esse Lula é ou não é 'o cara'?"
CARLOS ALBERTO BELLOZI (Belo Horizonte, MG)
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"É afrontosa a declaração do Gabinete de Segurança Institucional de que a divulgação de gastos põe em perigo a segurança do presidente e a de seus familiares quando vemos, entre outras aberrações, a filha comprar materiais de construção com o tal cartão. Que o presidente e sua família devem ser protegidos, ninguém contesta, mas daí a achar que a divulgação dos fatos apontados pode pôr em perigo a segurança dessas pessoas é demais."
WALTER IVO GÜTTLER (Rio de Janeiro, RJ)
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Greve da Defensoria Pública
"Os defensores públicos da União, irmanados no Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal com os procuradores da Fazenda Nacional, advogados da União, procuradores federais e procuradores do Banco Central, iniciaram no dia 17 de janeiro uma greve nacional, por prazo indeterminado, visando o integral cumprimento do acordo assinado com o governo federal em 1º/11/2007, o qual, após mais de oito meses de intensas negociações, em momento nenhum esteve condicionado à renovação da CPMF pelo Congresso.
A intensa participação dos defensores públicos da União nesta greve vai muito além da luta pela fixação de um subsídio digno, em paridade com as demais carreiras essenciais à Justiça, significando mesmo a sedimentação dessa carreira que, muito embora tenha sido criada pela Constituição de 1988, foi iniciada de forma emergencial e provisória em 1995 e apenas em 2001 foi realizado o primeiro concurso público para carreira. Atualmente, passados mais de 20 anos da sua idealização pelo constituinte originário (art. 134), conta com pouco mais de 200 membros em todo o país para atender à toda a população carente --estimada em mais de 120 milhões de pessoas -- que necessite de assistência jurídica integral e gratuita junto à Justiça Federal, Militar, Eleitoral e do Trabalho.
Vocacionados à causa que defendem, os defensores públicos federais lutam pelo fortalecimento da carreira e contam com a sensibilidade do governo federal para a valorização do trabalho que desenvolvem junto aos carentes de recursos."
HAMAN TABOSA DE MORAES E CÓRDOVA, presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos da União (Brasília, DF)
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PT e PSDB
"Elio Gaspari, em sua coluna de ontem, diz que PT e PSDB devem se entender por serem parecidos. Concordo plenamente. Os dois, quando governo, cortam impostos, combatem e punem corruptos, não esbanjam dinheiro público, são extremamente eficientes, investem e melhoram muito a saúde e a educação do povo. A única diferença é que a cúpula tucana é feita de 'professores doutores' e a petista é de 'trabalhadores'."
JAIME BERTOLACCINI COSTA (Vargem Grande do Sul, SP)
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Carnaval
"Definitivamente Carnaval e Holocausto não combinam.
Impossível retratar a morte de milhões de judeus, com o respeito que o tema exige, em meio a alegria, samba, ritmo, compasso, cadência, ginga e mulheres esculturais.
No entanto, caberia ao público e aos jurados repudiar a iniciativa do carnavalesco. Ocorre que, com a decisão judicial, apurados os votos, a Viradouro manteve-se no Grupo Especial.
A única rebaixada foi a juíza, que, de magistrada, prestou o papel de jurada de escola de samba."
MIGUEL ÂNGELO NAPOLITANO (Bauru, SP)
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Universidade
"Da caricatura em horário nobre da novela na TV ao disse-que-disse dos campi, do enorme exército nacional de reserva nas filas dos vestibulares à educação especulativa que invade a bolsa nacional, o Brasil discute a sua educação e a universidade. O lado institucional do país corre atrás do grito das ruas, da escola pública, dos negros, dos indígenas, dos pobres, dos morros, das vilas, favelas, quebradas e baixas periferias para perceber o óbvio: falta universidade, e o país está longe de ter 40% das matrículas na educação superior pública para 2010, como está escrito no Plano Nacional de Educação! Só 11% na universidade! Uma baita vergonha. Então não cabem firulas do jogo dos acadêmicos versus os estudantis. Noves fora com paroquialismos!
Como Machado, 'ao vencedor, as batatas'! Sem a sociedade civil organizada, sem os movimentos sociais interagindo, sem o debate nos parlamentos, na imprensa, a universidade torre de marfim continuará a andar de mãos dadas com a universidade business e os políticos que nascem deste casório. Cadê o espaço público plural para dar rumo à universidade nacional?"
SÉRGIO JOSÉ CUSTÓDIO, da Coordenação Nacional do Movimento dos Sem Universidade (São Paulo, SP)
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Pesquisa
"Uma pesquisa sobre as razões da violência não deve ser monopolizada por uma área específica do saber. O repúdio injustificado das psicólogas à pesquisa neurocientífica da violência ('Tendências/Debates', 6/2) reflete, na verdade, um medo de perder a autoridade sobre esse assunto. É certo que a violência se exerce em um nível simbólico, mas será mesmo que pouco importa a contrapartida neuronal dessa violência?
Os signatários do repúdio são incapazes de perceber que o caminho correto nessa área é uma divisão de trabalho entre as ciências. Sendo múltiplas as razões da violência, o ideal é termos um quadro amplo e unificado sobre o assunto. Somente por uma atitude bastante obscurantista poderíamos, de antemão, fechar os olhos para as razões que uma pesquisa empírica poderia fornecer nessa área."
DANIEL DE LUCA NORONHA (Belo Horizonte, MG)