Pensata

Fernando Canzian

06/10/2008

Pânico

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WASHINGTON - Em mais uma segunda-feira negra, os mercados mundiais desabaram.

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Loja de calçados faz "promoção da recessão" em Washington; compre um e leve dois
Loja de calçados faz "promoção da recessão" em Washington; compre um e leve dois

Desta vez, parecem contaminados por uma freudiana "pulsão de morte", onde o derretimento se auto-alimenta com notícias negativas na economia não-financeira. É essa economia real, da rua, quem vai, em última análise, determinar os preços futuros das ações nas Bolsas de Valores. Daí a queda: a aposta é numa recessão geral.

O mercado brasileiro foi um dos mais castigados por esse movimento, não necessariamente por uma expectativa de forte desaquecimento de sua economia. A Bovespa era uma das que vinham se mantendo mais valorizadas desde o início da crise. Agora sucumbiu, na esteira de uma real perspectiva de forte queda na atividade em todo o planeta.

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Consumidora deixa loja que passou a dar descontos de até 50% para vender mais
Consumidora deixa loja que passou a dar descontos de até 50% para vender mais

Altamente influenciada pelos preços de commodities, que devem ser afetados por uma recessão, não havia outra direção possível para a Bolsa brasileira, a não ser para baixo.

A crise também se alastrou mais claramente dos EUA para a Europa. No fim de semana, Alemanha e Reino Unido tiveram de emitir declarações oficiais de socorro a bancos e garantias de depósitos bancários. A atitude de distanciamento pueril que os governos europeus vinham adotando há algumas dias, como se a crise fosse uma "crise americana", foi varrida na marra.

Mas os EUA continuam como epicentro do problema. Se avolumam sinais cada vem mais claros de que uma recessão, nada pequena, está a a caminho. Nunca os bancos e consumidores do país estiveram tão endividados. Como a crise é de crédito, dificilmente será rápida a sua solução.

Várias empresas e redes de lojas já entenderam a gravidade da situação. A palavra "recessão" já está nas vitrines e algumas cadeias fazem liquidações com descontos de até 60%. Prevendo o pior, parecem tentar adiantar algum dinheiro agora para um tempo de vacas mais magras.

No mercado, também caiu a ficha sobre as enormes dificuldades de implantação do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso na semana passada.

Desentupir o mercado de crédito, onde mesmo os grandes bancos e empresas estão com enormes dificuldades de financiamento, pode levar semanas, senão meses. O Tesouro ainda mal montou a equipe de gerenciamento disso. O Fed (banco central dos EUA) já entendeu e está ampliando linhas de crédito e seu alcance no mercado. Ontem, falava-se em mais US$ 900 bilhões em liquidez.

Os desdobramentos da crise têm sido cada vez mais surpreendentes, e o quadro é extremamente indeterminado. Mas há também muito pânico e irracionalidade nesses movimentos.

Enfim, é mais uma crise da humanidade, com humanos em ação.

*

Na sede do FMI (Fundo Monetário Internacional), em Washington, há um interessante painel sobre as crises do século 20, que começa exatamente na de 1929 --o fosso para termos de comparação com os atuais acontecimentos.

Economia não é uma ciência exata. Mas ela tem ciclos, como a história demonstra. O problema, para quem está vivo, é quando estamos no meio do ciclo de baixa. No caso do Brasil, mais triste ainda é que depois de quase 30 anos parecia que as coisas poderiam dar muito certo. Não deram. Só resta seguir em frente.

Abaixo, alguns dos altos e baixos do século 20:

1929 - Desempregados fazem protesto durante a crise financeira nos Estados Unidos
1929 - Desempregados fazem protesto durante a crise financeira nos Estados Unidos
1950 - Gráficos mostram a recuperação de vários setores e mercados no pós-guerra
1950 - Gráficos mostram a recuperação de vários setores e mercados no pós-guerra
1971 - A crise do petróleo volta a colocar a economia global em um cenário de recessão
1971 - A crise do petróleo volta a colocar a economia global em um cenário de recessão
1991 - A URSS entra em colapso, o mundo se globaliza e os russos comem McDonald's
1991 - A URSS entra em colapso, o mundo se globaliza e os russos comem McDonald's
Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.

E-mail: fcanzian@folhasp.com.br

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Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (93) 21/12/2009 09h58
Olmir Antonio de Oliveira (93) 21/12/2009 09h58
A respeito de fusão e ou incorporação. São amplas as possibilidades de fusões associações, aquisições, incorporações. Ao mercado brasileiro, a as empresas brasileiras. È de se crer na ampliação dos horizontes empresariais, no Brasil e no mercado internacional, è parte da democracia e globalização...... È importante se pensar nas ampliação das possibilidades de se adotar novas tecnologias, novas formulações, novas visões, novos tratos para uso de produtos usuais do mercado e ou de novas gerações de itens. Exemplifico para o caso do cimento evolução na utilização de agregado, compostos basicos, quimicamente tem faltado dar mais atenção a pontos basicos adequar temperaturas e pequenos arranjos nas confeções. No setor de aço conjuagar produtos atuais do mercado e até novas composições, e ou formatos elaborativos, a exemplo da utilização de pricipios simples, agregando multiplas placas extruturadas. para novos sistemas contrutivos, e ou melhorias aos atuais. è de se prever a construção de predios, avioões, onibus, caminhões, trem,navios, pontes e ou viadutos, "principalmente para se evitar tragédias similar a ocorrida no rodo anel de SP".... nova visão para arquitetura, designer noderno, eficiente, ágil, econômicamente viaveis, e ou industrialmente. e ou a nivel de execução. O fundamental é estar ocorrendo mudança na maneira de se pensar, e avontade de tentar novos processos, bom sinal para o Brasil suas empresas e trabalhadores. sem opinião
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Henrique Silva (220) 21/12/2009 09h48
Henrique Silva (220) 21/12/2009 09h48
Ogrande endividamento público dos países ricos durante a crise é um risco ao crescimento econômico sustentável. Assim como no Brasil, que se endividou muito nos anos 90, perdeu sua capacidade de crescimento e se enfiou em sucessivas crises.
Mas agora vivemos uma situação diferente, mas não menos perigosa, pois o Brasil está melhor em suas contas públicas que os países ricos, mas o problema é: como eles vão comprar nossos produtos se não tiverem dinheiro?
sem opinião
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augusto palme (3) 20/12/2009 11h27
augusto palme (3) 20/12/2009 11h27
Ano 2010 está chegando, com uma euforia nunca vista aqui no Brasil. Tudo indica um ano fabulosos em todos os aspectos e para todos. Há duas noticias no Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde de hoje que recomendam cautela. Vejam:
O ESTADO DE S.PAULO- 20.12.09
Em 2008 e 2009, parte da crise ocorreu diante da incapacidade de muitos em pagar suas dívidas. Casas foram devolvidas e empresas foram fechadas em meio à falta de crédito. Para 2010, a eventualidade de uma falência nas contas públicas teria um impacto bem maior. Não por acaso, a agência Moody"s publicou um relatório no início da semana (14 A 20.12.09) com um título que chamou a atenção do mercado: "Apertem os Cintos - Tempos Tumultuados pela Frente".
JORNAL DA TARDE - 20.12.09
O problema é que quando as contas mais altas chegarem em janeiro, boa parte dos paulistanos estará mais endividada do que estava no início de 2009. Uma pesquisa da Federação do Comércio prevê que as vendas deste Natal sejam entre 10% e 12% maiores que as do Natal de 2008, com o agravante de que as compras a prazo também devem crescer na mesma proporção.
A combinação de aumento do consumo no Natal com um reajuste acima da inflação nas despesas de início de ano pode deixar o consumidor numa situação delicada.
O que devo fazer: acreditar e tomar cautela, ou confiar na midia especialmente televisiva ficando eufórico e tambem sair gastando? Alguem me ajude por favor.
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