Painel do Leitor
14/02/2008 - 02h30

Atendimento a gestantes

"Como cirurgião-dentista preocupado com o atendimento odontológico de gestantes, fiquei muito contente ao ler a reportagem publicada no dia 10/2 com o título 'Obstetra aconselha, mas dentista evita tratar grávidas'
Fiquei contente porque acho que serve como alerta para os colegas de profissão que se negam a atender este grupo de pacientes, mesmo entrando em contato com os obstetras responsáveis. Acho também que todas as gestantes deveriam procurar o cirurgião-dentista para realizar um acompanhamento pré-natal.
Mas, infelizmente, não posso deixar de realizar um comentário bastante pertinente, já que detectei um grande equívoco nas palavras do professor dr. Eduardo Cordioli, obstetra do hospital Albert Einstein. Me sinto à vontade para dizer que este equívoco é um dos motivos pelos quais muitos cirurgiões-dentistas têm receio em atender as gestantes.
O dr. Eduardo relata que a gestante não pode receber anestesia com adrenalina. Infelizmente, esta frase, dita de maneira desmedida por muitos médicos obstetras acaba por preocupar a classe odontológica esclarecida. A utilização da adrenalina nos tubetes anestésicos odontológicos não só pode como é recomendada na grande maioria das pacientes gestantes, principalmente naquelas sem complicações associadas. E isso tem embasamento científico. Vale lembrar que a adrenalina é uma substância produzida pelo organismo de todas as pessoas.
Infelizmente, muitos profissionais falam da adrenalina do anestésico odontológico sem ter a real consciência da quantidade contida em cada tubete. São 0,018 mg por tubete, que devem ser injetados muito lentamente e extra-vascularmente, permitindo anestesia segura, duradoura e eficaz. Caso não utilizássemos os agentes vasoconstritores adrenérgicos, que inclui a adrenalina, não teríamos anestesia eficaz, pois a mesma teria duração de aproximadamente 5 a 10 minutos (no caso da lidocaína, primeira opção para gestantes). Isto aumentaria a transferência placentária da droga, além de aumentar as chances de dor operatória, gerando estresse e liberação endógena da mesma adrenalina que fora evitada.
Também ressalto a necessidade de esclarecimento no que se refere à prescrição de medicamentos durante o período gestacional. Acho, particularmente, que a troca de informações entre cirurgião-dentista e obstetra seja extremamente salutar, por isso assim recomendamos. No entanto, o cirurgião-dentista deve estar preparado para a prescrição do medicamento por conta própria, o que é de sua competência legal. O contato com o obstetra no caso de dúvidas seria a conduta mais apropriada. No entanto, esta prática pode não ser tão simples como parece. Imaginemos uma gestante apresentando uma infecção dentária com abscesso agudo com indicação clara de antibioticoterapia o mais rápido possível. O tratamento e a prescrição medicamentosa devem ser realizados imediatamente e nem sempre o contato como obstetra é tão rápido assim.
Agradeço imensamente pela oportunidade de me pronunciar neste jornal de tão alta competência e qualidade."

GABRIEL TILLI POLITANO, cirurgião-dentista, professor universitário e especialista e mestre em Odontopediatria (Campinas, SP)

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José Dirceu

"O sr. José Dirceu ('Tendências/Debates', 13/2) têm várias facetas, sendo que a mais utilizada atualmente é a da mentira. É impressionante como alguém se esconde atrás do socialismo e da libertação do povo brasileiro para continuar a se colocar como sendo, ele e esse governo do Lula, de esquerda. Vamos aos fatos. O governo Lula continua a obedecer os ditames do FMI e da política econômica neoliberal tão criticada quando o mesmo era de oposição. É só olhar os lucros dos bancos e os juros praticados por esse governo. Além do mais, PSDB e PT são faces da mesma moeda, e esse debate só serve ao jogo pequeno desenvolvido por essas duas agremiações. Vamos parar de brincar de ser e assumir nossas posições."

RICARDO MAIA DOS SANTOS (Campo Grande, MS)

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"Quase fui obrigado a tomar um calmante ao ler o artigo de José Dirceu ontem na Folha.
Leio a Folha religiosamente há mais de 40 anos e fico pasmo ao ver que este jornal concede espaços para pessoas dessa estirpe. E tem a petulância de falar sobre mentiras e Goebbels..."

ADILSON MINOSSI DE OLIVEIRA (Florianópolis, SC)

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Cartões corporativos

"Como cidadão estou totalmente de acordo com o ex-presidente FHC. Se as despesas não são referentes à segurança nacional, e sim de cunho familiar, pois há distinta diferença entre uma e outra, nada têm de secretas. O cidadão contribuinte tem todo o direito de conhecê-la, e o administrador público tem obrigação ética de divulgá-la, evitando, com isto, que prepostos utilize-nas sem os devidos limites."

JUVENAL FERREIRA FORTES FILHO (Rio de Janeiro, RJ)

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"A indignação sobre os abusos dos cartões corporativos não deixa de ser uma reação popular sobre os gastos de dinheiro público. Ninguém agüenta mais pagar uma carga tributária exorbitante e o seu dinheiro desviado vergonhosamente com um número sem fim de escândalos."

CLÁUDIO FROES PEÑA (Porto Alegre, RS)

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Kassab

"O sr. Gilberto Kassab deveria ser multado, pois ele autorizou a espalhar faixas, com seu nome, para divulgar cerimônia de entrega de rua asfaltada em São Paulo. Ele, como prefeito, deveria dar bom exemplo e não se comportar como um fora-da-lei. Ou será que ele pensa que é melhor que os outros?"

SÍLVIO ALVES (São Paulo, SP)

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Presos em Minas

"A competente e corajosa reportagem da Folha de S.Paulo ( Cotidiano, 10/2), do jornalista mineiro João Carlos Magalhães, dilatam o imaginário de qualquer cristão sobre como o inferno deve ser terrível. E aos ateus se faz em prova evidente que o inferno existe. Sim, a reportagem mostra 50 presos da cidade de Contagem (MG), confinados em 30 m2, a compartir esse ridículo espaço com ratos, baratas e lacrais. Numa atmosfera malcheirosa de urina e fezes, faria tremer qualquer zelador de porcos do século 19, vitimados por sarna e outras moléstias de fácil e inevitável contágio pelo ambiente que impera. A foto, a crédito de Bruno Magalhães/Agência Nitro/Folha Imagem, ilustraria, sem nenhum eufemismo, a parte do inferno descrita pelo poeta italiano Dante Alighiere, na sua Divina Comédia.
A situação de desumanidade mostrada de forma objetiva pela Folha extrapola todos os limites aceitáveis na questão dos direitos humanos. Aquele cenário, assustador em suas próprias tintas aos olhos dos mais incompassíveis, nos remete àquela visão proibida e detestável dos campos de concentração que, no mínimo, por evolução da espécie humana, deveria ser nada mais do que uma página virada na história da humanidade."

GERALDO PERES GENEROSO (IPAUSSU, SP)

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"A leitora Maria Antonieta S.S. Mello ('Painel do Leitor, 11/02) considera estranho o governador Aécio Neves ser popular e as cadeias de seu Estado serem infernais. Qual é a parcela da população que se importa com quem está nas cadeias, além dos parentes e amigos dos próprios presos? Vamos pôr a mão na consciência."

CARLOS BRISOLA MARCONDES (Florianópolis, SC)

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Guarujá

"Ao mudar a lei de zoneamento no Guarujá, estão permitindo a construção de arranha-céus. E praia com arranha-céu não dá liga, não combina.
Na capital, São Paulo, a quarta maior cidade do mundo, são raros os edifícios de 23 andares em bairros residenciais.
Vejam: em Miami não tem! Em Puerto Banus, Málaga, não tem! Em Saint-Tropez ou Mônaco também não tem. E são estâncias balneárias também. Por que no Guarujá vai ter?
Fiquem atentos ou logo construirão indústrias e verterão na praia da Enseada, pelos canais de água, dejetos industriais tóxicos, além dos dejetos humanos, caninos, restos de comida e água marrom, que já são vertidos, há anos, diretamente na areia da praia da Enseada."

JULIO MOLA (São Paulo, SP)

Livraria da Folha
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