Educação
"Li o artigo 'Como interpretar o vandalismo nas escolas' ('Tendências/Debates', 26/11), onde Dagmar afirma: 'O vandalismo praticado é uma forma de chamar a atenção para os repetidos erros e omissões das políticas educacionais'.
Até que enfim alguém teve coragem de dizer que a educação no Estado de São Paulo está numa crise, primeiramente política e secundariamente educacional."
MÁRCIO ALEXANDRE DA SILVA (Assis, SP)
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"Muito bom o artigo de Dagmar Zibas. Apenas complementando: quando ela fala que os professores passaram a ser 'considerados insumos de segunda categoria', vale ressaltar que esse processo começa no Estado e se estende a toda a sociedade. Em uma busca rápida pela internet não é difícil encontrar sites que descrevem o programa de formação continuada do Estado, o Teia do Saber, como um programa de 'reciclagem dos professores da rede pública' (está em uma página do IB-Unicamp ou da Secretaria de Educação do Estado, por exemplo). Não sei se era necessário lembrar: o que se recicla é lixo."
DANIEL GORTE-DALMORO (Campinas, SP)
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Cotas
"O título do editorial 'Cotas de imperfeição' ( Opinião, 25/11) remete a reflexão 'o que é perfeição?' Talvez a imparcialidade seja um sintoma da mesma.
Em relação ao conteúdo do editorial, o contexto onde foram colocadas as palavras mérito e igualdade dá a falsa impressão que o projeto nº 73/1999, aprovado na Câmara Federal, contém injustiça e o Senado tem que corrigi-la.
Discordo. No meu entendimento ele é perfeito para o momento. É correção de rumo, e não atalho só para negros, como querem fazer acreditar.
Em 1889, muitos imigrantes que chegaram ao Brasil tiveram acesso a terras férteis (minifúndios) pelo atalho criado pelo Estado só para eles. Queriam embranquecer o Brasil.
Nós negros percorremos um longo caminho até este ano de 2008. Se o Estado criar atalho para nós, entenderemos como princípio da igualdade. Só que o Estado está atrasado em reconhecer o nosso mérito."
AURÉLIO AUGUSTO G. DA SILVA (Cuiabá, MT)
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"No editorial 'Cotas da imperfeição', o editor expressa uma opinião comum ao debate de cotas raciais, que é a ausência de 'fundamento científico' das raças. Tal ponto é equivocado, uma vez que a ausência de rigor cientifico na definição não provêm da ausência em si, mas da dificuldade de se abordar tal questão cientificamente em um contexto social (de discriminação), tornando o problema circular.
Enquanto a questão racial não for abordada diretamente, sem desvios para a também relevante questão social, todo e qualquer conhecimento cientifico gerado sobre o assunto permanecerá, como agora, desconhecido ao público."
FÁBIO DE A. MACHADO (São Paulo, SP)
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Santa Catarina
"A Folha usou o verbo errado. Saqueia aquele que se apossa com violência, que se apodera ilicitamente. Pessoas desesperadas, que pegam comida em supermercados, como em Santa Catarina, não saqueiam."
MARIO RUI FELICIANI (São Paulo, SP)
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Saúde
"Em relação à nota 'De saída' ('Painel', Brasil, 22/11), o Ministério da Saúde esclarece que a exoneração da doutora Ana Estela Haddad do cargo de diretora do Departamento de Gestão da Educação na Saúde resultou de necessidade administrativa. A decisão partiu de seu interesse em assumir a cadeira de professora efetiva da Faculdade de Odontologia da USP, em decorrência de aprovação em concurso público em fevereiro deste ano. Para tomar posse no cargo, ela não poderia ser detentora de vínculo com o governo federal. No entanto, pela qualidade do trabalho realizado, o Ministério da Saúde já solicitou à reitoria da universidade sua cessão para reassumir o posto, o que deve acontecer após a devida liberação."
PAULO HENRIQUE DE SOUZA, coordenador do Núcleo de Atendimento à Imprensa da Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde (Brasília, DF)
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Bob Wilson
"Compareci no dia 25/11 ao auditório do Masp e fiquei muito satisfeito com a organização do evento 'Sabatina com Robert Wilson'. A meia hora de atraso não condiz com o nível do evento como um todo, mas é algo a que nós, paulistanos, infelizmente, já nos acostumamos.
Ponho-me a pensar sobre o fato de o auditório não ter alcançado sua capacidade máxima de espectadores. Triste fato para uma cidade com uma vida cultural tão intensa e uma classe teatral enorme em relação ao número de cadeiras do auditório. A lotação não ocorreu, mas, ao contrário, o evento 'Sabatina com José Saramago' já é anunciado nas páginas do caderno Ilustrada da Folha com 'lotação esgotada'. Não ouso comparar dois grandes artistas como Wilson e Saramago, apenas especulo se a lotação do evento com o segundo não ocorre por filisteísmo ou por consumismo cultural decorrentes do frisson causado pelo blockbuster do cineasta Fernando Meirelles (sem juízo de valor sobre a obra do artista).
Espero que a Ilustrada possa sempre mais ajudar a difundir e apoiar um pensamento multifacetado em relação à cultura --que é igualmente multifacetada e múltipla--, produzindo eventos ligados às diversas manifestações culturais sem exclusivismos ou comparações.
Suponho que a platéia da sabatina com o encenador tenha sido composta majoritariamente por um público ligado a arte do teatro e, por isso, lamento que só tenha dado tempo de ser respondida uma pergunta da mesma."
p(tagline).GUILHERME YAZBEK (São Paulo, SP)
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Meia-entrada
"Simplesmente lamentável a aprovação pelo Congresso do projeto de lei que limita em 40% o total de ingressos disponíveis aos estudantes. É assim que nossos representantes vêem a educação e a cultura no Brasil: quanto mais exclusão, melhor.
Duvido muito que agora os valores dos ingressos serão reduzidos, como afirmam alguns produtores culturais. Diz-se que é custoso produzir arte no Brasil, porém sobram festas luxuosas em ilhas e castelos produzidas e 'prestigiadas' por muitos dos artistas e produtores que afirmam não ter dinheiro para se produzir arte. Não é contraditório?
A arte virou só mais um produto na prateleira; e o que interessa é o lucro puro e simples. Triste!"
ALISON SALES BEZERRA (São Paulo, SP)
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Morte e vida
"Belíssimo e, como de costume, muito bem escrito o texto de João Pereira Coutinho 'Morte e Vida' (Ilustrada, 25/11). Uma rica reflexão sobre a finitude da vida. Só espero que o desejo do autor não se realize e que ele permaneça por muitos anos em atividade como bom escritor que é. Afinal, Oscar Niemeyer, Bibi Ferreira, Saramago, Adélia Prado, Paulo Autran (até pouco tempo atrás), os artistas do grupo Demônios da Garoa e tantos outros estão aí para provar que idade avançada não significa necessariamente debilidade."
CLÁUDIA R. TEIXEIRA (Belo Horizonte, MG)
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Protógenes
"O fato de o delegado Protógenes Queiroz ter sido colocado em banho-maria pela direção da Polícia Federal convida a duas patéticas constatações:
1) a situação recorrente na máquina burocrática estatal do funcionário que, tendo exorbitado de suas funções, não se sente responsável por prestar contas do cometido a seus superiores --e menos ainda à sociedade-- e 2) o fato de o abuso funcional não ser punido com demissão (como acontece nas empresas privadas), já que no setor público está institucionalizado o incompreensível recurso protelatório de 'colocar o cargo à disposição'."
CLAUDIO JANOWITZER (Rio de Janeiro, RJ)
