AI-5
"Excelente artigo de Ferreira Gullar nesta cinqüentenária Ilustrada de 14/12. Artigos como esse servem para diminuir a porcentagem de pessoas que nunca ouviram falar do doloroso AI-5. Ao ler o artigo, pode-se ter em mente o desespero que muitas mães e mulheres sentiram quando os oficiais entravam em suas casas com extrema arrogância! Temos muitos defeitos na nossa democracia, mas nada se compara ao AI-5, que não respeitava a existência dos três Poderes.
RODRIGO TAVARES CORRÊA (Catanduva, SP)
*
"O Ato Institucional nº 5 foi uma exigência de radicais direitistas que endureceu ainda mais os procedimentos adotados pelo comando militar golpista de 64. Assinado numa sexta-feira 13, em 1968, completa agora 40 anos. E mereceria hoje ser lembrada com manifestações de protesto. Mas isto não aconteceu. Os perseguidos daquela época estão espalhados pelo Brasil. Outros já não estão entre nós. E tem até quem mudou de lado e não teria interesse em participar. E não surpreende a pesquisa de que oito em cada dez brasileiros nunca ouviram falar do AI-5.Uma pesquisa não mostraria um quadro muito diferente se fosse feita em relação à Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completou 60 anos de assinatura. Esta é uma situação que merece uma profunda reflexão de quantos ainda lutam por uma sociedade mais fraterna e diferente."
URIEL VILLAS BOAS (Santos, SP)
*
"Há 40 anos, era editado no país o Ato Institucional nº 5, o famigerado AI-5, emblema e soma de uma política que tinha uma dimensão doméstica, mas que também espelhava dissensões que iam pelo mundo. O Brasil estava no mapa dos confrontos da Guerra Fria. E o golpe militar desfechado quatro anos antes era a maior evidência. Pode-se duvidar se as esquerdas marxistas conseguiriam ou não fazer a sua "revolução", mas inegável é que se mobilizavam para tanto. Pode-se duvidar se a esquerda populista, liderada por João Goulart, seria bem-sucedida em desfechar um autogolpe, mas a tentação estava no ar. Inegável é que os radicais de esquerda forneceram todos os pretextos, os verdadeiros e os apenas verossímeis, para o golpe (1964) e para o golpe dentro do golpe (1968). Tanto é assim que o regime militar brasileiro, à diferença de quase todos os seus congêneres latino-americanos, tinha apoio popular. Os brasileiros não endossavam os métodos da esquerda que se preparava para se armar e que acabou se armando. A ditadura fez água quando a economia abriu o bico."
MURILO AUGUSTO DE MEDEIROS (Guará 2, DF)
-
Congresso
"Cumprimento o jornalista Fernando Rodrigues pela coluna 'Bimbalham os sinos no Congresso'.
Perfeita análise comparativa com os Estados Unidos, só que ele deixou de apontar que no Brasil existem três senadores por Estado, ao passo que lá são dois. Esqueceu de mencionar que o PIB americano é muitas vezes superior ao do Brasil.
Mais: o brasileiro paga essa absurda carga tributária para sustentar seus políticos que pensam que a democracia se faz com quantidade.
Democracia se faz com qualidade de políticos."
NELI APARECIDA DE FARIA (São Paulo, SP)
-
Educação
"Sou professora de geografia da rede particular e sei das dificuldades dos meus colegas professores em ensinar e discutir em sala conteúdos de livros didáticos como planejamento familiar, sistema reprodutor humano e sexualidade, entre outros, nas escolas católicas e judaicas mais ortodoxas. Em alguns casos, páginas de livros são suprimidas para não abordar os temas tabus.
É, portanto, uma questão a ser debatida entre os educadores com um olhar mais amplo do que simplesmente fazer a crítica a frio."
CRISTINA CATALINA CHARNIS (São Paulo, SP)
*
"Sobre o fato de 82% dos brasileiros não saber o que foi o AI-5: o povo brasileiro tem memória, sim, o que não tem é conhecimento. E conhecimento é muito mais que uma enxurrada de informações. Na época da ditadura acabaram com as aulas de história e colocaram no lugar o imbróglio chamado estudos sociais. Agora na democracia o governo do Estado de São Paulo reduz as aulas de história. Se o povo não sabe sobre o AI-5, é porque tanto na época da ditadura como agora os governantes continuam negando-lhe conhecimento. Por que as ciências naturais devem ocupar espaço maior nos cursos das nossas crianças e jovens? Será que não estamos formando outra geração de brasileiros desconhecedores da sua história? Será que os nossos estudantes não estão mais carentes de reflexão do que de informação?"
JOSELINA MARIA VILLARES FERREIRA BASTOS (São Paulo, SP)
-
Aposentados
"A leitora Carmen Silvia Ferrari ('Painel do Leitor', 14/12), alegou corretamente que no pacote do governo faltou pensar nos aposentados. Quero lembrar que o artigo 'Receita não pode cobrar IR sobre aposentadoria, diz SJT (Dinheiro, 9/10) mostra que já houve alguma decisão a esse respeito.Todos os aposentados deveriam abraçar esta luta."
MARCELLO C. GATTAI (Campinas, SP)
-
Bancos
"O Banco Central é apontado por todos como o vilão dos juros, mas a verdade é que o juro real no Brasil nunca foi tão baixo. O problema é que os bancos, inclusive os públicos, praticam juros abusivos, com os maiores spreads do mundo. Como pode a Selic ser de 13,75% e o juros do cheque especial de 150% e de alguns cartões de crédito mais de 300%? A desculpa dos bancos e operadoras de cartão é a mesma de sempre: custos administrativos e inadimplência elevada. Como os custos administrativos são altos se o nosso sistema bancário é o mais informatizado do planeta e cada vez mais temos menos bancários atendendo na boca do caixa? E as tarifas abusivas cobradas não pagam esses custos administrativos? Em relação à inadimplência, por que não cobrar juros altos de quem tem histórico de calote e baixar as taxas para os bons pagadores?"
SUELY REZENDE PENHA (Campinas, SP)
-
TFP
"Dom Bertrand e seus asseclas provavelmente não são mesmo nazistas, como muitos pensam, talvez nem sequer fascistas, porém, inegavelmente, professam uma ideologia retrógrada, ultrapassada e racista. Dom Bertrand ao invés de atacar os problemas mais básicos do país, como se esperaria de alguém que é trineto de Dom Pedro, prefere atacar as classes e camadas mais necessitadas e exploradas de nosso país, como o são nossos índios e quilombolas, dizimados e escravizados por séculos, e os sem-terra, pobres que apenas querem um lugar para viver e plantar. Não é à toa que hoje a TFP e grupos correlatos são tão significantes quanto o próprio 'príncipe' Bertrand."
RAPHAEL MUNIZ GARCIA (São Paulo, SP)
