Pensata

Eliane Cantanhêde

02/07/2008

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Você que precisa ou gosta de viajar, anote aí na agenda: o ministro Nelson Jobim prometeu ao presidente, diante de um punhado de ministros e de chefões de estatais, que em um mês vai apresentar um plano para diferenciar as taxas aeroportuárias dos vôos internacionais, reduzindo as dos vôos para a América do Sul.

A reunião foi na quarta, 25/06. O plano, com uns diazinhos de colher-de-chá para o ministro, tem de sair da promessa para o papel até 31 de julho. Ele concordou plenamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e com os representantes do Itamaraty em que não é razoável o sujeito que viaja para Buenos Aires, aqui ao lado, pagar a mesma taxa que o outro que vai para Tóquio, do outro lado do mundo.

Hoje, a taxa de embarque internacional é unificada em US$ 36 (em torno de R$ 60) no Rio e em São Paulo. Proporcionalmente, significa que o passageiro para Buenos Aires morre às vezes em até um quarto da passagem para pagar a taxa, enquanto o que vai para Tóquio só paga 2%.

Como a política externa brasileira repete feito papagaio que a prioridade é a América do Sul, o mínimo que se espera são estímulos e privilégios para a comunicação, inclusive física, entre os países da região. A taxa unificada é o antiestímulo. E há vários outros.

Quer ver? Como justificar que o cidadão argentino, paraguaio ou venezuelano tenha de enfrentar as mesmas filas dos europeus e norte-americanos no Galeão ou em Cumbica? E como falar em integração, com tantas escalas e conexões para voar de qualquer canto do Brasil para Quito ou Bogotá?

Com o duopólio da TAM e da Gol, é hora de facilitar e incentivar a criação de companhias e de vôos regionais, inclusive com subsídios (palavrinha que o pessoal da economia odeia...) Aliás, vôos regionais não só para fora, mas também dentro do próprio país. O desemprego cai, a renda aumenta, e o brasileiro (inclusive do Norte e do Centro-Oeste, muito mal assistido) quer e agora pode viajar. Que haja ofertas de vôo para ele. E com preços acessíveis, claro.

É esse pacote que Nelson Jobim vem discutindo com Anac, Infraero, FAB e companhias aéreas, está sendo submetido ao Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil, com a participação de uma penca de ministros) e será enviado ao Planalto.

Junto com ele, também deverão vir novidades para estimular o financiamento privado de aeroportos e pistas, um outro pepino da aviação brasileira. Mas isso é uma outra história...

Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília.

E-mail: elianec@uol.com.br

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