Fernando Canzian
Pânico
WASHINGTON - Em mais uma segunda-feira negra, os mercados mundiais desabaram.
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| Loja de calçados faz "promoção da recessão" em Washington; compre um e leve dois |
Desta vez, parecem contaminados por uma freudiana "pulsão de morte", onde o derretimento se auto-alimenta com notícias negativas na economia não-financeira. É essa economia real, da rua, quem vai, em última análise, determinar os preços futuros das ações nas Bolsas de Valores. Daí a queda: a aposta é numa recessão geral.
O mercado brasileiro foi um dos mais castigados por esse movimento, não necessariamente por uma expectativa de forte desaquecimento de sua economia. A Bovespa era uma das que vinham se mantendo mais valorizadas desde o início da crise. Agora sucumbiu, na esteira de uma real perspectiva de forte queda na atividade em todo o planeta.
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| Consumidora deixa loja que passou a dar descontos de até 50% para vender mais |
Altamente influenciada pelos preços de commodities, que devem ser afetados por uma recessão, não havia outra direção possível para a Bolsa brasileira, a não ser para baixo.
A crise também se alastrou mais claramente dos EUA para a Europa. No fim de semana, Alemanha e Reino Unido tiveram de emitir declarações oficiais de socorro a bancos e garantias de depósitos bancários. A atitude de distanciamento pueril que os governos europeus vinham adotando há algumas dias, como se a crise fosse uma "crise americana", foi varrida na marra.
Mas os EUA continuam como epicentro do problema. Se avolumam sinais cada vem mais claros de que uma recessão, nada pequena, está a a caminho. Nunca os bancos e consumidores do país estiveram tão endividados. Como a crise é de crédito, dificilmente será rápida a sua solução.
Várias empresas e redes de lojas já entenderam a gravidade da situação. A palavra "recessão" já está nas vitrines e algumas cadeias fazem liquidações com descontos de até 60%. Prevendo o pior, parecem tentar adiantar algum dinheiro agora para um tempo de vacas mais magras.
No mercado, também caiu a ficha sobre as enormes dificuldades de implantação do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso na semana passada.
Desentupir o mercado de crédito, onde mesmo os grandes bancos e empresas estão com enormes dificuldades de financiamento, pode levar semanas, senão meses. O Tesouro ainda mal montou a equipe de gerenciamento disso. O Fed (banco central dos EUA) já entendeu e está ampliando linhas de crédito e seu alcance no mercado. Ontem, falava-se em mais US$ 900 bilhões em liquidez.
Os desdobramentos da crise têm sido cada vez mais surpreendentes, e o quadro é extremamente indeterminado. Mas há também muito pânico e irracionalidade nesses movimentos.
Enfim, é mais uma crise da humanidade, com humanos em ação.
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Na sede do FMI (Fundo Monetário Internacional), em Washington, há um interessante painel sobre as crises do século 20, que começa exatamente na de 1929 --o fosso para termos de comparação com os atuais acontecimentos.
Economia não é uma ciência exata. Mas ela tem ciclos, como a história demonstra. O problema, para quem está vivo, é quando estamos no meio do ciclo de baixa. No caso do Brasil, mais triste ainda é que depois de quase 30 anos parecia que as coisas poderiam dar muito certo. Não deram. Só resta seguir em frente.
Abaixo, alguns dos altos e baixos do século 20:
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| 1929 - Desempregados fazem protesto durante a crise financeira nos Estados Unidos |
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| 1950 - Gráficos mostram a recuperação de vários setores e mercados no pós-guerra |
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| 1971 - A crise do petróleo volta a colocar a economia global em um cenário de recessão |
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| 1991 - A URSS entra em colapso, o mundo se globaliza e os russos comem McDonald's |
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Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.
E-mail: fcanzian@folhasp.com.br |








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Mas agora vivemos uma situação diferente, mas não menos perigosa, pois o Brasil está melhor em suas contas públicas que os países ricos, mas o problema é: como eles vão comprar nossos produtos se não tiverem dinheiro?
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O ESTADO DE S.PAULO- 20.12.09
Em 2008 e 2009, parte da crise ocorreu diante da incapacidade de muitos em pagar suas dívidas. Casas foram devolvidas e empresas foram fechadas em meio à falta de crédito. Para 2010, a eventualidade de uma falência nas contas públicas teria um impacto bem maior. Não por acaso, a agência Moody"s publicou um relatório no início da semana (14 A 20.12.09) com um título que chamou a atenção do mercado: "Apertem os Cintos - Tempos Tumultuados pela Frente".
JORNAL DA TARDE - 20.12.09
O problema é que quando as contas mais altas chegarem em janeiro, boa parte dos paulistanos estará mais endividada do que estava no início de 2009. Uma pesquisa da Federação do Comércio prevê que as vendas deste Natal sejam entre 10% e 12% maiores que as do Natal de 2008, com o agravante de que as compras a prazo também devem crescer na mesma proporção.
A combinação de aumento do consumo no Natal com um reajuste acima da inflação nas despesas de início de ano pode deixar o consumidor numa situação delicada.
O que devo fazer: acreditar e tomar cautela, ou confiar na midia especialmente televisiva ficando eufórico e tambem sair gastando? Alguem me ajude por favor.
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