Promotor
"Acredito que o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de São Paulo devam responder a esta pergunta: o promotor Thales Schoedl continua andando armado?"
WASHINGTON RAMOS (Teresina, PI)
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"Sinto-me um idiota, um cidadão desprezado e ridicularizado ao ver a absolvição do promotor Thales Schoedl. Mais uma vez esperamos por justiça e ela não veio. Prevaleceu o corporativismo e a falta de respeito com o que é público. Sem dúvida, alguns são 'mais iguais' do que outros na democracia brasileira. Enquanto o mundo assiste a este espetáculo de horror, uma família chora o filho morto e mais um covarde comemora a impunidade. E o que é mais irônico: ele e seus companheiros estão tratando de fazer a justiça no Brasil. Salve-se quem puder."
JOÃO LUIZ MUZINATTI (São Paulo, SP)
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"Uma pergunta que gostaria de fazer aos desembargadores que inocentaram o promotor por homicídio: apesar de ter sido aprovado em concurso público, este homem tem as condições mínimas para portar arma, e o seu perfil emocional é adequado para exercer a função?"
FRANCISCO XAVIER FERNANDEZ (São Paulo, SP)
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"Como cidadã e 'operadora' assídua do direito, estou estarrecida com a decisão do julgamento do digníssimo promotor de justiça Thales Schoedl.
Em total discordância com o promotor Rodrigo Coccaro, que se manifestou no 'Painel do Leitor' em 28/11. Não posso acreditar que ele analise condutas humanas com apenas três meses de convivência.
O instituto da legítima defesa está sendo queimado em hasta pública, vejamos:
'Art. 25 do Código Penal. Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem'. Analisando o fato, será que se encaixa com o artigo mencionado? Creio que não.
A 'moderação' implica na proporção entre o ataque e o revide. Disparar mais de dez tiros seria a mesma proporção à 'suposta' ameaça feita pelas vítimas? Alias, a legítima defesa seria quando o agente não tem outra alternativa senão a agressão para salvar sua própria vida. Vivendo em um Estado democrático de Direito, não posso ver tantos favoritismo. Agora, se o digníssimo promotor não estivesse portando arma de fogo, qual seria sua conduta?
Estamos falando de um fato que ocorreu em pleno dia 30 de dezembro, às 16h, logo na região praiana 'lotada' de pessoas, conforme narrado pelas testemunhas.
Vale salientar que em outras oportunidades o promotor já havia se envolvido em confusões e que, claro, não deveria estar portando arma de fogo.
Só me resta uma dúvida: como um promotor de Justiça, cometendo um crime fútil e absurdo, poderá acusar e fiscalizar a lei com outras pessoas pelo mesmo delito? Na periferia, crimes iguais ocorrem todos os dias e jamais vi uma legítima defesa no julgamento.
Caso o digníssimo promotor fosse ao tribunal do povo, será que teria absolvição?"
LUCIANA RODRIGUES FERREIRA (São Paulo, SP)
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"Acho que o promotor absolvido deve ser julgado por um júri popular. É óbvio que houve corporativismo no seu julgamento atual. Gostaria de saber quantas pessoas como este promotor são assassinadas em situações semelhantes contra as quais ele alega ter se defendido. Não há registro destas ocorrências. Sendo assim, fica claro que, de acordo com nossos juízes, por exemplo, atirar contra políticos se justifica como uma atitude de legítima defesa diante de tanta desgraça, destruição e mortes causadas por eles. Trata-se de uma reação legítima de quem está sendo perseguido e linchado pela falta de segurança, saúde, educação, pelo maior juro do planeta, maior carga tributária do planeta sem retornos, bitributação, falta de investimentos."
JOSÉ EDUARDO O. DE LIMA (São João da Boa Vista, SP)
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Fé e crise
"O artigo de Jorge Claudio Ribeiro ('Tendências/Debates', 28/11) diagnostica a crise da fé, sendo esta crise co-responsável pela precipitação da crise econômica mundial. Não há que se falar em crise da fé quando quase 80% da população manifesta-se crente no chefe do Poder Executivo. Mesmo em meio a este ambiente de fé, a crise eclodiu, revelando que, diferentemente do que defende o autor, não é a fé alicerce de nada, senão da tranqüilidade e alienação daqueles que a tem. Ainda sobre a idéia de fé madura, trata-se de um contra-senso, uma vez que a fé e a análise crítica são posturas mutuamente excludentes, já que a 'opção' pela primeira consiste justamente no afastamento da segunda."
MARCELO OTAVIO CAMARGO RAMOS (Botucatu, SP)
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Saramago
"Na noite de quinta-feira (27/11), fomos presenteados mais uma vez com palavras serenas e idéias instigantes do escritor José Saramago no Sesc Pinheiros. É uma pena, porém, que tão logo foi anunciado que o romancista daria poucos autógrafos devido a sua condição de saúde, várias pessoas tenham dado as costas a ele no meio de sua palestra; saíram correndo e atrapalhando a todos apenas para garantir seu 'pedacinho do bolo'. Assim, aqueles que desrespeitaram a todos e agiram de forma egoísta foram os que conseguiram seu sonhado autógrafo, pois chegaram primeiro à fila, uma fina ironia da sociedade brasileira, um absurdo. Cumprimento aqueles que sentiram verdadeiramente o teor das palavras de Saramago, assistiram-no até fim e o aplaudiram de pé, mas que não conseguiram seu autógrafo em um livro. Foram autografados na alma."
RENAN BARBOSA FERNANDES (Bauru, SP)
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Criacionismo
"Parabéns ao Mackenzie pelo ensino do criacionismo às crianças, para que, desde cedo, elas aprendam a ter fé em Deus. Tomara que outras escolas sigam o exemplo. Centenas de dúzias de pais aplaudirão."
MARCOS STRACHICINI (São José do Rio Preto, SP)
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"Fiquei estupefato ao tomar conhecimento, através da coluna dominical do incansável pesquisador Marcelo Leite (Mais!, ontem), que o conceituado colégio Mackenzie incluiu no currículo de ciências do ensino fundamental 1 o ensino do criacionismo para explicar a origem da vida neste maltratado e fascinante mundo que vivemos. É notório que essa instituição de ensino tem o cunho confessional, mas incluir no currículo de ciências um conceito de cunho estritamente religioso, extrapolando as aulas de religião, como uma explicação 'científica' para a origem da vida, bem como da diversidade das espécies, me deixa num estado de inquietação exacerbada por conta do obscurantismo que denota.
Quem defenderá os interesses dos indefesos pequeninos? Valha-me Saramago!"
JOÃO PAULO DE OLIVEIRA (Diadema, SP)
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Bienal
"Depois de ler todas as baboseiras dos 'achológos' sobre a 28ª Bienal de São Paulo, foi com muita alegria que li na Ilustrada de sábado o artigo de Fábio Cypriano, 'Mostra naufraga em seu vazio'.
Gostaria de parabenizar o jornal por ter um crítico com conhecimento sobre arte, aliado ao talento de escritor."
MARIA GILKA (São Paulo, SP)
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Meia-entrada
"É preocupante o projeto de lei aprovado na Comissão de Educação do Senado com apoio de expressivo segmento da classe artística.
A intenção é não só restringir a meia-entrada nos cinemas, teatros e outros eventos de lazer como estabelecer uma cota (40%) para ingressos dessa natureza. Com isso, categorias tradicionalmente alijadas de um maior acesso cultural por fatores vários, inclusive econômicos, voltarão a sê-lo, num claro e inconcebível retrocesso. Para piorar, o projeto ainda pretende empurrar a conta para o governo (Executivo), que teria de 'ressarcir' os produtores culturais em função da meia-entrada.
A lógica do mercado é interessante. Quando convinha uma divulgação maior das produções nacionais e as bilheterias ficavam à míngua, a meia-entrada era bem-vinda e vista como salvação da lavoura. Agora que o setor se estruturou, e se elitizou, este público passa a ser incômodo, e o Estado é quem deve assumir tal ônus."
ANTONIO CARLOS DE CAMPOS MACHADO JÚNIOR, juiz de direito (São Paulo, SP)