Propaganda
"Brilhante e esclarecedor o artigo 'Proibir, simples assim'. de Gilberto C. Leifert no 'Tendências/Debates' de hoje. Realmente, os 'xerifes' de plantão querem, na sua maioria, sabemos, cercear a liberdade. A carta emanada do 4º Congresso Brasileiro de Publicidade realizado semana passada em São Paulo em seu último parágrafo, dá o tom para um regime democrático: 'A publicidade livre e responsável sustenta a liberdade de impressa, assegura a diversidade das fontes de informação para a sociedade e a difusão de cultura e entretenimento para toda a população'."
ALCEU GANDINI, presidente do Conselho de Administração e Diretoria Executiva da APP-Associação dos Profissionais de Propaganda (São Paulo, SP)
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"O senhor Gilberto Leifert queixa-se da falta de liberdade no setor de propaganda, que a cada período vem sendo mais regulamentado e controlado. De fato, o artigo dele é um belo exemplo do que é a Propaganda com P maiúsculo, ou seja, uma peça retórica que convence ser ouro o barro. Argumentos sofismáticos e pernósticos tentam tornar justo o injustificável. O senhor Gilberto não fala o óbvio: a ostentação da propaganda de produtos de grandes empresas influencia e cria hábitos nocivos em crianças, adolescentes e adultos menos críticos (algo em torno de 95% da população). É engraçado como a liberdade só é lembrada e evocada quando um grupo poderoso se sente ameaçado. O fato de o senhor Gilberto escrever num jornal de grande penetração e influência como esta Folha é o exemplo maior de que há liberdade suficiente para o debate, mas estender isso à prática de imposições, sutis ou mesmo agressivas, já é outra conversa."
FÁBIO ELIONAR DO CARMO SOUZA (Volta Redonda, RJ)
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"O sr. Gilberto Leifert, que preside o Conar, tenta justificar a auto-atribuída auto-regulamentação. E lógico, busca descaracterizar toda a tentativa externa de controlar a publicidade, como se isso fosse um crime e como se a sociedade pudesse caminhar sem leis e sem regulação. Esse sacerdote do liberalismo usa de argumentos cínicos como 'liberdade de escolha' para crianças diante de propagandas de guloseimas, e se insurge contra a argumentação científica, como se a ciência fosse irmã siamesa da intolerância, ou como gostam de chamar, de 'tutelagem'. Ora, a própria publicidade não faz outra coisa senão tutelar as mentes dos consumidores, trabalhando no desejo, e nas delícias do consumismo, e isso é especialmente notável nas crianças. Não fosse assim a maioria dos países democráticos não teria aumentado recentemente o controle sobre a publicidade infantil, contra o cigarro de modo muito vigoroso e, agora, contra a bebida. Os dados estatísticos estão aí para calar qualquer 'auto-regulamentador', cujos interesses financeiros são inconfessáveis."
HERCULANO KELLES (Belo Horizonte, MG)
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"Concordo com Gilberto Leifert que proibir a publicidade não acabará com problemas de saúde ou educação neste país; também concordo que as pessoas não são estúpidas. Mas, francamente, afirmar que anúncios publicitários brasileiros atuais 'ajudam a decidir' ou ainda que 'podem ser pedagógicos' é de uma demagogia sem tamanho. Um ator que dirige um sedã 2.0 enquanto uma cidade é destruída, pessoas gritam e fogem nas ruas, mas que sente no paraíso quando entra em seu carro, ajuda a decidir sobre o que exatamente? Siliconadas de biquíni lançam mensagens pedagógicas porque no vídeo aparece uma tarja em que se lê 'se beber não dirija'? Não se trata de moralismo, não tenho absolutamente nada contra nudez em publicidade, mas tudo contra pobreza de idéias. Em tempo: Leifert cita Michael Klein, das Casas Bahia, para reforçar que a 'classe C está mais exigente'. Então por que a publicidade da empresa (e outras similares) insiste em gritos desagradabilíssimos, mensagens marteladas à exaustão? Será que é isso que faz os produtos venderem mais ou o fato de os consumidores buscarem melhores preços? Para tanto, não é necessário nos tratar como estúpidos, certo?"
MARÍLIA MEZZOMO RODRIGUES (Florianópolis, SC)
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"Adoramos regular a vida dos outros por meio de decretos. Há, entre nós, uma sanha legisladora, uma idéia quase mágica de que ao editar, em moto-contínuo, leis e mais leis, os problemas estariam eliminados. Gilberto Leifert expõe com precisão uma vertente desta falsa saída para problemas graves, cuja solução passa pela educação, pela informação, pela liberdade, pela distribuição justa de renda e não por uma determinação cômoda, lei que 'pega' e fácil de fiscalizar, que infantiliza o cidadão e retira dele o livre-arbítrio."
LUIZ MÁRCIO RIBEIRO CALDAS JUNIOR (São Paulo, SP)
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"O artigo de Gilberto C. Leifert quer confundir o leitor ao relacionar liberdade de expressão com propaganda. A proibição de propaganda de cigarros e bebidas alcoólicas, por exemplo, não fere em nada a tal 'liberdade'. Ele defende a liberdade das empresas de comunicação faturarem mais com propagandas, com a regulação feita por eles mesmos! Querem fazer o que bem entendem e, para ficar fácil a 'justificativa', dizem que o caminho é aquela palavra mágica: educação. Simplesmente ridículo."
JOÃO HUMBERTO VENTURINI (Piracicaba, SP)
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Multas
"O previsto aumento nos valores das multas mostra que o governo, ao invés de investir na educação do trânsito, prefere arrecadar muito mais com a falta dela."
CARLOS GASPAR (São Paulo, SP)
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Rodada Doha
"União Européia e Estados Unidos --que só querem levar vantagens-- estão culpando o Brasil pelo impasse na Rodada Doha, e a declaração do chanceler Celso Amorim, na minha opinião, foi muito apropriada. Quem fabrica automóveis, eletrônicos, software, hardware, alimentícios, higiênicos, perfumaria, a maioria dos farmacêuticos e até supermercados etc. não são empresas nacionais, mas estrangeiras. Façamos o seguinte: nacionalizemos todas as empresas desses países, como fizeram Bolívia, Venezuela etc., e depois sentemos outra vez na mesa de negociação, com trunfos."
MÁRIO ALVES DENTE (São Paulo, SP)
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Agrotóxicos
"Sou agricultor há 30 anos no entorno do Parque Nacional das Emas (PNE), onde se pratica uma agricultura de alta tecnologia. No decorrer de todos esses anos, nunca notei mortandade de animais de pequeno ou de grande porte em razão do uso de agrotóxicos na região. Observo que os agrotóxicos têm sido frutos de intensas pesquisas da mais alta tecnologia agronômica, usadas mundialmente. Sua faixa de uso é determinada pela toxicidade em relação ao ser humano e não ao ambiente. Portanto é um equívoco o ambientalista restringir seu uso baseando-se apenas na faixa toxicológica que vai de 1 a 4 de forma crescente de toxicidade em relação ao ser humano. O PNE é e sempre foi muito respeitado pela comunidade agrícola local, que tem dado sempre preferência ao uso de defensivos agrícolas de ultima geração, os quais são mais eficientes e menos agressivos ao meio ambiente e ao ser humano. Em 2005, sem qualquer conhecimento dos produtores atingidos e sem nenhum respaldo de estudos ambientais, foi imposta uma faixa de 2000 metros no entorno do PNE, na qual permite-se apenas o uso de defensivos agrícolas faixa 1 (verde), inviabilizando completamente a agricultura de todos os grãos numa área de 87.000 hectares. Onde está a razoabilidade de uma medida dessas, de tamanho impacto social e econômico, tomada sem a devida fundamentação técnica e sem uma ampla e democrática discussão prévia com a comunidade envolvida? Será que por meio de pesquisas agronômicas e ambientais corretas não haveria uma forma de convivência harmoniosa entre meio ambiente e agricultura? Claro que sim. Que o radicalismo de falsos ambientalistas fique de fora!"
FERNANDO BIAGI (Goiânia, GO)
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MST
"Não concordo em absoluto com a defesa que Plínio de Arruda Sampaio faz do MST no Rio Grande do Sul. É um movimento marxista que atua à margem da lei, mantido com dinheiro público via ONGs criadas por setores petistas. Mas, ao contrário do que aconteceu durante o stalinismo e que ainda acontece em Cuba, aqui a imprensa é livre para o dr. Plínio exercer o direito de pensar e escrever. O Ministério Público gaúcho está no seu papel. Já deveria ter feito isso antes."
JOSÉ NELSON DUTRA FONSECA (Curitiba, PR)
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"O artigo do professor Plínio de Arruda Sampaio é desinformado a respeito da posição do Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul que colocou o MST no seu devido lugar: na ilegalidade. Para o articulista, o MP/RS utilizou um tom raivoso e sectário para enquadrar o MST, além de alegar falta de imparcialidade da instituição. Claro, o MP só é imparcial quando não vê a barbárie explícita das invasões de propriedade. Citar a Constituição de 1988 é a costumeira falácia de quem defende a tese de que o MST é um movimento social. Normalmente, nas democracias os chamados movimentos sociais são entidades com personalidade jurídica para que possam ser responsabilizados quando agridem a lei. O MST é tão clandestino que nem sequer se sabe hoje qual a contribuição para a produção nacional de grãos que os assentamentos já deram com seus 20 milhões de hectares recebidos do Incra. O doutor Plínio certamente não recebeu as fotos da recente invasão na Fazenda Southal, em São Gabriel: animais domésticos --cães e gatos-- mortos a pauladas e jogados dentro do poço de água potável que servia à propriedade. Também jamais lhe contaram como se dá uma invasão com cercas derrubadas, proprietários acordados de madrugada na mira de uma arma, armários revirados e adega doméstica bebida ao som de hinos revolucionários. O MP/RS apenas fez o que as pessoas de bem esperavam dele: mandar o MST para o lugar de onde ele nunca quis sair: a clandestinidade. A melhor prova dessa localização do MST é que a entidade sequer pode passar uma procuração para se defender pois falta-lhe a identidade jurídica, o CGC."
ROGÉRIO MENDELSKI (Porto Alegre, RS)
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