Painel do Leitor
04/01/2009 - 02h30

Educação

"Parabenizo-os pela reportagem 'Para reduzir corte em aulas de história, SP não amplia filosofia'. Sem dúvida a Follha, com suas matérias sobre o tema no mês de dezembro, é uma das responsáveis por esta reconsideração do Governo do Estado de São Paulo.
Contudo, preocupa-me muito, além da manutenção parcial da redução em história, a redução mantida na carga didática de geografia. História e geografia são disciplinas essenciais para a formação do cidadão.
Sociologia e filosofia também o são. Mas não se pensa sociologicamente ou filosoficamente sem os conhecimentos relativos a espaço e tempo, portanto, sem geografia e história, disciplinas fundamentais para que o indivíduo construa a sua identidade espacial e temporal e se reconheça como cidadão e protagonista de um mundo cada vez mais complexo."

Regina Bega dos Santos, professora do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da Unicamp (São Paulo, SP)

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Israel e palestinos

"Diante da atual crise no Oriente Médio, com os ataques de Israel na Faixa de Gaza vitimando centenas de inocentes palestinos, fica evidente a inoperância da ONU e da UE, sem qualquer poder de intervenção que possa assegurar um mínimo de dignidade humana a essa já sofrida população. Se esse fato estivesse ocorrendo em um país do chamado 'Primeiro Mundo', as reações internacionais seriam as mesmas?"

ERIVAN AUGUSTO SANTANA (Teixeira de Freitas, BA)

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"Por mais ataques que Israel tenha sofrido, foram cometidos pelo grupo guerrilheiro Hamas, e não por civis palestinos, que estão sendo as maiores vitimas desses bombardeios covardes e desproporcionais. É preciso analisar o contexto da criação de Israel e principalmente seu aliado mundial, os Estados Unidos, que fornecem arma e treinamento para o mesmo. Analisar essa situação tendo em vista que um é o vizinho forte e o outro o vizinho fraco que sempre provocou é no mínimo uma limitação do leitor que não tem consciência do contexto histórico polêmico que envolve Israel."

RODRIGO MORITZ BRITEZ (Curitiba, PR)

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"Havia uma casa confortável onde toda a família A morava. Um dia, veio o prefeito e tomou metade dessa casa, cedendo-a à família B. Por isso, parte da família A teve que ficar sem lar, vagando pelas ruas, sem qualquer assistência. Essa família B, por meio da força, foi se apropriando gradativamente do espaço da família A, chegando ao ponto de determinar que toda família A ficasse morando num pequeno cubículo, cercado por um alto muro e arame farpado, em condições sub-humanas, dependendo, para sobreviver, dos humores da família B em autorizar que alimentos e medicamentos de entes assistenciais chegassem a ela. Ainda mais, sem esperança, a família A tenta de qualquer forma se proteger e ser ouvida, sem sucesso. Há diversas formas de se entender os mesmos fatos."

CLÁUDIO REGIS DEPES (Assis, SP)

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Psicologia

Sobre a coluna de Drauzio Varella : nos meus primeiros anos de faculdade de psicologia, me interessava por psicologia evolucionista, mas não entendia as críticas que a denunciavam como uma ciência reacionária. Hoje compreendo que tal forma de entender o homem faz parte de uma visão positivista, que a tudo tenta reduzir a questões cientificamente comprováveis (comportamentos humanos nada mais seriam que genes em relação a variações ambientais, tudo sempre calculável). Não apenas isso, mas essa visão de homem também o aliena de seu contexto histórico-social, ao pensá-lo como parte da história natural e não como parte da história humana. É assim que hoje se chegou a pensar como mais determinante no comportamento humano a seleção natural, ao invés da sociedade estratificada, ou a luta de classes, a escravidão, entre outras coisas que explicam por que um indivíduo se propõe a trabalhar 10 horas por dia ganhando um salário mínimo, tendo que pegar ônibus lotados todos os dias e não poder desfrutar dos objetos que produz ou viver nas casas que limpam. O que os genes têm a nos dizer sobre isso?"

LUCAS CALDANA GORDON (São Paulo, SP)

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Navegar é preciso

"É impressionante a intimidade que existe entre Cony e as letras, para o deleite de quem o lê. Magnífica e ousada essa interpretação da famosa frase que eu também imaginava ser de autoria do Pessoa. Interessante e engraçado também 'a posteridade só pensar em Machado na base de Capitu deu ou não deu'. Adorei!"

CLÁUDIA M.R. TEIXEIRA (Belo Horizonte, MG)

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Crise

"Muito oportuno o artigo de Clóvis Rossi de 3/1. Creio que, para o brasileiro comum, a crise ainda não se fez sentir. Como diz um amigo, basta desligar a TV e fechar os jornais e a crise acabou. Tivemos aumento das vendas de Natal em relação ao mesmo período do ano passado, ainda que abaixo do esperado, pudera, levando-se em conta a campanha 'pró-crise' dos meios de comunicação. Dessa maneira faz-se muito ilustrativa uma piadinha que ouvi de outro sábio amigo: 'Um cacique de uma tribo norte-americana acionou o serviço de meteorolgia para saber qual seria o rigor do inverno naquele ano; 'muito rigoroso como sempre' foi a resposta que ouviu. Sua ordem para a tribo foi então a de cortarem muita madeira a fim de precaverem-se. Na semana seguinte fez nova consulta ao serviço de meteorolgia à qual obteve a resposta de que o inverno seria ainda mais rigoroso do que se previa na semana anterior. Sua ordem à tribo foi a de cortar mais madeira. Na terceira semana, em nova consulta, recebeu a notícia de que as previsões eram de um inverno muitíssimo rigoroso, mais ainda do que haviam previsto anteriormente. Mesma ordem aos seus: cortar lenha. Na quarta semana, o cacique fez uma última consulta, na qual ficou sabendo que o inverno seria talvez o mais rigoroso dos últimos anos, o cacique aturdido, finalmente indagou ao interlocutor de onde é que se tiravam essas informações. Ao que escutou da voz do outro lado da linha: 'É que a tribo indígena que vive nas cercanias tem cortado muita madeira para este inverno'."

FÁBIO MARQUES FERREIRA (Ribeirão Preto, SP)

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