Painel do Leitor
22/05/2007 - 02h30

Octavio Frias de Oliveira

"Acróstico para Octavio Frias de Oliveira.

O utono em desenlace espiritual.
C onstitucionalista em revolução nacional.
T ravessia em página sideral.
A lma em renovação transcendental.
V ida compartilhada com a ordem e o progresso da Nação.
I mprensa em ideal da liberdade de expressão.
O lhos abertos numa única realidade em informação.

F orça de uma voz retumbante em opinião.
R azão em comunicação popular.
I rmão em causa social.
A rtéria em corpo cidadão.
S olidariedade em comunhão universal.

D espedida em poema escrito em língua portuguesa.
E ncontro eternizado pelas estrelas de uma constelação em luz e grandeza.

O breiro de uma folha em síntese de um país.
L ume de uma nau destemida em originalidade.
I gualdade não sucumbida em verdade.
V ersos e reversos de um modernista.
E nsaio sem ponto final de um ativista.
I lha de sabedoria na capital paulista.
R aiz em caule frutificado em uma nova era.
A cróstico em celestial primavera."

AIRTON REIS (Cuiabá, MT)

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Idade penal

"Penso que a medida da redução da idade penal deve ser vetada imediatamente para o bem da nação. O texto é deficiente, embora a iniciativa seja louvável. Explico: a medida prevê pena de retenção para os menores que praticam crimes hediondos como estupro, tráfico de drogas e terrorismo, mas isenta da pena os praticantes de assaltos, falsidade ideológica etc. O que é injusto, uma vez que crime é crime e ofende igualmente a população que já não goza da plenitude dos direitos humanos. Outro tópico que me alarma é o que prevê medidas socioeducativas para os menores praticantes de pequenas infrações. Nós, os moços, não vemos a educação progredir no dia-a-dia, e nossos olhos presenciam com tristeza a falta de democracia nas universidades de ponta. As mensalidades são caras, os programas de bolsas uma ficção: um exemplo disso são as faculdades que só concedem bolsas para os alunos depois de um ano de curso. Nem todas aceitam o Prouni ou o Enem. Cabe a pergunta: se o aluno carente não pode pagar sequer uma mensalidade, como poderá sustentar todo o ano letivo? O jovem carente não faz medicina, direito... Sua capacidade é ofuscada, limitada. Diante da falta de perspectiva, parte para a contravenção. Penso que só depois de uma reforma ampla na educação a medida virá em boa hora e será útil para o país."

LEANDRO ALVES PEREIRA (Belo Horizonte, MG)

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Universidade

"O professor Jorge Megid Neto ('Tendências/Debates', 21/5) se mostra incomodado com a idéia de a Secretaria de Ensino Superior querer contribuir para a melhora da educação básica no Estado. Ela estaria 'tirando atribuições da Secretaria da Educação'.
O professor reconhece que a universidade deve colaborar, como 'parceira', com a 'formação inicial ou continuada de professores e gestores escolares' etc. Para isso, diz, 'o governo não precisava criar uma nova secretaria'. Certo, não precisava. Mesmo assim, não compreendo: se a universidade fosse vinculada à Secretaria de Desenvolvimento, ela poderia se preocupar também com a educação básica; estando na Secretaria de Ensino Superior isso vira usurpação de atribuições?
E ainda falta explicar o que alunos, professores e servidores querem dizer com a 'perda da autonomia'. Os jornais não ajudam a esclarecer _nunca li o texto dos tais decretos ameaçadores nem vi um infográfico sequer explicando o que mudou efetivamente. Só a palavra de uns contra a palavra dos outros.
Se 'perder autonomia' significa ter a obrigação de abrir suas contas à sociedade, então sou obrigada a entender que a autonomia que a universidade quer é sinônimo de caixa-preta.
Pelo que arrecada do conjunto da sociedade, a universidade pública deve a ela muito mais do que tem oferecido. No mínimo, mais transparência. A pena por ser o mundo à parte que é hoje é ver tanta gente questionando sua 'gratuidade'. Grátis ela não é, todos pagamos, inclusive eu que estudei em faculdade particular."

RACHEL AZZARI (São Paulo, SP)

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"Não importa o que venha a acontecer na USP. Depois que a polícia retomar a Reitoria dos alunos que a estão ocupando, a administração se queixará da 'baderna' em que o prédio foi deixado, enquanto os estudantes reclamarão da 'truculência' da ação policial. Por isso, nem vou comprar o jornal de amanhã. Essas notícias me dão um sono..."

PAULO SANTORO (São Paulo, SP)

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Aborto

"Tive o cuidado de pinçar algumas frases de reportagens que trataram, mais uma vez, da questão do aborto ( Cotidiano, 20/5), transcrevendo-as a seguir: 'Só chegam à polícia os casos de aborto que envolvem as pobres e as miseráveis, que são obrigadas a procurar lugares impróprios e sofrem as conseqüências'; 'Não sei o que passou por minha cabeça, só sei que não tinha a menor condição de criar mais um filho'.
A empregada, que mora numa casa de 40 metros quadrados sem infra-estrutura, disse que contou com a ajuda do namorado para abortar. 'Sei de todas as dificuldades que passo para criar meus dois filhos...'; 'Depois, ainda solteira, ela engravidou de novo..., e ouviu do namorado, pai das meninas, outra sugestão de aborto.'; 'Dessa vez, porém, consultou o namorado, que também não quis a criança'.
Trata-se de mulheres às voltas com uma gravidez indesejada, sem condições financeiras, com pouca ou nenhuma instrução, que recorrem a métodos inseguros, tentando, num momento de desespero, resolver um problema imediato. São elas que se arriscam a perder a vida, a ficar com graves seqüelas e culpa desnecessária, sendo que não possuem a menor condição de criar, educar e manter uma criança.
O ponto culminante dessas falas é a evidência de que o aborto não é um ato solitário, é uma resolução tomada a dois, mesmo quando o homem some no mundo sem dar mais notícias. Nas periferias ou favelas, as mulheres, quase sempre, mantêm sozinhas filhos e casa.
Numa questão tão complexa como essa, que pontua ainda mais a segregação social no país, somente as pobres mulheres sofrem as conseqüências. Por isso mesmo não é justo manter uma lei arcaica sem atentar para a mudança dos tempos, fingindo que não se percebe que esses seres humanos necessitam de assistência, da proteção do Estado, para se evitar um mal maior."

ANETE ARAUJO GUEDES (Belo Horizonte, MG)

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Romário

"Com mais uns 350 gols o Romário pode se tornar o maior goleador de todos os tempos, e isso pode ser atingido se este fantástico artilheiro continuar a jogar por mais uns três ou cinco anos. Competente jogador, não bebe e é pai aplicado, tem tudo para ser o maior dos maiores dentro da grande área. Por isso o singelo pedido: não pare Romário! Prossiga nesta jornada e seja mais do que você já é."

LUÍS MEATO (Niterói, RJ)

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A melhor vaca

"Gautama em sânscrito significa 'a melhor vaca'. Zuleido, que significa Charles Bronson ou Mexicano, no mundo da corrupção, largou o emprego que tinha em uma empreiteira e resolveu criar a 'melhor vaca' do Brasil, com tantos mamilos quanto fossem necessárias para alimentar os ladrões do alto escalão do governo. Com muita desenvoltura, oferecia lucrativas tetas aos grandes corruptos que infestam a vida pública nacional. Num país onde a impunidade é a lei soberana, todos os pilantras que adoram o leite condensado que jorra das tetas dos cofres públicos no Brasil começaram a mamar na melhor vaca brasileira do mercado da roubalheira. A PF passou a navalha no negócio. O que todos esperam é que o Judiciário cumpra a sua parte e, desta vez, afunde o fio da navalha nas entranhas da corrupção nacional."

WILSON GORDON PARKER (Nova Friburgo, RJ)

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Operação da PF

"Navalhas, furacões, mensalinhos, mensalões, dossiês, ambulâncias etc.
Gostaria mesmo de saber se os trabalhos da brava Polícia Federal foram atividades efetivamente bem aproveitadas. Quantos figurões já foram processados, condenados e se encontram nas pátrias cadeias?
Creio que muitos dividem da minha curiosidade."

FERRUCCIO GINELLI (Fortaleza, CE)

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Livraria da Folha
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