Educação
"Aos queridos representantes do TPE (Todos pela Educação) que clamam por lógica empresarial e repudiam os motivos da atual greve de professores gostaria de perguntar:
É lógico não haver plano de carreira para um professor da rede pública de ensino fundamental e médio? É empresarial o funcionário só ter chances de ganhar mais se trabalhar mais e se cansar mais, não importa há quanto tempo dá aulas? É lógico não haver contratações ou investimento em qualidade ainda com grande demanda do serviço? É empresarial não haver reajuste de salário há mais de quatro anos, e depois oferecer um aumento que nem acompanha a inflação?
Não é nem lógico e nem empresarial, para não dizer justo, pagar R$ 1.042 por um serviço de alta responsabilidade que é exercido por mais tempo que as 40h mensais dentro da sala de aula, a um graduado de nível superior.
Ou Viviane Senna não reconhece a importância da educação de base, e sua organização é só para que ela e outros empresários durmam tranquilos; ou ela, e qualquer um deles, não têm filhos na rede pública e não sabem o nível de sucateamento em que ela se encontra.
Seria maldade dizer que, por saberem desse estado precário e por exatamente valorizarem a educação de base, não estão errados em colocar seus herdeiros em escolas particulares."
STEFANIE JORDAN (Campinas, SP)
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"É espantoso como pessoas que nem sequer cuidam de suas vidas e seus próprios problemas dão palpite na vida dos outros. Um casal é sujeito a processo por optar pela educação domiciliar por obra de denúncias. Com justo respaldo, afirmarão os legalistas e sociólogos: "o Estado tem obrigação de zelar pelos menores' e que "as crianças terão dificuldade em adaptar-se à sociedade". Entretanto, ninguém pode afirmar que os educados em casa terão dificuldades de adaptação a sociedade. Quem sabe qual o resultado no futuro? Alguns milionários com um mínimo de escolaridade começaram vendendo pentes."
CARLOS GONÇALVES DE FARIA (São Paulo, SP)
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Lei seca
"A 'lei seca' brasileira no trânsito é a adoção de uma solução radical para um problema insolúvel. Uma daquelas poucas originalidades tupiniquins que elevam o Brasil a uma posição de destaque no mundo, relativamente à coragem e clarividência de seus legisladores. Muito embora, de imediato, na prática, a aplicação da lei apenas venha a inflacionar a proverbial 'cervejinha' paga à fiscalização, não é difícil vislumbrar que, a longo prazo, uma lei com esse grau de rigor terá o poder de modificar o desgraçado hábito brasileiro de beber álcool e sair dirigindo. Tivesse sido adotada, por exemplo, 10 anos atrás, quantas vidas teriam sido salvas e quanto sofrimento humano teria sido evitado... Haverá idiotas de plantão para impugnar a constitucionalidade da lei, almejando, na verdade, popularidade e, quiçá, clientela. Entretando, é necessário que se saiba: não existe liberdade constitucional para ingerir substância psicotrópica e transformar o veículo em um assassino virtual."
JORGE JOÃO BURUNZUZIAN (São Paulo, SP)
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"Numa sociedade em que ter o mais potente, bonito e veloz carro (um para cada habitante das grandes cidades) e destreza em operá-lo de forma agressiva e a garantir estar sempre na frente dos outros é ícone de sucesso, competência e virilidade (independente do gênero), parece-me hipócrita e ineficiente a recente 'lei seca'. Experimente, por exemplo, dirigir em uma estrada seguindo a sinalização que proíbe a ultrapassagem em muitos trechos perigosíssimos e veja a reação de todos (inclusive dos 'politicamente corretos' que dizem não beber e dirigir e até cumprem).
ALESSANDRA BUSTAMANTE (Belo Horizonte, MG)
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MST
"Gostaria de perguntar ao sr. Osvaldo Russo de Azevedo, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT (Painel do Leitor Online, 26/6), quais as contribuições ou benfeitorias que o famigerado MST --que no meu entender é dito social, mas esconde em suas entranhas coisas estranhas-- proporcionou à sociedade a não ser prejuízos, causados pelo vandalismo planejado com 'modus operandi' de guerrilha, como as costumeiras invasões/depredações de instalações públicas e privadas, invasões de propriedades legítimas, emboscadas, seqüestros, cárcere privado, desobediência civil e tantos outros males que é difícil enumerá-los. Sob as benesses, o manto da impunidade e a conivência do governo petista, seguem tentando justificar sua existência. Até quando teremos, cidadãos pagadores de escorchantes impostos, de sustentá-los à beira dos caminhos sem nada produzirem, nessa aventura que parece não ter fim? A verdade é que muita gente, sobretudo que nunca trabalhou a terra e talvez nem conheça qualquer tipo de semente, está vivendo à sombra e às custas de uma pretensa política de reforma agrária sustentada com dinheiro público, mas que no fundo não é o que pretendem. Nada mais justifica sua existência. Têm, sim, os promotores suas razões para querer bani-lo."
JOÃO CARLOS GONÇALVES PEREIRA (Lins, SP)
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Ipea
"É preocupante saber que um dos mais renomados institutos de pesquisas econômicas do país talvez esteja sendo censurado na elaboração exata de seus estudos e análises. Afinal, para que servem os dados inflacionários elaborados pelo governo? Para o cidadão comum é difícil poder acreditar nos indicadores econômicos divulgados, mesmo porque tudo tem aumentado muito mais do que as projeções. Começo a acreditar que estamos vivendo numa pseudodemocracia, de pseudodados e pseudogovernantes."
RICARDO BERTINI FILHO (Campinas, SP)
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Copa de 1958
"Parabenizo a Folha pela excelente cobertura da Copa de 58. A republicação das matérias da época permitiu que nós, leitores mais jovens, revivêssemos o espírito daquela Copa --além de nos introduzir, de certa maneira, nos bastidores da vitoriosa seleção. O Especial publicado em 29/6 também está de parabéns."
MARCOS ROBERTO TEIXEIRA DE ANDRADE (Juiz de Fora, MG)
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h2.SUS
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"Muito importante o debate desta Folha sobre as organizações sociais de saúde. Como médico venho trabalhando há dois anos em um hospital regional gerenciado por uma OSS. Como contumaz defensor do Sistema Único de Saúde, tenho que dar o braço a torcer. O hospital administrado pela OSS prima pela eficiência e qualidade do atendimento, ao contrário de outros hopitais com administração pública tradicional nos quais trabalhei. Acredito ser mais fácil corrigir os erros apresentados pelo sr. Francisco Batista Jr. (Tendências/Debates, 28/6), como transparência e universalização dos atendimentos, do que melhorar um modelo já exaurido de gestão pública. Sem dúvida ainda existe muito espaço para os hospitais com gestão publica, mas com a expansão do modelo de OSS, a meu ver, quem ganharia seriam os pacientes do SUS."
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p(tagline).CASSIANO BARBOSA (Marabá, PA)
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Ruth e Silvinha
"A mais velha, 77 anos. A mais nova, 56.
A mais velha, uma mulher do seu tempo, culta, transgressora, elegante, reservada porém carismática, que nunca ficou à sombra do marido também intelectual e famoso. A mais nova, uma menina doce, serena, dona de um vozeirão maravilhoso que o Nelson Motta uma vez comparou à voz de Janis Joplin.
A mais velha viveu as agruras do regime militar, por ser antropóloga por excelência, uma cabeça pensante como poucas, e ainda por cima casada com um sociólogo de renome internacional, com quem teve três filhos, duas meninas e um menino. A mais nova teve a coragem de se casar com um dos maiores 'bad boys' da Jovem Guarda (e todos diziam: 'esse casamento não dura um mês'), fazer esse homem feliz por quase 40 anos, abdicar de sua carreira de cantora quando estava no auge e vendia mais de 1 milhão de discos para cuidar desse amor e dos filhos, uma menina e um menino.
A mais velha voltou ao Brasil de um exílio imposto pelo regime militar conhecida nos meios acadêmicos como a maior antropóloga que este país viu. E sua tese de mestrado, chamada "O Papel das Associações Juvenis na Aculturação dos Japoneses", de 1970, fez com que muitos finalmente entendessem a alma desses imigrantes de olhos puxados, vida dura e prontos para serem felizes onde quer que vão, onde quer que estejam. A mais nova, filhos criados, retomou a carreira de cantora nos anos 90. Tempos outros, viu sua arte restringir-se quase que aos jingles publicitários. Gravou mais de 2.000, e sua voz linda, potente e sensual ainda pode ser ouvida em nove entre dez jingles atualmente no ar nas mídias.
Ambas morreram na semana passada. Nem sei se chegaram a se conhecer pessoalmente, mas deixam para todos nós um só exemplo, de vida, inteligência, dignidade e perseverança.
Ruth Cardoso, paulista , e Silvinha Araújo, mineira, deixam uma vasta obra de vida, palavras e atitudes que vai ainda nos tocar fundo por muito tempo."
CLÁUDIO GARCIA NÓVOA (São Paulo, SP)