Painel do Leitor
05/07/2006 - 02h30

Seleção



"Não pretendo desmerecer a seleção brasileira de futebol, afinal, ostenta o título de pentacampeã mundial, mas temos que ser realistas. Faltou empenho, comando fora e liderança no campo de jogo. Precisamos sair do conservadorismo e modernizar o futebol brasileiro. Tomemos por base a seleção da Itália, sem grandes astros, mas com um futebol alegre, vistoso, prático. Talvez não tão moderno (laranja mecânica), mas eficiente. Habilidades e estrelismos só não ganham jogo. É preciso espírito de equipe e apetite para vencer."
EDNIR DE LIMA (Maringá, PR)



"Perder faz parte do jogo. Perder lutando valoriza a vitória do adversário e dignifica o perdedor. Pena que nossos jogadores tinham mais tempo para publicidade e menos para treinamento. Os garotos-propaganda, a comissão técnica e alguns ufanistas acharam que ganhar de seleções medíocres na primeira fase os credenciariam para disputar o título. Puro engano. Dessa vez, o juiz não nos ajudou, e a França não perdoou tantos erros."
SERGIO PRAZERES JUNIOR (Florianópolis, SC)




Brasilidade



"É triste perceber que apenas de quatro em quatro anos e, no máximo, por 30 dias, manifestamos nossa brasilidade em torno do único tesão da pátria: o futebol! Com a derrota, voltamos à nossa realidade desbotada e sem encanto. Enquanto os comerciantes retiram as quinquilharias brasilis de suas portas e vitrines, os demais cidadãos rasgam e jogam nas esquinas o que sobrou de bandeirolas e adereços canarinhos. Que bom seria se nos transformássemos o ano inteiro em uma pátria verde e amarela, cheia de garra, respeito, ética e civilidade. O que falta em nós sobra nos hermanos que se vestem de azul e branco a vida inteira."
CARLOS ALBERTO CAMPOS SALLES (São Paulo, SP)




Rotina amarga



"Durante quase um mês, a população brasileira viajou pela Copa mundial de futebol com a sensação e o orgulho de possuir uma seleção favorita e imbatível. O futebol dominou todas as conversas com os amigos e os noticiários impressos e eletrônicos. O nosso povo, tão arredio e disperso, como num passe de mágica, foi mobilizado de norte a sul pelas acirradas disputas entre as seleções dos mais diferentes e distantes países.
Com a vitória da França sobre o Brasil, a população, agora triste, amargurada e cabisbaixa, terá que retomar a rotina amarga da realidade. Os espetáculos, as fantasias, as pirotecnias futebolísticas já não existem mais. Temos agora pela frente o desafio de enfrentar os escândalos semanais, os assaltos dos políticos aos cofres públicos e as surradas demagogias dos projetos assistencialistas do (des)governo Lula."
MIRIAN FERNANDES SIQUEIRA (Belo Horizonte, MG)




Futebol e educação



"Sugiro que a mídia, em geral, e a sociedade, em vez de lamentar a derrota do Brasil, siga a pauta do jogador francês Thierry Henry e passe a dar mais destaque às questões educacionais e a cobrar brilho e desempenho das autoridades responsáveis pelas políticas públicas voltadas à educação."
ROGÉRIO BRITO (Belo Horizonte, MG)



"Declarações do jogador francês Thierry Henry mexeram com os brios do pernambucano Juninho, craque da seleção brasileira. Juninho, como bom nordestino que é, sentiu-se ofendido quando o atleta da França fez a seguinte declaração: 'Quando eu era pequeno, ia à escola das 8 às 17h, e minha mãe não me deixava descer para jogar. No Brasil, as crianças jogam bola das 8 às 18h e ninguém fala nada'.
As palavras de Henry _não sei em quem ele se fundamentou, pois não conheço o seu nível de escolaridade_ vêm bater num problema muito sério que permeia nossa realidade: o descaso com a educação.
No Brasil, o desejo de quase todo menino é ser um dia jogador de futebol, que o diga a música do conjunto Skank. No entanto, talvez o que o boleiro francês não saiba é que o Brasil é um país com mais de 180 milhões de habitantes e, em meio a estes milhões, poucos são os Pelés, os Garrinchas, os Ronaldos e os Romários.
A declaração é procedente e deve servir como reflexão para os comandantes. As crianças jogam futebol demais por absoluta falta de opção, por falta da escola de tempo integral, onde além das disciplinas convencionais haja outras mais práticas, como nos velhos tempos das escolas de arte, das aulas de teatro, dança, carpintaria, corte e costura.
A escola brasileira não assumiu este compromisso com a transformação social da maioria, assim, são muitos os garotos que sonham com os contratos milionários do futebol e são muito mais aqueles que ficam pelo meio do caminho. Nem conseguem ser jogadores, nem estudam, nem trabalham, nem produzem, simplesmente passam por uma sociedade que perpetua o status dominante à custa da miséria e das utopias."
JESUS JOSÉ ROCHA CAMPOS, escritor e professor (Fortaleza, CE)




Eleições



"O ex-governador Geraldo Alckmin teve um brilhante desempenho no programa 'Roda Viva', da TV Cultura. Mostrou, mais uma vez, que está preparadíssimo para ocupar o cargo de presidente da República, pois é um homem inteligente, ponderado, conhecedor dos problemas do Brasil e, além de tudo, tem experiência. É bom o PT e seu chefe Lula da Silva irem se preparando para pôr as barbas literalmente de molho e, por tabela, procurar uma nova boquinha, porque a chapa está esquentando para o lado deles, com o 'bolsa-esmola' e tudo."
JOEL S. DE FREITAS (São Paulo, SP)



"O nordestino morre mais cedo, passa menos tempo na escola e recebe um salário menor que o da média nacional. É o que revelam os indicadores econômico-sociais do Nordeste. Não por acaso, é nessa região que o agora candidato Lula tem seu maior nicho eleitoral, segundo todos os institutos de pesquisas. Com políticas compensatórias para os miseráveis, que não eliminam as causas da pobreza, o presidente centra as baterias de campanha nesses Severinos, os mesmos que já foram descritos, há quase 50 anos, na magistral obra de João Cabral de Melo Neto, 'Morte e Vida Severina', que num determinado momento cita: 'Somos muitos Severinos iguais em tudo e na sina'. E a sina da próxima eleição presidencial, tudo indica, continua nas mãos dos Severinos."
CLEMENTE DE ALMEIDA CAMPOS (Niterói, RJ)




Batalha cultural



"Excelente o artigo 'Don't cry for me Brasil' ('Tendências/Debates', 4/7), de autoria do pianista e maestro João Carlos Martins. Ao ler o artigo, fiquei me questionando qual seria a atitude dos nossos jogadores se houvesse uma redução nos seus salários? Quantos deles continuariam nesta profissão que dizem tanto amar? Como um entusiasta da cultura brasileira, acompanho o esforço de muitos artistas que tentam 'apenas' manter o seu sustento e o de suas famílias com a arte que produzem. Para estes artistas, mais importante do que o retorno financeiro é o prazer de mostrar a sua arte ao maior número possível de pessoas. Para mim, isto, sim, é um exemplo de amor à profissão!
O paralelo traçado pelo maestro entre o futebol e a cultura nacional me fez torcer para que este sentimento de indignação com a nossa seleção também esteja sendo sentido pelo empresariado brasileiro. Que eles aproveitem este momento de 'ressaca da Copa' para se informar sobre todas as possibilidades que existem de apoiar a cultura nacional."
NILO JOÃO TRINDADE (Campo Belo, MG)



"Quero cumprimentar, ou melhor, aplaudir, mais uma vez, o maestro João Carlos Martins pela belíssima obra literária 'regida' por ele no seu artigo 'Don't cry for me Brasil', publicado em 4/7 na seção 'Tendências/Debates' deste jornal. Certamente não poderia haver melhor título para retratar a analogia que o maestro usou para fazer um legítimo manifesto da triste realidade brasileira em relação a nossa cultura. Este concerto merece um bis!
RICARDO R. BELLINO (São Paulo, SP)



"Concordo plenamente com o ilustre maestro João Carlos Martins ('Tendências/Debates', 4/7) quanto ao investimento na cultura ser pífio em relação às outras nações, tanto governamental quanto da iniciativa privada. Ao comparar a orquestra que dirige com a seleção brasileira, diz ele que enquanto excelentes músicos precisam implorar por pequenas verbas para exercer com dignidade o seu nobre ofício 'o jogador está preocupado em usar uma faixa com o símbolo de uma multinacional, sabe-se lá a que preço'. Precisamos de políticas públicas sérias que apóiem com recursos financeiros os talentos do setor cultural e que os governantes e empresários abram os olhos e vejam a cultura como o futebol e constatem que a cultura pode, sim, fazer muito mais aqui no Brasil e no exterior."
TANIA PINHEIRO (Penápolis, SP)




Israel



"Nós, cidadãos brasileiros, membros da B'nai B'rith do Brasil, mais antiga entidade judaica de direitos humanos, com 163 anos de fundação e 74 anos no Brasil, estranhamos a atitude do nosso governo ao chamar unilateralmente a atenção do Estado de Israel pelo fato de tomar uma iniciativa extrema, após
exaurir as alternativas diplomáticas, inclusive com ajuda do Egito e da França, para reaver seus cidadãos seqüestrados sob o beneplácito da facção que domina o parlamento da Autoridade Palestina. No comunicado que o Itamaraty divulgou por ocasião do seqüestro do soldado israelense, não há menção nenhuma à organização responsável pelo fato, publicamente apoiada pelo Hamas, reconhecido internacionalmente como terrorista. Entendemos que o Brasil deva sempre promover o equilíbrio entre as partes conflitantes."
ABRAHAM GOLDSTEIN, presidente da B'nai B'rith do Brasil (São Paulo, SP)




Jabá



"No texto 'O jabá e a liberdade de comunicação', de Lourival J. Santos ('Tendências/Debates', 3/7), foi expressa a correta e infeliz realidade sobre o problema do jabá no Brasil. Queria parabenizar o autor, ao mesmo tempo pedindo sugestões de modo a dar fim a esse mal, porque, enquanto o jabá predomina, a real liberdade de expressão é impossível."
GUILHERME STEIGLEDER DIAS (Florianópolis, SC)



"Sou músico de rua, mas por total falta de mídia estipulada por essa prática inescrupulosa chamada jabá. Longe dos circuitos comercias, que tentam inventar ídolos, diversos compositores promissores não encontram espaço para demonstrar sua arte. Se, em vez de cobrarem jabás, as emissoras de rádio propagassem concursos musicais, não tardariam a aparecer legítimos bons músicos, como ocorreram nos antigos concursos da Record e da TV Globo."
WADY ISSA FERNANDES (São Paulo, SP)




Mentira



"Clóvis Rossi, no artigo 'A mentira dos com-juros' (4/7), acertou na mosca. Veio em casa um professor, meu vizinho, petista, fazer pesquisa do IBGE. Não tenho nada a esconder, mas liberar meu sigilo bancário, minha renda extra-aposentadoria? Nem morto!"
SÉRGIO GARCIA (Ubatuba, SP)




Investir no social



"Gostaria de parabenizar esta Folha pela seção 'Tendências/Debates' de 4/7, onde o sociólogo Floriano Pesaro disserta um texto sobre a verdadeira questão social do brasileiro ('Não dê esmola, dê futuro'). Ele consegue descrever em um simples texto a realidade das pessoas, fazendo com que leitores reflitam sobre o assunto. A Folha poderia investir mais em questões tão importantes como esta. Investir em criar uma consciência mais crítica do povo brasileiro. Chega de tantos assuntos supérfluos, sensacionalistas, que acabam por alienar o leitor!"
CRISTINA RIBEIRO (São Paulo, SP)
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