Santa Catarina
"Por que sempre nos curvamos diante das tragédias? Impotência diante das fatalidades, mas, sem dúvida, por remorso pela imprevidência. Áreas de risco não podem ser ocupadas por seres humanos; caso contrário será deixá-los à mercê das fatalidades e da fúria climática. A tragédia pluvial em Santa Catarina exige a solidariedade dos Estados vizinhos, mas também que os responsáveis pelo descaso com a segurança da população sejam severamente punidos. Mortes, situações de penúria das vítimas e a ameaça das chuvas rondam a tranquilidade dos que felizmente não vivem a desgraça catarinense. Solidariedade é a palavra de ordem, e responsabilidade, a atitude do poder público diante da tragédia."
DORALICE ARAÚJO (Curitiba, PR)
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Coutinho
"Foi insensível e de extremo mau gosto o artigo 'Morte e vida' de João Pereira Coutinho ( Ilustrada, 25/11), no qual asseverou que a vida após 73 ou 74 anos é desperdício.
Em primeiro lugar, porque se baseou em dados provenientes de pesquisas cuja interpretação isolada é equivocada. Em segundo lugar, porque o texto foi tosco, malgrado a pretensão poética do autor. E, em terceiro lugar --e o mais grave--, porque desconsiderou, absolutamente, o impacto e a humilhação desnecessariamente causados aos leitores que já atingiram essa idade. Será que o autor parou para pensar, por um minuto, em como tais leitores se sentiram, ao longo do dia, após lerem o seu artigo? Ao saberem que sua vida, sua importância como fator agregador da família, seus preciosos conselhos, tudo isso é desperdício?
A explicação, no entanto, pode ser encontrada no próprio texto: a pouca idade do autor, 32 anos. Embora embriagado pelo fato de possuir uma coluna em jornal de grande porte, ele ainda tem muito o que aprender a respeito da dignidade da vida humana."
SWARAI CERVONE DE OLIVEIRA (São Paulo, SP)
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"O artigo de João Pereira Coutinho foi uma das coisas mais feias que li na história deste jornal. Insensível, injusto e inútil.
O meu pai é um brilhante advogado de 75 anos, presidente de várias associações, viaja o mundo e desculpe, é muito saudável.
A minha mãe tem 70 anos, trabalha como qualquer pessoa de 32, faz ginástica, cuida da casa, tem amigos e, me desculpe também, mas é saudável.
Conheço muitos dos seus amigos e também são saudáveis!
Porém, os meus pais vem lutando contra uma tristeza há anos, que foi a perda de um filho ainda muito jovem.
Morreu um pouco antes dos 32 anos! A medicina perdeu a batalha para a doença dele.
Os meus pais buscam a cada dia motivos para viverem e fazerem com que o que restou da família sejam pessoas felizes. São exemplos como muitos que existem por aí .
Vocês acham que ler um artigo destes pela manhã quando já se tem 70 anos faz bem a alma de alguém?
O ilustre escritor deveria tratar sua depressão e deixar as pessoas viverem suas vidas felizes."
SILVIA COSTA (São Paulo, SP)
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Cotas
"Infelizmente os editores da Folha parecem desconhecer uma série de estudos científicos sobre o assunto publicados pela Unicamp, USP, UERJ, entre outras universidades.
Parecem, ainda, desconhecer a realização do seminário Discriminação e Sistema Legal Brasileiro, promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho, em 20/11/01, em que o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mendes de Farias Mello, proferiu uma palestra intitulada 'Óptica Constitucional - A Igualdade e as Ações Afirmativas', onde defendeu a constitucionalidade da implementação de ações afirmativas em favor dos negros brasileiros.
Assim, parece que a luta dos editores da Folha contra as cotas raciais é na verdade uma luta favorável as cotas raciais de quase 100% para os brancos nas universidades públicas brasileiras."
CELSO RIBEIRO DE ALMEIDA (Campinas, SP)
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Janio de Freitas
"O artigo de Janio de Freitas de domingo passado ('Se foi, não é nem será') é uma pancada, um momento marcante para a profissão dos jornalistas. É o desabafo de um jornalista veterano que vem a público relembrar a história de sua carreira para mostrar a que ponto chegamos. Até o Juca Kfouri falou dele na coluna esportiva de 24/11. Pensem nisso."
BETH VIVIANI (São Paulo, SP)
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Satiagraha
"Finalmente temos um condenado na operação Satiagraha! É o que dá mexer com gente grande e bem protegida! Nos últimos anos, a Polícia Federal tem feito um excelente trabalho no combate ao crime organizado e à corrupção. Lamentavelmente, alguns de seus manda-chuvas só demonstram grande zelo e obsessão quando se trata de enquadrar e condenar o delegado Protógenes. Já quando se trata de bandidos de verdade --poderosos, influentes, abonados e muito bem apadrinhados-- não se mostram tão zelosos e determinados. Será só incompetência? Ou a eterna síndrome do 'capacho'?"
DELMAR NICOLAU SCHMIDT (Florianópolis, SC)
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"O crime compensa! Perdemos o delegado Protógenes, mentor da operação Satiagraha, da Polícia Federal, que levou à prisão de personagens graúdos do cenário nacional.
Depois do brilhante trabalho realizado, e disposto a continuar a investigar grandes organizações e políticos envolvidos em corrupção, o obstinado caçador de corruptos é afastado da inteligência da Polícia Federal.
Prevaleceu o poder econômico e influência dos investigados. Tinham certeza de que jamais seriam pegos e, como não poderiam estar errados, sobrou para o delegado."
MARCOS ABRÃO (São Paulo, SP)
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Cassados
"Dos 27 governadores eleitos ou reeleitos em 2006 o Tribunal Superior Eleitoral já cassou o mandato de dois deles (Rondônia e Paraíba), havendo a possibilidade de fazer o mesmo em outros seis Estados (Santa Catarina, Maranhão, Tocantins, Sergipe, Amapá e Roraima).
Por mais que mereça elogios, a determinação do TSE no cumprimento de seu dever, demonstrando que já passou o tempo em que nossas autoridades podiam se considerar acima da lei, é fato também que a cassação de chefes do Executivo, em pleno exercício do mandato, produz um ambiente de instabilidade social, com o acirramento das tensões decorrentes da disputa eleitoral, e gera enormes transtornos para a administração pública dos Estados. Não é apenas o governador quem perde o cargo, mas também todo o seu secretariado e funcionários do alto escalão da máquina pública. Não se trata de defender privilégios para essas pessoas, mas sim de reconhecer que a aplicação dessa pena prejudica também o aparelho estatal, paralisando-o.
Melhor seria que o Congresso observasse esse problema, estabelecendo que, para os chefes do Executivo que praticassem crime eleitoral, a pena a ser aplicada seria a de cassação de seus direitos políticos, por um período de quatro a oito anos, iniciando-se o seu cumprimento após o término dos mandatos, preservando-se assim a soberania do voto popular."
ABIMAEL FERRACINNI (São Luís, MA)
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Saúde
"Foi impressionante a coragem do Inca ao divulgar o resultado de estudos que mostram que os esforços e gastos nos procedimentos que visam prevenir o câncer de próstata não se justificam do ponto de vista estatístico. É uma revelação de suma importância para as políticas de saúde pública e que deixa o indivíduo num terrível dilema.
Não menos impressionante foi a virulenta reação corporativista que veio com toda a sua força, obrigando o Inca a rever o seu 'erro'.
Essa situação nos faz lembrar Galileu e imaginar que os técnicos desmentidos devem ter ficado com uma vontade incontida de repetir o velho mestre em sua célebre reação: 'Eppur si muove'."
ROBERTO GODINHO (São Roque, SP)
