Drogas
"As três estratégias apresentadas sobre o controle do uso drogas ilícitas ('Tendências/Debates', 26/6) merecem uma reflexão no contexto nacional, tendo em vista que a dependência de drogas é um problema de saúde pública.
No Brasil não temos ainda uma política bem definida sobre as prioridades estratégicas na prevenção e o tratamento dos usuários de drogas. A política tradicional anti-droga ('guerras às drogas') de cunho populista preocupa-se no combate ao tráfico e a criminalização do usuário, visando a tolerância zero ao uso de drogas ('não às drogas'). Em contraposição, a reparação de danos visa a não eliminação total das drogas, priorizando a saúde dos usuários.
Vale lembrar que o Brasil é o país no mundo que mais diminuiu o consumo de cigarro (tabagismo) nos últimos anos."
ROBERTO DELUCIA, professor do Grupo de Psicofarmacologia da USP (São Paulo, SP)
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Passarela
"Venho agradecer pelo ranking de negros na passarela do São Paulo Fashion Week, que vem sendo publicado por esse valoroso jornal. A Folha tem nos brindado com a possibilidade de conhecermos na prática a realidade do espaço profissional oferecido ao negro em nosso país.
O discurso da 'democracia racial' fica desmoralizado diante de números tão vergonhosos."
ROSILENE ANDRADE DE SOUSA (São Paulo, SP)
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Greve de professores
"São lamentáveis as cenas que presenciei quando passava pela avenida Paulista, por volta das 17h da sexta-feira, 27/6. Pseudoprofessores interditavam toda a avenida, e na contramão, no outro sentido, uma ambulância UTI vinha, com o apoio da Polícia Militar, tentando chegar até a rua da Consolação. Enquanto isso, professores riam e alguns até tomavam cerveja, bebida essa livremente à venda por camelôs. No alto de uma carreta, aos gritos um deputado de nome Simão Pedro [PT] parabenizava aos professores pela mobilização e parecia estar gostando de ver todo o trânsito da cidade parado naquele instante. Nas esquinas que davam acesso à avenida Paulista, paulistanos, sem poder fazer nada, esperavam.
É necessária uma providência urgente para que nós, paulistanos, motoristas ou pedestres não sejamos prejudicados toda sexta-feira."
PAULO ROGÉRIO LENCIONI (São Paulo, SP)
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Lei seca
"Proibiram com rigor motoristas ingerirem bebidas alcoólicas, lícitas, mesmo que seja uma mínima quantidade, mas as drogas ilícitas continuam a fazer a cabeça de muitos motoristas. Ou o bafômetro também identifica cocaína, ecstasy e maconha? Justiça seja feita, melhor seria proibir o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil."
SANDRO CÉSAR GALLINARI (Praia Grande, SP)
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"É de um puritanismo extremo a nova lei que pune exageradamente quem beber antes de dirigir. Que o álcool está diretamente relacionado a boa parte dos acidentes fatais no trânsito todos sabem, mas agora prender motoristas nas cidades por consumirem três copos de cerveja antes de dirigir sob o argumento de que representam um risco a si e aos demais, isso é um absurdo. Posso até concordar com a tolerância zero nas estradas brasileiras, já que a velocidade é maior. Entretanto, que lógica tem prender pessoas que beberam, mas não estão embriagadas? Ou, o que é pior, a taxa permitida é tão absurdamente baixa, que pessoas que comam bonbons licorosos, ou comidas que levem conhaque ou vinho, também podem extrapolar o limite. A antiga lei era sensata nesse ponto. Os nossos notáveis representantes puritanistas, se queriam fazer algo de bom para a sociedade, sem atacar as liberdades individuais, deveriam aumentar a punição dos que fossem flagrados embriagados ao volante, jamais considerar incapazes os que beberam comedidamente e estão aptos a dirigir.
Por fim ainda me pergunto: agora, mais do que antes, já não está na hora de São Paulo, das diversas noitadas, passar a ter transporte público 24 horas todos os dias, especialmente aos finais de semana?"
WADY ISSA FERNANDES (São Paulo, SP)
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Bebês abandonados
"Está ficando comum no Brasil pais e mães 'esquecerem' bebês dentro de automóveis. Um dos bebês morreu, outro foi levado junto com o carro por ladrões. A mãe foi presa e pode ser condenada por abandono de incapaz. O Ministério Público, diligente em todos os casos, tratou de processar os pais cabeças-ocas, ameaçando tirar-lhes a guarda dos filhos.
São todas ocorrências na classe média. Estranho que a mesma diligência e preocupação não frutifiquem quando se tratam dos milhares de mendigas que esmolam com bebês pelas ruas da cidade. Alguns bebês são até alugados. Neste inverno gelado, bebês expostos à noite para render uns trocados. De dentro de seus automóveis pagos pelos impostos, os senhores procuradores não vêem isso? Quais providências tomaram? Não soube de nenhuma mendiga que tenha perdido a guarda desses bebês irresponsavelmente gerados."
ALVARO TADEU SILVA (São Paulo, SP)
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Eleições
"Terminadas as convenções dos partidos,os candidatos já aparecem. Com eles propostas que parecem promessas. Todos parecem saber resolver de maneira simples problemas seculares e complexos da saúde, educação e do desenvolvimento humano. Na verdade, tudo é um processo evolutivo e ninguém é 'superpolítico' que sabe resolver tudo sozinho.
Sem a participação do povo nas propostas e resoluções de problemas não haverá rápido desenvolvimento.
O povo sabe 'onde dói seu calo' e aqueles que não ouvem os anseios populares governam para uma minoria que cobrará um retorno de seus investimentos.
O candidato ideal deve ser verdadeiro e conhecedor de seus limites. Não é ele que manda. Ele ouve o povo e executa a vontade do povo. A época dos coronéis deve chegar ao fim!"
PAULO ROBERTO GIRÃO LESSA (Fortaleza, CE)
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"O ministro Lupi, do Trabalho (PDT), declarou que a população é mais esperta do que se pensa, quanto às denúncias da PF contra o deputado Paulinho, que vai apoiar a condidatura de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo. Será que não deveria aparecer uma tarja preta quando da propaganda da ex-ministra avisando que os apoios que recebe são duvidosos e podem fazer mal à ética e a moral que o PT tanto defendeu, ou é para ser assim mesmo?"
FRANCISCO DA COSTA OLIVEIRA (São Paulo, SP)
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PAC
"Certamente não causará espanto na sociedade a notícia de que o indigitado PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) já 'pagou' somente a três empreiteiras a bagatela de R$ 1 bilhão. Em quais obras? Parece que tudo é normal nos dias de hoje. Nem os mais politizados --sobretudo a oposição, se é que a temos-- caíram ainda na real de que esse plano mirabolante do governo Lula, além de eleitoreiro, tem algo mais em suas entranhas."
JOÃO CARLOS GONÇALVES PEREIRA (Lins, SP)