Fome
"Instrutivo o 'Tendências/Debates' de ontem, com Ali Kamel replicando ao artigo de José Padilha e Francisco Menezes nessa mesma coluna em 16/7. Instrutivos, aliás, os argumentos de ambos. Óbvio que a condição de subcidadania que a desnutrição resulta, e vice-versa, deve ser denunciada, mas creio que o caráter documental já deveria ter sido há muito superado. Carecemos de ação e nada mais, sem mais firulas. Produtivo seria, portanto, a coragem de documentar a condição precária que é a omissão daqueles que, direta ou indiretamente, seriam os responsáveis em combater essa praga, onde quer que ela se 'confine' em nossas plagas. Dando inclusive nome aos bois. E por falar em bois, e já que boa parte da contenda perdeu-se na minúcia estatística, faço duas sugestões, aliás três:
Primeira: que esta Folha convide algum especialista do Ibase ou do IBGE a fim de aparar as arestas metodológicas, porque reservar a última palavra a um jornalista a respeito de análise tão complexa é o fim da picada.
Segunda: ao sr. Ali Kamel, que consulte um historiador ou um culturalista que verse sobre as práticas da alimentação, para que ele finalmente aprenda que as qualidades da refeição humana não podem ser equiparadas às da ração animal. Um bom papo com o maitre do restaurante de sua preferência já será de bom tamanho.
E, finalmente: ao sr. José Padilha, que da próxima vez que ele apontar uma câmera para alguém impedido socialmente de se alimentar com dignidade, por favor, desligue seu instrumento de trabalho e ponha a mão na massa, algo muito mais simples e infinitamente superior à personificação de cineasta."
CÍCERO SOARES DE ARAÚJO (São Paulo, SP)
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"Sou profissional da área de saúde e quero parabenizar o jornalista Ali Kamel pelo excelente texto ('Tendências/Debates', 23/7), onde, de maneira didática, demonstra o quanto as interpretações equivocadas levam à conclusões também equivocadas. No meio acadêmico, há muito tempo se sabe que o problema hoje do Brasil é o excesso de peso de sua população e que este, nas classes mais carentes, é produzido pela desinformação quanto à qualidade dos alimentos ingeridos. Sou fã incondicional do cineasta José Padilha pelo brilhante filme 'Tropa de Elite', mas sugiro muito cuidado em produzir um documentário baseado em evidências mal interpretadas."
AGEO MÁRIO. C. SILVA (Cafelândia, SP)
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"Esse é o mesmo Ali Kamel que escreveu um livro onde diz que o Brasil não é racista e que é contra a cota para negros nas universidades? É o mesmo que omitiu a notícia do acidente da Gol para dar ênfase na notícia sobre o dinheiro apreendido pelo suposto dossiê anti-tucanos na eleição de 2006? É o mesmo que patrulha ideologicamente livros didáticos que ele julga serem doutrinários esquerdistas? E também é o mesmo que promove uma cruzada contra as favelas do Rio de Janeiro, dizendo para as pessoas denunciarem as ocupações irregulares? E agora ainda diz que no Brasil não há fome."
JOÃO HUMBERTO VENTURINI (Piracicaba, SP)
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Sistema tributário
"O eminente jurista Ives Gandra Martins nos dá uma aula verdadeira do sistema tributário brasileiro, o nó górdio deste sistema atrasado e injusto, mas principalmente e mais relevante é que mostra quem são os responsáveis por esta situação."
MARCOS BARBOSA (Csa Banca, SP)
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"O artigo qualificado, autêntico e corajoso de Ives Gandra Martins sobre a hecatombe tributária que grassa no nosso país nos deixa ainda mais conscientes da atividade espúria e criminosa da máquina governamental arrecadatória. Criminosa sim, porque a ilegalidade e a imoralidade revelam o insofismável desmando, o desvio de finalidade, o uso ilegal do dinheiro público! A legalidade e moralidade administrativas, princípios basilares de nossa Constituição, são vilipendiadas, e o calote aos credores, 'institucionalizado' pelos governos estadual e municipal, com o beneplácito do governo federal. A recusa dos governos em quitar precatórios é imoral sim, mas, acrescento, também criminosa, pois, por força do poder de mando, o governo apropria-se indebitamente de bens pertencentes aos contribuintes, como é o caso das desapropriações, e deixa de entregar o valor correspondente.
O governo frauda o Poder Judiciário, pois sistematicamente deixa de cumprir decisões judiciais transitadas em julgado, como no caso de débitos de natureza alimentar, fazendo com que os credores fiquem anos infindáveis à espera do que lhes pertence. Muitas vezes essa espera termina, não com o pagamento, mas com o falecimento dos credores. O bálsamo para esse 'caos' vem, apenas, das palavras e ações de nobres cidadãos brasileiros, como é o caso do articulista, que, após 50 anos de advocacia, mostra que não desistiu de lutar pelos princípios que sempre defendeu. Parabéns!"
GISELA ZILSCH (São Paulo, SP)
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Israel
"O artigo de João Pereira Coutinho ('Adeus, Israel?', Ilustrada, 22/7) está tão carregado de informações imprecisas e tão saturado de demonstrações de desconhecimento do assunto em pauta que não pode ficar sem resposta. O texto tropeça em todo seu percurso ao forçar uma interpretação concentrada no fanatismo de parcela do universo islâmico, levando o leitor a pensar que todo o Islã é movido a delírios cegos. O site do Memri que o autor cita, sem esclarecer que se trata do Instituto de Pesquisa Midiática do Oriente Médio, criado pelos serviços de informação israelense para traduzir material da mídia árabe e iraniana para línguas européias, certamente não reflete a imprensa islâmica, mas uma certa imprensa islâmica. Para ilustrar mais, vale mencionar a matéria do 'Le Monde Diplomatique' intitulada 'Desinformação à israelense', de setembro de 2005, cuja conclusão é que 'o Memri procura denegrir os árabes e os muçulmanos aos olhos dos ocidentais, apresentando-os como fanáticos repletos de ódio'.
Isso revela a ética do autor, alguém incapaz de indicar que, antes da implantação de Israel a ferro e fogo em terras da Palestina, registrava-se em parte do Oriente Médio relativa tolerância recíproca na convivência entre judeus, muçulmanos e cristãos, que ainda se mantém em países, regiões e cidades, apesar de tudo o que tem ocorrido. Se há organizações que ele chama de terroristas, como a palestina Hamas ou a libanesa Hezbollah, elas tiveram antes de mais nada a postura política pautada pelo próprio Estado israelense, criado com o recurso da violência que aniquilou comunidades inteiras. Diga-se, de passagem, um Estado cujas 'campanhas militares tradicionais', lembradas pelo autor, se recostaram por décadas seguidas no poder nuclear alheio antes de construir o seu próprio. Como Coutinho dá um conselho bem-humorado aos judeus de Israel para que voltem à Europa, seus leitores podem tomar a liberdade de aconselhá-lo a dedicar-se a estudar um pouco mais a história e a cultura do islamismo, ao menos para que não se ofenda o leitor da Folha com artigos tão precários em sua prepotência, como o publicado nesta terça-feira."
MUSTAFA YAZBEK (São Paulo, SP)
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"A carta de Luiz. A de Araújo ('Painel' 23/08) comprova a excelência dos textos de João Pereira Coutinho que a Folha publica, pois só quem consegue expor idéias como o colunista é que se torna vítima de tamanho e raivoso patrulhamento ideológico, que bem articulado tenta inundar as redações e ocupar os espaços dos leitores. Também comprova a maestria do patrulhamento no uso de táticas de manipulação da opinião pública, como as recém mencionadas pelo chanceler Celso Amorim, tática padrão de cartas como a em tela, que parte de mentiras históricas sistematicamente repetidas para tentar rotular o movimento nacional judaico, confundindo-o com os que foram os maiores algozes dos judeus no século 20, como forma de deslegitimá-lo numa inversão de valores e de fatos motivada por puro racismo antisemita."
JAQUES MENDEL RECHTER (São Paulo, SP)
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Antonio Candido
"No último dia 18, Nelson Mandela completou 90 anos. Hoje é Antonio Candido que chega aos 90. Fantasiei um encontro entre os dois, mas não sabia sobre o que poderiam conversar.Talvez sobre a poesia de Leopold Senghor ou de Aimé Cesaire, mas pela auréola que carregam será que precisariam trocar mais do que um abraço? Parabéns e a admiração pelos dois."
PAULO ARGIMIRO DA SILVEIRA FILHO (São Paulo, SP)
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Fichas sujas
"Os valentes juízes que divulgaram a lista dos políticos fichas sujas deveriam divulgar também a relação dos processos que estão aguardando despachos e sentenças nas gavetas de juízes, desembargadores e ministros, bem como os respectivos magistrados omissos, afinal trata-se de escancarada improbidade, que prejudica milhares de pessoas em nosso país."
JOEL COIMBRA (Maringá, PR)
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"A manifestação da Associação dos Magistrados Brasileiros, embora politicamente correta, por tentar esclarecer a população, acerca de políticos com 'fichas sujas', na verdade é um desrespeito aos direitos individuais dos cidadãos. No interior do país, é comum que políticos sejam alvos de perseguição política e até do estrelismo de alguns representantes do Ministério Público. Portanto, qualquer cidadão pode ser processado, ainda que não tenha cometido crime. A Constituição do Brasil, consagra o princípio da presunção de inocência e a manifestação da ABM, não é democrática e afronta o estado de direito, contribuindo para ampliar o estado policial em que estamos vivendo."
ANTONIO CALIXTO (Ribeirão Preto, SP)
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Diplomacia
"O fato de ter sido dito pelo chefe da propaganda nazista de Adolf Hitler não tira a validade da sentença. A frase 'uma mentira dita muitas vezes vira verdade' se encaixa perfeitamente na tática empregada pelos representantes dos países ricos que visam, simplesmente, transferir aos países emergentes a responsabilidade pelas dificuldades e fracassos nas negociações da OMC. O ministro Celso Amorim não tem que pedir desculpas, afinal de contas, quem está se utilizando de métodos de propaganda nazista não somos nós, e sim eles."
OBERDAN BARBOSA (Recife, PE)
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Ônibus
"A Prefeitura de São Paulo passou a oferecer ônibus de madrugada para os freqüentadores de bares da Vila Madalena e da Vila Olímpia. Por que ela não pode estender a medida para o conjunto da população? Os trajetos não deveriam se limitar ao centro e à zona oeste, mas incluir as zonas sul, leste e norte. Aliás, é de se notar que nunca alguém tenha pensado em disponibilizar ônibus de madrugada para funcionários de bares e outros cidadãos que não têm ou não usam carro e também gostam de passear à noite. É claro que a medida tomada beneficia essas pessoas naqueles dois bairros. Mas, não é curioso que só se tomem tais iniciativas quando reivindicadas pelos mais ricos? Isso reforça a tese do Movimento Passe Livre (MPL), de que os ricos deveriam ter seus impostos onerados para subsidiar a gratuidade no transporte coletivo. São eles, patrões de todos os tipos, os verdadeiros beneficiários do uso do transporte 'público'."
GRAZIELA KUNSCH (São Paulo, SP)
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