Painel do Leitor
27/12/2008 - 04h21

Educação

"O panorama da educação brasileira explicitado por Milú Villela ('O presente dos nossos sonhos', 'Tendências/Debates', 24/12) nos deixa preocupados em relação ao futuro do país. Um bom presente de Natal, não só o deste ano, mas dos próximos também, seria a adoção de medidas factíveis para melhorar a qualidade do ensino básico público. É necessário se conscientizar de que um país não alcançará a felicidade a longo prazo sem uma boa educação. Numa época em que se deseja tanta prosperidade, nada melhor do que refletirmos sobre o que podemos fazer para garanti-la e estendê-la a mais pessoas."

PAULO NEWTON TONOLLI (Sorocaba, SP)

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Saramago

"Causou-me perplexidade a contradição das palavras do eminente Prêmio Nobel José Saramago na Sabatina Folha em 28/11. Isso porque, segundo ele, a Bíblia 'é um livro que não se possa deixar nas mãos de um inocente'. Assisti a 'Ensaio sobre a Cegueira', na ótima releitura de Fernando Meirelles, que o próprio Saramago aprovou, e não consigo imaginar nada diferente do que foi a história da humanidade pelos séculos afora. E, mesmo assim, foi possível no filme separar uma espécie de céu (pessoas semelhantes e decentes convivendo juntas harmoniosamente) do inferno (caos, escuridão, violência e ausência da ordem). A epopéia bíblica foi feita de homens iguais aos que vemos na televisão e no cinema, apenas em uma outra época e contexto. Tem igualmente exemplos do mau uso que o ser humano, pelo livre arbítrio, faz de sua vida, da mesma forma que vemos 'a granel' na mídia hoje. E, ao mesmo tempo, há nesse livro escrito há alguns milênios conselhos extremamente úteis e exemplos de decência inimagináveis, assim como há, ainda hoje, aqui e ali, pessoas carregando o piano todos os dias, dando bons exemplos, pais de família, anônimos em todo mundo, que ainda não descreram da vida e ainda não sepultaram de vez a possibilidade de que haja algo mais do que isso que vemos no mundo atual, porque é a ausência dessa possibilidade que gera a impunidade, pois dá margem à afirmação de indivíduos que se julgam além do bem e do mal e além da justiça falha dos homens."

EDUARDO BEIRITH (Curitiba, PR)

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Call centers

"A lei dos call centers é mais uma daquelas leis criadas para não pegar. Os duopólios Tam/Gol e TVA/Net não fazem a menor questão dos clientes, embora seus lucros venham deles. Não há respeito ao consumidor por essas empresas que lideram a fila de reclamações no Procon e, no entanto, nenhuma medida punitiva foi aplicada para colocá-las em seus devidos lugares. Por falar em desobediência às leis, alguém viu algum banco ser multado por fazer o cliente ficar mais de 15 minutos na fila? Com relação às companhias aéreas, a Anac declarou que sentará com a Gol para discutir o porquê dos atrasos. É patético e um deboche que, às vésperas da saída dos passageiros que compraram seus bilhetes com bastante antecedência, aconteça "overbooking" e a Anac ainda vai sentar para discutir os problemas. Após um ano da mudança de toda a diretoria da Anac e Infraero, era de esperar que pelo menos o caos aéreo tivesse chegado ao fim. Aproveitem a reunião para punir os ladrões de bagagem nos aeroportos, em especial Cumbica, cada vez mais freqüentes. Acorda, Brasil!"

IZABEL AVALLONE (Alto da Boa Vista, SP)

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Taxis

"Ao sair do estádio do Morumbi após o show de Madonna, deparei-me com uma situação inusitada. Os taxistas estacionados ao longo da região se recusaram a me trazer até minha casa, que dista alguns quilômetros do referido local. Para meu espanto, várias outras pessoas passavam pelo mesmo lugar e algumas se dirigiam a regiões bem distantes do estádio. Reclamei para os guardas da CET e também para alguns policiais militares que se estavam por ali. Todos me diziam que eu deveria fazer uma reclamação formal pela internet e disseram que não podiam fazer nada. Fui obrigado a vir praticamente a pé. Assim como me informou o policial militar, se eu estivesse estacionado no lugar do taxi, meu carro já teria sido guinchado e multado. Quem sabe não fosse essa medida que deveria tomar em relação aos taxistas que se recusam a prestar um serviço de utilidade pública."

JOSÉ DA SILVA SIMÕES (São Paulo, SP)

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Chico Mendes

"Pouco ou nada podemos comemorar, a não ser a lembranca da tragédia que foi a morte do grande seringueiro Chico Mendes em 22/12/88, que lutou durante sua vida inteira pela preservação da floresta e dizia que a única saída para o convívio entre o homem e a floresta seria pelo extrativismo. Passados 20 anos de sua morte, seu espirito se contorce em dores pelas tristes notícias vindas da reserva que leva seu nome, de que a maioria dos lotes foram transformados em pastagens, lavouras de soja, cujos arrendatários são funcionários públicos, comerciantes e fazendeiros da região. Na opinião do seu primo Raimundo Mendes, o extrativismo está falido, o sindicato não sabe mais o que defende e adota o discurso dos latifundiários. Pobre floresta, pobre reserva, que hoje virou uma suposta bolsa de commodities, mas, para a humanidade, logo irá virar um passivo ambiental e não mais será reconhecida pela Unesco como patrimônio da humanidade a reserva que leva o nome do grande herói da floresta, que, como Gandhi, Peter Blake, Luther King e Lennon, foi assassinado pelas mãos do próprio homem, pela ganância de terras e madeira.
Esse é o Brasil que não mais cuida de suas florestas e sua biodiversidade. Só nos unimos pela dor."

JOSÉ PEDRO NAISSER (Curitiba, PR)

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Muro da USP

"A Folha publicou, há dias, comentário de arquiteto sobre o muro do campus da USP na marginal Pinheiros, em São Paulo. Apresentou vários argumentos sobre a necessária derrubada do muro, alguns justificáveis, outros não. Um ou dois dias depois, um leitor rebateu as críticas, mostrando não ser favorável à opinião do arquiteto. Mas o jornalista Clóvis Rossi deu apoio ao arquiteto. A USP, até agora, pelo menos pela imprensa, não se manifestou sobre as reclamações referidas. O campus da USP, em Ribeirão Preto, e também o de São Carlos são murados ou cercados. Neles há portões para entrada e saída de funcionários e visitantes, com seguranças. Não há obstáculo à entrada de visitantes, desde que se identifiquem. O campus, embora seja da comunidade, não é lugar adequado para piqueniques e barracas. No campus de Ribeirão Preto, há dois museus (o do café e o que está instalado no casarão antigo do cafeicultor proprietário da fazenda Monte Alegre, hoje ocupada pela USP). Esses museus são visitados com muita freqüência mediante conhecimento e liberação das portarias de entrada. Todo esse controle é necessário e, às vezes, ainda é pouco. Então, sou favorável ao muro. Mas, se a preocupação do arquiteto e dos que o apóiam é dar oportunidade de encantamento aos transeuntes da marginal Pinheiros, acho que se poderia contratar grafiteiros para pintar painéis ricos em formas e cores em toda a extensão do muro, ficando apenas os motoristas proibidos de olhar a beleza criativa da arte."

JOSÉ ROMANO SANTORO (Ribeirão Preto, SP)

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