Pensata

Eliane Cantanhêde

21/10/2009

Ciro, outro "irrevogável"?

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O verdadeiro alvo de toda a intensa movimentação de Lula a favor de Dilma não são José Serra, mesmo estando disparado na frente das pesquisas, nem Aécio Neves, que continua à espreita e recolhendo simpatias na oposição. O grande adversário do projeto Lula neste momento, a ser batido já, é outro: Ciro Gomes, que permanece insistentemente à frente de Dilma em praticamente todos os cenários, apesar do obstinado empenho governista a favor de sua candidata.

A oposição pode muito bem esperar. Ficar para depois, em 2010, e até lá vai se derrotando sozinha, com Serra e Aécio dividindo energias e votos internos, e com o PSDB e o DEM se estranhando em praça pública.

O problema imediato é controlar Ciro e esvaziar seu potencial eleitoral. Lula tem suas armas, e sabe muito bem como e em que momento usá-las. Uma delas é pessoal, o p oder de convencimento (se necessário, constrangimento). A outra é política, o poder real que a Presidência e sua forte popularidade lhe conferem.

Essas duas armas estão apontadas diretamente para o peito do candidato do PSB. Lula repete com Ciro a tática que usou quando Aloizio Mercadante disse que sua saída da liderança do PT do Senado era "irrevogável", pois não suportava toda aquela lambança para salvar o pescoço de José Sarney. Bastou uma conversinha amiga com Lula no Planalto para o irrevogável ser rapidamente revogado. Mercadante voltou para o Senado e para a órbita de Sarney carregando para o resto da vida o vexame do recuo.

Com Ciro, mais explosivo, menos previsível, com menor dever de lealdade, não bastava uma conversinha amiga no Planalto, depois que ele colocou sua candidatura na rua. Daí por que Lula botou Ciro debaixo de um braço e Dilma debaixo do outro e saiu por aí num passeio de três dias pelas margens do São Francisco, com direito a beijinhos, juras de amor e fotos, muitas fotos. Ciro voltou a Brasília, no mínimo, sob constrangimento.

A outra arma de Lula virou metralhadora giratória e não deixa de pé um só partido disponível para se coligar com o PSB e assim dar impulso e tempo de TV para uma eventual candidatura Ciro. Já caíram a cúpula do PMDB, o PR, o PP, o PRB e, na outra ponta, o PC do B, enquanto Lula vai mirando também o PDT. Sobra o PTB, que tende a marchar com a oposição (PSDB-DEM-PPS) e a se dividir no meio do caminho.

E Ciro? Ele disse à Folha que só vai procurar Lula para uma conversa definitiva no ano que vem. "Se houver a decisão de uma candidatura nossa, aí estaremos liberados para procurar aliados", disse. Seu risco vai ser olhar em volta e não encontrar nadica de nada. Que "aliados"?

A não ser que a candidatura Dilma naufrague, e os aliados pulem ao mar e ao alcance de sua rede, o risco de Ciro é f icar simplesmente a ver navios.

Com uma dificuldade a mais: sem alternativa. Ao contrário de Serra, que sempre pode disputar a reeleição em São Paulo, e de Aécio, que tem mais de uma opção, Ciro não tem para onde correr: se não for candidato a presidente, vai mesmo concorrer ao governo de São Paulo? Isso é o pior dos mundos: depois de engolido por Lula e Dilma no plano nacional estará prontinho para ser devorado pelo PT no estadual.

http://spiffy.corp.folha.com.br/news/site/17/section/681/newstexts/new

Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília.

E-mail: elianec@uol.com.br

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Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
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Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
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Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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