Painel do Leitor
12/12/2008 - 02h30

Dislexia

"Como fui citada no 'Painel do Leitor' em 11/12, faço um esclarecimento sobre minha manifestação publicada em 10/12 a respeito da dislexia. Obviamente há, sim, profissionais terapeutas que muito podem contribuir para desenvolver potencialidades em crianças, jovens e adultos que apresentam alguma dificuldade no processo de apropriação da linguagem escrita. Trabalhos dessa natureza nada têm a ver com aqueles que apenas diagnosticam e tratam objetivamente quadros que envolvem problemas para ler e escrever, sem considerar a complexidade da questão. Com isso contribuem para estigmatizar as pessoas que os possuem, como também pode ocorrer se a lei em pauta entrar em vigor. Sugiro que a Folha promova um debate mais amplo sobre o tema."

CLAUDIA PERROTTA, fonoaudióloga (São Paulo, SP)

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"Causou-me profundo pesar e consternação a reportagem 'Projeto de lei reabre debate sobre dislexia' ( Saúde, 9/12) pela desinformação passada e a falta de conhecimento de alguns profissionais sobre o assunto, como se a existência dos disléxicos fosse um privilégio do Brasil, enquanto que em diversos países do mundo, nos quais o ensino não padece das deficiências do brasileiro, ela continua a existir. Já foi comprovado cientificamente que o cérebro do disléxico é diferente das demais pessoas e não por um acidente ou trauma. A culpa é do ensino deficiente. Eu também entendo que sim. Mas a deficiência está exatamente no que estão combatendo: a deficiência em identificar as pessoas que apresentam esse distúrbio. As pessoas que apresentam o que identificamos como dislexia, no final, se não identificadas e devidamente encaminhadas, acabam abandonando os bancos escolares, rechaçados pelo desconhecimento de professores e profissionais. Se existe ou não a dislexia, ou receba que nome receber, o fato é que muitas pessoas, crianças, jovens e adultos, que estavam em crise nos estudos, na vida pessoal e familiar, resolveram seus problemas e hoje são casos de sucesso graças ao diagnóstico e ao encaminhamento da ABD (Associação Brasileira de Dislexia).
Vamos continuar a jogar crianças e jovens na marginalidade e não se sujeitarem a ocupar posições subalternas na vida social pela simples discussão acadêmica? Mais uma vez, a visão 'do olhar para o próprio umbigo' presta um desserviço à comunidade. Objetivos pessoais e de classes nunca se devem contrapor ao interesse social e de facilitar a vida de gente que pode ser muito produtiva para a nação, ao invés de ficar na marginalidade ou ocupando posições subalternas na sociedade. O projeto do vereador Juscelino Gadelha alcança essas pessoas nos locais em que deve alcançar e busca resolver seus problemas."

JOÃO ALBERTO IANHEZ, disléxico e voluntário da ABD (São Paulo, SP)

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Cultura

"Onde a Folha esconde a secretária-assistente de Redação Vera Guimarães Martins ( Opinião, 11/12)? É a primeira vez em muitos anos que uma opinião lúcida, inteligente e não-conservadora nos ilumina sobre estes vetustos representantes da cultura tupiniquim. Bravo para ela. Coloquem-na na primeira página de cultura e não deixem que sua voz fique escondida por esse tempo todo. Assim os leitores poderão olhar um pouco para frente, e não repetir as imbecilidades cometidas contra o mercado e caterva."

ENEIDA MARIA DE SOUZA (Belo Horizonte, MG)

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Reforma tributária

"É muito fácil saber quem tem razão lendo os artigos de Guilherme Dias (4/12) e a resposta do deputado Sandro Mabel no dia seguinte na seção 'Tendências/Debates' do jornal.
O deputado não respondeu a nenhuma das críticas do economista concursado do BNDES, preferindo o caminho da grosseria desrespeitosa, sempre trilhado pelos destituídos de fundamentos técnicos e que só sabem se mover rasteiramente pela política que se pretende de alto nível.
Mabel tenta atacar Dias esgrimindo supostas motivações partidárias e amizade com o governador Serra, como se uma ou outra pudessem enfraquecer o poder das evidências apontadas. Não conseguiu seu intento e ainda deu mais um exemplo do baixíssimo nível técnico e político do seu relatório.
Guilherme Dias tem toda razão. O relatório Mabel é uma colcha de retalhos costurado em barganhas setoriais. Não pode ser levado a sério."

LUIZ PAULO VELLOZO LUCAS, deputado federal pelo PSDB-ES e presidente do Instituto Teotônio Vilela (Brasília, DF)

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Acidente aéreo

"Quanto ao acidente com o avião da Gol em 2006, gostaria de saber por que não se divulgaram as falas dos pilotos do Boeing da Gol. Há um 'buraco negro' nesse ponto que os noticiários têm esquecido de informar."

PAULO ARY DIAS RIBEIRO (Santos, SP)

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"Fico realmente impressionado com as opiniões dos investigadores no acidente do Boeing da Gol e do Legacy. Como podem dizer que os pilotos não têm culpa pelo fato de o transponder entrar em 'stand-by' e, minutos depois do choque, reativar normalmente?
Dizer que os pilotos não tem culpa é mostrar ingenuidade ou falta de informação sobre o uso deste equipamento."

LUIS DONADIO (São Paulo, SP)

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STF

"É triste assistirmos a essa degradação moral no poder Judiciário. Agora só falta algum comentário do atual presidente do STF condenando a Polícia Federal pela prisão do presidente do TJ-ES e seus asseclas."

MAURÍCIO ANDRADE RUAS (Belo Horizonte, MG)

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Rondon Pacheco

"Rondon Pacheco, com aquela velha classe e sabedoria mineira política, não só salvou a democracia que viria dentro de uns 15 anos como fez o Brasil devedor, por escapar por sua esperteza clássica, de um ministro da Justiça, e de sua louca proposta de um AI-5, perverso e destemperado. Pacheco mostra porque hoje é a única figura histórica viva de Minas."

JOÃO ROBERTO SPINI MACHADO (Contagem, MG)

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Montadoras

"A divisão entre os congressistas americanos em relação à salvação das montadoras de automóveis não deixa de ter uma certa dose de ironia. Os democratas aceitam o pedido de liberação de muitos bilhões de dólares. Mas os congressistas republicanos colocam vários obstáculos sem levar em consideração que a crise atual na economia mundial tem a ver com a política adotada pelo governo do republicano Bush. Como metalúrgico torço não para que as montadoras continuem obtendo seus lucros fabulosos, mas para que os trabalhadores dessas empresas em todo o mundo continuem no mercado de trabalho. Mas o que se vê nas discussões sobre o assunto é a efetiva possibilidade de redução do nível de emprego. A liberação do dinheiro público tem um toque estatal. Na sua administração, no entanto, prevalece o estilo capitalista. Coisas desse capitalismo do lucro para poucos."

URIEL VILLAS BOAS (Santos, SP)

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Injustiça

"Ultrajante e absurda a decisão da Justiça do Rio de Janeiro de absolver o policial militar que matou com vários tiros uma criança de 3 anos de idade que estava dentro de um carro com sua mãe. É o tipo da decisão que traz revolta e descrença no Judiciário. O referido policial revelou total despreparo e matou gratuitamente uma criança pequena. Sua condenação era de rigor e seria o mínimo que se poderia esperar diante do dano irreparável causado. Não admira o fato de as pessoas não acreditarem nem confiarem mais na nossa Justiça, que é cega, falha, demorada e injusta."

RENATO KHAIR (São Paulo, SP)

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