Painel do Leitor
24/06/2008 - 02h30

Antônio Ermírio

"Antônio Ermírio de Moraes deveria lançar um livro com suas crônicas escritas na Folha ao longo dos últimos 20 anos. Grande brasileiro, grande caráter: são os que seus escritos espelham. Nós, leitores, sentiremos a sua falta todos os domingos na Folha."

WANDER CORTEZZI (São José do Rio Preto, SP)

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Greve dos professores

"Parabéns ao aluno Pablo Luiz de Moura S. Rocha ('Painel do Leitor', 23/6) por seu texto sobre a greve dos professores. Ele mostra que nem tudo está perdido. Quando um aluno da escola pública enxerga com tanta clareza a real situação do ensino no país, muito além de certos professores, é um sintoma de que a educação chegou ao fundo do poço. Ao se dar conta dos prejuízos que vai amargar por conta de uma educação deficiente e medíocre, o aluno demonstra consciência política e cívica, superando seus mestres. Da forma como vai o ensino, daqui alguns anos o aluno ensinará os professores."

IZABEL AVALLONE (São Paulo, SP)

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Biocombustíveis

"Concordo com a opinião do jornalista 'Paul Roberts' ( Entrevista da 2ª, 23/6). Existem muitas dúvidas com relação ao equilíbrio ambiental e social sobre a questão de substituição dos combustíveis fósseis pelos chamados biocombustíveis. A tendência mundial é exigir mais produção e, provavelmente, as questões sociais relacionadas à fome mundial tendem a se agravar com o passar dos anos."

MARTE FERREIRA DA SILVA (Atibaia, SP)

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"A entrevista com Paul Roberts mostra que ainda há polêmica sobre competição dos biocombustíveis com alimentos, o que fomenta opiniões desencontradas e, muitas vezes, equivocadas. A verdade é que não temos falta de alimento, pois a produção de grãos bate recorde em todas as safras, mesmo com problemas de logística, infra-estrutura, mudanças de clima e preço de fertilizantes. O que temos é falta de renda para a população ter acesso ao alimento produzido. Além disso, a limitação de terra arável para alimentos e combustíveis não se compara com a finitude do petróleo."

ADILSON ROBERTO GONÇALVES (Lorena, SP)

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Bebidas

"Qualquer cidadão de bom senso sabe que a ingestão de bebida alcoólica pode provocar perda de controle absoluto, podendo, se a dose for acima do limite tolerável, levar ao desequilíbrio o mais bem-educado dos seres a cometer desatinos. A Lei Seca, instrumento legal para punir os que não medem a conseqüência dos seus atos, impondo o risco da própria vida e atentando contra a vida de seus semelhantes, como é a prática dos que se embebedam e fazem dos veículos motorizados uma arma mortal, certamente não será o instrumento capaz de reverter o quadro perverso das estatísticas dos milhares de acidentes provocados por motoristas bêbados. A fiscalização dos infratores das leis para aplicação de multa só favorece a corrupção da propina, pois quanto maior for o valor da multa mais negociável é o preço cobrado pelo fiscal. O que poderá trazer ordem nessa desordem é mexer no Código Penal, para que o motorista alcoolizado seja condenado a garantir a sustentação da família da vítima, suportando-a pelo resto da vida o ônus do crime praticado, inclusive ser preso no caso de descumprimento da pena a que for condenado, como acontece no pagamento da pensão de alimentos. As empresas que contratam motoristas terão que fazer seguro obrigatório para responder pelo ônus causado pelos seus empregados. Os autônomos farão seguros com essa finalidade."

ORLANDO MACHADO SOBRINHO (Rio de Janeiro, RJ)

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"Ao senhor Marcel Sacco, diretor de marketing do grupo Schincariol, que se disse 'surpreso' com as críticas recebidas pela venda de cerveja na festa junina do colégio Santa Cruz, gostaria de dizer três coisas:
1) Existem sim escolas no Brasil que, cientes da problemática junção entre bebida alcoólica e jovens, já baniram cerveja e chope de suas festas juninas, como em Araras e Rio Claro, cidades da região onde moro e trabalho.
2) É absolutamente enganosa a comparação dessas bebidas alcoólicas com chocolate, salgadinho e paçoca, pelo simples fato de que tais produtos, se ingeridos em excesso, não provocam acidentes de trânsito nem aumentam os casos de violência doméstica.
3) Por último, mesmo que a maioria das escolas ofereça essas bebidas em suas festividades juninas, isso não serviria de justificativa à manutenção dessa prática, a não ser que esse pai de dois alunos (um de 8, outro de 12 anos) do referido colégio, esteja adotando o lema 'se a maioria faz, por que eu não posso fazer?', tão contrário a formação ética que também se espera de uma instituição escolar séria."

ELIANA PANTOJA BALBINO (Rio Claro, SP)

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Machado e Guimarães

"Interessante a enquete do caderno Mais! de 22/6 sobre Machado de Assis e Guimarães Rosa. É estranho que, dentre os doutores, artistas e escritores que opinaram, ninguém tenha se lembrado de que, 50 anos após a morte do autor de 'Sagarana', não existam grandes escritores influenciados por Guimarães Rosa nem de que, 50 anos após a morte do autor de 'Dom Casmurro', havia machadianos, inclusive assumidos, como Cyro dos Anjos e Josué Montello. Acredito que isso esclarece um pouco sobre qual é o mais importante escritor brasileiro.
Outro aspecto interessante a ser colocado é sobre educação. Com qual escritor é mais proveitoso se trabalhar em sala de aula: Machado de Assis ou Guimarães Rosa? Acredito que não é tão difícil mostrar a nossos jovens que não sejam hipócritas como Brás Cubas e Virgília; que não acusem levianamente e sem provas como fez Bentinho; que não sejam como o coronel Felizberto e Procópio em 'O Enfermeiro'; que não fiquem politicamente em cima do muro como o dono da Confeitaria do Império em Esaú e Jacó... Seria tedioso continuar. Mas a obra de Machado é grande e melhor."

WASHINGTON RAMOS (Teresina, PI)

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"João Guimarães Rosa não gostava de Machado de Assis e de sua literatura. Guimarães impôs um novo linguajar literário, diferente de tudo já escrito e genial. Mas que me desculpem: Machado é imbatível."

MARCOS BARBOSA (Casa Branca, SP)

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Eleições

"Antigamente, alguns candidatos chegaram a ser eleitos porque destacavam, em seus currículos, o fato de terem sido presos pelas polícias estaduais ou pela Federal. Hoje, muitos candidatos, envolvidos em crimes não julgados em todas as instâncias que atrasam em anos as condenações de criminosos contumazes neste país, com certeza, farão de tudo para esconder do eleitor suas prisões e seus processos que correm na Justiça. Não seria melhor dizer que 'se arrastam', pois desde quando algum processo chega a 'correr" na Justiça?"

LUIZ LYRIO (Belo Horizonte, MG)

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PSDB

"Se todas as pessoas de bom senso julgam que um partido deve representar a união de princípios e programas, como explicar que tantos políticos-militantes do PSDB estivessem trabalhando para impor candidatura de outro partido?
Se o PSDB é o partido com maiores condições de liderar a oposição ao PT, que tem sido exemplo de incoerência, jamais votarei nele caso se torne repartido."

OSNY DE O. LEITE (Campinas, SP)

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Bloqueios

"Quero parabenizar o dr. Walter Ceneviva, renomado jurista de São Paulo, pelo seu excelente e luminar artigo de 14/6, onde retrata e esclarece magistralmente a situação precária e insustentável que a Justiça do Trabalho, em São Paulo, está bloqueando recursos particulares de pessoas que um dia, no 'passado', foram sócias ou administradores empresariais, sem 'qualquer exame do contrato social da empresa, com documento atualizado da Junta Comercial de São Paulo, mesmo sendo falida.
O desejo do credor em receber é justo, mas precisa ser levantado por uma pesquisa honesta do real devedor, não baseadas em documentação empresarial muito antiga, afim de atender a lei que criou a atividade 'bloqueios bancários', que protegem o criador da empresa, geralmente falecido, exime de responsabilidades trabalhistas os fiscais os herdeiros e penalizam aqueles técnicos que um dia prestaram serviços à empresa."

ALVARO BORTOLETTO (São Paulo, SP)

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Condomínios e acessibilidade

"A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED) informa que foi o primeiro órgão executivo do país estruturado para gerir e implantar políticas públicas de acessibilidade na cidade de São Paulo. A reportagem publicada em 22/6 sob o título 'Acessibilidade legal' traz muitas informações e esclarece aos cidadãos quais são os seus direitos para que cobrem dos órgãos competentes.
A lei municipal 11.345, de 1993, insere no Código de Obras do Município (lei 11.228/92) a obrigação de que as edificações tenham acessibilidade --de acordo com as normas técnicas especificadas na NBR 9050 de 2004. E para denunciar a falta de acessibilidade --e o desrespeito a essas legislações--, o cidadão pode tomar algumas medidas, entre elas, se quiser denunciar pela Prefeitura de São Paulo, pode ligar no 156; enviar a denúncia pela Internet --através do sitio www.prefeitura.sp.gov.br; ou pelo telefone da ouvidoria municipal, 0800-175717.
Complementando essas informações, gostaria de informar que a SMPED faz toda a triagem da demanda que entra pelos canais da prefeitura. De posse dessas informações, a primeira ação é visitar o local: uma equipe de arquitetos da CPA (Comissão Permanente de Acessibilidade, estrutura ligada à SMPED) faz uma ampla vistoria da área, listando todos os itens de acessibilidade que tem de ser contemplados. Em seguida, é elaborado um relatório com esses dados e, de acordo com o desrespeito à lei, abre-se um processo que é encaminhado à subprefeitura da região onde o imóvel está. A subprefeitura, então, envia um fiscal que verifica a adequação do imóvel dentro do prazo estabelecido.
Essas informações são importantes para que o munícipe acompanhe como é encaminhada a sua denuncia e, também, é uma forma de prestar contas do trabalho destes dois órgãos públicos que existem para garantir o cumprimento das leis e executar as transformações necessárias para a nossa cidade."

MARA GABRILLI, vereadora da cidade de São Paulo e primeira secretária da SMPED (São Paulo, SP)

Livraria da Folha
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