Muro da USP
"Resposta ao leitor Guilherme Alpendre ('Painel do Leitor', 19/12), que combate a idéia do artigo 'O Muro' ('Tendências/Debates', 18/12).
O muro da USP não foi erguido com a intenção de abafar o 'ruído ensurdecedor'. O ruído não ocorre apenas no trecho da USP. Deveríamos erguer muros ao longo de toda a marginal e demais avenidas ruidosas da cidade? Aquela barreira de concreto reflete o ruído gerado na marginal e o devolve, amplificado pelas infinitas reverberações, aos milhares de ouvidos que ali transitam. Sem o muro, o ruído se dissipa no ar e é absorvido pela massa vegetal. Além disso, os prédios da USP têm recuo suficiente, mais que qualquer outro prédio de toda a marginal. O argumento acústico deve prevalecer, para combater a proposta? Prefiro privilegiar a visão e melhorar a circulação do ar. Ouvidos podem ser tampados; olhos e nariz, não. Poderia dizer: a velocidade da luz é muito maior que a do som, não sei se entende. Mais: o Rodoanel reduzirá o volume do tráfego na marginal. O futuro da locomoção humana não será o automóvel. E meu carro nem tem ar-condicionado."
JORGE RICCA JUNIOR (São Paulo, SP)
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Criacionismo
"Confesso-me darwinista 'de carteirinha'. Normalmente dou boas risadas ao ouvir ou ler os argumentos dos (cientistas?) criacionistas.
Tento, às vezes, explicar para meus conhecidos (não importa a idade deles) a genialidade de Darwin.
A 'sacada' do cara (há quase 150 anos) só pode ser comparada a pouquíssimas outras na história da ciência.
Ao ler o editorial 'Volta o criacionismo' ( Opinião, 16/12), senti 'meu peito em festa e meu coração a gargalhar'.
No segundo parágrafo do citado editorial está dito, como embasamento às idéias criacionistas: 'Sob o argumento de que Charles Darwin não explicou tudo... sua teoria não teria comprovação definitiva'.
Realmente Darwin não explicou tudo. Nem os conhecimentos científicos, recursos técnicos (vejam bem, nem eram tecnológicos), interações entre ciências exatas e biológicas, nem os próprios princípios da genética (Mendel, 1865) eram conhecidos quando Darwin expôs suas idéias em 'A Origem das Espécies' (1859).
Assim, o fato de 'não explicar tudo' se torna perfeitamente compreensível, visto que neste período de pouco menos de 150 anos, o desenvolvimento científico nos deu praticamente tudo o que hoje conhecemos ou utilizamos: nossas roupas e calçados, nossos veículos, nossas comunicações, nossa tecnologia agrícola e industrial, nossas opções de lazer etc.
Realmente, Darwin não explicou tudo. Entretanto, os criacionistas, por mais de 7.000 anos, não conseguem explicar nada. Só conseguem contrapor seu dogmatismo à ciência e aos caminhos do conhecimento.
Não bastasse as minhas próprias convicções, eis que na mesma edição da Folha (caderno Ciência) sou presenteado com interessante artigo sobre 'Gene egoísta' (com direito a uma fotografia 'voyeurista' de duas singelas Drosophillas).
Quem tem a formação adequada e a cabeça aberta para interpretar o darwinismo entenderá o dito artigo como mais uma explicação da não-explicação. Mas esta é uma conversa que dá pano para muita manga, e tem gente mais preparada que eu para dar-lhe seguimento."
JUNIOR JOAQUIM CURY (Bertioga, SP)
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Cartórios
"Vou aproveitar o gancho da reportagem da Folha sobre os cartórios brasileiros para relatar uma experiência recente. Fui a um deles para reconhecer a minha firma (assinatura) em dois documentos diferentes. Em um deles me cobraram R$ 2,75 por assinatura, e no outro, R$ 4,50. Perguntei a atendente o porquê da diferença e ela me explicou que um dos documentos trazia valores (o mais caro) e o outro não. Perguntei se o cartório analisava o documento e se o mesmo se responsabilizava pelos seus termos, sendo informado que não. O trabalho do cartório se resumia apenas a conferência, pura e simples, da autenticidade ('semelhança') da minha assinatura. Perguntei-lhe, então, por que a diferença de valores, já que as assinaturas eram as mesmas em ambos os documentos e eles estavam, simplesmente, conferindo as assinaturas, não o conteúdo (com valor, sem valor...). Ela me informou que era orientação da corregedoria.
Gostaria de entender por que a simples conferência de uma assinatura pode ter valores diferentes de acordo com os documentos onde elas foram grafadas.
Observação: a conferência de assinatura no documento de transferência de veículos custa R$ 7,15. Depois não se sabe por que o termo 'cartorial' tem significado altamente pejorativo."
ANTONIO PEDRO DA SILVA NETO (Santo Amaro, SP)
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Emprego
"A Folha de S.Paulo, de jornal respeitável que era do final da ditadura militar até 1989, regrediu aos tempos de 'Notícias Populares'. A manchete na edição online de 19/12 é um exemplo grotesco de mistificação: 'Desemprego aumenta, diz IBGE'. Manchete do Estadão, concorrente teoricamente à direita: 'Desemprego mantém-se estável'. Qualquer um sabe que comparações estatísticas econômicas precisam balizar-se pela questão sazonal. No ano, o desemprego diminuiu. Desemprego nunca foi manchete nos anos tucanos, quando todos os recordes históricos foram batidos. Que tal um banho de honestidade e comparar os dois governos nesse quesito crucial?"
ALVARO TADEU SILVA (São Paulo, SP)
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Santa Catarina
"Há mais de 20 anos visitando a cidade de Blumenau, em Santa Catarina, percebi um certo orgulho de um taxista ao me mostrar em uma parede alta a marca do nível que as águas da última enchente tinha atingido. Parecia que as enchentes faziam parte de um calendário turístico, valorizando a cidade. Hoje, vendo a situação desesperadora de seus habitantes com essa última dramática enchente, conclamo a todos que passem a considerar essa calamidade como um marco para mudanças radicais no sentido de acabar de vez com esse problema, e não uma nova marquinha na parede."
GERALDO DE PAULA E SILVA (Rio de Janeiro, RJ)
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Vereadores
"Concordo plenamente com a sugestão do leitor Claudio Navarro Silveira ('Painel do Leitor', 19/12). Muito melhor do que novos vereadores seriam mais médicos no SUS. Aliás, a abertura de novos postos na área da saúde, educação e segurança seria uma forma de estimular a criação de empregos formais, o crescimento de renda e de consumo e assim diminuir os efeitos da crise econômica global. No lugar de socorrer montadoras, beneficiando muito mais os executivos do que os trabalhadores, o governo poderia construir novos hospitais, universidades, escolas técnicas, criando novos postos de trabalhos em diversos níveis e segmentos."
DÉBORA MARTINS (São Paulo, SP)
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"A criação de mais vagas de vereadores pelo Senado foi um escândalo nacional, como se pode ver pela repercussão na imprensa. Neste momento, todos os brasileiros gostariam de jogar sapato naqueles senadores. Apenas cinco votaram contra. Nos demais, sapato neles!"
EDSON BORGES (Muriaé, MG)