Eliane Cantanhêde
A festa eleitoral em 2008
Em 2008, o eixo político deve se deslocar do Congresso Nacional para os Estados, efervescentes na campanha eleitoral dos candidatos a prefeitos. Aliás, não apenas o eixo político, mas os próprios políticos deverão fazer esse caminho.
A grande questão em jogo continuará sendo o Fla-Flu entre PT e PSDB. Será um teste de força dos dois principais partidos, além de uma ocupação de espaços eleitorais que poderão ser bastante úteis na partida decisiva, em 2010. Quanto mais prefeituras têm um partido e seu candidato presidencial, mais apoios e chances têm, é claro. Não é suficiente para ganhar, mas que ajuda, ajuda.
Até por isso mesmo, a disputa municipal mais emocionante será, como sempre, em São Paulo, capital mais rica, mais sofisticada e origem tanto do PT quanto do PSDB. O presidenciável José Serra jogará todo o seu cacife a favor do prefeito Gilberto Kassab, um trampolim para o apoio do DEM em 2010. Mas Geraldo Alckmin é o favorito e é tucano. Briga interna boa.
Do outro lado, Marta Suplicy é tão favorita quanto Alckmin, com a diferença de que não quer. Ou, pelo menos, diz que não quer. Em política, às vezes não significa muita coisa. Ela é a única candidata petista com fôlego real. Se o partido exigir que vá para a guerra, terá de ir.
No mais, Aécio Neves tem posição consolidada em Minas, onde convive muitíssimo bem com o PT e tenta articular uma candidatura que não seja de um partido, mas de um Estado para 2010. Não um nome tucano, mas um nome mineiro. Lá, funciona assim. Mas não digam que é ciúme de São Paulo. Os mineirinhos viram umas feras.
E, no Rio, um cenário curioso, porque diferente do plano nacional e do restante das capitais. Se são os mais fortes e se enfrentam nacionalmente, o PT e o PSDB parecem praticamente fora da disputa na Cidade Maravilhosa, onde o que vale é a força dos evangélicos, que embalam a candidatura Marcelo Crivella, e da telinha, onde brilha Wagner Montes, que ficou famoso como jurado do Sílvio Santos no SBT e hoje está na TV Record. Crivella e Montes são os favoritos, pelo menos até a última pesquisa Datafolha, no final de 2007.
O PT deve crescer pelo país afora, especialmente no Nordeste, pela força da gravidade. O PSDB deverá se manter, nem para mais, nem para menos, e o DEM é a grande incógnita. Mudou de nome, mudou de líderes, esforça-se para renovar-se - e sobreviver. O PMDB? Esse é grande, continuará grande. E pronto para apoiar o futuro governo de plantão, seja quem for, de que partido for. Peemedebista é que, muito provavelmente, não será.
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Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília. E-mail: elianec@uol.com.br |
