Painel do Leitor
12/07/2008 - 02h30

Polícia Federal

"É revoltante ver tanta preocupação com a espetacularização de prisões decretadas judicialmente. As vozes nunca se levantam no mesmo tom quando são feitas sem mandado judicial, sem provas, desde que o preso seja um desconhecido ou um pobretão. Nossas instituições estão apodrecidas pela ação sempre impune dos marginais que manipulam os poderes constituídos. Recursos públicos e esforços que deveriam ser carreados para o bem-estar progressivo da população vão alimentar as contas polpudas de criminosos que corrompem nas páginas econômicas e políticas, mas que levantam tantos protestos quando passam, ainda que rapidamente, pelas policiais."

MARCO ANTONIO BANDEIRA (Rio de Janeiro, RJ)

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"É de se ficar indignado como os três poderes atuam no Brasil, sugerindo que essas instituições estão voltadas exclusivamente para o capital/mercado e não para a nação. O episódio das prisões preventivas de Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas revela o descompasso entre o STF e a PF na forma de interpretar a Carta Magna. Se a PF investiga com seriedade as denúncias, o mesmo parece não ser o modus operandi do STF. Além disso, são cada vez mais claras as intrínsecas relações de nossas elites, ao revelar, mais uma vez, que a Justiça brasileira parece utilizar pesos e medidas diferentes para levar um cidadão aos tribunais. Crimes de corrupção, sonegação, suborno, tráfico de influência e tantos outros que envolvem funcionários públicos, políticos, partidos, grupos empresariais e sindicatos devem ser banidos definitivamente do cotidiano brasileiro. A nação brasileira, um pouco mais consciente de sua condição social e política, desacredita mais e mais dessas instituições que dizem ser democráticas e republicanas. Infelizmente!"

ORSON JOSÉ ROBERTO DE CAMARGO (São Paulo, SP)

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"A decretação da prisão preventiva de Daniel Dantas pelo combativo juiz De Sanctis merece aplausos e restaura a credibilidade da Justiça, duramente abalada após a apressada e ilegal decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, de revogar sua prisão temporária, em caso aberrante de usurpação da competência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e do Superior Tribunal de Justiça. A coragem com que se pautaram os principais atores do processo --os delegados da PF que representaram pela prisão, o procurador que a endossou e o magistrado que não se acovardou diante da ordem frontalmente inconstitucional proferida pelo ministro Gilmar--, é um claro recado aos transitórios detentores do poder, antes tão acostumados a dar a primeira e a última palavra em nosso país: autoridade alguma da República pode impunemente passar por cima da Constituição."

LUCIANA SPERB DUARTE (São Paulo, SP)

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Senado

"Não sei o motivo de tanto estardalhaço em relação ao novo 'trem da alegria' criado pelo Senado, dando de presente a cada senador mais uma vaga em seus gabinetes, possibilitando a contratação de mais um parente (desculpe, onde está escrito parente, leia-se assessor). Se nossos senadores não fazem nada mesmo, torna-se necessário que seus gabinetes estejam abarrotados de assessores para que, pelo menos, pela falsa movimentação causada por um bando de parasitas, seja passada para a opinião pública a impressão de que haja em cada gabinete uma grande efervescência funcional."

JÚLIO FERREIRA (Recife, PE)

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Lei seca

"O Brasil está mudando finalmente: a lei seca é a prova de que é possível mudar para um país melhor. Antes o número de mortes nas estradas já ultrapassava o número de homicídios. A multa de R$ 955 é pouco, pois, para quem tira uma vida, não há valor que pague. A nova lei é mais rígida, mas só assim podemos ver resultados, resultados que já se tornaram uma realidade."

RICARDO L. CARMO (São Paulo, SP)

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"O mais interessante da lei seca é que, se a polícia estivesse fiscalizando antes como está fiscalizando hoje, a lei antiga também estaria salvando vidas. Dizer que o endurecimento da lei está dando resultado é mentira: o que está dando resultado é o endurecimento da fiscalização."

FELIPE GODOY BARRADAS (Sales Oliveira, SP)

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Aborto

"Sejamos realistas: se a ínfima parcela da população com formação universitária é majoritariamente favorável à descriminalização do aborto, e se as pessoas com escolaridade até a quarta série continuam achando que interromper uma gestação é o mesmo que matar criancinhas, fica óbvio que a rejeição ao aborto no Brasil é fruto da ignorância. Ninguém é tolo de achar que a melhor maneira de controlar a maternidade é fazer um aborto atrás do outro! O certo é que homens e mulheres tenham acesso a métodos contraceptivos, além de informação suficiente para evitar a gravidez indesejada. Mas incidentes acontecem, e é lamentável que o Congresso reflita justamente a vontade das camadas menos informadas da população. Lamento que os destinos de mulheres de todas as idades e camadas sociais estejam nas mãos de mentes e corações obscurantistas."

SÍLVIA LUIZA LAKATOS (São Paulo, SP)

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"Com a rejeição pela CCJ da Câmara dos Deputados de dois projetos que propunham a descriminalização do aborto, faz-se oportuno ponderar sobre a questão de 'legalizar ou não' a morte do embrião humano. Não basta ao ser humano dizer-se cristão ou ateu, ou falar de separação entre Igreja e Estado ou entre fé e ciência, mas sim tratar do assunto com seriedade, bom senso e respeito à ética, e perguntar a si mesmo: e se minha mãe, rica ou pobre, letrada ou analfabeta, branca ou negra, tivesse me abortado?"

BISMAEL B. MORAES (Guarulhos, SP)

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Lixo

"É louvável e corajosa a iniciativa do prefeito Gilberto Kassab que eliminou a poluição visual da cidade e mandou para o lixo um monte de baboseira publicitária. Mas nem tudo são flores. Basta um passeio pelo centro da cidade para constatar a situação lamentável da sujeira em todos os cantos e das raras lixeiras de plástico que não duram um dia sequer --são quebradas diariamente. E não é só isso. Sacos cheios de lixo são deixados pela própria prefeitura, durante o dia, nas principais esquinas e pontos turísticos da cidade --em frente ao Teatro Municipal, por exemplo. Lamentável."

RICARDO ACEDO NABARRO (São Paulo, SP)

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