Israel x Palestina
"Todos concordam com o fato de que a questão entre judeus e palestinos é de quase impossível solução, pois a guerra entre estes dois povos nasceu no momento mesmo em que a ONU, em 1948, deixou de chamar as duas partes interessadas na questão para sentarem-se à mesa de negociações a fim de que os direitos de ambos os lados fossem tecnicamente delimitados e garantidos por uma fronteira justa e aceitável. Como isso não foi feito, e simplesmente redesenharam o mapa, à partir daí todos têm razão e ninguém tem razão.
Cenas horripilantes de morticínio são incessantemente veiculadas de um lado e de outro, pois se hoje assistimos emocionados à morte até de crianças palestinas, não podemos esquecer as cenas de sangue e horror dos ataques de homens e mulheres-bombas palestinos em mercados, restaurantes e ônibus em pleno centro das cidades judaicas. É sangue derramado da população civil de todo lado. Choram mães judias e palestinas pelos filhos mortos, com a exceção das mães dos assim considerados mártires de Alá, que se estouram em público levando consigo muitas outras vidas. Estas mães invariavelmente aparecem segurando ao peito a foto de seus filhos terroristas, orgulhosas de seus feitos assassinos. É, isso tem que ser dito também.
Mas o que mais me espanta é o apoio unilateral do PT à causa palestina. E não só do PT, mas da mídia mundial. Parece até um movimento orquestrado pela esquerda internacional --que namora todos os líderes muçulmanos radicais-- para desqualificar a legitimidade da existência do Estado de Israel e demonizar a todos os judeus."
MARA MONTEZUMA ASSAF (São Paulo, SP)
*
"Tenho lido neste 'Painel do Leitor' inúmeros argumentos a favor de Israel. Mas as pessoas estão se esquecendo de um 'pequeno' detalhe: Israel, com o aval da ONU, usurpou as terras palestinas, expulsou a população de suas casas e tomou posse do que não lhe pertencia.
E queria o quê? Que os palestinos amontoados em meio metro de terra ficassem quietinhos para que ele usufruísse em paz das terras usurpadas?
Se a ONU queria consolar os judeus por causa da maldade de Hitler,que desse a eles um pedaço da Alemanha."
SUZANA MARIA APARECIDA DE JESUS (Cianorte, PR)
*
"Qual teria sido a reação do sr. João Pereira Coutinho ( Ilustrada, 6/1) se o Estado de Israel tivesse sido criado em Portugal e a sua família expulsa pelos recém-chegados?"
AFRÂNIO BORGES DE FREITAS (Ribeirão Preto, SP)
*
"A guerra travada entre Israel e Hamas suscita o surgimento de um sem-número de analistas-especialistas, que procuram fazer comparações com outras situações como se as motivações, os ambientes, os tempos e uma série de outros fatores permitissem. Comparar esta situação com holocausto, genocídio, ditaduras, criancinhas das favelas etc. é pura baboseira, é coisa de gente que não tem conhecimento, não tem o que falar, mas quer dar o seu pitaco.
Em 'Mudar as palavras', João Pereira Coutinho faz uma comparação esclarecedora, exatamente por ser simplista e não pretender se aprofundar em temas mais complexos. A leitura deste artigo deveria ser obrigatória para todos, assim os pretensos analistas poderiam começar a entender a situação atual da região."
JAYME NIGRI (São Paulo, SP)
*
"O jornalista Coutinho iniciou seu artigo 'Mudar as palavras' dizendo que não gastaria seu latim para convencer leitores sobre quem tem ou não razão nos conflitos do Oriente Médio. E desenrolou um texto pedindo que o leitor imaginasse que o Brasil fora atacado nos anos 60 por três potências da América Latina, que vencera o conflito e ocupara militarmente o Uruguai, o que gerou a constituição de grupos terroristas que passaram a atacar a população civil de São Paulo e por aí vai.
Francamente, ele deveria ter deixado sua história com o estatuto de imaginária, como definiu no início. Deu uma impressão de que tentava explicar a ignorantes leitores, todos no limite da alienação absoluta, o que realmente acontece no Oriente Médio. O 'coloquem-se no lugar deles' descrito da forma que fez é tão desnecessário quantos os próprios exemplos que encontrou. Não critico quem expõe suas opiniões em meios de comunicação, pelo contrário. Não compartilho das ideias de quem toma partido em situações como esta, mas as respeito. O que não suporto é a arrogância de quem não respeita os leitores do meio em que escreve; de partida, Coutinho os toma como adversários, aos quais é necessário explicar o mundo com exemplos rasteiros --já que imagina que de outra forma não o entenderão--, acreditando que seus referenciais são os únicos que merecem vingar num mundo de medíocres e que sua análise é a única a ter lucidez."
MARÍLIA MEZZOMO RODRIGUES (Florianópolis, SC)
*
"Chocante, mas necessária, a foto publicada na Primeira Página de ontem nesta Folha, mostrando uma menina palestina morta. Serve para nos lembrar da imensa estupidez deste conflito.
Em sua breve existência, ela não teve tempo de ser contaminada por doutrinas de vingança, ódio ou fundamentalismo religioso contra judeus ou palestinos. Era apenas uma criança assustada, a quem a insanidade humana travestida de políticas de Estado ou de grupos armados roubaram a chance de gozar do bem supremo que é a vida.
Tal barbarismo em tempo real, possibilitado pelos meios eletrônicos, deixa a todos que a viram o desconforto de pertencer à espécie humana."
OSTILIO DOS SANTOS (São Paulo, SP)
-
Estradas
"Enquanto vemos o mundo inteiro boquiaberto com a calamidade na guerra entre Israel e o Hamas, aqui nós perdemos tantas vidas nas estradas federais quanto essa guerra e não vemos nenhuma autoridade se pronunciar.
Nem nosso presidente, nem o presidente da França, nem o presidente americano, nem o Obama. Ninguém!
Foram 435 mortos em 16 dias, sem contar os que morreram nos hospitais e os feridos. E sem contar os acidentes nas estradas estaduais.
O chanceler Celso Amorim apresentou três sugestões de cessar-fogo. O governo brasileiro lamentou a perda de vidas humanas. E nós, como ficamos?"
ARCINDO VAQUERO Y MAYOR (São Paulo, SP)
-
Ruy Castro
"Espanta-nos o escritor Ruy Castro permanecer como articulista desse jornal, haja vista seus artigos irem de encontro ao estilo e orientação editorial que se observa no resto da Folha. Ele é verdadeiro, autêntico e enfático no artigo 'Zico e Roberto' ( Opinião, 7/1): 'há um tedioso automatismo quando se trata do noticiário sobre o Rio: é preciso privilegiar a má notícia. Mas as coisas boas, de teimosas, insistem em acontecer'. Parabéns ao Ruy."
CESAR LUIZ DA SILVA PEREIRA (Curitiba, PR)
-
Impostos
"Como faz anualmente, o governo paulista avalia por volta de outubro os valores dos veículos automotores para cobrar seu altíssimo IPVA de 4%. Além do percentual absurdo, pior ainda é pagar um imposto sobre um valor irreal, porque os veículos estão valendo agora menos 30% em média quando de 60 dias atrás. Basta conferir nas concessionárias, e isso quando ainda aceitam carros usados na base de troca por um novo. Nada como a mão grande do governo Serra em nosso bolso. Mas é bom lembrar ao governador que 2010 vem aí."
LAÉRCIO ZANINI (Garça, SP)
